• No results found

5 Grunnloven av 1920 og Estlands demokratiske utvikling

5.2 Andre forklaringer

5.3.1 Stemmerett

5.3.1.2 Valg til parlamentet

Essa categoria foi criada devido a necessidade que nós tínhamos em identificar o que os nossos idosos entendiam por velhice.

Autoconceito configura-se como o conjunto organizado das percepções sobre si mesmo, admitido pela consciência, produto da interação social. Freire (2002, p. 930) afirma que, do ponto de vista sociológico e psicológico, o âmago do autoconceito é o self, “a consciência que o indivíduo tem de sua contínua identidade e de sua relação com o ambiente, ou do que vê como essencial sobre si mesmo”.

Sanchez e Escribano (1999) definem autoconceito como uma atitude valorativa do indivíduo acerca de si mesmo, envolvendo estima, sentimentos, experiências ou atitudes que o indivíduo desenvolve sobre si.

Similarmente ao conceito de velhice, agrupamos o autoconceito de velhice em dois sentimentos distintos: positivo e negativo e verificamos os aspectos positivos, através das subcategorias criadas, se apresentaram em maior número (Gráfico 1).

Gráfico 1- Autoconceito negativo e positivo da velhice

Fonte: Dados da Pesquisa

Em uma primeira análise, observamos que surgiram mais subcategorias positivas do que negativas sobre o autoconceito de velhice e por isso, optamos por iniciar nossa discussão pelos aspectos positivos, e posteriormente, seguiremos com os aspectos negativos.

Os aspectos positivos associados ao autoconceito de velhice que identificamos nos discursos dos sujeitos relacionam o envelhecimento com uma fase onde se pode aproveitar a vida, colher bons frutos, como uma etapa de ganhos e realizações adquiridas através da maturidade, entre outros, como observamos no gráfico abaixo.

Gráfico 2 - Representação gráfica das subcategorias do autoconceito positivo de velhice

Das subcategorias mais frequentes, com uma significância de 27%, de acordo com a Tabela 1, o autoconceito de velhice positivo está associado a uma fase de ganhos e realizações.

Tabela 1 - Autoconceito Positivo da Velhice

CATEGORIA: AUTO- CONCEITO DE VELHICE SUBCATEGORIAS EXEMPLOS FREQUÊNCIA Absoluta % POSITIVO COLHER BONS FRUTOS

Então é muito legal nessa idade estar acontecendo isso com você! Mas é uma coisa que eu plantei. (...) Eu trabalhei pra tudo isso, que aconteceu na minha vida, só coisas boas.

(Carlinhos, 65 anos, C.F.)

3 10%

GANHOS REALIZAÇÃO

se eu soubesse que só iria acontecer coisas boas na minha vida, porque na minha vida só aconteceram coisas boas, não aconteceu nada, nada, nada que me decepcionasse e que eu fiquei muito triste, e que fiquei arrasado, nada disso! (Carlinhos,

65 anos, R.C.)

8 27% TEMPO DE

APROVEITAR A VIDA

eu tenho que aproveitar os momentos que eu tenho né, já tenho 65 anos então a minha prioridade realmente no momento é viver

intensamente a minha vida (Carlinhos, 65 anos, C.F.) 6 20% REALIZAÇÃO DE

SONHOS ADIADOS

Esse, vou conseguir ser feliz um dia, é morar numa ilha... (risos) (Numa ilha?) É eu adoro morar assim, num rio, numa roça, onde

eu veja animais, pássaro que canta (Chaves, 60 anos, C.F.) 2 7% ACEITAÇÃO DA

PRÓPRIA VELHICE

Mas eu encaro o envelhecimento como uma coisa normal, porque é uma coisa natural da vida, o envelhecimento faz parte e

eu costumo dizer que o tempo é implacável pra todos, a velhice

chega pra todos... (Vitor, 60 anos, E.) 7 23%

INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA

Eu sou uma pessoa totalmente estabilizada (Carlinhos, 65 anos,

E.) 4 13%

Fonte: Dados da Pesquisa

Para comentar a subcategoria mais marcante, gostaríamos de apresentar uma característica importante dos nossos sujeitos. O poder aquisitivo dos idosos que participaram do estudo pertence à classe econômice média, classe A e B, são pessoas independentes financeiramente. Como ilustramos na tabela 1, isso talvez construa um perfil diferente daquele idoso de classe mais desfavorecida. Por exemplo, Carlinhos diz que hoje não lhe falta nada, e relata ter um bom plano de saúde, comer bem, viver bem, talvez isso favoreça um envelhecimento permeado de ganhos e realizações contribuindo para um autoconceito positivo da velhice.

