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– Publication analysis

O Parque São Rafael e a Jardim Carrãozinho são bairros que estão relativamente próximos do ABC paulista e têm no fenômeno da industrialização o impulso primordial de sua formação. Desse modo, grande parte de seus moradores

38 Partes desta caracterização do ABC paulista foram publicadas originalmente na Dissertação de

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trabalham ou trabalharam nessa região. Entre os entrevistados, quatro trabalharam na região e cinco tiveram parentes que também trabalharam.

Assim, seus moradores têm perspectivas e histórias de vida parecidas. Nos dois casos, a maior parte da população é constituída de migrantes de diferentes regiões do país. Como afirmam dois religiosos que atuaram nas comunidades:

A maioria das pessoas que estavam naquele bairro trabalhavam na Ford, na Volkswagen.... (J.D, ENTREVISTADO).

As pessoas do bairro eram, e, acredito que ainda são, na maioria nordestinhos... (P.A, ENTREVISTADO).

Vindos do interior do Estado, do Norte, do Sul e, principalmente, do Nordeste esses migrantes estavam à procura de melhores condições de vida. Enquanto no campo diversos fatores, tais como a seca, a automação e os grandes latifúndios, incentivavam o êxodo rural, nas grandes cidades o surgimento de diversas indústrias alimentavam o sonho de dias melhores de milhões de brasileiros.

Antes mesmo da década de 1930, a faixa próxima à ferrovia (hoje em São Bernardo do Campo) adquiriu um perfil industrial claro. Na década de 1920, instalaram-se no atual município de São Caetano do Sul duas grandes indústrias: a fábrica da Rayon das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, em 1926, e a General Motors que, em 1927, instalou uma linha de montagem de automóveis.

A estrada de ferro era fundamental para essas duas empresas que dependiam do abastecimento de matérias primas provenientes de outros estados ou até mesmo do interior.

Além dessas, inúmeras outras grandes empresas estabeleceram-se em Santo André nesse período: Rhodia (1919), Fichet Haumont (1923), Pireli (1923) e a Companhia Brasileira de Mineração e Metalurgia (1923). (SILVA, 1999, p. 56)

Nos anos seguintes, a região continuou seu crescimento industrial. No final dos anos 1930, a região concentrava um grande número de empresas de capital nacional ou estrangeiro. As condições geográficas atraíram as primeiras fábricas e, com elas, a estabeleceram-se na região uma mão de obra qualificada para o trabalho industrial.

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No final dos anos 1940, a região de Santo André contava com 443 indústrias que empregavam cerca de 27.775 empregados39:

Quadro 29 - Santo André – Estrutura Industrial 1950.

Gênero N° de empregados % Têxtil 6.475 23,31 Metalúrgica/mecânica 5.170 18,61 Química 4.710 16,95 Material elétrico 2.524 09,08 Cerâmica/cimento 2.500 09,00 Borracha 1.793 06,45 Alimentação 1.493 05,37 Demais gêneros 3.110 11,23 Total 27.775 100 Fonte: Ferreira, 1999, p. 59.

À medida que a população era atraída pelas indústrias, o ABC paulista e os municípios do entorno passaram, aos poucos, a abrigar uma população maior que os empregados industriais gerados nessas cidades. Além de concentrar grande quantidade de operários para as fábricas da região, eles passaram a ser opção de moradia para os trabalhadores das regiões próximas às estações Santos-Jundiaí na capital, pois o fluxo de trens de Santo André e São Paulo aumentava e, com isso, cresciam também as facilidades para a população empregada no Ipiranga, Moóca, Brás e Barra Funda e para quem residia no subúrbio da ferrovia. Sobre o crescimento populacional da região, escreve Silva (1999):

A concentração de operários era extraordinária para a época. Em 1920 o município de São Bernardo do Campo, que ainda englobava toda a região , possuía uma população econômica ativa de 6.708 habitantes. Desses 65% se empregava nos setores secundário e terciário. Em 1940 a população ativa já chegou a 34.131 e 90% estavam em empregados nesses dois setores.(p.56)

A construção da via Anchieta no final dos anos 1940 serviu para consolidar a região como pólo industrial mais importante do entorno da capital do estado, abrindo novo espaço para a instalação de novas indústrias. Entre elas, é

39 Privilegiou-se os dados do município de Santo André, essa opção justifica-se pela localização das

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importante destacar as automobilísticas: Volkswagen, Ford, Karman-Guia, Toyota e Willis, que se instalaram no recém emancipado município de São Bernardo do Campo; a International Harvest instalou-se em Santo André e a General Motors ampliou sua fábrica no também emancipado município de São Caetano do Sul.

