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4 Methodology

4.2 Operationalization of variables

4.2.2 Independent variable:

A Teoria das Representações Sociais é uma vertente da Psicologia Social que surge como um novo campo teórico-metodológico para analisar e compreender o comportamento cotidiano de indivíduos e grupos socialmente situados. Refere-se a uma abordagem psicossocial do conhecimento que procura compreender o ser humano na sua totalidade, enquanto ser que pensa, age e sente por meio de uma relação dialética com o meio que o rodeia. Essa interação dialética entre o social e o sujeito, em que o primeiro só existe se existir o segundo e vice-versa, é considerado o ponto inicial de reflexão da Teoria das Representações Sociais de Serge Moscovici (JODELET, 2001).

Moscovici começa a desenvolver o campo de estudo das expressões do senso comum, a partir do conceito de representação coletiva de Durkheim, nos início dos anos 60, quando retoma o estudo das representações, praticamente abandonado por quase meio século, após ter sido o fenômeno mais marcante da Ciência Social na França. Além dos estudos de Durkheim, considerados essencialmente sociais, Moscovici busca contribuições em Bruhl, que contrapõe os mecanismos lógicos e psicológicos das representações, em Piaget, que enfoca o seu caráter cognitivista, e em Freud, que se preocupa em mostrar como as representações passam do coletivo para o individual e como o social intervém no individual (MOSCOVICI, 2001).

Apoiado nessas teorias, Moscovici renova o conceito de representações coletivas que, centradas na tradição e na regularidade, deixavam várias questões em aberto, especialmente sobre a participação do sujeito nas transformações sociais. Insatisfeito com a limitação dos objetos e paradigmas da Psicologia Social, ele faz das representações sociais uma ponte entre o individual e o social, voltando-se para a compreensão das inovações de uma sociedade em transformação. Para Sá (1995), seus objetivos vão além da criação e consolidação de um campo de estudos; na verdade, buscam redefinir os problemas e conceitos da Psicologia Social.

A partir daí, Moscovici desperta o interesse de um grupo de psicólogos sociais em reviver a noção de representações e vislumbrar uma nova abordagem dos problemas de sua disciplina, no sentido de estudar os comportamentos e as relações sociais sem deturpá-las nem simplificá-las (MOSCOVICI, 2001). Assim, parte de sua consideração de que o social só existe se existir um sujeito e que o sujeito só existe no social, demonstrando que seu interesse

não está somente na interação entre o sujeito e o meio, e sim no dinamismo dessa relação, para compreender como o social interfere na elaboração das representações sociais dos indivíduos e como estas interferem nas representações do grupo a que pertencem (MOSCOVICI, 1978).

Moscovici (2001) chama a atenção para a mudança na noção de representação que substitui as representações coletivas pelas representações sociais. De um lado, surge a necessidade de considerar certa diversidade de origem nos indivíduos assim como nos grupos e, de outro, deslocar a ênfase sobre a comunicação que permite aos sentimentos e aos indivíduos convergirem, para que algo individual possa se tornar social ou vice-versa. Com isso, é possível reconhecer que as representações são, simultaneamente, construídas e adquiridas e não estáticas e pré-estabelecidas, onde o que interessa são as interações e não os substratos. Nessa reflexão, o autor destaca a observação de Codol (1982, citado por MOSCOVICI, 2001) de que são menos os suportes individuais e grupais do que as elaborações que ocorrem durante os processos de trocas e de interações que qualificam as representações como sociais.

De acordo com Sá (1995), seria esperado que esse novo referencial teórico das ciências psicológicas e sociais, como um campo de conhecimento em construção, continuasse a ser explorado com diferentes linhas de interpretação, em que outras concepções fossem pensadas a partir da concepção do seu fundador. Sá menciona o desdobramento da teoria original em três correntes teóricas complementares, igualmente úteis no sentido de viabilizar a noção de representação social, tanto na pesquisa quanto na intervenção social.