Os nossos idosos associam as questões de trabalho favorecendo a independência financeira, bem como a perspectiva de realizarem sonhos que foram adiados, além de relacionar a velhice com um tempo em que podem aproveitar a vida.

Então é muito legal nessa idade estar acontecendo isso com você! Mas é uma coisa que eu plantei. [...] Eu trabalhei pra tudo isso, que aconteceu na minha vida, só coisas boas (Carlinhos, 65 anos, C.F.).

Eu tenho que aproveitar os momentos que eu tenho né, já tenho 65 anos então a minha prioridade realmente no momento é viver intensamente a minha vida (Carlinhos, 65 anos, C.F.).

Analisando a subcategoria menos frequente, a sensação que nos foi passada é de que a velhice favorece esses idosos para que possam desfrutar de momentos antes não desfrutados, que as responsabilidades as atribulações, as atividades, a produtividade se redesenharam, de forma que a velhice possa ser vivida priorizando a satisfação própria que muitas vezes foi abdicada por precisarem cuidar de suas famílias, do seu trabalho, do outro. Vitor exemplifica o exposto acima quando diz:

[...]Falei:Vou retomar novamente meus estudos, voltei, retomei meus estudos, fiz 2 semestres na Unieuro de arquitetura (Vitor, 60 anos, E.).

Vitor demonstrou em sua fala que durante a velhice podemos realizar sonhos os quais foram adiados anteriormente, e diante da vivência da velhice podem se tornar realidade.

Além da subcategoria mais frequente e menos frequente, gostaríamos de fazer uma breve explanação acerca de outras subcategorias que julgamos importantes na construção do autoconceito dos nossos idosos sobre a velhice.

Carlinhos contribui para esclarecer os aspectos positivos da velhice quando faz referência a uma fase em que se colhem bons frutos, estabelecendo uma relação de satisfação, quando na velhice as pessoas conseguem desfrutar daquilo que plantaram na fase adulta:

[...] Então é muito legal nessa idade estar acontecendo isso com você! (Carlinhos, 65 anos, C.F.)

Talvez essa forma de perceber a velhice pelos nossos idosos auxilie na composição de uma realidade que favoreça a aceitação da velhice como uma condição natural, que vai acontecer mais cedo ou mais tarde para todos, porém a maneira que vai acontecer depende de cada um. Os discursos de Vitor e Chaves expressam a aceitação da velhice quando dizem:

[...] Ser idoso é maravilhoso. É porque é consequência da vida né... (Chaves, 60 anos, C.F.)

Mas eu encaro o envelhecimento como uma coisa normal, porque é uma coisa natural da vida, o envelhecimento faz parte e eu costumo dizer que o tempo é implacável pra todos, a velhice chega pra todos... (Vitor, 60 anos, E.).

Assim, diante dos relatos dos nossos idosos, podemos observar que a velhice é um fenômeno biossocial, que não existe padronizadamente e nem de modo tão negativo quanto se costuma enunciar. Isto é, não existe a velhice, existem “velhices”; o que também significa que não existe velho, existem velhos; “velhos e velhas”, em pluralidade de imagens socialmente construídas e referidas a um determinado tempo do ciclo da vida (MOTTA, 2006, p.78; LOUREIRO, 2004).

Mantendo essa visão de que é possível manter a qualidade de vida e o bem-estar na velhice, nos remetemos aos conceitos de envelhecimento ativo e bem sucedido que levantam discussões sobre o envelhecimento saudável e enfatizam que a velhice e o envelhecimento não são sinônimos de doença e inatividade (LIMA; SILVA; GALHARDONI, 2008; NERI, 2008).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) destaca que envelhecimento ativo baseia-se na “otimização das oportunidades de saúde, participação, segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas” (OMS, 2005, p.13).

Ou seja, discute as questões ligadas à saúde na velhice de forma a enfatizar que envelhecer bem faz parte de uma construção coletiva e que deve ser potencializado pelas políticas públicas e por oportunidades de acesso à saúde ao longo do curso da vida (SILVA; LIMA; GALHARDONI, 2010).

Na Gerontologia, o conceito de velhice bem sucedida, teve seus primórdios em 1960 proposto por Havighurst, que sugeria que envelhecer bem era resultado da participação em atividades que associassem à satisfação, manutenção da saúde e participação social. Essa vertente do envelhecimento mudou a direção dos estudos sobre envelhecimento, incentivando a investigação sobre os aspectos positivos na velhice e sobre o potencial de desenvolvimento associado ao envelhecimento (NERI, 2008; ROWE; KAHN, 1998).

