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Forholdet mellom utøvende makt og lovgivende makt

5 Grunnloven av 1920 og Estlands demokratiske utvikling

5.6 Forholdet mellom utøvende makt og lovgivende makt

Nessa categoria, optamos por aproximar os dois eixos, velhice e homossexualidade, para falar das redes sociais construídas por esses idosos. Essa necessidade de juntar os dois eixos se fez para que o entendimento sobre os nossos idosos não fosse fragmentado. Ou seja, as redes sociais são do idoso homossexual e não uma rede social quando analisamos a velhice e outra quando nos referimos a homossexualidade.

Salientamos novamente que a divisão dos eixos é apenas por uma questão didática para apresentação dos resultados, porém a seguir faremos a junção dos eixos para o entendimento integral dos nossos participantes.

O gráfico abaixo apresenta as redes sociais construídas com amigos, família, colegas de trabalho parceiros e cônjuges relacionando assuntos voltados para a velhice.

Gráfico 9 - Categoria Velhice x Rede Social

Fonte: Dados da Pesquisa

Porém, quando observamos as questões voltadas à homossexualidade, de acordo com os relatos, dividimos essa relação em presente e ausente, onde presente é quando essas relações sociais se estabelecem, e ausentes quando se encontram em situações de solidão e isolamento (Gráficos 10 e 11).

Gráfico 10 - Representação gráfica das subcategorias homossexualidade x redes sociais – Presente

Gráfico 11 - Representação gráfica das subcategorias homossexualidade x redes sociais - Ausente

Fonte: Dados da Pesquisa

Nas Tabelas 6 e 7 apresentamos os “personagens” que compõem as redes sociais: família, companheiro, amigos, animais de estimação e Organizações não Governamentais – ONGs onde alguns de nossos sujeitos estão inseridos. Identificamos que os amigos pertencem a rede social com mais significância para os nossos participantes.

Tabela 6 - Categoria Velhice X Rede Social

CATEGORIA: VELHICE X REDE SOCIAL SUBCATEGORIAS EXEMPLOS FREQUÊNCIA Absoluta % AMIGOS Eu tenho a pessoa que é meu maior amigo, a pessoa com quem

eu me relaciono a 23 anos, que além de tudo é um grande amigo (Carlinhos, 65 anos, C.F.)

15 47% FAMÍLIA Eu acho que família é base de tudo. (Vitor, 60 anos, E.) 13 41% COLEGAS DE

TRABALHO

Eu ainda quero arrumar um lote pra construir uma casinha, pelos meus conhecimentos, no ano passado eu consegui 10 lotes, mas

agora eu preciso conseguir mais 3, e assim eu quero deixar o pessoal que me acompanha a 18 anos. (Carlinhos, 65 anos, C.F.)

2 6% PARCEIROS/

CONJUGES

Sonho em poder viver o resto da vida com meu companheiro.

(Carlinhos, 65 anos, C.F.) 2 6%

Fonte: Dados da Pesquisa

Tabela 7 - Categoria Homossexualidade X Rede Social - Presente

CATEGORIA: HOMOSSEXUALI- DADE X REDE SOCIAL SUBCATEGORIAS EXEMPLOS FREQUÊNCIA Absoluta % PRESENTE

FAMÍLIA Hoje a minha família me vê assim, me trata como um Deus, Porque? Será que é porque eu tenho alguma coisa pra dar

pra eles? (Chaves, 60 anos, E.)

3 14% COMPANHEIRO Eu faço as coisas junto com o meu companheiro, os dois

fazem, me divirto, danço. (Vitor, 60 anos, E.) 6 27% AMIGOS Ah, amo demais, tenho o maior respeito pelas pessoas, tenho

ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Pois é, um grande companheiro meu! (esse aqui!) É um grande companheiro meu!!!! E depois do meu namorado, claro, junto com meu namorado talvez, (risos), são atitudes diferentes mas é

uma coisa que eu sou apaixonado! (Você tem um cachorro?) Tenho um Chouchou , aquele da cara chinesa, da língua roxa,

chama Huly (Carlinhos, 65 anos, R.C.)

2 9%

ONGS

Nao sei se vc conheceu aquele grupo FALA do Recando das Emas, só com pessoas que tem problema de HIV, a gente na época fazia um trabalho muito bonito lá, porque lá era assim ali

era o lixo do lixo do lixo que jogava lá pra morrer, esperava a morte. (Chaves, 60 anos, E.)

