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3.3 Begrepet forforståelse

3.4.2 Utvalg og rekruttering av informanter

O Internato do Ginásio Paranaense, dirigido pelos Padres da Congregação de S. Vicente de Paulo e equiparado ao colégio de D. Pedro II do Rio de Janeiro, tem por fim ministrar oficialmente o ensino secundário e proporcionar aos alunos que lhe forem confiados a mais sólida educação física, intelectual e moral.

[...]

Situado no Batel – um dos arrabaldes mais pitorescos da formosa Capital do Paraná, servido por linhas de bondes e auto-omnibus, - O Internato do Ginásio Paranaense, graças á vasta chácara que o circunda, á excelente água potável, própria, de que é abastecido, á espaçosa área de que dispõe para recreios e jogos higiênicos, aos seus grandes e confortáveis edifícios recentemente construídos, segundo as regras da moderna arquitetura e que constituem um dos primeiros do Brasil, garante ás Exmas Famílias tudo que é preciso para o bem-estar, o bom tratamento e a boa formação de seus filhos (prospecto do Internato do Ginásio Paranaense, sem data).

69 É possível que Lysimaco Ferreira da Costa e Ramiz Galvão fossem amigos, pois numa das

vitrines da primeira sala do Memorial encontra-se exposto um telegrama do Barão de Ramiz Galvão – Diretor Geral do Conselho Nacional de Ensino (1923), agradecendo e retribuindo saudações e elogiando a modelar direção do Ginásio Paranaense e Escola Normal. Ressalta-se que Ramiz Galvão, Presidente do Conselho Superior do Ensino e Reitor da Universidade do Rio de Janeiro, elaborou o Regimento do IV Congresso Brasileiro de Instrução secundária e Superior, aprovado pelo Governo Federal (Cf Anais do IV Congresso..., p. 335).

FOTO 4 - INTERNATO DO GINÁSIO PARANAENSE

ACERVO: MEMORIAL LYSIMACO FERREIRA DA COSTA.

Com todo amparo legal de que precisava, o Presidente do Estado, Caetano Munhoz da Rocha baixou o Decreto n. 362, reorganizando o Internato e nomeando os seguintes lentes:

Padre Fernando Taddei, sub-director do Gymnasio Paranaense e lente cathedratico de Historia Universal e do Brasil.

Este sacerdote conta nesta data 36 annos de serviço de ensino secundário no Brasil e era o diretor do Gymnasio Diocesano, cujo conceito, como estabelecimento de ensino secundário, era o mais elevado e bastante conhecido em todo o Estado.

2 – Padre Francisco Souza, com 8 annos de exercício no magistério secundário, lente de Historia Natural.

3 – Padre Manoel Gonzáles, com 25 annos de magistério secundário, lente de Francês.

4 – Padre José Bonifácio Leite, com 12 annos de magistério secundário, lente de Latim.

5 – Padre Dr. Francisco Torres, com 4 annos de magistério secundário, lente de Arithmetica e Álgebra.

6 – Padre Luiz Gonzaga Miéle, com 6 annos de magistério secundário, lente de Lógica, Psychologia e Historia de Philosophia.

7 – Padre Olympio de Oliveira e Souza, com 14 annos de magistério secundário, lente cathedratico do Português da Escola Normal Secundaria desta Capital, lente de Português.

8 – Padre Jeronymo Mazzarotto, com 4 annos de magistério secundário, lente de Geographia, Chorographia e elementos de Cosmographia.

9 – Amilcar Silva, ex-aluno da Escola Militar, com um anno de magistério secundário, lente de Geometria e Trigonometria.

10 – Dr. Benjamin Mourão, Engenheiro – Geographo, com 3 annos de magistério secundário, lente de Physica e Chimica.

11 – Professor Jose Bohner, com 2 annos de magistério secundário, lente de Inglês e Allemão (Rel. 1924).

Para justificar o “arranjo”, Lysimaco Ferreira da Costa se apóia na “alta capacidade intelectual” dos contratados, afirmando que

Á escolha dos professores acima presidiu o mais elevado critério, pois que, alem de alta capacidade intellectual, possuem todos muita competência didactica, excellente moralidade, optimos costumes e grande dedicação ao ensino.

Podem perfeitamente alliar á sua palavra instructiva e educadora o exemplo de uma vida honrada, condições completas para a formação de bons cidadãos.

Afirma ainda que a modificação realizada no Internato, além de atender aos interesses da “educação moral, intelectual e física dos alunos do Ginásio”, também fora favorável “aos interesses econômicos do Estado”. No que se refere ao corpo docente, aponta as vantagens de poder contar com um corpo de professores próprio, possibilitando o bom funcionamento dos exames, sem ter de contar com pessoas estranhas para a composição das bancas examinadoras, que nem sempre julgavam com a mesma “imparcialidade e severidade que os lentes da casa”. Ressalta ainda que, com os novos contratados, haveria a possibilidade de substituição de lentes que, eventualmente, precisassem entrar em licença, podendo um professor do internato substituir um outro do externato e vice-versa. Ainda destaca que não haveria problema em relação à assiduidade dos professores, posto que os mesmos morariam no internato.

