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4. Unit descriptions
Uma pesquisa realizada pelo sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira, nos encontros de Itaicí (1981) e Ilhéus (2000), permite uma caracterização dos representantes das CEBs nos Encontros Intereclesiais.
No encontro realizado em 2000, 58% dos questionários são de pessoas do sexo feminino, uma representação bem maior que a de Itaicí, quando eram apenas 34%. Contudo, adverte Oliveira (2001), embora seja majoritária a presença de mulheres no encontro em Ilhéus, está ainda longe da realidade cotidiana das CEBs, posto que pesquisas indicam que as mulheres são cerca de 2/3 das animadoras das CEBs.
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Quanto à idade dos participantes, Oliveira (2001) assinala que a distribuição dos dados acompanha a realidade que se percebe em encontros diocesanos e regionais de CEBs: muitos animadores são adultos ou idosos, enquanto é relativamente pequena a presença de jovens, como se pode confirmar no quadro a seguir:
Quadro 6 - Participantes dos Encontros Intereclesiais, por idade - 1981-2000. Idade Itaicí - 1981 Ilhéus - 2000 Pessoas com menos de 30 anos 30% 23%
Pessoas de 30 a 40 anos 61% 22%
Pessoas com mais de 50 anos 9% 53%
Fonte: Oliveira (2001).
Nota-se o "envelhecimento" dos membros da CEBs presentes. Em 1981, os jovens eram 30% e os com mais de 50 anos não chegavam a 9%, contra 22% em 2000. Isso porque, em 1981, as CEBs eram ainda uma novidade na Igreja e a adesão a elas geralmente passava por um processo de "conversão" a essa nova forma de organização eclesial; assim, havia uma ausência de pessoas de certa idade, menos afeitas a inovações.
Como já se afirmou neste estudo, os membros das CEBs pertencem, em grande maioria, às classes populares de trabalhadores da cidade e do campo. Contudo, os dados organizados por Oliveira (2001) demonstram uma realidade contrária: a forte presença de representantes cuja ocupação poderia situá-los nos setores médios da sociedade.
Um importante indicativo dessa realidade é o rendimento mensal dos representantes. Tomando como base de condição econômica o salário-mínimo e considerando que seu valor deveria ser 3,5 vezes maior para atender as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas, Oliveira (2001) define a faixa de três salários-mínimos como linha divisória entre os setores menos e mais favorecidos da sociedade.
O sociólogo observa que as CEBs continuam tendo um cunho marcadamente popular, pois a maioria de seus membros e lideranças situam-se nos níveis inferiores da pirâmide de distribuição de renda. Essa era a realidade para
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58 % dos delegados e delegadas presentes em Ilhéus. Tomando as faixas imediatamente abaixo e acima, temos respectivamente 44% dos delegados e delegadas recebendo até 2 s.m. e 69% até 4.s.m. Já no pólo mais favorecido, estão apenas 4% dos delegados e delegadas que recebem 10 ou mais s.m. (OLIVEIRA, 2001, p.8).
Em comparação com os dados de 1981, Oliveira (2001) constata uma pequena alteração nas faixas de rendimentos mensais dos representantes. Em 1981, os representantes com rendimentos até dois salários-mínimos totalizavam 73% e apenas 4% tinha rendimentos acima de cinco salários-mínimos; já em 2000, os representantes com rendimentos acima de quatros salários-mínimos eram 25%. Assim, há uma diminuição nos salários mais baixos e um aumento nos de nível médio e alto.
Constata-se, portanto, uma discrepância entre a composição dos representantes do encontro e o cotidiano das CEBs.
Tal discrepância, que provavelmente não existia em 1981, levanta uma questão sobre a atual forma de escolha de delegados ao Intereclesial. Atualmente, as delegações são definidas por regionais, e estes contratam ônibus para a viagem. Uma boa maneira de se reduzir o custo per capita é ocupar todos os lugares do ônibus. Assim, a contribuição de pessoas com maior poder aquisitivo ajuda a pagar a viagem de quem tem menos. Em 1981, sendo muito menor o número de participantes, estes faziam a viagem em ônibus de carreira (e podiam ter a passagem paga pela sua diocese, paróquia ou comunidade local). (OLIVEIRA, 2001, p. 09).
As considerações de Oliveira (2001) permitem concluir que não houve propriamente um deslocamento dos representantes das CEBs para os níveis médios da distribuição de renda, mas, por outro lado, pode-se constatar uma disparidade entre os representantes das CEBs em encontros de nível nacional e os animadores e animadoras das comunidades locais.
