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5 Grunnloven av 1920 og Estlands demokratiske utvikling

5.2 Andre forklaringer

5.2.1 Samfunnsforhold

Dois fatores devem ser considerados na dinâmica evolutiva da sociedade humana: o primeiro é o inevitável envelhecimento populacional, e o segundo, é a decorrência da transição e mudança epidemiológica.

Dados estatísticos já citados nesta pesquisa apontam para as mudanças de patologias infecto-contagiosas para as crônico-degenerativas, dentre as doenças a de maior prevalência entre os idosos são os cânceres.

O câncer por ser uma doença impactante, leva tanto o paciente e a sua família ao sofrimento e dor. Esses sentimentos são inerentes à condição de incertezas, que aflige o ser humano através das adversidades e circunstância da sua existência. A partir desses sentimentos pode despertar o interesse de compreender a força maior que o impulsiona a continuar a lutar e viver, e assim, trabalhar o enfrentamento dos obstáculos a serem transpostos.

Como a velhice é considerada o último estágio da linha do tempo vital, que se denomina a finitude, as questões espirituais e religiosas se tornam um importante suporte emocional, com abrangência nas questões de saúde física e psíquica.

O idoso na sua vulnerabilidade, busca na transcendência espiritual, quer seja na religião ou na religiosidade, um sentido para superar os sentimentos de negatividade, de desconforto, de desesperança e temores pelas condições desfavoráveis fundamentados nos desafios que a doença lhe apresenta.

Neste estudo, realizado com pacientes oncológicos, e em tratamento, nos discursos sobre a vivência pessoal no que se refere à religiosidade e ao câncer, foi possível visualizar a busca de cura e proteção nas rezas e orações, através da fé em um ser superior Deus, ao sentirem dificuldade para superar a doença e aceitar os procedimentos terapêuticos.

O objetivo geral proposto nesta pesquisa em, avaliar se religiosidade como um dos fatores de proteção, que pode promover a resiliência em idosos em tratamento oncológico, alcançou seu êxito, tanto pelo apoio do Instituto de Oncologia, quanto dos participantes em responder o inquérito social e as questões concernentes ao tema religiosidade.

Dos resultados, constatou-se que a religiosidade, além de tornar os idosos mais confiantes, mais sociáveis, observou-se que a religiosidade assume um papel importante no enfrentamento do câncer.

Questões relativas à religiosidade, estimuladas pelo roteiro de entrevista, perpassam a fala dos (as) pacientes oncológicos (as) entrevistados. Conforme visto, esta religiosidade parece estar vinculada a instituições e crenças religiosas determinadas (católicas ou evangélicas), mas, principalmente, a uma fé / crença não especificada.

O modo como os (as) pacientes apresentaram suas compreensões e explicações para o acometimento pelo câncer denotam, de modo geral, a religiosidade como um fator importante para o enfrentamento da doença, transformaram os idosos em pessoas resilientes, pois provavelmente a religião e a rede de apoio social funcionaram como fatores de proteção, que minimizaram fatores de risco que os efeitos adversos do câncer e seu tratamento podem ter acarretado a vida deles.

Embora a religiosidade tenha sido presente no discurso dessas pessoas, outro fator apresenta-se como imprescindível para o enfrentamento do câncer: uma rede de apoio fortalecida, composta por familiares, amigos (as) e grupos, que possibilite a interação com dos (as) pacientes oncológicos (as) com outras pessoas e permitam que eles(as) realizem diferentes atividades.

