4 Methodology
4.1 Updated SEAP Dataset and unit of analysis
No mundo atual, repleto de desafios e de riscos iminentes, o pleno desenvolvimento do ser humano está constantemente ameaçado por diversas situações que enfrenta no seu cotidiano pessoal, familiar, profissional e social. A qualidade nas relações interpessoais se perde a cada dia e a competição por um espaço profissional se torna cada vez mais acirrada, fazendo com que as expectativas de uma vida saudável e de realizações diminuam a cada momento. A globalização da economia e as políticas neoliberais acentuam a desigualdade social e acarretam a exclusão e o empobrecimento de grande parte da população. Junto à pobreza e à miséria, o desemprego, a violência, a delinqüência, a doença, a dependência química, o alcoolismo, a deterioração pessoal, familiar e social. Esse contexto de país e de mundo sinaliza a necessidade de discussão e de apropriação do conceito de resiliência nas ações sociais, educativas e de saúde, a fim de auxiliar o indivíduo no desenvolvimento de sua capacidade em responder de forma positiva aos desafios da sociedade pós-moderna (PLACCO, 2002; MELILLO, 2005).
A partir de um contexto definido por desigualdades sociais e de riscos sociais, a resposta científica esteve centrada, há muito tempo, em obter uma boa definição dos quadros patológicos que apareciam como conseqüência dos problemas sociais mencionados. Também, em apontar precisamente suas causas específicas e em entender o desenvolvimento de cada patologia, para tratá-la. Como resultado da pesquisa das causas, esperava-se também poder formular hipóteses, em função do conhecimento de fatores de risco, sobre o momento em que apareciam as patologias, para abordá-las logo no início. A psicopatologia destacava as condições adversas que provocavam os fatores de risco e suas conseqüências sobre o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Independentemente dos modelos teóricos empregados, muitas vezes, as hipóteses não se concretizavam e a doença não aparecia. Dessa forma, ante a evidência de que nem todas as pessoas submetidas a situações de risco têm doenças ou sofrimentos de diversos tipos, porém, ao contrário, superam a situação e saem dela fortalecidos, começou-se a estudar esse fenômeno. Atualmente, ele é chamado de resiliência e é entendido como a capacidade do ser humano de enfrentar adversidades da vida, superá-las e ser transformado positivamente por elas. Assim, “nem sempre se pode associar carência à incompetência, já que o indivíduo pode fazer e ser, independentemente da situação adversa em que nasça e viva. A partir daí, tratou-se de procurar fatores que consigam proteger os seres
humanos dos efeitos negativos das adversidades, para estimulá-los, uma vez detectados” (MELILLO, ESTAMATTI e CUESTAS, 2005).
Esse contexto histórico sobre o fenômeno permite Yunes e Szymanski (2002) afirmarem que os estudos sobre resiliência possibilitam uma melhor compreensão do comportamento e da realidade de crianças e adolescentes, que vivem em condições precárias e adversas, isto é, em situação de risco psicossocial. Nesse sentido, a resiliência surge como um construto que aponta para uma nova maneira de compreender o desenvolvimento humano, não somente pela dimensão da patologia, mas pela capacidade do indivíduo em superar as situações adversas e as dificuldades por ele vividas. Assim, a resiliência é freqüentemente referida por processos que explicam a superação de crises e adversidades em indivíduos, grupos e organizações.
De acordo com o dicionário da língua portuguesa, resiliência é um termo que vem da Física e significa a propriedade pela qual a energia armazenada por um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão que causa a deformação (FERREIRA, 1994). As Ciências Exatas designam a resiliência como a resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo. Poletto e Koller (2006) citam o dicionário da língua inglesa que apresenta duas definições para o termo. A definição psicológica menciona a resiliência como a habilidade de voltar rapidamente ao seu estado usual de saúde ou de espírito, após passar por doenças e dificuldades. Essa descrição é referida como resiliência de caráter. A segunda, a definição da Física, refere-se ao termo como a habilidade de uma substância voltar à sua forma original quando a pressão é removida. Yunes e Szymanski (2002) comentam que os dois dicionários se referem a conceituações semelhantes e ao mesmo tempo divergentes, pois no primeiro a referência é feita somente à resiliência de materiais, e nada é especificamente claro para a compreensão da resiliência quando se trata de pessoas, mesmo no sentido figurado. Enquanto que o dicionário em inglês aponta em primeiro plano a definição do termo referente a fenômenos humanos.
