4 Metode
4.4 Valg av informanter
A importância da motivação do aluno por parte do professor é um tema recorrente nas Conferências Pedagógicas, dos primeiros aos últimos anos em análise. Vários estagiários apontam estratégias idênticas para ajudar a motivar os alunos: relacionar a matemática com a vida do dia-a-dia e com outras disciplinas, bem como comparar a matemática a um jogo com regras, como ilustram os três exemplos abaixo.
Os alunos interessam-se por coisas novas ou excitantes, mas o interesse desaparece logo que a novidade tenha acabado. No nosso ensino, a motivação deve desempenhar um papel de relevo. Muitas vezes pode basear-se na aplicação da Matemática a diversos campos da actividade humana. (Leitão, 1966, p. 7)
141
Nas nossas turmas experimentais procuram-se sempre exemplos e motivações concretas, tirados da vida corrente, e que levem o aluno a relacionar cada vez mais a matemática e a vida. Tenta-se combater a separação nítida ente a matemática e a vida, que caracterizava o ensino tradicional. E sempre que possível foca-se a relação da matemática com as outras disciplinas. (M. I. Santos, 1967, p. 9)
É preciso motivar e aplicar noções novas, para que a gente nova sinta que vale a pena acordar, a sua atenção. Assim, a Matemática pode considerar- se como um instrumento, que nos permite compreender o mundo em volta. Pode-se também considerá-la como um jogo sujeito a regras, onde a principal consideração está em conhecer as regras do jogo. (Dias, 1963, p. 8) A estagiária Marinete Leitão (1966) refere uma outra estratégia de motivação dos alunos que ocorreu em sala de aula numa turma que não era constituída pelos melhores alunos (deixando transparecer que isso não seria o mais comum), diz ela: “A nossa primeira experiência foi feita numa turma não seleccionada; continha todos os alunos da alínea “g”, a maior parte com maus antecedentes em Matemática. Sempre que era oportuno convidavam-se os alunos a dar a aula.” (p. 8). Esta estagiária afirma, ainda, que sempre que tal convite foi feito, houve sempre vários alunos a oferecerem-se e que essas “aulas correram sempre bem, notando-se que tinham sido sempre bem preparadas. Lembro-me de uma aula dada por um aluno de fraco aproveitamento, que a preparou não só em relação à parte que ia dar, como pensou na motivação da lição.” (Leitão, 1966, p. 8).
Sobre este novo papel que se está a tentar dar ao aluno, encontramos vários testemunhos ao longo de todo o período em análise: “Não queremos os alunos mudos e silenciosos na aula, queremos que sem receio levantem as suas objeções e nos confiem as suas dificuldades” (Rodrigues, 1961, p. 18). Ou ainda: “Da didáctica estrita, em que a grande preocupação do professor era apresentar os assuntos muito arrumadinhos, numa exposição muito clara, passou-se a uma didáctica pedagógica, isto é, a uma didáctica em que o fulcro principal é o aluno” (M. I. Santos, 1967, pp. 3-4). Nota-se nestas palavras a tentativa de mudar o foco da educação, passando do ensinar por parte do professor para a aprendizagem por parte do aluno, preconizada pela corrente da Escola Nova, como era do conhecimento dos estagiários: “A escola nova considera a criança como fulcro primordial (...) a criança não fica subordinada à mercê da receptividade do que o professor lhe ensina.” (Dias, 1963, p. 6). É uma grande mudança relativamente ao que os
142
próprios professores tinham experienciado: “No nosso tempo, nem com o companheiro de carteira se podia falar... — recorda o amigo” (Serrote, 1966, p. 111). O trabalho para a Conferência Pedagógica deste último estagiário, Plínio Serrote, é toda ela feita em diálogo com um amigo imaginário numa sequência de perguntas, respostas e comentários.