Outro dado que chama a atenção do sociólogo é o alto grau de escolaridade dos representantes. Em 2000, 54% tinham, no mínimo, o segundo grau completo; 23% estavam cursando ou cursaram o terceiro grau; nesse encontro era insignificante o número de pessoas analfabetas ou que não completaram a 4ª Série: somavam, respectivamente, cinco e quarenta e três pessoas. Em 1981, a realidade era completamente diferente: 44% tinham no máximo o primário incompleto, 16% tinham mais do que o primeiro grau completo e apenas 5,5% tinham curso superior.
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Esses dados demonstram que a mobilidade ascendente vem ocorrendo com maior intensidade nos estratos de menor escolarização do que nos estratos médios e superiores. Isto é, um número cada vez maior de brasileiros têm tido acesso à escola e à faculdade e as lideranças de CEBs não fogem à regra. Contudo, esse dado, considerado em intrínseca relação com o aumento nos rendimentos mensais dos representantes, observado acima, permite concluir que eles tinham maiores possibilidades de acesso ao ensino pago, posto que Oliveira (2001) adverte que a ampliação do ensino nos níveis médio e superior deu-se principalmente na rede privada.
No que diz respeito às características familiares, no X Encontro Eclesial 54% das pessoas presentes eram casadas, 35% eram solteiros, 5% eram viúvas e apenas 5% eram separadas ou divorciadas. Exceto os solteiros, quase todos tinham filhos, sendo que a maioria tinha entre um e três e apenas 8,5% tinham 7 filhos ou mais.
Em 1981, a situação era bem semelhante, com exceção do índice de natalidade, que diminui sensivelmente, acompanhando as estatísticas do Brasil nesse período.
Paradoxalmente, enquanto na sociedade brasileira em geral havia um número crescente de pessoas divorciadas ou separadas vivendo maritalmente, entre as lideranças das CEBs mantêm-se em Ilhéus o índice de Itaicí. “Essa diferença deve ser explicada pelas normas da Igreja católica, que restringem o acesso de pessoas em segunda união a cargos de responsabilidade eclesial, e isso parece valer também para a animação de CEBs.” (OLIVEIRA, 2001, p.09).
Em relação à moradia, as questões referentes ao local de nascimento e de moradia evidenciam a migração rural-urbana no Brasil: “63% dos informantes nasceram na roça, mas apenas 19% moram ali. Os dados agregados indicam também o aumento de moradores do "centro" em relação a quem ali nasceu (20% para 33%), e aumento ainda maior para os moradores de "periferia" (de 17% para 48%)”. (OLIVEIRA, 2001, p. 8). Contudo, o movimento migratório é multidirecional e, apenar de grandes tendências, sempre há pessoas que migram na direção oposta. Assim, importa observar o fenômeno mais detalhadamente.
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Quadro 7 - Tipo de local onde nasceu e onde mora - Ilhéus 2000.
Local de nascimento Mora na roça Mora na cidade Mora na periferia
Roça 27% 28% 45%
Cidade 11% 61% 28%
Periferia 25% 19% 79%
TOTAL 19% 33% 48%
Fonte: Oliveira (2001).
Como base na comparação entre os tipos de espaços (roça, centro e periferia, independentemente do lugar físico) em que a pessoa nasceu e o de moradia, obtém-se um instigante quadro da mobilidade humana, mostrando a periferia não como um local de passagem, intermediário, entre a roça e a cidade, mas sim como o espaço de maior fixação das pessoas que nasceram naquele ambiente.
Oliveira (2001) adverte que a comparação com os dados de 1981 ficou prejudicada, pois na pesquisa daquele encontro não foi feita a distinção entre centro e periferia, considerando-se apenas a categoria cidade. No entanto, mesmo assim, fica clara a diminuição do percentual de delegados e delegadas moradores da roça, que eram 19% em Ilhéus e 27% em Itaicí.
A pesquisa realizada pelo sociólogo indica que a maioria dos representantes em 2000 ocupava-se de atividades não-manuais:
51% trabalham no comércio, ensino, serviços, setor público, área de saúde ou são funcionários da própria Igreja; apenas 19% trabalham na lavoura ou indústria, enquanto 25% estão noutra situação (donas de casa, aposentados, desempregados e estudantes) e 5% não identificaram sua ocupação econômica. (OLIVEIRA, 2001, p. 08).
Em comparação com os dados de 1981, pode-se constatar dois contrastes. Nesse encontro, os trabalhadores manuais somavam 52%, enquanto os trabalhadores não-manuais eram apenas 21%. Outro contraste está entre as percentagens de empregados (58% em 2000 e 35% em 1981) e autônomos (26% em Ilhéus, 43% em Itaicí). Uma hipótese para essa notável diferença é a menor proporção de trabalhadores rurais em Ilhéus e o processo de "terceirização" em curso na economia brasileira.
Entre os representantes em outras situações (donas de casa, aposentados, desempregados, estudantes) a diferença global é de apenas 3%.
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