1 4,5%

Fonte: Dados da Pesquisa

Para a complementação dos nossos resultados, a tabela abaixo apresenta ainda duas situações: onde os nossos idosos são isolados e a dificuldade que alguns têm de relacionamento.

A importância da vida em sociedade é indiscutível. Viver em grupo favorece o aprendizado de formas de comunicação e regras para convívio, conhecimento acerca de si e do mundo e construção da própria identidade (ERBOLATO, 2006).

Além disso, permite dentre inúmeros contatos sociais, a possibilidade de selecionar aqueles que garantem as experiências emocionais mais positivas.

Tabela 8 - Categoria Homossexualidade X Rede Social - Ausente

CATEGORIA: HOMOSSEXUALI- DADE X REDE SOCIAL SUBCATEGORIAS EXEMPLOS FREQUÊNCIA Absoluta % AUSENTE SE ISOLA

É meu estilo de vida aqui em Brasília, não frequento, não faço social, não gosto de fazer social. (...) A minha vida é um pouco,

bastante, bastante, trancada! (Carlinhos, 65 anos, E.)

1 4,5%

É ISOLADO

Eu sempre fui um pouco hostilizado dentro de Brasília pelos colegas por causa do meu estilo de vida. (Carlinhos, 65 anos,

C.F. )

1 4,5% DIFICULDADE DE

SE RELACIONAR

Eu também sou um pouco assim. Eu sou difícil de conviver com

as pessoas. (Carlinhos, 65 anos, R.C.) 1 4,5%

Fonte: Dados da Pesquisa

Mesmo que na velhice já tenham sido aprendidas muitas habilidades do bem viver, o contato social permanece importante, pois também nessa fase os outros representam uma potencial fonte de segurança, amor, de sentimentos de pertencimento, além de parâmetro para o indivíduo avaliar a adequação de seus comportamentos, sentimentos e aprendizagens (FREITAS, 2006).

Em todos os instrumentos, dos três sujeitos, as relações de amizades são, supervalorizadas, iniciando pela própria relação entre os companheiros, nos quais há referência de um grande amigo na maior parte dos discursos.

Eu tenho a pessoa que é meu maior amigo, a pessoa com quem eu me relaciono a 23 anos, que além de tudo é um grande amigo (Carlinhos, 65 anos, C.F.).

Ah, amo demais, tenho o maior respeito pelas pessoas, tenho o maior carinho pelo ser humano. (Carlinhos, 65 anos, C.F.)

Chaves, no instrumento de recorte e colagem, deixa explícito o que a amizade significa para ele, a figura abaixo seguiu com o seguinte relato:

A amizade é a melhor coisa do mundo.... (Chaves, 60 anos, R.C).

Figura 01 - A amizade

Fonte: Dados da Pesquisa

Conseguimos identificar também aqueles que não gostam de se relacionar com outras pessoas, preferem se isolar.

É meu estilo de vida aqui em Brasília, não frequento, não faço social, não gosto de fazer social. [...] A minha vida é um pouco, bastante, bastante, trancada! (Carlinhos, 65 anos, E.)

Um aspecto que gostaríamos de discutir devido as observações que fizemos durante a análise é como os nossos idosos não assumiram sua homossexualidade perante seus familiares. Discutiremos melhor este tema no próximo eixo sobre homossexualidade. Por ora, gostaríamos de salientar que pode ser mais fácil assumir a homossexualidade para os amigos que para a família. Os nossos idosos contam mais com os amigos, são mais aceitos por eles que pela própria família. Devido a isso, as relações de amizade podem ser mais fortes por permitirem externar seus anseios, desejos, frustrações, trocas de experiências de acordo com a realidade vivida.

Isso também acontece porque os familiares são uma rede de convivência que não escolhemos, pertencemos a ela. Já a relação entre amigos não, há uma escolha, é voluntária, representa um laço afetivo não imposto. Talvez por isso ela tenha uma representatividade tão forte para os idosos.

Na verdade, observamos que a família está inserida em questões diversas e podem dificultar a relação com os idosos. Uns se deparam com os filhos que estão trabalhando e dedicam pouco tempo aos pais, outros não conseguiram constituir uma família devido a sua homossexualidade e se veem sós, desta forma, existe uma necessidade por parte desses idosos em fazer novos amigos para ampliar essa rede de apoio.

