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– Evaluation panel and evaluation documents

As lutas realizadas pelas CEBs são significativas e trazem diferentes conseqüências sociais. Nos Encontros Intereclesiais destacam-se três aspetos: melhorias para o bairro e seus moradores, conscientização e o poder popular.

As comunidades estão inseridas em um contexto de opressão; a ausência de serviços sociais básicos, emprego e a baixa remuneração definem o cenário opressivo descrito nos encontros. Diante dessa situação, os membros leigos se organizam e lutam, conquistando, assim, melhorias sociais, colaborando para a mudança da realidade social na qual estão inseridos. Desse modo, uma das mais importantes e significativas conseqüências sociais da ação das CEBs é a diminuição da opressão por meio das conquistas.

No relatório dos encontros regionais preparatórios para o Intereclesial de 1981, a Comunidade de Macajuba, no Pará, relata que, diante do problema do alto custo de vida no interior, seus membros resolveram organizar uma cantina. Inicialmente havia dez sócios; no ano seguinte, depois de uma ajuda financeira da Equipe Central da Prelazia, os sócios passaram a cinqüenta. No início dos anos 1980, depois de três anos de existência, contavam com sessenta sócios e fizeram um estatuto visando ajudar a população a vencer a exploração dos comerciantes. Assim, visando romper com aquela situação de opressão gerada pela carestia de vida, os membros leigos conseguiram melhorar suas realidades, diminuindo o contexto de opressão.

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O mesmo pode ser observado em outras lutas. As CEBs procuram superar o contexto de opressão, como se afirma na síntese de um dos plenários do encontro de 1989: “onde não existem [movimentos populares], as comunidades de base têm ajudado a criar; onde existem têm reforçado. Principais movimentos: sindicatos; associação de moradores; clube de mães; movimentos de negros, de crianças de rua, de libertação da mulher e do índio...” (SEDOC, 1989, p. 313), entre outros.

Contudo, não há apenas uma preocupação com as questões sociais urgentes; nos documentos dos encontros existe uma preocupação com a construção de uma nova sociedade. Essa preocupação demonstra o surgimento da consciência de um poder popular. À medida que a comunidade conquista, os membros leigos passam a crer na capacidade de luta do grupo, fortalecendo o poder da comunidade. Esse reconhecimento não é apenas dos seus membros, mas também das autoridades, dos outros da opressão. Nesse sentido, está registrado no resumo de um dos dias do encontro de 1983:

A contribuição própria das CEBs nesta conquista da nova sociedade é o fato de ser um movimento de base e eclesial, que tem como objetivo não só resolver problemas ou questões imediatas, mas contribuir na formação integral do homem, cuja participação na luta comunitária é a partir de sua fé e de seu compromisso com o Evangelho. Trabalhamos em nome de Jesus Cristo de nossa fé, e não em nosso nome ou em nome de outro homem. (SEDOC, 1983, p. 286).

Esse poder também está presente em vários relatos; no documento das Comunidades do Ceará, em 1981, uma das conclusões do estudo de grupo foi: “Podemos ver que os pobres começam a acreditar uns nos outros” (SEDOC, 1981, p.174). Essa crença também resulta na união do povo e dos animadores, como relatou Leonardo Boff: “A comunhão é efetivamente real: fusão dos agentes com a base, do padre com o povo. Há funções distintas como na Trindade: Pai, Filho, Espírito Santo são distintos, mas uma só comunidade”. (SEDOC, 1986, p. 422).

Nas lutas das CEBs nem sempre há conquistas, aliás, há mais derrotas que conquistas; no entanto, a luta não é significativa apenas na vitória, na conquista e na derrota a ação dos membros leigos também resulta na conscientização.

A Comunidade de Abaetetuba, no interior do Pará, relata que, diante da ausência de hospital público na cidade, foi organizado um abaixo-assinado, trabalhos junto a outras comunidades e pesquisas para aprofundar a reflexão sobre

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o problema e procurar uma solução, mas essa não foi encontrada. A falta de interesse das autoridades, ameaças e críticas por parte de médicos e clínicas particulares foram mais fortes que a luta da comunidade, mesmo assim concluíram: “Mesmo não conseguindo ainda um hospital, a experiência ajudou o povo a abrir um pouco os olhos para a situação de opressão em que vive” (SEDOC, 1981, p. 166).

Participando das comunidades e dos movimentos sociais, os membros leigos começam a perceber os meios a as possibilidades de conquistas, como está escrito no relatório do encontro de 1986: “Conscientização a respeito do sindicato e de seu valor político, como ferramenta de luta e como instrumento para se construir a nova sociedade” (SEDOC, 1986, p. 426).

Contudo, essa conscientização não se dá apenas na luta, mas também nos momentos de formação das próprias comunidades; na alfabetização pelo Método Paulo Freire; “nas cartilhas, cursos, reflexão bíblica; encontros com candidatos políticos e pessoas da comunidade; cursos de conscientização política; cursos de formação política; formação de lideranças, passar informações, folhetos, jornaizinhos, organização de debates...” (SEDOC, 1989, p. 312-312), entre outros. Assim, a comunidade vai se conscientizando e se fortalecendo para novas lutas.

Os próprios Encontros Intereclesiais são importantes meios de formação dos membros leigos. O relato das lutas, a orientação dos assessores, a troca de experiências contribuem para a internalização da perspectiva teológica das CEBs. No documento final do encontro realizado em 2000 relatam:

Nesse mutirão de memória, o que encheu nossos olhos e coração de alegria foi perceber que há, da parte das comunidades, um engajamento muito sério em inúmeras lutas sociais e políticas. Aprendemos a ligar nossa fé com a transformação da sociedade, participando das associações comunitárias, nos grupos de mulheres, nos sindicatos e nos partidos comprometidos com o projeto político popular. (SEDOC, 2000, p. 187).