No entanto, a construção da via Anchieta significou muito mais do que isso em termos de localização industrial, pois marcou a progressiva transição da matriz de transportes ferroviário para o rodoviário.

A principio, o transporte interestadual prosseguiu sendo feito, majoritariamente, pelo mar, enquanto não se completava a transição do mercado nacional e a metropolização do entorno da capital. Nos anos 1960, a transição se completou.

Esse foi um momento fundamental para a economia do ABC, onde a estrutura industrial tornou-se mais complexa, ocorrendo um substancial aumento no número de estabelecimentos industriais e, por conseqüência, também um aumento no número de empregos oferecidos, como se pode notar no número de estabelecimentos industriais em Santo André, em 1960:

Quadro 30 - Santo André – Estabelecimentos Industriais em 1960: Segundo gênero.

Material Elétrico 08 Metalúrgica 104 Mecânica 40 Transporte 19 Borracha 08 Têxtil 58 Química 36 Madeira/mobiliário 49 Alimentos 102 Demais gêneros 03 Total 457 Fonte: Ferreira,1999, p. 60.

A partir de 1960, gradualmente, a via Anchieta foi perdendo importância em termos de localização fabril e um novo eixo industrial consolidou-se ao longo da via Dutra e, mais tarde, nas demais rodovias do Estado.

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Apesar de não ter a mesma atratividade das grandes empresas, como tivera nos anos 1950 e 1960, nos anos 1970 a região manteve-se em crescimento, todavia cada vez mais circunscrito à Diadema e Mauá, apenas para pequenas e médias empresas.

No período de 1970/1975, enquanto na cidade de São Paulo já se observava a queda da participação industrial nos municípios periféricos, no ABC verificava-se um expansão da participação industrial.

Quadro 31: Santo André – Estrutura Industrial em 1970.

Gênero N° de estabelecimentos N° de empregados

Material elétrico 26 4.499 Metalúrgica 140 8.535 Mecânica 76 3.714 Transporte 34 5.691 Borracha 15 5.580 Química 35 10.458 Têxtil 62 3.848 Demais gêneros 393 6.351 Total 781 48.684 Fonte: Ferreira, 1999, p. 65.

Na segunda metade dos anos 1980, a região do grande ABC alcançou seu auge como pólo industrial, entrando nos anos seguintes num processo de desconcentração industrial.

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Quadro 32: Santo André – Estrutura Industrial em 1985.

Gênero Nº de estabelecimentos N° de empregados

Metalúrgica 209 14.950 Mecânica 194 14.068 Transporte 43 5.751 Borracha 26 6.668 Química 61 10.503 Demais gêneros 654 23.149 Total 1.187 75.089 Fonte: Ferreira, 1999, p. 71.

Assim, o Parque São Rafael e a Jardim Carrãozinho foram se caracterizando como bairros operários, compostos por migrantes que tinham e têm como meio de existência o trabalho nos indústrias da região.

3.1.4 Inserção no contexto nacional

O desenvolvimento industrial do ABC não foi um fenômeno isolado, não foi resultado apenas de particularidades regionais, mas também das estruturas nacionais, dos incentivos governamentais, sobretudo a partir dos primeiros anos da década de 1950, quando Getúlio Vargas, ao retornar ao governo, promoveu várias medidas destinadas a incentivar o crescimento econômico com ênfase na industrialização. Fausto (2002) assinala que foram feitos investimentos públicos no sistema de transportes e de energia, com a abertura de um crédito externo de 500 milhões de dólares, ampliação da oferta de energia para o nordeste, reequipamento parcial da marinha mercante e do sistema portuário, entre outras medidas.

No ano de 1952, foi fundado o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), diretamente orientado para acelerar o processo de diversificação industrial, isto é, anular ou reduzir as deficiências infra-estruturais que, segundo o governo, impediam o regular desenvolvimento da política brasileira. (SKIDMORE, 1996)