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2 Background

2.2 Sexual exploitation and abuse by UN peacekeepers

Esta pesquisa teve como ponto de partida, questões amplamente relacionadas ao percurso profissional da pesquisadora e o olhar constante para a formação de professores. Os aspectos pessoal, profissional e acadêmico entrelaçados pela vivência em diversas funções educativas, tais como gestora de escola, orientadora educacional, coordenadora pedagógica, professora de Ensino Superior, professora em escolas particulares e públicas municipais e estaduais e Secretária de Educação Municipal, foram aprofundados a partir da (re)inserção no mundo acadêmico, durante o período do Mestrado em Educação, onde foi possível tecer novos saberes sobre o trabalho docente, tendo como elemento fundamental os estudos sobre a psicodinâmica do trabalho.

Assim, a partir de um estudo objetivou-se investigar os desafios subjetivos do trabalho docente com adolescentes, a partir das contribuições da psicodinâmica do trabalho, enfatizando a ação pedagógica e a mobilização subjetiva do professor na relação com seu aluno adolescente. E, concomitante com este objetivo geral, se fez presente o interesse em descrever os aspectos que envolvem o prazer-sofrimento, analisar os desafios entre o prescrito e o real e explicitar o lugar do reconhecimento no trabalho docente com alunos adolescentes.

Para atender aos objetivos da pesquisa, foram descritos os desafios sentidos pelos professores no desempenho da função docente com alunos adolescentes, utilizando entrevistas não diretivas com professores da cidade de Cristalina de Goiás, cidade em que não existem pesquisas sobre esta temática. Nessas entrevistas, os professores evidenciaram aspectos relacionados ao trabalho docente com alunos adolescentes, enfatizando os desafios que enfrentam no cotidiano do trabalho, bem como as situações que mobilizam a sua prática docente, tanto em relação ao sofrimento no trabalho, quanto aos elementos que trazem prazer. O trabalho ocupa um lugar de destaque na constituição da identidade do sujeito e em suas relações com a sociedade, pois trabalhar, conforme Dejours (2004) é confrontar-se com ao mundo e, neste confronto, os trabalhadores se vêm afetados pela situação do trabalho, o que mobiliza sua subjetividade e o faz lançar mão de estratégias defensivas que o possibilitem superar o sofrimento e transformar o trabalho em uma fonte de prazer, que vão desde o absenteísmo, a operação-padrão até a decisão de deixar de ser professor, ou até mesmo mudar de escola ou sala de alunos que lhe trazem problemas.

Em sua prática docente, os professores vivenciam elementos que tanto causam prazer quanto sofrimento, o que ficou evidente nas falas dos entrevistados. Porém, estes sentimentos

aparecem de forma contraditória e ambivalente. O prazer comparece associado à prática docente, pela transmissão do conhecimento, pelo convívio com os colegas e pela contribuição para a formação do aluno, fatores estes que se contrapõem aos argumentos relacionados ao sofrimento, de crescente intensificação de trabalho, à falta de reconhecimento pela sociedade, que leva ao sentimento de indignação e desvalorização.

O reconhecimento do trabalho do professor pelo aluno fortalece o trabalho e a identidade do professor e se constitui como um elemento de prazer. Esse julgamento é revestido de conteúdo simbólico, que se apresenta na forma de reconhecimento, como a retribuição esperada e mais valorizada pelo sujeito, que dá sentido a seu investimento subjetivo no trabalho. A transformação do sofrimento em prazer se torna possível pelo sentido atribuído ao trabalho (DEJOURS, 2008).

Outra fonte de sofrimento é o sentimento de isolamento, pois a falta de um coletivo de trabalho obriga os professores a lidarem de modo solitário com os desafios da relação professor-aluno, mas também da organização do trabalho. O sofrimento se instala também a partir dos imprevistos no cotidiano do trabalho docente com os adolescentes, que se relacionam ao real do trabalho e que gera irritação, decepção e mesmo o sentimento de impotência. O trabalho real é marcado por improvisos próprios do dia a dia e é, no cotidiano do trabalho docente com adolescentes que alguns desafios do real do trabalho se estabelecem como, comportamentos agressivos, provocações e desinteresse pela aprendizagem, o que faz com que o professor se sinta impotente frente à resistência do real em relação ao prescrito.