Segundo Yunes e Szymanski (2002), a palavra resiliência aplicada às Ciências Sociais e Humanas é utilizada há pouco tempo. O seu uso no Brasil se restringe a um pequeno grupo de pessoas de alguns círculos acadêmicos. Os profissionais das áreas de Psicologia, Sociologia ou Educação desconhecem a palavra e seu uso formal ou informal, enquanto que os profissionais das áreas de Engenharia, Física e Odontologia demonstram familiaridade com
o termo quando se refere à resistência de materiais. As pesquisadoras revelam que, em certos países da Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, a palavra resiliência é utilizada com freqüência tanto pelos profissionais das Ciências Sociais e Humanas quanto pela mídia, ao fazer referências a pessoas, lugares, ações e coisas em geral. No Brasil, a palavra resiliência e seus significados ainda são desconhecidos para a grande maioria das pessoas.
Yunes (2001) destaca que o estudo do fenômeno da resiliência é recente na psicologia. Vem sendo pesquisado há pouco mais de vinte anos, mas apenas nos últimos anos os encontros internacionais têm discutido esse construto. Afirma que a sua definição não é clara, tampouco precisa, como na Física ou na Engenharia, visto que os fatores e as variáveis que devem ser levados em conta no estudo dos fenômenos humanos são complexos e múltiplos. Portanto, não há como comparar a resiliência de materiais com a resiliência enquanto um processo psicológico. Poletto e Koller (2006) também destacam que o estudo da resiliência é relativamente recente, mas admitem estar ganhando espaço em vários centros de pesquisa e a atenção de muitos pesquisadores, em países em desenvolvimento, na América Latina e no Brasil.
Na Psicologia, os termos invencibilidade ou invulnerabilidade são os precursores da definição do termo resiliência. A invulnerabilidade era utilizada para descrever crianças que apresentavam saúde emocional e alta competência, apesar de vivenciarem longos períodos de adversidades e estresse psicológico (WERNER e SMITH, 1982, 1992, citados por YUNES, 2001; POLETTO e KOLLER, 2006). Para o psiquiatra Michael Rutter (1985, 1993, citado por YUNES, 2001; YUNES e SZYMANSKI, 2002; POLETTO e KOLLER, 2006), um dos precursores no estudo da resiliência na psicologia, a invulnerabilidade significa uma resistência absoluta ao estresse, uma característica não suscetível a mudanças.A invulnerabilidade passa apenas a idéia de uma característica intrínseca do indivíduo, enquanto que as pesquisas mais recentes têm apontado que a resiliência ou resistência ao estresse é variável, cujas bases são tanto constitucionais como ambientais, e que o grau de resistência não é fixo, mas varia de acordo com as circunstâncias. Rutter (1987, citado por POLETTO e KOLLER, 2006) considera a resiliência uma variação individual como resposta ao risco e salienta que os mesmos eventos estressores podem ser vivenciados de maneira diferente por pessoas diferentes.
Portanto, resiliência e invulnerabilidade não são termos equivalentes, porque a primeira se refere a uma habilidade de superar adversidades, não significando que o indivíduo saia completamente ileso da situação adversa, como implica o termo invulnerabilidade (ZIMMERMAN e ARUNKUMAR, 1994, citados por YUNES, 2001; YUNES e SZYMANSKI, 2002; POLETTO e KOLLER, 2006). A partir desse enfoque, Koller (2000) faz uma reflexão sobre essa adequação do termo resiliência feita pela psicologia, ao destacar que uma pessoa em desenvolvimento, que sofre um estressor, dificilmente volta à forma original, porque a experiência do evento se soma as suas experiências anteriores. Essa diferença é percebida depois da retirada do estressor. Se o indivíduo for frágil, ficará mais vulnerável, se for mais forte e contar com fatores de proteção, demonstrará maior capacidade de resiliência.
