5 Grunnloven av 1920 og Estlands demokratiske utvikling
5.2 Andre forklaringer
5.4.1 Partier
Elementos como a saúde, a doença, a beleza, a vaidade, as limitações do corpo, bem como a expressão da sexualidade associados à velhice, fizeram parte das subcategorias elencadas para compor essa categoria (tabela 3).
Tabela 3 - Categoria Velhice X Corpo CATEGORIA: VELHICE X CORPO SUBCATEGORIAS EXEMPLOS FREQUÊNCIA Absoluta % SAÚDE X VELHICE
Eu quero ficar um velhinho com saúde, feliz. Exatamente! Com
saúde eu vou estar feliz! (Carlinhos, 65 anos, C.F.) 18 56% DOENÇA X
VELHICE
Eu tomo remédio, bastante, pra antidepressivo, por causa da perda dos meus irmãos, da minha família, de grandes amigos,
eu sofro muito com isso (Chaves, 60 anos, C.F.)
3 9%
BELEZA X VELHICE
O nosso corpo não é o mesmo, o nosso rosto não é o mesmo, o vicio da pele não é o mesmo, até o cabelo muda, você perde
cabelo com o tempo, o homem fica careca. (...) Velhice é cabelos brancos, ruga, é idade. O peso dos anos. (Vitor, 60
anos, E.)
7 22%
VAIDADE X VELHICE
VALORIZAM A vaidade é maravilhosa. Tem que ter. Tem que ter! (...) Então, não é primeiro lugar a vaidade é necessidade (Carlinhos, 65
anos, C.F./ E.)
4 29% DESVALORIZAM Eu sempre fui um cara tranquilo! Nunca fui de vaidade. (Vitor,
60 anos, E.) 5 36% A FAVOR DE CIRURGIA
PLÁSTICA
Se eu tiver que fazer plástica também faço, mas não uma coisa pra ficar exagerado, mas uma coisa pra eu me sentir bem.
(Vitor, 60 anos, E.)
3 21%
CONTRA CIRURGIA PLÁSTICA
Tem lá o que quer botar silicone, jamais estou eu fazendo crítica a essas coisas não, jamais, jamais, cada um faça o que tem a boa vontade de fazer, eu não estou aqui para criticar isso
não! Mas eu mesmo não faço! (Chaves, 60 anos, C.F.)
2 14%
INATIVIDADE/ LIMITAÇÕES X
VELHICE
Velhice é como a minha mãe está agora com 86 anos, é quando a tua cabeça esta boa, continua boa, mas o teu corpo já não responde como vc quando tinha 40, 50 anos. (Vitor, 60 anos,
E.)
4 13%
SEXUALIDADE X VELHICE
MANUTENÇÃO
O lado de sexo, em momento nenhum aconteceu nada: agora eu não quero, agora eu não posso, agora eu não estou com vontade, sempre foi muito ativo, igual eu te falei sabe, sempre
foi muito ativo, e eu acho que esse lado ajuda muito a minha juventude, ser jovem, mais jovem internamente, por causa
disso, porque eu tenho um companheiro bem jovem. (Carlinhos, 65 anos, E.)
7 64%
SUSPENÇÃO
Não tem mais nada, não tem sexualidade, mas eu posso confiar no meu companheiro 24 horas, confio demais. (Chaves, 60
anos, C.F.)
3 27% ALTERAÇÃO A gente tem tesão mais não tem a mesma ereção de 30, 20
anos, é diferente. (Vitor, 60 anos, E.) 1 9%
Fonte: Dados da Pesquisa
Para o melhor entendimento da nossa análise, dividimos essa categoria em três etapas. A primeira agrupou para análise os itens que não sugeriram subcategorias de acordo com os discursos dos sujeitos, conforme apresentado no gráfico 4.
Gráfico 4: Categoria Velhice x Corpo
Fonte: Dados da Pesquisa
A segunda apresenta questões relacionadas com a vaidade de acordo com o que observamos nos três instrumentos aplicados (gráfico 5).
Gráfico 5: Representação gráfica das subcategorias da vaidade x velhice
Fonte: Dados da Pesquisa
E por fim, a terceira divisão apresenta a maneira como os nossos idosos vivenciam a sexualidade (gráfico 6).
Gráfico 6: Representação gráfica das subcategorias relacionadas ao corpo x velhice x sexualidade
Fonte: Dados da Pesquisa
A saúde do idoso é bastante considerada quando relacionada às questões corpo e envelhecimento e nós acreditávamos que não seria diferente. Os estudos apontam que o medo da velhice está associado à finitude, a qual por sua vez está permeada por questões patológicas, como se, a partir do momento que alcançamos a idade superior a 60 anos, um “pacote” de doenças são adquiridas e a vida desse indivíduo estaria condenada.