Uma reflexão necessária é o fato da família ser também uma instituição em processo de mudança e adaptação frente às novas realidades. As mudanças sociais associadas a modernização refletiram na família, fazendo com que essa instituição sofresse mudanças importantes decorrentes da maior participação da mulher no mercado de trabalho, da redução do tamanho da família e quanto a temática desse estudo, o surgimento de novos papéis de gênero (CARVALHO FILHO, 2000).

Para complementar o entendimento de como se estabelecem as redes sociais dos idosos, apresentamos um estudo de Litwin (2001) sobre a influência dos componentes das redes na disposição de ânimo, nível de confiança e sentimentos positivos de adultos idosos (ligados ao bem estar subjetivo) o qual revela cinco tipos de rede.

As de efeito mais positivo sobre os sujeitos focais são as mais diversificadas, constituídas por vários tipos de relacionamento, e aquelas que incluem predominantemente amigos. As redes mais restritas, centradas em familiares, e as caracterizadas pela ausência de parentes geograficamente próximos e vínculos mínimos com vizinhos são as que menos se associam a um elevado grau de bem estar subjetivo. As compostas por vizinhos, em sua maioria, ficam no meio termo. De acordo com o autor, isso se deve a especificidade de cada relacionamento: relações familiares não são escolhidas e demandam muitas obrigações; entre vizinhos há pouca escolha, mas menos deveres; entre amigos há liberdade de escolha.

A idade está associada à mudanças de comportamento, que exigem igualmente mudanças no autoconceito, incorporação de novos papéis sociais e requerem adaptações. As características do indivíduo e da situação em que estão inseridos influenciam o número, a natureza e os tipos de relações sociais, que por sua vez interferem no bem estar e na saúde das pessoas. Durante toda a vida, o indivíduo tende a manter estável o tamanho da rede social, assim como o grau de importância de seus componentes (NOGUEIRA, 2001).

Para Freitas et al. (2006), os relacionamentos sociais são interações frequentes, com certa durabilidade no tempo e certo padrão. Envolvem sentimentos positivos e negativos, percepção de si e do outro, diferentes graus de envolvimento afetivo e intermináveis intercâmbios. Segundo Nogueira (2001), relações sociais significativas permitem o desenvolvimento do self, dão sentido às experiências e podem oferecer apoio, importantes

elementos no processo de adaptação, principalmente em momentos de transição da vida, como o envelhecimento. Os nossos idosos demonstram essas situações de apoio quando relatam compartilhar questões pessoais como senha de banco, marcação de consultas médicas com companheiros, ou melhores amigos, demonstrando uma relação de cuidado de um para com o outro.

O engajamento em atividades sociais tem sido associado ao aumento do senso de bem- estar em idosos, bem como melhora no funcionamento físico. As redes sociais parecem ser fontes protetoras e mantenedoras de saúde o relacionamento fortalece a saúde, uma vez que, os laços sociais podem estimular o senso de significado ou coerência na vida, neste sentido, o suporte emocional pode ajudar a minimizar o estresse e os efeitos negativos do processo de envelhecimento (EVERARD et al., 2000; PAPALIA; OLDS, 2000; MATSUKURA, MARTURANO ; OISHI, 2002). Observamos nos discursos dos nossos idosos como o retorno que a vivência com as redes sociais podem favorecer a autoestima e o cuidado com a saúde. Vitor demonstra satisfação quando relata que uma conhecida o elogiou devido a sua condição física, da mesma maneira Carlinhos, onde as suas clientes elogiam a sua pele e o seu cuidado com a saúde.

As pessoas que estão em contato com as outras podem ser mais inclinadas a ter hábitos saudáveis, a ajuda dada ou recebida contribui para o aumento de um sentido de controle pessoal, tendo uma influencia positiva no bem-estar psicológico. O suporte social que as redes sociais oferecem, reduz o isolamento e aumentam a satisfação com a vida das pessoas e esse pode ser um elemento de suma importância para o idoso (RAMOS, 2002).

As relações sociais são dinâmicas por natureza. Variam de pessoa para pessoa, de situação para situação e conforme o tipo de interação (DESSEN; BRAZ, 2000).

Os relacionamentos sociais têm pesos diferentes de acordo com cada época da vida das pessoas, dependendo do gênero, do status conjugal, da presença ou da ausência de filhos, do tipo de arranjo domiciliar, da personalidade, de questões culturais, educacionais e políticas e do contexto como um todo. Além disso, é preciso lembrar que estes aspectos se combinam aos efeitos da estrutura e da função da rede social, em diferentes momentos da vida (PAPALIA; OLDS, 2000).