FOTO 5: CORPO DOCENTE DO INTERNATO DO GINÁSIO PARANAENSE

Uma conseqüência da reorganização do Internato foi a exoneração do Sr. Olympio de Almeida do cargo de subdiretor do Internato do Gymnasio Paranaense, sendo nomeado para substituí-lo, o Padre Fernando Taddei.

Na seqüência, Lysimaco Ferreira da Costa alega ainda que “nada há de mais prejudicial em matéria de educação do que a falta de homogeneidade entre os elementos do corpo docente”. De acordo com Lysimaco Ferreira da Costa, os professores do externato, por passarem apenas o tempo referente às aulas juntamente com seus alunos, não poderiam contribuir para a criação de ambiente educativo desejável, devido a “diversidade de suas opiniões e de seus princípios religiosos” (Rel. 1924).

A mesma idéia já vinha sendo defendida por Lysimaco Ferreira da Costa em outras situações. Num outro texto de sua autoria, publicado pela Liga Pedagógica do Ensino Secundário, em 1923 e na revista A Educação70, em 1925, defendia que estudar com professores de diversas orientações religiosas provocaria uma “influência desordenada, dispersiva, desorientada” na mente dos alunos. Nas palavras do autor:

Um dos erros das excellentes escolas normaes argentinas e esse também da Escola Normal do Rio: o da multidão de professores. E esse erro consiste em complicar um mecanismo que deve ser naturalmente simples.

Com tantos professores, cada um delles pregando doutrinas especiaes ao sabor próprio, formando quasi sempre uma polyarchia no ensino com o seu cortejo de idéias boas, más e absurdas que pregam, não é possível mesmo ao mais perfeito director formar um ambiente educativo, apreciável, mormente se esses professores não estacionam em sua escola normal por mais de uma hora diária.

Que influencia pode ter taes professores no espírito dos seus alumnos, se esses estudam arithmetica com um no primeiro anno, com outro no segundo e assim por deante; quando estudam historia antiga com A, moderna com B e a do Brasil com C, sendo que A, B e C podem ter as mais desencontradas opiniões, os mais diversos pontos de vista nas doutrinas ensinadas? Se A é por exemplo catholico, B protestante, C atheu ou anticlerical?

Só pode ser uma influencia desordenada, dispersiva, desorientada que nada tem de educativa e que se caracteriza por anarchisadora da mentalidade do educando.

Outros seriam os resultados educativos se o corpo docente fosse constituído de elementos homogêneos, em número apenas sufficientes, capazes de comprehender a necessidade de se completarem mutuamente na obra educativa empenhada e que, devidamente remunerados, pudessem passar ao lado dos seus alumnos duas, ou três horas por dia, no mínimo, informando- os, orientando-os, instruindo-os e animados sempre do mesmo enthusiasmo, tão nobre, moralmente tão compensador, de formar os futuros educadores do nosso povo (Costa, 1925; Costa 1923)

70 Tratava-se de uma publicação mensal, dedicada à “defesa da educação pública no Brasil”.

Fundada pelo Dr. José Augusto, Governador do Rio Grande do Norte; e dirigida por Heitor Lyra da Silva, fundador da ABE.

Ainda a respeito da unidade religiosa, no mesmo relatório, quando o autor aponta as vantagens de se ter um grupo homogêneo no Internato, faz questão de salientar que aos alunos a religião não seria imposta:

Felizmente, com a reorganização que sobreveio, póde o Internato possuir um ambiente educativo homegeneo, alheio a lutas e questões religiosas, pois que, apezar de ser dirigido por um digno sacerdote catholico e serem seus professores na sua maioria sacerdotes catholicos, nenhum alumno é obrigado ao estudo ou á pratica de assumptos religiosos, em plena conformidade ao regulamento vigente e ao espírito altamente liberal e imparcial do Exmo. Sr. Dr. Presidente do Estado.

No Relatório de 1924, Lysimaco Ferreira da Costa não perdeu a oportunidade de provocar seu inimigo Dario Vellozo. Em relação à diversidade de princípios religiosos, faz questão de acrescentar que

a excepção do lente de Historia Universal, Sr. Dario Persiano de Castro Velloso, todos os demais lentes, catholicos, protestantes, espíritas, atheus ou livre-pensadores, procuraram sempre ser justos e imparciaes não pregando em aulas suas doutrinas religiosas ou anti-religiosas (Rel 1924).

Por fim, aproveita para assinalar a preocupação constante do Governo do Estado em estabelecer um bom sistema de “cultura physica” para os alunos do Ginásio, que a reorganização do internato também poderia contemplar, dado que possuía uma área de “cerca de 100 hectares de campo e matto”, diferentemente do antigo prédio onde estava instalado o Internato.