Desse modo, com base nos documentos produzidos pelos encontros, conclui-se que a ação social das CEBs colaborou na transformação da relação de opressão existente em algumas regiões do país. Por meio das comunidades, os moradores mudaram o cenário de opressão em que estavam inseridos, conquistando serviços sociais para os bairros, conscientizando os membros das comunidades e criando um poder popular.

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Em síntese, importa assinalar que, com base nos documentos produzidos pelos Encontros Intereclesiais de CEBs, o objetivo dos membros leigos é superar certas situações de opressão que se apresentam no decorrer dessas três décadas. Diante de diferentes circunstâncias, eles se organizam, e, orientados pelo método ver-julgar-agir, procuram superar a problemática. A utilização desse método demonstra que suas ações são orientadas pelos valores da Teologia da Libertação, no entanto, a ação muda de acordo com o contexto vivido, isto é, de acordo com os

outros; o que permanece são os princípios que orientam a ação social. Contudo, a

ação dos membros leigos restringe-se mais ao âmbito regional, não que eles não compreendam as estruturas nacionais e mundiais de opressão, mas, em regra, não encontram meios para agir contra essas grandes estruturas.

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CAPÍTULO III

O ESTUDO DE DOIS CASOS:

AS COMUNIDADES MARIA MÃE DOS MIGRANTES E SÃO JOSÉ OPERÁRIO

Analisadas as aspirações do povo de Deus nos Encontros Intereclesiais de CEBs, importa agora investigar dois casos: as comunidades Maria Mãe dos Migrantes e São José Operário. Para tanto, foram privilegiadas, nesta etapa da pesquisa, os documentos orais, isto é, entrevistas direcionadas para o tema.

Dado o objeto da pesquisa - os objetivos dos membros leigos das CEBs entre os anos de 1980 e 2010 -, o primeiro passo foi o delineamento do quadro econômico, social e político das comunidades, com a utilização da bibliografia especializada disponível. Trata-se do contexto que mostra o significado das diferentes ocorrências da trajetória das CEBs em questão. A seguir, procedeu-se à reconstrução da trajetória mediante a análise da documentação copilada: imprensa, documentos oficiais e bibliografia.

Foi feita uma seleção de fases e aspectos mais importantes de cada uma das comunidades, tomados como critério para a organização do estudo.

A escolha dos depoentes decorreu da preocupação da pesquisa; assim, foi realizado um levantamento de possíveis depoentes que tivessem tido participação relevante em cada fase - deveriam ser pessoas com diferentes níveis de participação, acessíveis, em estado físico adequado, dada a idade avançada de alguns deles. A decisão de entrevistar pessoas com diferentes níveis de participação resultou do objetivo da pesquisa, que visa detectar os objetivos dos membros leigos. Buscou-se, por assim dizer, uma visão ampla das comunidades.

O contato com os depoentes foi feito preferencialmente através de relacionamentos pessoais, isto é, indicação de conhecidos e contatos por telefone e e-mail, explicando a finalidade do trabalho e as informações que se desejava obter.

As entrevistas foram realizadas com 16 depoentes e, para tanto, foi utilizado um questionário aberto privilegiando a narrativa dos entrevistados. As

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questões do roteiro, apresentadas no início deste estudo, serviram para estimular o depoimento, tendo em vista o alcance dos objetivos desta pesquisa.

Quadro 17 - Entrevistados por idade e sexo.

Comunidade Maria Mãe dos Migrantes Comunidade São José Operário

Leigos Religiosos Leigos Religiosos

Iniciais29 Sexo Idade Iniciais Sexo Idade Iniciais Sexo Idade Iniciais Sexo Idade

D.H Fem. 58 J.D Masc. 59 B.N Masc. 65 P.A Masc. 45

P.O Masc. 62 P.S Masc. 44 M.T Fem. 53 - - -

D.I Fem. 54 I.C Fem. 55 E.L Fem. 32 - - -

O.V. Masc. 66 - - - I. R Fem. 48 - - -

N.D Fem. 64 - - - J.O Masc. 56 - - -

D. A Fem. 27 - - - -

Inicialmente, cada entrevista foi analisada em sua íntegra. Em seguida, procedeu-se a recortes do material obtido segundo temas e fases, tendo sempre presente a fonte de cada informação ou opinião e mantendo a referência ao texto integral do depoimento.

As informações obtidas com os depoimentos foram confrontadas com as provenientes da análise anterior. Nesse momento, detalhes e datas equivocadas por falha da memória foram acertados.

Neste capítulo, seguindo a orientação epistemológica weberiana, procurou-se identificar o sentido e os outros da ação social dos membros leigos das CEBs, para apreender os seus objetivos. Para tanto, esta investigação foi dividida em três partes: o quadro econômico, social e político das comunidades, que retrata as características das comunidades e o quadro geral de opressão; as fases e as

diferentes situações sociais, que traz uma apresentação de algumas experiências de

opressão vivenciadas pelas CEBs; e, por fim, na ação social dos membros leigos, analisa-se a opressão contestada, as necessidades acrescidas, a organização da base, o poder por ela produzido e os objetivos dos membros leigos das CEBs.

29 As identidades dos entrevistados foram preservadas, assim, quando se faz referência aos mesmos

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3.1 O quadro econômico, social e político das comunidades