A primeira conta com a contribuição efetiva dos trabalhos etnográficos de Jodelet em Paris e se mostra a mais fiel à concepção original. Está voltada à investigação das condições de produção e circulação das representações sociais e a sua questão central de pesquisa pode ser assim resumida: “quem sabe e de onde sabe?”. Investiga questões ligadas à cultura, linguagem, comunicação e sociedade, com a finalidade de tratar de como a difusão e emergência das representações estão vinculadas a temas como valores, contexto histórico e ideológico, comunicação interindividual, institucional e de massa, inserção social, dinâmicas dos grupos, entre outros (SÁ, 1995).

Jodelet (2001) parte da noção básica de que representação social é uma forma de saber prático que liga um sujeito a um objeto. A respeito desse saber sobre o objeto,podem ser feitas três perguntas: a primeira se refere a “Quem sabe e de onde sabe?”, cujas respostas levam ao estudo das condições de produção e circulação das representações sociais; a segunda, “O que e como sabe?”, corresponde ao estudo dos processos e estados das representações sociais; e a terceira questão é “Sobre o que se sabe e com que efeito?”, que faz referência ao aspecto epistemológico das representações sociais (SÁ, 1998). Certamente, essas questões auxiliam no sentido de apontar os caminhos de uma pesquisa em representações sociais, de acordo com o enfoque que se quer dar ao problema em estudo.

Embora o termo representações sociais provoque alguns equívocos, pois pode se referir tanto a um conjunto de fenômenos quanto aos conceitos a ele relacionados e à teoria que busca explicá-lo, pode-se dizer que as representações sociais são formulações construídas por indivíduos e grupos para expressar concepções a respeito da realidade que os cerca (SÁ, 1995). Jodelet (2001) também enfatiza a questão contextual quando as define como sistemas de interpretação que regem a relação dos indivíduos com o mundo e com os outros, interferindo na assimilação de conhecimentos, no desenvolvimento individual e coletivo, na definição das identidades pessoais e sociais, na expressão dos grupos e na transformação social. Para a autora, as representações sociais são uma forma de conhecimento socialmente elaborado e partilhado, com um objetivo prático, que implica na construção de uma realidade comum a um conjunto social. Elas constituem a maneira como os indivíduos apreendem os conhecimentos da vida cotidiana, as informações do contexto, os acontecimentos, as pessoas e tudo o que se refere aos conhecimentos acumulados a partir de suas experiências, saberes e modelos de pensamento que são recebidos e transmitidos pela tradição, educação e comunicação.

A segunda corrente surgiu a partir dos estudos de Willem Doise, em Genebra, que pretende responder: “o que sabem e como sabem?” As investigações se direcionam mais à perspectiva sociológica da teoria, que leva à tradução de processos e estados das representações sociais. Nesse sentido, ganha importância a identificação dos suportes da representação, isto é, dos discursos, práticas e documentos, cuja interpretação conduz à inferência dos conteúdos e estrutura, de sua lógica e de seus processos de transformação (SÁ, 1995).

Por fim, SÁ (1995) fala sobre a vertente que corresponde à dimensão cognitivo- estrutural das representações, que conta com nomes como Abric, Flament e Vergès. Sua pergunta principal é “sobre o que se sabe e com que efeito?”, levando a investigações de como se dá a relação entre o pensamento natural e científico, difusão de conhecimentos e transformação de um tipo de saber em outro. Foi a única das três perspectivas que gerou uma teoria, a do Núcleo Central, a partir da grande teoria de Moscovici.

Para Jodelet (2001), as representações sociais, fenômeno complexo da vida social, apresentam uma riqueza de elementos informativos, afetivos, cognitivos, imagéticos, ideológicos e normativos, envolvendo crenças, valores, atitudes, imagens e opiniões, organizados sob uma totalidade significante, que traduz um saber sobre a realidade. Essa totalidade precisa ser descrita, analisada e interpretada, ou seja, deve ser o centro da investigação científica. A autora é enfática ao delimitar a perspectiva a partir da qual Moscovici formulou a sua teoria, dizendo que a dimensão valorativa, ética, jamais pode ser separada das ações e, por isso, de uma maneira ou outra, ela está presente no processo de construção das representações sociais como em sua estrutura. Perder a dimensão de não- neutralidade dos processos e representações é empobrecer e mistificar os mesmos.