Em um momento da entrevista de Carlinhos, ele deixa bem claro que:
[...] eu faço, a prevenção para não ser diabético, pra não infartar, isso é coisa de Deus, mas pelo menos eu me preparo, sabe, eu me preparo pra isso, pra não infartar, pra ter uma vida saudável, ter saúde, que eu tenho maravilhosa, tudo eu me preparo (Carlinhos, 65 anos, E.).
Ou seja, ele se previne por saber que essas doenças estão associadas ao processo de envelhecimento. E a senilidade é sinônimo de infelicidade, de incapacidade e morte para muitos idosos. Carlinhos contribui com essa afirmação quando questionado no completamento de frases sobre o que deseja, respondendo prontamente:
Eu quero ficar um velhinho com saúde, feliz. Exatamente! Com saúde eu vou estar feliz! (Carlinhos, 65 anos, C.F.).
É bastante nítida a associação entre saúde e felicidade, por isso, para os nossos idosos o envelhecimento é uma condição ruim. Mas qual é o idoso que não tem uma doença? E será que por ter uma doença ele deixaria de ser saudável?
O envelhecimento é um processo inevitável do ponto de vista cronológico e biológico. As funções fisiológicas tendem a diminuir e propiciam o aparecimento de algumas doenças crônicas, que dependendo do estilo de vida do indivíduo, podem elevar a morbi-mortalidade (VERAS; LOURENÇO, 2006).
Entendendo o processo de envelhecimento como heterogêneo, descrevemos a definição de heterogeneidade como um elemento que exprime as diferenças entre as pessoas devido as suas distintas histórias de vidas, tendo como instrumento norteador à interação entre as experiências individuais construídas diante de todo o ciclo da vida (GOLDSTEIN; SIQUEIRA, 2000; CAMARANO et al, 1997; DEBERT, 2004).
Dessa forma, um ponto especial a ser estudado pelas equipes de saúde, a ser entendido pela família e principalmente seja foco da educação das pessoas, é que o cuidado preventivo com a saúde , o estilo de vida, irão estabelecer como vamos envelhecer, assim aos poucos, vamos mudando o perfil dos idosos, modificaremos também a ideia de idoso relacionado diretamente à senilidade, para um estado de senescência, conforme discutido por Papaléo Netto (2006) .
A importância da prevenção de doenças na Terceira Idade constitui um dos principais objetivos nessa faixa etária, no sentido de se evitar o adoecimento, em sua forma múltipla e de longa duração, que irá requerer maiores recursos para tratamento. Portanto, a prevenção deve ser estimulada, objetivando melhorar a saúde e a qualidade de vida dos idosos, para que eles tenham suas atividades menos afetadas por doenças crônicas (VERAS et al., 1995).
Outro aspecto que buscamos compreender é a relação da vaidade com a velhice, conforme apresentamos no Gráfico 5. Conforme explicamos na seção “método”, no início dessa pesquisa, para a validação dos instrumentos que seriam utilizados, quando aplicamos um piloto com um homossexual de 40 anos, em seu discurso a vaidade era muito importante para ele, as questões do envelhecimento que remetiam a um corpo mais flácido, um rosto com rugas, cabelos brancos, traziam uma repercussão muito negativa da velhice para ele. Associado a isso, a literatura apresenta a dificuldade que a pessoa idosa tem em aceitar as mudanças que são refletidas no espelho, conforme vamos envelhecendo e até fazem referência ao crescimento do mercado estético em atendimento a essa população (BRIGEIRO; MAKSUD, 2009). Essas questões nos fizeram pensar que a vaidade seria um item bastante valorizado pelos nossos idosos, porém não foi o que ocorreu.
O Gráfico 5 demonstra a maior frequência das subcategorias relacionadas à vaidade e representa que os nossos idosos até desvalorizam a vaidade através de uma frequência de 36%. Vitor explica:
[...] Eu sempre fui um cara tranquilo! Nunca fui de vaidade (Vitor, 60 anos, E.).
Porém, cabe salientar que a vaidade aparece em vários momentos como necessária, porém não como primordial.
[...] A vaidade é maravilhosa. Tem que ter. Tem que ter! [...] Então, não é primeiro lugar a vaidade é necessidade (Carlinhos, 65 anos, C.F./ E.).