As relações de amizade são marcantes para os nossos sujeitos, talvez as relações de amizade venham para suprir a ausência das relações familiares em sua íntegra, pois se os idosos omitem de seus familiares a sua homossexualidade é através das relações de amizade que verdadeiramente os nossos idosos podem se mostrar. Serem verdadeiramente eles mesmos.

6.1.6 CATEGORIA VELHICE X TEMPO

Quando nós começamos a pensar na proposta de estudo sobre a vivência da homossexualidade na velhice, um dos questionamentos que fizemos foi: será que os idosos homossexuais de hoje tem mais facilidades de se assumiram que os de antigamente? Em que se diferencia a vivência da velhice nos dias atuais e antigamente?

Pensando em como poderíamos explorar esse assunto, um dos temas norteadores da nossa entrevista semi-estruturada foi propositalmente esse.

Essa categoria foi construída através da análise da própria vida dos nossos sexagenários, observamos como é a relação deles com o passado, o presente e o futuro, bem como, a relação que os nossos idosos estabelecem entre a sua velhice e a velhice dos outros que viveram essa fase, em outra época (Gráfico 12).

Gráfico 12 - Categoria Velhice x Tempo

Fonte: Dados da Pesquisa

Ao observar as respostas dos nossos idosos, conforme representação da tabela 9, verificamos que o presente é bastante significante, representando 52% da frequência dessa categoria.

Tabela 9 - Categoria Velhice X Tempo CATEGORIA: VELHICE X TEMPO EXEMPLOS FREQUÊNCIA Absoluta % PASSADO O passado foi maravilhoso. (Carlinhos, 65 anos, C.F.) 3 12% PRESENTE

Minha vida agora... maravilhosa. Ótima. Tudo certo! Perfeita! Perfeita! Toda redonda, toda concreta, cada coisa no seu lugar! Está tudo organizado! (Carlinhos, 65 anos, C.

F. )

13 52% FUTURO Na hora que eu me sentir velho, eu vou morar no Rio de Janeiro.

(Carlinhos, 65 anos, C.F.) 4 16% VELHICE DO

PASSADO X VELHICE DA ATUALIDADE

Hoje é totalmente diferente da vida que meu pai e minha mãe levaram. (Vitor, 60 anos, E.)

5 20%

Fonte: Dados da Pesquisa

Para eles, o presente é onde se concentram as suas maiores realizações, talvez até pela influência do momento positivo que avaliam estar vivendo.

Minha vida agora... maravilhosa. Ótima. Tudo certo! Perfeita! Perfeita! Toda redonda, toda concreta, cada coisa no seu lugar! Está tudo organizado! (Carlinhos, 65 anos, C. F.)

O presente está relacionado ao passado (categoria menos frequente) que refletirá no futuro, mas de acordo com o que observamos, os nossos idosos tiveram um passado complicado: Chaves saiu do nordeste, vivia na roça para tentar uma vida melhor; Vitor da mesma maneira seu pais trabalhavam na lavoura; o único que de alguma forma teve um apoio financeiro da família foi o Carlinhos. Porém, atualmente, mesmo com bases passadas tão diferentes, nossos idosos apresentam uma condição de vida que avaliam como satisfatória, no presente.

Quando eles fazem uma comparação da vida no passado com a vida atual falam saudosamente das reuniões familiares, da educação que tiveram, dos hábitos alimentares com todos os familiares reunidos, aspectos que não são mais valorizados atualmente e comparam também a evolução tecnológica de hoje, as facilidades que o mundo moderno proporciona, porém evidenciam o aumento da violência e do estresse.

Hoje é totalmente diferente da vida que meu pai e minha mãe levaram. (...) É uma vida melhor que você vive hoje, uma vida menos dificultosa do que a vida que me pai levou, que minha mãe levou, que talvez até o seu pai levou, hoje o teu tipo de vida é outro. (Vitor, 60 anos, E.)

Quanto as mudanças dos idosos de hoje em relação aos idosos de antigamente, alguns elementos contribuíram para compor um novo cenário.

brasileira têm demonstrado avanços na legislação. Além disso, novos projetos de lazer, que preenchem o vazio de um estilo de vida de aposentado ocioso, têm possibilitado novos olhares sobre os indivíduos velhos, permitindo que a visão sobre eles seja também como fonte potencial de consumo (DEBERT, 2004, 2007; SIMÔES, 2007).