O adolescente se sente atacado pelas transformações do seu corpo e, ao sentir que perdeu a identidade infantil, sente-se fragilizado diante de uma identidade adolescente ainda vacilante. De modo que sua fragilidade é muitas vezes exteriorizada na sala de aula, com o intuito, nem sempre consciente, de testar a capacidade do professor em resistir a sua própria destrutividade. Contudo, quando o adolescente não encontra apoio em seu ambiente, adultos que o ajude a conter a avalanche que a puberdade lhe impõe, sente-se desamparado. Esse movimento ambivalente do adolescente, de ataque ao professor e de pedido de proteção, foi uma questão que colocou as professoras entrevistadas sem a medida de quando se aproximar para proteger e quando se distanciar para colocar limites, gerando uma constante dúvida.

Considera-se que o trabalho docente junto aos alunos pubertários e adolescente convoca os professores a conviverem com sujeitos em processo de transformações físicas, psíquicas e sociais, de modo, que além dos conteúdos pedagógicos, o professor terá que lidar com a agressividade, mas também a vulnerabilidade e o desamparo, que o coloca diante de um dilema, entre aproximação e distanciamento de seu aluno.

O reconhecimento no trabalho docente, terceiro eixo de discussão da pesquisa, foi um dos aspectos que se fez também presente nas falas dos professores. Ficou evidente o quanto o reconhecimento faz bem e traz satisfação, mesmo quando este acontece a posteriori, como é o caso de alunos que depois de algum tempo encontram o professor e atribuem a ele o sucesso em sua carreira profissional. São as marcas do professor impressas neste aluno e que lhe trazem prazer. É como uma retribuição simbólica pelo trabalho realizado, uma recompensa que não tem um valor aparente, mas que vem carregada de muito significado para o docente, que busca cada vez mais sustentar seu trabalho e conseguir com isso os resultados de aprendizagem propostos.

O reconhecimento pelos alunos e pelos colegas de trabalho foi outro ponto enfatizado nos discurso dos professores, como garantia do sentido do trabalho, enquanto modo específico de engajamento da personalidade para enfrentar a tarefa docente, num contexto de relações sociais. Sempre se trabalha para alguém, para o outro, e ser reconhecido pelo outro é um elemento simbólico, portador de satisfação e valorização.

Por outro lado, a falta de reconhecimento, principalmente pela sociedade, esteve muito presente nas falas dos professores entrevistados, demonstrando assim o quanto o reconhecimento no campo social constitui um dos elementos fundamentais na construção da identidade do professor. Ser valorizado pelos pais, superiores hierárquicos e pela sociedade em geral é a grande expectativa dos professores.

O presente estudo, que trouxe para a discussão os elementos mobilizadores do trabalho docente com alunos adolescentes, possibilitou um diálogo entre a psicodinâmica do trabalho e as teorias sobre a adolescência, de modo que as discussões empreendidas pela pesquisa poderão contribuir com o trabalho dos professores junto aos alunos adolescentes.

Este estudo sinaliza para a importância de se implementar no âmbito das escolas públicas, políticas não só sobre o aumento de números de matrícula, mas também aspectos relacionados à valorização do trabalho docente, como condição implícita à manutenção do ensino público de qualidade e acima de tudo à permanência do adolescente na escola, envolvido com atividades que oportunizem relações saudáveis e uma construção de conhecimento que lhe dê sustentação para enfrentar a sociedade competitiva atual.

Ao finalizar a pesquisa, é possível afirmar que pensar o trabalho docente na relação com alunos adolescentes é de suma importância, pois este olhar atento aos desafios do trabalho docente traz consigo, amparado pelas contribuições da psicodinâmica do trabalho, um direcionamento para os aspectos que envolvem o ato de trabalhar, aliado ao enriquecimento teórico acerca da adolescência, período este de vulnerabilidade, aonde muitos

impasses e provocações vêm à tona e desafiam o professor. Assim, ao direcionar o nosso olhar para os aspectos que habitam a subjetividade do professor na situação de trabalho com adolescentes foi possível perceber a implicação pessoal com os aspectos técnicos da profissão. Nesse contexto, um dos elementos que poderia contribuir para melhor enfrentar o cotidiano com alunos adolescentes, além de uma formação que contemple de modo mais cuidadoso este período da vida, seria a instalação de um espaço de troca entre os professores, colaborando para a convivência entre os docentes e para a sustentação do trabalho educativo junto aos alunos adolescentes.