Nesta mudança de paradigma, John Dewey (1859 - 1952) é um dos autores citados pelos estagiários: “Dewey afirma que ‘o conceito de educação antiga pode resumir-se sob a afirmação de que o centro de gravidade caía fora do aluno. A nova escola deseja uma mudança nesse centro de gravidade, muito semelhante à realizada por Copérnico’ ” (Domingues, 1960, p. 8). Outros autores, como Rudolf Steiner (1861–1925), também são citados pelos estagiários: “Antes de entrar em considerações sobre didáctica foi feita uma rápida referência a um tipo de escola nova em que são seguidos os métodos do pedagogo Rudolf Steiner, os quais de baseiam nas faculdades criadoras da criança” (Reis, 1958, p. 127)
Um outro fator muito referido pelos estagiários para manter o interesse dos alunos e que deve merecer a atenção não só do professor, como dos educadores em geral, é a adequação do ensino e das matérias à evolução psicológica dos alunos e citam autores como Jean Piaget e Édouard Claparède (1873-1940):
De acordo com as teorias psíquicas de Claparède, o interesse é condição primária para que haja necessidade de agir.
Como manter o aluno interessado?
Em primeiro lugar é necessário estruturar e ordenar as matérias que se vão ensinar. Esta estruturação e ordenação dos materiais com que o professor deve trabalhar, pertence ao estudo dos métodos de ensino.
É necessário pensar, portanto, na maneira de organizar tais matérias, de acordo com a evolução intelectual da criança e simultaneamente procurar- se forma de despertar o seu interesse e a sua vivacidade, o que está relacionado com a sua vida afectiva. (Domingues, 1960, p. 7)
A estagiária Maria Cândida Domingues refere ainda que:
A psicologia experimental, ao serviço da educação, veio trazer-nos inúmeros conhecimentos da criança e do adolescente, preconizando que uma das condições do bom aprendizado era o professor conhecer bem o seu aluno.
143
Deve o mestre analisar as possibilidades intelectuais dos seus educandos, tentar conhecer melhor o seu carácter, os seus recursos, criando-lhes simultaneamente hábitos de trabalho pessoal.
Em suma, ao mestre não basta conhecer suficientemente a matéria que ensina. Ele deve ser um psicólogo. (1960, p. 8)
Maria Alzira Santos apoia-se em Gattegno para dizer que ensinar é ensinar pessoas, é estar na presença de diferentes personalidades e o “que determina a atitude de momento é a turma e a maneira como ela está a reagir” (1967, p. 20). Para além deste aspeto, a colega de estágio, Maria Inês Santos, acrescenta que a “didática deixou de ser um simples fenómeno de transmissão de conhecimentos (...) passou a atender (...) ao desenvolvimento psicológico do indivíduo. Este condiciona principalmente os métodos de ensino e também em parte, os modos de os pôr em prática” (1967, p. 3). A estagiária Maria Odette Rodrigues (1961) junta que o professor deve tentar conseguir que o esfoço do aluno seja por este desejado. Sobre o encontro de Royaumont, em 1959, a estagiária Marília Rua refere que uma das conclusões foi a necessidade de organizar o ensino da disciplina de Matemática de acordo com a psicologia do aluno, que psicólogos e matemáticos “procuraram fazer beneficiar o ensino da Matemática com as ideias e descobertas de filósofos e pedagogos de todos os tempos, particularmente com os métodos activos preconizados pela Escola Nova” (Rua, 1966, p. 10). De facto, os estagiários sabiam desde o início destes estágios que era (mais) antiga a necessidade de renovar a didática do ensino da Matemática: “Nos fins do século XIX iniciou-se um movimento com o fim de renovar os métodos didácticos da Matemática, introduzindo- se processos intuitivos, activos e heurísticos” (Pinto, 1959, p. 96). A estagiária Maria Odette Rodrigues desenvolve um pouco mais esta necessidade:
Podemos ajudar largamente a educar a capacidade de observar, de abstrair, de deduzir e ainda de aplicar, numa aula de matemática verdadeiramente vivida. A capacidade de autocrítica, o amor à ordem e à clareza são outras qualidades que queremos ajudar a desenvolver nos estudantes, mas não esqueçamos que é necessário que o aluno aprenda descobrindo e criando, para o que se nos impõe aceitar as suas sugestões, proporcionar-lhes a descoberta, estimular a agudeza da intuição, numa palavra, fomentar o espírito criador. (Rodrigues, 1961, p. 7)
144
O método heurístico é amplamente defendido por estes estagiários assim como o trabalho de grupo, e a utilização de materiais e modelos matemáticos, quer estáticos, quer dinâmicos, como vamos desenvolver nas próximas secções.