Moscovici supera as explicações dadas pela Sociologia e pela Psicologia e confirma a especificidade da Psicologia Social, com a visão de que as representações são construções do indivíduo, mas sua origem, assim como seu destino, é social. Isso quer dizer que as representações sociais não são o coletivo nem o inconsciente, mas a ação e o movimento de interação entre os indivíduos. Elas constituem um conhecimento individual em relação a um determinado objeto social que só ocorre na interação de um sujeito com o outro (MOSCOVICI, 1978; SÁ, 1995).

O dinamismo dessas relações sociais interfere na elaboração das representações sociais dos indivíduos, bem como estas interferem na elaboração das representações sociais do grupo ao qual pertencem. As representações sociais, assim, estão diretamente relacionadas a um contexto histórico-social mais amplo do qual elas surgem e podem ser reelaboradas e difundidas a outras instâncias sociais. Essa abordagem das representações sociais pressupõe a visão de uma sociedade em transformação, não uma vida social já concluída, mas ainda a se fazer (MOSCOVICI, 2001).

No sentido de esclarecer a visão de Jodelet frente às representações socais, parece interessante destacar o que diz Mazzotti (2002), ao afirmar que Moscovici parte da interpretação de que sujeito e objeto não são funcionalmente distintos, mas formam um conjunto indissociável, onde o objeto não existe por si mesmo; existe em relação a um sujeito, seja ele um indivíduo ou grupo, onde a relação sujeito-objeto é que determina o próprio objeto. Quando forma sua representação de um objeto, o sujeito o constitui e o reconstrói em seu sistema cognitivo, adequando-o ao seu sistema de valores, de acordo com a sua história e o contexto social e ideológico em que está inserido. Essa representação reestrutura a realidade e permite a integração das características do objeto, das experiências anteriores do sujeito e das normas e valores do grupo, o que possibilita a ele compreender a realidade e dar sentido à sua conduta por meio do seu próprio sistema de referências, adaptando-se e definindo o seu lugar no meio. Portanto, as representações constituem o produto e o processo da atividade mental de apropriação da realidade exterior ao pensamento e de elaboração psicológica e social dessa realidade, reconstituindo o real com que o indivíduo é confrontado e lhe dando uma significação específica (JODELET, 2001; MAZZOTTI, 2002).

De acordo com Moscovici (1984) as representações sociais constituem um conjunto de conceitos, explicações, afirmações dos indivíduos, construídos na interação com o outro ao mesmo tempo em que ela ocorre, de acordo com a história de vida de cada um. Refere-se à maneira como cada indivíduo pensa e interpreta o cotidiano, a partir de um conjunto de imagens, dotado de um sentido que permite ao indivíduo interpretar sua vida e dar sentido a ela.

Moscovici (1978) esclarece que representar algo não é somente reproduzi-lo, mas remodelá-lo, modificar-lhe o texto a partir de um contexto, dos valores, noções e regras. Em outras palavras, representar implica em ação sobre o conhecimento pelos sujeitos, que atuam como “sábios amadores”, na concepção do autor. Partindo-se desse pressuposto, pode-se pensar que os depoimentos de adolescentes em situação de risco psicossocial, perpetradores ou vítimas da violência, não devessem ser considerados exclusivamente como fruto de uma determinação social, nem se quer pensar que eles traduzem uma opção particular pela violência, pelo crime e, tampouco, pelo castigo, advinda de limitações pessoais, pois, como afirma Moscovici (1978), toda ordem de conhecimento pressupõe uma prática, ou seja, envolve uma atmosfera que lhe é própria e que lhe dá forma, assim como a interação de sujeitos pensantes. De algum modo, a ação dos sujeitos está interligada a uma ordem social. É

das representações dessa ordem social dominante, conforme elas nascem e são moldadas em cada sociedade, que o indivíduo sofre pressão, pensa e exprime seus sentimentos; conseqüentemente, mentalidades distintas correspondem a um tipo de sociedade, a instituições e a práticas que lhe são próprias (MOSCOVICI, 2001).

