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6. Competition and cooperation between the units
Nas reflexões realizadas nos encontros intereclesiais, assinalam-se os problemas, suas causas e, em seguida, descreve-se a estratégia de ação. É essa perspectiva que orienta a ação das CEBs, o método ver-julgar-agir, como já se afirmou neste estudo; desse modo, na análise presente dos documentos dos Intereclesiais, predominam os valores da Teologia da Libertação.
A ação social dos membros leigos se orienta pela ação opressiva dos
outros; esses podem ser individualizados e conhecidos - como um político, um
latifundiário ou um patrão - ou uma pluralidade de indivíduos indeterminados e completamente desconhecidos - como o dinheiro, ou o capitalismo. Nesse sentido, constatado o contexto de opressão, importa apreender quem são os outros da ação social dos membros leigos das CEBs.
Com base nos documentos dos oito encontros intereclesiais abordados neste trabalho, pôde-se identificar sujeitos individualizados e conhecidos e uma pluralidade de indivíduos indeterminados e desconhecidos.
No relatório geral das Comunidades de Minas Gerais, em 1981, apresenta-se a síntese de uma reflexão que comparava a situação social vivida a uma partida de futebol; nela participaram dois times: o time da opressão e o time da
libertação.
No time da opressão estavam os políticos e os patrões - “o governo; os patrões; os poderosos e seus seguidores; o regime do nosso país;” (SEDOC, 1981,
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p. 198) -, mas esses tinham como dono “o capital; as multinacionais; os poderosos; o dinheiro; o lucro; o egoísmo; o comodismo; a ganância; o poder; a injustiça;” (SEDOC, 1981, p. 198). Veja-se que os sujeitos da opressão individualizados são controlados por uma pluralidade indeterminada.
O mesmo ocorre no encontro de 1983; depois de apresentarem os problemas em um dos plenários, foram identificadas as seguintes causas:
1. Os grandes projetos: CARAJÁS, JICA, PRÓ-ÁLCOOL, GRANDES BARRAGENS: TUCURUI, ITAIPU e muitos outros que vão escravizando o povo a um salário de fome e a condições de vida desumanas.
2. Muitos sindicatos ainda não representam as lutas do povo. O povo ainda não está suficientemente organizado e consciente para modificar estas situações de injustiça.
3. O sistema do Governo que não se preocupa com os pobres, mas com os grandes projetos que só servem para acumular riquezas nas mãos dos ricos. (SEDOC, 1983, p. 273-274).
São indivíduos que constituem e, ao mesmo tempo, representam a pluralidade coletiva opressora. As multinacionais, o Governo e seus projetos são identificados como opressores, mas fazendo parte dessa situação está um determinado político - por exemplo, em 1981, no time da opressão, o técnico era Golbery28 -, um patrão ou uma empresa, mas esses fazem parte de um sistema político-econômico opressor. Em 1989, na síntese de um dos plenários, evidencia-se essa perspectiva; na ocasião, a questão que orientava o debate era a seguinte: Quais as causas principais que produzem o sofrimento do povo latino-americano? A essa questão apresentou-se a resposta: “O processo colonizador mercantilista, escravocrata, resultou na maneira capitalista de organizar o trabalho: O Estado é usado para colocar medo no povo e não para organizar o trabalho, segundo o interesse do povo;” (SEDOC, 1989, p. 293). O sistema capitalista e sua constituição histórica são considerados uma das principais causas da opressão, mas não são as únicas, continua a resposta:
b) a falta de igualdade e de união; desorganização do povo: falta de cultura e de consciência crítica; o pequeno não acredita no pequeno;
c) a falta de espírito de solidariedade latino-americana numa luta comum; d) a desvalorização das culturas e das categorias profissionais;
(...)
f) a atuação da Igreja na América Latina: manipulação de Deus para justificar e manter a passividade do povo;
28 Golbery do Couto e Silva foi um militar e geopolítico brasileiro, autor de Geopolítica do Brasil é
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g) intervencionismo e militarismo dos Estados Unidos sobre a América Latina (hoje militarismo substituído pela divida externa). (SEDOC, 1989, p.293).
Nos encontros realizados em 1997 e 2000, o neoliberalismo apresenta-se como o grande opressor. Em 1997, no item Memória da Caminhada, apresenta-se o seguinte desafio: “Na sociedade, nossos sonhos são inviabilizados pelo sistema neoliberal excludente, que mantém a dependência política do país impedindo a soberania nacional” (SEDOC, 1997, p. 189). Em 2000, no documento final: “E percebemos também que a grande causa da exclusão é o neoliberalismo, projeto de morte, que só favorece o mercado e que pode competir, virando as costas para o sofrimento do povo” (SEDOC, 2000, p. 239).
O sistema capitalista, a manipulação ideológica, a intervenção estrangeira, a falta de união do povo e a ausência de meios de participação popular são algumas das causas da opressão assinaladas nos documentos.
Dessa perspectiva política, econômica e social surgem diferentes ações opressivas: “concentração de terra; latifúndio; concentração escandalosa de riqueza; exploração da força de trabalho humano; economia submersa como forma de sobrevivência; corrupção generalizada e impune”, essas conduzem a uma situação social marcada pela “pobreza absoluta; gritantes diferenças sociais; violência generalizada humana e ecológica; degradação dos valores humanos; insegurança; analfabetismo; discriminação da mulher, do índio, do negro; lei do lucro gerando a morte”. (SEDOC, 1989, p. 293).
Nesse sentido, Libânio (1981) relata que, nos depoimentos dos membros leigos do IV Encontro, os principais adversários eram as autoridades, os órgãos políticos e as pessoas que detêm o Poder local. As autoridades são representadas, como já se afirmou, pelo prefeito, pelo delegado, pela polícia, pelos políticos, em especial, os vereadores, que são mais próximos; apenas em alguns casos fala-se dos presidentes e dos ministros. Outra presença opressiva, também notada por Libânio (1981), são os órgãos e projetos do governo: MOBRAL, FUNRURAL, LBA, FUNAI, PRÓ-ÁLCOOL, PRÓ-MORAR. O teólogo ainda assinala que há uma desconfiança em relação a todas as iniciativas governamentais.
No encontro de 1983, o sociólogo Pedro A. de Oliveira, tentando procura anotar todos os pronunciamentos feitos nos momentos livres - não registrando os
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relatórios de grupos nem depoimentos feitos durante as celebrações - registrou, nos sete momentos do encontro, um total de oitenta e sete pronunciamentos. Os temas captados foram:
Quadro 12 - Temas abordados no V Encontro Intereclesial.
Temas Pronunciamentos
Terra, reforma agrária, bóias-frias 15 Problemas com bispos e padres 13
CEBs e a nova sociedade 12
Seca e fome do Nordeste 09
Política partidária, eleições 08
Questões sindicais 05
Desemprego, salários baixos 04 Moradia, problemas na periferia 04 Outros problemas, depoimento incerto 17 Fonte: Oliveira (2001).
Assim, em resumo, os outros da ação social dos membros leigos das CEBs são o capitalismo e o sistema político excludente, os que se beneficiam dessa situação, como o político, o patrão e o latifundiário. São esses outros os causadores da situação social vivida pelos membros leigos das CEBs; e é com base nessa situação que eles orientam suas ações sociais.