Nesse sentido, De Antoni e colaboradores (1999) afirmam que resiliência é um conceito dinâmico e relativo, pois as pessoas não são resilientes em todos os momentos nem em todas as circunstâncias de suas vidas. A capacidade de resiliência depende das características individuais e ambientais, que podem variar ao longo da vida. Segundo Luthar (1993, citado por DE ANTONI et al. 1999; KOLLER, 2000) existem três tipos de resiliência: a acadêmica, a social e a emocional. Koller (2000) considera essa classificação arbitrária e apenas didática, que pode não envolver todos os tipos de resiliência, uma vez que este é, ainda, um tópico recente de pesquisa e muito há para ser estudado a esse respeito. No entanto, as áreas de resiliência mencionadas podem ser percebidas no cotidiano das pessoas. A resiliência acadêmica pode ser observada no desempenho escolar e interesse nas tarefas escolares. A resiliência social aparece no relacionamento interpessoal, na competência social, na capacidade de empatia e no sentimento de pertença dos indivíduos. A resiliência emocional pode ser identificada em indivíduos com senso de autoconfiança, auto-eficácia, auto-estima, bem como no conhecimento de suas limitações.
Pessoas expostas a situações de risco que não desenvolvem a capacidade de resiliência são vistas como mais vulneráveis a esses eventos. Evidenciam alterações aparentes no desenvolvimento físico e/ou psicológico quando submetidas a estressores e a riscos. Tais alterações ficam evidentes na trajetória de adaptação da pessoa e podem torná-la suscetível e propensa a manifestar sintomas e doenças. É importante salientar que as pessoas podem ser ora vulneráveis, ora resilientes diante de um mesmo tipo de evento. Podem, ainda, ser vulneráveis em algumas áreas do seu desenvolvimento e resilientes em outras. Muitos fatores
interagem no aumento da vulnerabilidade ou na redução dos efeitos estressores sobre a pessoa. Alguns mecanismos mediadores podem influenciar na resposta da pessoa a uma situação de risco. Esses mecanismos são chamados de fatores de proteção e têm sido identificados como aqueles que reduzem o impacto de risco e de reações negativas em cadeia. As características individuais, como auto-estima e auto-eficácia, são algumas delas. As oportunidades apresentadas às pessoas em situação de risco também podem influenciar na forma como elas lidam com o estresse, reduzindo seu impacto e as reações negativas em cadeia (KOLLER, 2000). Os fatores de proteção mais importantes citados na literatura são: características de personalidade, coesão familiar e sistemas externos de apoio (p.ex. MASTEN e GARMEZY, 1985, citados por KOLLER, 2000).
Embora se percebam semelhanças nas diferentes definições de resiliência, estão presentes na maioria delas as relações entre adversidades e eventos negativos com a capacidade de superação dos mesmos. Para Junqueira e Deslandes (2003, citados por PESCE et al., 2004), não existe um consenso na definição de resiliência, sendo esta caracterizado em termos mais operacionais do que descritivo. As autoras consideram a resiliência como a capacidade do sujeito de, em determinados momentos e conforme as circunstâncias, lidar com a adversidade não sucumbindo a ela. Com isso, chamam a atenção para a necessidade de se relativizar essa capacidade de ser resiliente, em função do indivíduo e do contexto. Defendem que o termo resiliência traduz conceitualmente a possibilidade de superação num sentido dialético, o que não representa uma eliminação, mas uma ressignificação do problema.
O mesmo acontece em relação à quantidade de eventos de vida negativos necessários para afetar a capacidade de resiliência do indivíduo. A hipótese de que um indivíduo poderia sofrer apenas um evento de risco não resistiria à interseção existente entre tantos fenômenos na vida cotidiana, principalmente, quando se fala em crianças e adolescentes que vivenciam uma diversidade de situações nos diversos ambientes sociais que freqüentam, além da transição de um estágio de vida para outro (GORE e ECKENRODE, 1996, citados por PESCE et al., 2004).