Entretanto, para Sá (1995), é preciso compreender tanto o que é representar quanto o significado atribuído ao termo social. Quanto ao social para designar as significações, o autor encontra justificativas na obra inaugural de seu criador. Moscovici fala de uma função específica e exclusiva voltada à elaboração de comportamentos e para a comunicação entre as pessoas, ou seja, mostra que a representação tanto é produzida socialmente como compartilhada por grupos sociais. Sá encontra uma complementação para essa explicação na definição de Jodelet (1989, citada por SÁ, 1995), que situa as representações com uma forma de pensamento prático, orientado para a comunicação, compreensão e domínio do ambiente social, material e ideal. Assinala o social em relação às condições e aos contextos nos quais nascem as significações, às comunicações que propiciam sua circulação e à sua função de propiciar interação entre as pessoas e delas com o mundo. Jodelet (2001) afirma que as representações sociais são mais do que idéias sobre o mundo; são sistemas de interpretação que regem a relação dos indivíduos com o mundo e com os outros, interferindo na assimilação de conhecimentos, no desenvolvimento individual e coletivo, na definição de identidades pessoais e sociais, na expressão dos grupos e na transformação social.

O termo representação também pode ser compreendido pelas definições de Jodelet (2001) sobre o que é representar. Para ela, representar é um ato de pensamento pelo qual um sujeito se reporta a um objeto, uma coisa, um acontecimento material, psíquico ou social, um fenômeno natural, uma idéia ou teoria. A autora explica que esse ato de pensamento toma simbolicamente lugar do objeto representado, ou o torna presente, sendo que o conteúdo da representação traz a marca da atividade do sujeito e do objeto. Assim, a representação é uma forma de saber prático, que se caracteriza por ser a representação de alguém sobre algo, por simbolizar ou substituir o objeto e lhe conferir significações, que serve para agir sobre o outro e o mundo.

Nessa definição está presente o saber espontâneo, do senso comum, diferente do saber científico, porém legítimo para a análise e compreensão da vida do indivíduo no

representações sociais, Moscovici (1976, citado por SÁ, 1995) se refere como teorias do senso comum, ou ciências coletivas que contribuem para a construção e interpretação das realidades sociais. Segundo Jodelet (2001), essa interpretação do senso comum aponta para um aspecto central da teoria de Moscovici referente à relação entre formas de pensamento e de organização e comunicação social, o que explica a cognição a partir das interações sociais. A autora mostra que a presença da comunicação foi examinada por Moscovici em três níveis: nível das condições de emergência, dos processos de formação e das dimensões das representações relacionadas à edificação das condutas. O primeiro mostra que as condições como defasagem e dispersão das informações relativas ao objeto afetam os aspectos cognitivos. Encontram-se aí envolvidos interesses e motivações dos sujeitos, necessidades de tomar posição, de agir, de reconhecimento, elementos que vão caracterizar as diferenças de pensamento natural. O terceiro nível envolve a intervenção da mídia na formação de opiniões, atitudes e estereótipos. O segundo nível, correspondente aos processos de formação, requer maiores esclarecimentos que dizem respeito à estrutura das representações sociais.

Moscovici apresenta dois processos sociocognitivos que ocorrem na formação das representações sociais, relacionados dialeticamente: a objetivação e a ancoragem. A fim de se compreender esses processos é preciso destacar que, para Moscovici, a estrutura da representação tem duas faces indissociáveis: a face figurativa e a face simbólica. Assim, na atividade representativa, a cada figura corresponde um sentido e a cada sentido, uma figura. Com isso, os processos formativos têm a função de destacar uma figura e lhe atribuir um sentido, ancorando-a num sistema de crenças e valores presentes no grupo, e a de duplicar um sentido por figura, dando-lhe materialidade, isto é, objetivando-o (MAZZOTTI, 2002).

Assim, a objetivação se constitui na transformação de um conceito ou de uma idéia em algo concreto, enquanto que a ancoragem se refere aos processos de classificação e rotulação do objeto, que implicam no estabelecimento de uma rede de significações em torno dele, relacionando-o a valores e a práticas sociais partilhadas pelo grupo (MAZZOTTI, 2002). A objetivação tem a função de dar materialidade ao objeto abstrato, de naturalizá-lo. É a passagem de conceitos e idéias para esquemas e imagens concretos. A ancoragem dá suporte ou significado ao objeto social para torná-lo inteligível, familiar e integrado ao sistema de pensamento já existente (SÁ, 1995). Na ancoragem, a intervenção do social se dá na significação e na utilidade que é conferida aos elementos que compõem a representação; na

objetivação, a intervenção do social equivale ao agenciamento e à forma desses elementos (JODELET, 1990, citada por MAZZOTTI, 2002).