Dos resultados, abre-se um leque de pontos positivos e fracos da pesquisa, emergindo potencialidades e desafios para futuros estudos. Um dos pontos positivos foi insinght sobre as questões referentes aos procedimentos do profissional da saúde para trabalhar a questão da religiosidade do paciente. Uma ocorrência, nesta

pesquisa, fez com que a pesquisadora despertasse para o assunto, pois na fala de uma participante foi relatada que o próprio médio dissera que não tinha fé que a paciente se curasse, descartando não somente a fé, más até o conhecimento técnico científico. Diante disso é coerente pensar em incluir nas grades curriculares dos cursos de saúde uma disciplina que abra o entendimento dos profissionais quanto à abordagem e estimulo das crenças como um fator de bem-estar, pois não se separa a dimensão espiritual do humano (PESSINI, 2011). Quanto ao ponto frágil, refere-se à dificuldade dos doentes falarem sobre sua doença, muitos não abrem precedentes para conversa, outros até tentaram participar, más os próprios familiares não aceitam. Um dado importante no que se refere ao conhecimento do diagnóstico, alguns pacientes, com muita idade, desconhecem sua patologia, os familiares justificam aos doentes que sua saúde está fragilizada em consequência a outra doença qualquer, isto nos impossibilitou a ampliação de uma amostra maior de estudo.

Quanto à metodologia utilizada, trata-se de um estudo epidemiológico transversal, com enfoque quantitativo-qualitativo. Utilizou-se como instrumento entrevista com questões abertas cujos temas direcionadores sob as questões de religiosidade pessoal e a percepção de sua importância para o tratamento do câncer. As entrevistas foram analisadas pela metodologia do software ALCESTE©. A pesquisa finaliza com os resultados apresentados nos discursos dos 19 idosos participantes, demonstrando que a religiosidade é tida como um fator importante para o enfrentamento e tratamento da doença.

Ao final da pesquisa, algumas importantes impressões ficaram. A mais importante é que cada ser humano percebe a sua fragilidade, e busca de qualquer forma um porto seguro diante das tempestades.

Gostaria de mencionar, ainda, que dentre das mais de 300 figuras pintadas pelo renacentista italiano Michelangelo Buonarroti (1475-1564), que embelezam o emblemático teto da Capela Sistina, uma que se enquadra nesta pesquisa é A Criação de Adão. Onde o pintor retrata a famosa cena de Deus dando vida ao ser humano. Há registros de que a inspiração de Michelangelo para o quadro seria o hino latino Veni Criator Spiritus, no qual Deus, o criador, se compadece de sua

criatura, devolve a coragem aos fracos apenas com o toque de seus dedos. “A Criação do Homem não mostra a criação física de Adão, mas a transmissão da centelha divina – a alma –, obtendo, assim, uma dramática justaposição de Homem e de Deus que jamais foi obtida por nenhum outro artista”, analisa o historiador da arte Janson H. W. (MOMENTO ITALIA BRASIL, 2011).

Buscando uma analogia dessa figura com nossa pesquisa numa cultura cristã, somos criaturas, feituras das mãos de um criador divino, nos trás a esperança de que não estamos sós no enfrentamento das adversidades. Diante disto, como cristã e enfermeira, após ter vivido a mesma situação dos participantes, posso ter certeza de que os pacientes com câncer podem encontrar no Criador, o poder da resiliência, suportando as adversidades.

Faço uso das palavras de Dantas (2007), que recorreu aos escritos de Minayo para embasar que por mais que queiramos e pesquisemos não conseguimos dar respostas às curiosidades e indagações que incomodam os seres pensantes e a ciência. “Nenhuma teoria, por mais bem elaborada que seja, dá conta de explicar todos os fenômenos e processos” (Ibid., 1994, p.18).

Não tentamos aqui exaurir os conhecimentos dentro da pesquisa, esperávamos apenas trazer à luz a compreensão do desempenho do uso dos recursos espirituais no papel da luta contra o câncer. Isto nos pareceu provável, dado o corpo da pesquisa que sugere que a religiosidade/ espiritualidade desempenham um papel protetivo quando as pessoas enfrentam um acontecimento traumático. Assim, a equipe de profissionais que tratam de pacientes portadores de câncer, devem aumentar o conhecimento acerca dos aspectos religiosos e, refletir sobre a impotância de se considerar as crenças religiosas, a religiosidade, a espiritualidade dos pacientes, tornando o tratamento de câncer mais eficaz se integrado a questões da religiosidade.

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