Segundo Rutter (1987, citado por PESCE et al., 2004), a resiliência não pode ser pensada como um atributo que nasce com o sujeito, nem que ele adquire durante seu desenvolvimento. É um processo interativo entre a pessoa e seu meio, considerado como uma variação individual em resposta ao risco, sendo que os mesmos fatores causadores de tensão
um atributo fixo do indivíduo. Para o autor, a proximidade entre fatores de risco e proteção merece atenção dos estudos sobre resiliência. Sugere que se use o termo risco sob a ótica de um mecanismo e não de um fator, uma vez que risco numa determinada situação pode ser proteção em outra. Alerta para o perigo em definir de forma arbitrária eventos isolados como fatores de risco, dando importância à idéia de equilíbrio entre risco e proteção, de forma que os primeiros sejam moderados pelos segundos, proporcionando como resultado uma atitude positiva frente à adversidade da vida.
Independentemente da maneira como se constitui o risco, é possível aprender formas de enfrentamento a partir da convivência com indivíduos que o vivenciaram e o ultrapassaram com sucesso. E é essa resposta do indivíduo ao risco que tem sido descrita em termos de vulnerabilidade e resiliência. Por vulnerabilidade se entende a predisposição individual para desenvolver variadas formas de psicopatologia ou comportamentos não eficazes, ou suscetibilidade para um resultado negativo no desenvolvimento. E, no outro lado, está a resiliência como a predisposição individual para resistir às conseqüências negativas do risco e se desenvolver adequadamente (PESCE et al., 2004).
Pode-se dizer, então, que a definição de resiliência, a partir da compreensão da interação do indivíduo com o ambiente, implica o entendimento dinâmico dos fatores de proteção e dos fatores de risco. Os fatores de risco estão relacionados a eventos negativos de vida que podem aumentar a probabilidade do indivíduo de apresentar problemas físicos, psicológicos e sociais. Enquanto os fatores de proteção se referem às influências que modificam, melhoram ou alteram respostas individuais a determinados riscos de desadaptação. Além disso, diferentes fatores podem interagir entre si e modificar o percurso do indivíduo, tanto para produzir uma experiência estressora em seus efeitos como uma protetora (POLETTO e KOLLER, 2006).
No Brasil, recentemente o estudo sobre a resiliência vem recebendo atenção de pesquisas voltadas para analisar sujeitos em situação de risco, de forma especial, crianças, adolescentes e jovens que vivem nas ruas, ou vivenciam dificuldades emocionais, estruturais e sociais, têm problemas de saúde ou se encontram expostos à violência (p.ex. ASSIS, PESCE, OLIVEIRA, 2004; AMPARO, 2005; ASSIS, PESCE, AVANCI, 2006). São estudos que, de certo modo, remetem à questão da saúde, do desenvolvimento e da qualidade de vida dos indivíduos. Nesse sentido, o conceito de resiliência passa pela interação dinâmica entre
fatores de risco e fatores de proteção que determinam a situação de maior vulnerabilidade ou resiliência das crianças, dos adolescentes ou jovens em situação de risco psicossocial (AMPARO, 2005). Os fatores de risco podem gerar maior vulnerabilidade e prejudicar o desenvolvimento humano saudável, enquanto os fatores de proteção, quando ativados, geram a resiliência.
Segundo alguns estudos sobre resiliência (p. ex., KOLLER, 2000; GARCIA, 2001; ASSIS, PESCE, OLIVEIRA, 2004; PESCE et al., 2004; ASSIS, PESCE, AVANCI, 2006), os fatores de risco são entendidos como todos os elementos, aspectos, características ou qualidades da pessoa, do ambiente cultural, social ou econômico que causam danos evidentes, efeitos negativos ou prejuízos à saúde do indivíduo como um todo. Os fatores de risco são responsáveis por acentuar doenças ou estados deficientes, implicando em resultados negativos e indesejáveis no desenvolvimento dos indivíduos. Até então, esses fatores eram definidos por termos estáticos, como maus-tratos e pobreza, por exemplo; atualmente, atribui-se maior importância â análise dos fatores de risco como processo, a fim de se descobrir os impactos desses elementos e os mecanismos responsáveis por seus efeitos negativos, principalmente na criança e no adolescente.