Jodelet (2001) argumenta que a ancoragem é uma função cognitiva essencial, pois possibilita se referir a todo elemento estranho no ambiente social. Esclarece, ainda, que a ancoragem dá continuidade à objetivação, pois naturaliza um conceito para utilizá-lo na ação sobre o mundo. Segundo Moscovici (1976, citado por SÁ, 1995) objetivar é reproduzir um conceito em uma imagem, atribuir uma qualidade icônica a uma idéia ou ser imprecisos. Essa definição explica porque Jodelet considera que a estrutura imagética da representação funciona como um guia de leitura para compreender a realidade.

A partir desse referencial sobre a teoria das representações sociais, pode-se ter a idéia de como se dá a sua contribuição para análise de fenômenos no campo das Ciências Sociais, da Educação e da Psicologia Social, embora existam outros suportes teórico-metodológicos para a realização de pesquisas nessas e em outras áreas do conhecimento (p. ex., ABRIC, 1998; DOISE, 1976, citada por CLÉMENCE, 2002), pois pesquisadores brasileiros (p. ex., ARRUDA, 2002; DINUCCI et al., 2002; FRANCO, 2002; MAZZOTTI, 2002; MENIN, 2002; NASCIMENTO, 2002; PAREDES, 2002; PLACCO, 2002 e SOUSA, 2002) e europeus (p. ex., CLÉMENCE, 2002 e GERVAIS, 2002) apóiam-se nos fundamentos teóricos de Moscovici, Jodelet, Abric, Doise e em outros para buscar respostas aos seus problemas de pesquisa.

Dentre essas pesquisas, pode-se destacar a de Mazzotti (2002), que teve como objetivo comparar as representações sobre o trabalho infanto-juvenil construídas por professores de escolas públicas do ensino fundamental com as de seus alunos que trabalham, seus pais e empregadores; Arruda (2002) que estudou as formas de comunicação empregada por um grupo ecologista carioca e suas respostas frente à crise ambiental; Franco (2002), cuja pesquisa envolveu as representações sociais sobre a escola, a situação ocupacional e profissional, o prosseguimento dos estudos e as expectativas em relação ao futuro de jovens de 15 a 19 anos de idade; Nascimento (2002) que apresentou um estudo das representações sociais do projeto de vida dos adolescentes que estudam em uma escola pública na região central de São Paulo; Placco e equipe (2002) que pesquisaram as representações sociais de jovens sobre violência e a urgência na formação de professores e, no seu relatório final,

teoria das representações sociais; e, mais recentemente, Almeida (2004) que buscou identificar as representações sociais sobre alfabetização e analfabetismo compartilhadas por jovens e adultos alfabetizandos e não alfabetizados, também apresentando um pequeno histórico da teoria das representações sociais e destacando seus principais aspectos conceituais.

Independentemente das questões pesquisadas e das diferentes abordagens da teoria das representações sociais utilizadas, cabe destacar as palavras de Jodelet (2001) quando ressalta a possibilidade e o valor do paradigma das representações sociais para suas aplicações em pesquisas, as quais exigem, para o progresso e evolução da referida teoria, além da submissão às condições e aos contextos próprios de cada domínio, também a contribuição de descobertas realizadas pelo uso esclarecido e cuidadoso de seus princípios. Com isso, os pesquisadores terão possibilidade de discutir os conceitos emergentes das representações sociais e, a partir disso, repensarem a melhor estratégia de aplicá-los e avançarem nos estudos referentes ao cotidiano, aos fenômenos, às relações e aos contextos que envolvem pessoas e grupos sociais.

Os referenciais teóricos das representações sociais, fundamentados na abordagem de Moscovici, seguidos e complementados por Jodelet, juntamente aos referenciais sobre a violência, o crime e o castigo, especialmente, os aspectos conceituais que dizem respeito aos adolescentes em situação de risco psicossocial, constituem-se ancoragem e suporte para a análise desses fenômenos sociais, na tentativa de buscar respostas às questões colocadas como problemas deste estudo. Para isso, é necessário se ter sempre em mente os pressupostos, as