A partir da fala sobre o trabalho no espaço coletivo, torna-se possível o acesso ao trabalho invisível e isso só pode ocorrer a partir da palavra dos trabalhadores em um coletivo, em que as divergências entre o trabalho prescrito e real possam ser visibilizadas, de modo que esse espaço venha servir como uma forma de amenizar o sofrimento que surge no enfrentamento com estas situações do real do trabalho.

Assim, o que se propõe é a criação de um espaço de discussão nas escolas, onde os professores possam trazer seus conflitos, inseguranças e anseios para o coletivo de trabalho, onde as discussões sobre o prescrito e o real do trabalho possam surgir como forma de amenizar os sentimentos de impotência e angústia que geram sofrimento e paralisam o trabalho docente com adolescentes, para que assim os professores possam sentir o prazer da realização profissional.

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APÊNDICE - TERMO LIVRE E ESCLARECIDO

MESTRADO EM EDUCAÇÃO Prezado Professor(a),

O (a) Senhor(a) está sendo convidado(a) a participar do projeto: Desafios subjetivos do

trabalho docente com adolescentes: um estudo exploratório a partir das contribuições da

Psicodinâmica do Trabalho sob responsabilidade da Profa. Drª Katia Cristina Tarouquella

Rodrigues Brasil e da aluna Sonia Terezinha Oliveira Nogueira.

O objetivo desta pesquisa é: Identificar os desafios do trabalho docente com alunos no

período da adolescência, a partir das contribuições da Psicodinâmica do Trabalho. Esta pesquisa

justifica-se, pela necessidade de aprofundar o conhecimento dos impactos do trabalho docente,

identificando os impasses entre o prescrito e o real do trabalho em classes de alunos adolescentes, buscando conhecer o sentido que o professor dá à sua prática educativa.

A sua participação será através de entrevista não diretiva, sendo que os aspectos

relacionados ao tema surgirão a partir do estímulo proporcionado pelo entrevistador, o que possibilitará a coleta de informações que favorecerão a pesquisa. A pesquisadora ouvirá de forma atenta e refinada suas experiências profissionais nas classes de alunos adolescentes, respeitando suas falas, as quais serão analisadas a partir da perspectiva teórica da Psicodinâmica do Trabalho.

A entrevista será gravada e os dados serão transcritos pelo próprio pesquisador. O tempo estimado

para sua realização será de 20 minutos.

Os resultados da pesquisa serão divulgados na Universidade Católica de Brasília, podendo ser publicados posteriormente. Os dados e materiais utilizados na pesquisa ficarão sobre a guarda do pesquisador.

Este projeto possui os seguintes benefícios, melhor compreensão dos aspectos que envolvem

o trabalho docente com adolescentes e apresenta os seguintes riscos: expor os participantes a

julgamentos, que serão minimizados da seguinte forma: mantendo sigilo total e absoluto em relação

a qualquer participante.

Se o(a) Senhor(a) tiver qualquer dúvida em relação à pesquisa, por favor telefone para: Profª.

Drº Katia Cristina Tarouquella Rodrigues Brasil, na Universidade Católica de Brasília telefone:

(61) 3448-7142, no horário: de 8h às 11h e de 14h às 17h.

Eu, _________________________________________, docente convidado, declaro que recebi informações de forma clara e detalhada a respeito dos objetivos e da forma como participarei desta investigação, sem ser coagido a responder eventuais questões por mim consideradas de menor importância ou constrangedoras. Também estou informado de que, a qualquer momento, posso esclarecer dúvidas que tiver em relação à entrevista, assim como usar da liberdade de deixar de participar do estudo, sem que isso traga qualquer dificuldade para mim. A minha assinatura neste Termo de Consentimento autoriza a pesquisadora a utilizar e divulgar os dados obtidos, sempre preservando a minha privacidade, bem como a de pessoas ou instituições eventualmente por mim citadas.

Declaro que recebi uma cópia do presente Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e que o mesmo fui suficientemente esclarecido pelos pesquisadores.

______________________________________________ Nome / assinatura

__________________________________________