Vale a pena ressaltar que a vaidade é importante para todos, independente da fase do ciclo vital em que estejam, é claro que para alguns essa realidade não se adequa, porém a relação do aumento da preocupação com a vaidade na velhice não foi observada nas respostas dos nossos idosos, diferente do que pensávamos quando analisamos o homossexual do estudo piloto. Isso nos faz pensar que de certa forma a vaidade tem uma representatividade diferente para os ciclos vitais. Esse é um fator mais importante para os mais jovens, e quando envelhecem, essa questão pode não ser primordial.
Um outro aspecto relacionado ao corpo e a velhice foi a questão da sexualidade (Gráfico 6). A manutenção da sexualidade, representada por 64%, foi apresentada como importante para os nossos idosos.
O lado de sexo, em momento nenhum aconteceu nada: agora eu não quero, agora eu não posso, agora eu não estou com vontade, sempre foi muito ativo, igual eu te falei sabe, sempre foi muito ativo, e eu acho que esse lado ajuda muito a minha juventude, ser jovem, mais jovem internamente, por causa disso, porque eu tenho um companheiro bem jovem (Carlinhos, 65 anos, E.).
Porém, as alterações advindas do envelhecimento são percebidas e o importante é se readaptar entendendo que o sexo muda, porém a sexualidade não. Vitor expressa isso em seu discurso:
[...] O que acontece com o passar dos anos, porque eu ja sinto isso na minha pele, o que você não tem como quando você tem 30 e 40 anos, isso é a coisa mais normal, principalmente o homem, a gente tem tesão mais não tem a mesma ereção de 30, 20 anos, é diferente, são etapas da vida que você vive, e são etapas diferentes, mas o desejo você não perde (Vitor, 60 anos, E.).
O envelhecimento traz modificações importantes no que se refere aos aspectos físicos e emocionais das pessoas, porém os sentimentos e as sensações não sofrem deterioração, podendo a sexualidade ser vivida até o fim da vida (LAURENTINO, 2006), como ressalta nosso idoso Vitor, no trecho acima.
Essa mesma idéia é reforçada por, Souza (2003) ao evidenciar que, durante a velhice, mudanças físicas são acompanhadas de mudanças estéticas quanto ao modo de escolha do objeto amoroso, mas que isso não implica na perda do interesse ou da capacidade de sedução, e acrescenta:
O crescimento do individualismo no nosso estilo de vida tem capacitado os velhos a formarem seu próprio juízo, aumentando as possibilidades de cultivarem, conscientemente, uma sexualidade e um erotismo específicos da velhice, seja com relação ao próprio relacionamento de casal ou de pessoas sozinhas, em sua disposição para recomeçar outros relacionamentos (SOUZA, 2003, p. 20).
É imprescindível para a ciência, a sociedade e o idoso a compreensão da sexualidade para além dos limites biológicos, não se podendo confundir a perda ou redução da capacidade física durante a velhice com a perda da capacidade humana de amar, desejar e sonhar, facilitando assim não só a vida sexual do idoso como sua qualidade de vida e o próprio enfrentamento de questões tão negadas quanto a sexualidade (LAURENTINO, 2006). Parece que isso nossos idosos Vitor e Carlinhos já compreenderam nas suas vivências sexuais na velhice.
Assim, tanto homens quanto mulheres precisam constantemente reaprender a se amar e amar o outro, numa verdadeira reeducação comportamental que não envolve apenas o ato sexual e que possa servir para o enfrentamento de barreiras sociais ainda maiores.
O desenvolvimento da sexualidade humana independe da faixa etária que o indivíduo pertence, posto que o desejo de satisfação, prazer e amor não se esgota com o passar dos anos. A sexualidade faz parte do indivíduo em qualquer idade, representa um dos aspectos de viver juntos como uma manifestação rica e vital das relações humanas. “A sexualidade na idade geriátrica tem ritmos diferentes daquela dos outros períodos da vida, é menos agressiva e mais matizada” (CAPODIECI, 2000, p. 34). Vitor relata bem essa questão quando expressa sentir desejo, mas percebe que a resposta do seu corpo não é mais a mesma.
Mucida (2006) cita que a sexualidade está presente em toda a vida do sujeito e a idade não determina a ausência do desejo, nem tão pouco o número de relações sexuais, a sexualidade no idoso pode encontrar caminhos inéditos.
Porém, não podemos deixar de perceber que a época que os idosos de hoje foram criados, bem como a forma dessa criação sob normas de condutas morais, sociais e sexuais extremamente rígidas e diferentes das que nos orientam atualmente, imprimem aspectos de extrema importância quando estudamos e buscamos compreender a sexualidade na idade
avançada e essas características enraizadas é que de certa forma dificultam a expressão da sexualidade na velhice.
Outro aspecto relevante que apareceu no discurso e respostas dos participantes foi a importância do trabalho em suas vidas. Tratamos desse tema na categoria a seguir.