Tais aspectos agregam novos valores simbólicos e possibilitam encorajar novas experiências e estilos, que contribuem para uma revisão da gestão da velhice no curso da vida e o repensar sobre a sua exclusão no processo de construção social no âmbito das gerações.

Destaca-se que a idéia de geração, opõe-se à noção de um tempo linear, padronizado e fixado em etapas, tornando-se um campo para amplas possibilidades de experiências. Para Mannheim (1982), uma geração ou grupo etário tem em comum o fato de participarem de situações muito próprias no processo social, a partir de uma gama de experiências historicamente relevantes, e destaca: “o fenômeno social da geração não representa nada mais que um tipo particular de identidade, de situação, abrangendo grupos etários relacionados, incrustados em um processo histórico-social” (MOTA, 2009).

Em síntese, nossos idosos acreditam que ser idoso hoje em alguns aspectos é melhor do que antigamente, como o avanço tecnológico, o acesso as informações, mas também relatam que o estresse e a violência vividos atualmente fazem com que a velhice seja vivida com mais medo.

Outro aspecto que foi enfatizado por nossos idosos, refere-se à temática religiosa. Esse componente esteve presente em seus discursos e por isso foi agrupado em uma categoria que discutiremos a seguir.

6.1.7 CATEGORIA VELHICE X RELIGIÃO

Essa categoria foi composta pela crença e a prática religiosa dos nossos idosos, conforme podemos observar no gráfico abaixo.

Gráfico 13 - Categoria Velhice x Religião

A crença religiosa quando comparada à prática dos nossos participantes teve uma frequência de 72%, conforme apresentamos na Tabela 10.

Tabela 10 - Categoria Velhice X Religião

CATEGORIA: VELHICE X RELIGIÃO SUBCATEGORIAS EXEMPLOS FREQUÊNCIA Absoluta % CRENÇA Deus é único. É a única coisa nesse mundo que tem a nossa vida.

(Chaves, 60 anos, C.F.) 10 72% PRÁTICA

Eu agradeço toda a hora a Deus quando eu chego em casa.

(Chaves, 60 anos, C.F.) 4 28%

Fonte: Dados da Pesquisa

Os nossos sujeitos têm uma base religiosa muito presente, inserida pela relação familiar quando crianças, que perdura até hoje. Cada um da sua maneira particular, mas todos a expressaram em seus discursos nos diferentes instrumentos.

Chaves, em vários momentos, faz referência a Deus, estudou várias religiões e diz conseguir através de sua crença entregar a sua vida a Deus, buscando acalento para os sofrimentos que o perseguem.

Deus é único. É a única coisa nesse mundo que tem a nossa vida. (...) Deus é único, é Ele que é maravilhoso, o resto é conversa! Meu futuro a Deus pertence. (Chaves, 60 anos, C.F.).

A religiosidade é um aspecto muito marcante na vida das pessoas, pois é através dela que se estabelecem comportamentos e crenças associados à religião. Segundo Rousseau (2003) as religiões possuem um código de ética que rege o comportamento e dita os valores morais, onde as pessoas devem viver de acordo com os ensinamentos de um ser supremo.

É através da religião que se busca explicações para situações de desesperança, solidão, luto, sofrimento e amparo.

As religiões costumam ser uma importante fonte de suporte para as pessoas nos tempos de crise. Sommerhalder e Goldstein (2006) citam que esse potencial de ajuda é essencial quando se refere a população idosa.

Pessoas idosas, em virtude de suas mudanças físicas, psicológicas e sociais comuns à sua faixa etária, tendem a enfrentar mais eventos de perda, como os associados ao declínio da saúde física, ao afastamento do mercado de trabalho, à alterações de papéis sociais e à perda de amigos e pessoas da família. Assim, os idosos parecem lançar mão com frequência de

recursos espirituais e religiosos para o enfrentamento de eventos não controláveis (SOMMERHALDER; GOLDSTEIN, 2006).

Por isso, a religião é um elemento tão presente na vida dos idosos, e em relação aos nossos idosos, a relação com a religião não foi diferente.

A seguir, vamos dar início a segunda parte da apresentação dos resultados e discussão do estudo, lembrando que essa divisão foi feita didaticamente para melhor entendimento das questões que envolvem os idosos homossexuais.