Os fatores de proteção, mencionados por Assis, Pesce, Oliveira (2004) correspondem a condições presentes no ambiente, constituindo uma rede complexa de fatores psicossociais, capazes de favorecer o indivíduo ou amortizar os efeitos prejudiciais ou circunstâncias desfavoráveis. Os elementos de proteção são abordados como facilitadores e mediadores no processo de desenvolvimento da resiliência, após vivências traumáticas. As pesquisadoras apresentam três categorias de fatores de proteção em crianças e adolescentes resilientes, identificadas por Emery e Forehand (1996, citados por ASSIS, PESCE, OLIVEIRA, 2004), Werner e Johnson (1999, ASSIS, PESCE, OLIVEIRA, 2004): individuais, relativos a qualidades que denotam autoconfiança, auto-eficácia, habilidades interpessoais e sociais, sentimentos de empatia, controle emocional e humor e relacionamento com seus pares; familiares, referentes a suporte, segurança, bom relacionamento e harmonia com os pais ou responsáveis e no ambiente de relações primárias; extrafamiliares ou ambientais, relacionados ao suporte de pessoas significativas e experiências escolares positivas e sociais em geral.
Pesce et al. (2004) também analisam a relação da resiliência com eventos de vida desfavoráveis, ditos fatores de risco, e fatores de proteção. Para as pesquisadoras, entretanto,
proteção se mostram todos correlacionados com esse construto. Eles compreendem a resiliência como o conjunto de processos sociais e intrapsíquicos que possibilitam o desenvolvimento de uma vida sadia, mesmo vivendo em um ambiente não sadio. Esse processo resulta da combinação entre os atributos do sujeito, criança ou adolescente, seu ambiente familiar, social e cultural.
Na análise dos dados de pesquisas sobre comportamento resiliente, Assis, Pesce, Oliveira (2004) e Assis, Pesce e Avanci (2006) apontaram alguns atributos individuais, de apoios familiares e sociais das crianças e adolescentes que interferem na construção e desenvolvimento da resiliência. São eles: ter autoconfiança e determinação; ter perseverança e tenacidade; ter projeto de vida, sonhos e metas; cultivar a alegria e a satisfação de viver e poder contar com pessoas que dão afeto e apoio emocional. Acrescentaram, ainda, que os adolescentes mais resilientes, ao lidar com as dificuldades do cotidiano, optam mais por estratégias ativas de enfretamento dos problemas, buscando ajuda de adultos na reflexão dos conflitos; não fogem dos problemas, aceitam seus limites e buscam soluções alternativas, desenvolvendo estratégias internas; e utilizam menos as estratégias de evitação dos problemas. As pesquisadoras não encontraram diferença positiva ou negativa na resiliência em relação aos quesitos estrutura familiar e escolaridade do pai e padrão socioeconômico. Porém, a atenção, a presença e a supervisão dos pais no dia-a-dia dos filhos são fatores que influenciam positivamente na resiliência, bem como o bom relacionamento com os amigos, colegas e professores.
Contudo, é importante pensar na resiliência como um processo dinâmico, a fim de que os estudos sobre o tema se voltem para a investigação sobre quais fatores geram risco e vulnerabilidade, como eles atuam, e quais os fatores de proteção que, ativados, promovem a resiliência, no desenvolvimento do sujeito. Dessa forma, as pesquisas poderão melhor contribuir para as possíveis intervenções na saúde e na qualidade de vida das crianças, adolescentes e jovens em situação de risco psicossocial.
De acordo com Assis, Pesce, Oliveira (2004), a área de prevenção e promoção da saúde vem demonstrando um crescente interesse pelo estudo da resiliência e sua aplicação, tomando como base o indivíduo, a família, a escola e a comunidade. Isso reflete o abandono das abordagens centradas nos fatores de risco e a adoção daquelas cujo foco corresponde aos fatores positivos que possibilitam, ao indivíduo, superar as adversidades. Mesmo que as
abordagens e definições de resiliência ainda sejam variáveis, o importante é que se perceba a possibilidade de se promover uma vida sadia e o bem-estar do indivíduo, por meio do desenvolvimento de habilidades pessoais relacionadas a processos intrapsíquicos e sociais, frente a eventos traumáticos.