Destacamos assim, a importância e a urgência de medidas que possam auxiliar no processo de envelhecimento no sentido de tornar essa fase um pouco mais prazerosa e positiva para aquele que envelhece.

Acrescidos às questões positivas, verificamos também nos relatos dos nossos sexagenários que existem alguns aspectos negativos qua fazem parte da construção do autoconceito de velhice. Os elencados para compor a categoria autoconceito negativo da velhice, são: as frustrações, a solidão, a inatividade e a negação da própria velhice, conforme podemos observar no gráfico 3.

Gráfico 3: Representação das subcategorias do autoconceito negativo de velhice

Fonte: Dados da Pesquisa

Das subcategorias apresentadas, a que mais apareceu nos discursos dos nossos idosos foi a negação da própria velhice, 50% dos discursos negativos versavam sobre questões como não se reconhecem como velhos, não se sentem velhos, ou até mesmo nunca pensarem nesse assunto, conforme podemos observar na tabela 2.

Tabela 2 - Autoconceito Negativo da Velhice

CATEGORIA: AUTO- CONCEITO DE VELHICE SUBCATEGORIAS EXEMPLOS FREQUÊNCIA Absoluta % NEGATIVO

FRUSTAÇÕES Vou conseguir ser feliz um dia. (Chaves, 60 anos, C.F.) 3 17% SOLIDÃO Não quero ficar só. (Carlinhos, 65 anos, C.F.) 2 11%

INATIVIDADE

Esse período meu de 30 aos 40 anos foi um período muito difícil, de limitações, eu me senti um velho! Porque eu não conseguia andar, eu dependia dos outros pra tudo, eu fiquei numa cama de hospital durante meses e meses depois fiquei dois

anos sem andar, então foi assim pra mim uma fase difícil, a minha velhice foi de 30 a 40 anos. (Vitor, 60 anos, E.)

4 22%

NEGAÇÃO DA PRÓPRIA VELHICE

Sinceramente, realmente, eu nunca parei para pensar nisso, não tive nenhum momento de pensar que eu tenho 65 anos, nunca,

sendo bem sincero com você (Carlinhos, 65 anos, E) 9 50%

Fonte: Dados da Pesquisa

A negação da própria velhice é marcante em todos os sujeitos, a expressividade exemplificada pelo discurso de Carlinhos nos confirma:

[...] Eu me sinto como 20 anos atrás em que tudo é a mesma coisa pra mim, tudo seguiu muito normal, então assim, eu não sei, eu acho que não deve ser muito bom! (Carlinhos, 65 anos, E)

Quando tratamos do autoconceito de velhice, buscamos diretamente a imagem que o sujeito tem dele mesmo quanto a velhice, e é bastante intrigante pois, os sujeitos não se identificam com os velhos, mesmo entendendo as mudanças fisiológicas sofridas pelo corpo. Vitor retrata isso muito bem quando diz:

[...] Velhice é como a minha mãe está agora (Vitor, 60 anos, E.).

Ou seja, ele não é velho, mas a sua mãe é!

Talvez ele seja o exemplo bem claro da subclassificação criada para velhice descrita por Zornitta (2008). Atualmente, vê-se a criação de uma quarta idade, que são os indivíduos da faixa etária acima de 80 anos. Isso se deve ao aumento da longevidade e da qualidade de vida dentro do próprio grupo da terceira idade, fazendo com que o número de pessoas que tenham a idade igual ou superior a 80 anos esteja aumentando proporcionalmente aos de 60 anos de idade.

Como consequência, os conceitos e as terminologias associados ao envelhecimento têm a necessidade de serem revistos. Prova-se essa nova necessidade pelo fato de haver uma diferença muito grande entre os indivíduos de 80 e os de 60 anos, caracterizada pela rica heterogeneidade, uma vez que os mesmos têm uma vivência bastante peculiar, trazendo culturas de épocas distintas, além do que, entre elas, encontram-se pessoas com pleno vigor físico e outras em situações de dependência.

Deve-se atribuir, portanto, um novo conceito sobre a velhice, pois entre os indivíduos de idade igual ou superior a 60 anos e a de 80 percebe-se a vivência de situações que eram atribuídas aos mais jovens como a celebração de casamentos (cerimônia que até então não se encaixava para essa faixa etária), o retorno à produtividade e ao mercado de trabalho, aos estudos e outros (ZORNITTA, 2008).

Sobre o novo alcance conceitual da velhice, Bobbio (1997) relata que:

Nestes últimos anos o limiar da velhice deslocou-se. [...] aqueles que escreveram obras sobre a velhice, a começar por Cícero, tinham por volta de sessenta anos. Hoje, um sexagenário está velho apenas no sentido burocrático. [...] O octogenário, salvo exceções, era considerado um velho decrépito. [...] Hoje, ao contrário. [...] O deslocamento foi tamanho que o curso da vida humana, tradicionalmente dividido em três idades [...] foi prolongado para aquela que se convencionou chamar de “quarta idade” (BOBBIO, 1997, p. 160).

Essa realidade pode justificar o que sente o Vitor. Sabe que está velho porque tem 60 anos, está dentro da classificação de idoso porém não se sente assim, para ele a velhice está representada pela sua mãe. Ele é um “jovem velho”.

A tabela 2 demonstra na subcategoria negação da própria velhice, outro exemplo onde o sujeito não se reconhece velho:

Nunca parei para pensar nisso (Carlinhos, 65 anos, E.).

Olhar para a própria velhice, e reconhecer-se velho é bastante perturbador pois, as alterações fisiológicas que acontecem de acordo com o processo de envelhecimento já retratam que as fases do ciclo vital estão mudando e consequentemente envelhecemos. Mais uma vez, reforçamos a idéia negativa da velhice construída socialmente e culturalmente o que torna ainda mais difícil a aceitação dessa fase.

Morin (1999 b) já destacava acerca do processo de envelhecer que o ser humano, rejeitando a morte como rejeita, recusando-a com todas as suas forças, tende a rejeitar também a velhice; talvez por ser a fase que mais se aproxima da morte, tornando a velhice um peso.

Além disso, existe o encontro com as modificações biológicas, psicológicas e sociais que acompanham o processo de envelhecimento e que nessa fase aparece de forma mais evidente. Santos (2003) descreve que as modificações biológicas são as alterações morfológicas, reveladas pelo aparecimento de cabelos brancos, rugas e outras; as fisiológicas estão relacionadas às alterações dos sistemas, das funções orgânicas, as bioquímicas estão diretamente ligadas às modificações das reações químicas que se processam no organismo. As psicológicas ocorrem quando, ao envelhecer, o ser humano precisa adaptar-se a cada situação nova do seu dia a dia e as modificações sociais são verificadas quando as relações sociais tornam-se alteradas em função da diminuição da produtividade e, principalmente, do poder físico e econômico.

Para o idoso, entender essas mudanças é algo bastante difícil o que, de certa forma, dificulta a aceitação da velhice.

Outro aspecto demonstrado pelos nossos colaboradores acompanha a velhice, é o medo da solidão, revelado pela frequência de 11% observada na tabela 2. Acreditamos que a justificativa para isso se dá por sermos seres gregários, vivemos em grupos em diferentes momentos, quando não estamos no grupo familiar, estamos no grupo profissional, ou social, enfim buscamos pertencer a alguma comunidade e o envelhecimento que observamos em alguns momentos vem acompanhado do abandono. Carlinhos exterioriza o seu medo da solidão quando verbaliza:

Essas questões advindas com a velhice geram estados de insegurança, medo, tensões que em algumas situações são expressas através de atitudes mais rígidas, conservadoras, indiferentes, apresentadas pela pessoa idosa (SANTOS, 2006). Sendo assim nos questionamos: Diante de aspectos tão marcantes não seria compreensível a opção de não se pensar na velhice?

Talvez a reflexão necessária sobre essa questão seria pensar em como mudar a concepção que o idoso e a sociedade tem do que significa envelhecer e como podemos conduzir esse processo. Se a representação social da velhice e da morte fosse mais positiva, não haveria porque rejeitar esta fase da vida.

Devemos ressaltar que a idade avançada pode ser acompanhada por perdas, em especial nos aspectos físicos e psíquicos, acentuando-se os problemas de saúde, de depressão, e, muitas vezes, de rejeição, mas também pode ser socialmente associada a ganhos, como às ideias de sabedoria e maturidade (FAJARDO et. al., 2003).

Cabe agora, com tantas mudanças advindas com esse crescimento da população idosa, mudarmos a nossa visão frente aquele que envelhece e esta é uma das propostas da gerontologia, e assim, contribuir para que o próprio idoso e a sociedade tenha uma outra visão da velhice.

Diante de diversas questões que envolvem o envelhecimento, identificamos ser de suma importância o entendimento de como o idoso se relaciona com o seu corpo, desta forma criamos a próxima categoria, onde buscamos através dos instrumentos aplicados conhecer como é a visão do idoso sobre o corpo envelhecido.