II. Hvilken betydning har barnets alder for vektleggingen av dets synspunkter?
7. Samværsnekt og bevis
7.1 Ulike grunnlag for samværsnekt
Inicialmente o Aluno não demonstrava interesse nas atividades propostas nas aulas. O ambiente e as pessoas eram rejeitados por ele. Irritava-se com facilidade e tentava arranhar ou bater na Professora. Embora tivesse boa linguagem verbal, ele falava de forma descontextualizada e a comunicação com a professora era limitada. A Professora conseguia se conectar com ele por meio de músicas que os dois cantavam juntos, mas logo ele se estressava e partia para a agressividade, não suportando ficar na sala por mais de 15 a 20 minutos. Esse tempo foi respeitado pela Professora que finalizava a aula quando ele começava a dar sinais de estresse.
O Aluno não dava muita atenção à Professora, porém, ela nunca o desrespeitou ou tentou impor seu desejo. Houve, por parte dela, um respeito quanto às reações do Aluno, buscando sempre uma nova alternativa para se aproximar dele. Às vezes ele se mostrava interessado, mas logo depois voltava aos gritos, a querer correr, a se auto agredir e a agredir a Professora.
Em conversa com a mãe, a Professora foi informada que ele tinha um teclado e gostava de brincar com ele. Assim, ela pediu que a mãe trouxesse esse instrumento para a sala de aula e passou a utilizá-lo como meio de aproximação com o Aluno e, como ele reagia mal ao entrar na sala, a “aula de piano” (como era chamada por ele) se deu durante um bom tempo, na porta da sala de aula.
Ela insistiu na aproximação, cantando e tocando piano para ele. Pedia que ele tocasse e que também cantasse para ela. Além disso, a Professora já sabia, em função de relatos da mãe,
que ele gostava de ouvir músicas do cantor Roberto Carlos e, então, passou a utilizá-las como meio de aproximação do Aluno. Em função dessa atitude da Professora, ele começou a se apegar a ela.
Com as músicas, os dois passaram a interagir e brincar juntos, ou seja, foi estabelecido ai, o vínculo inicial necessário para a atividade pedagógica. Ao agir assim houve a consideração do desejo como ponto de partida para uma relação afetiva, mas também, a consciência por parte da Professora, da necessidade de criação de novos desejos para que o Aluno se desenvolvesse.
Em função disso, nos momentos em que o Aluno se aproximava, a Professora o abraçava, beijava, batia palmas, elogiava e ele aceitava, embora às vezes ainda reagisse mal. Ela precisava fazer isso sempre de forma comedida, falando e comemorando com tom de voz baixo e sempre buscando movimentos lentos, para não estressar o Aluno e não provocar nele reações ruins, ou seja, os atos da Professora consideravam sempre as reações do Aluno, respeitando-o nas suas expressões de fusão ou difusão.
Até então, tudo acontecia na porta da sala, já que a sala ainda não era interessante para o Aluno. Depois de algum tempo, percebendo que ele já estava ligado a ela, a Professora começou aos poucos a entrar na sala. Colocava o teclado sobre a mesa e o esperava cada dia mais dentro da sala. O Aluno reagia bem, apesar de que em alguns dias apresentava-se mais tranquilo e em outros menos, mas ela seguiu assim até que um dia, no meio da aula, propôs outra brincadeira, sem o teclado. Foi cantar fazendo gestos, começando pelas músicas que o Aluno já conhecia. Ele cantava para a Professora e ela dançava com ele e para ele. Ele ria e demonstrava interesse, mas depois voltava a apresentar reações contrárias ao que estava sendo proposto e sempre era respeitado.
Numa determinada aula, a Professora o esperou sem o teclado na tentativa de, diante do vínculo até então estabelecido, trazer novas propostas, mesmo sabendo que ele tinha um limite muito curto de tolerância para realizar o que lhe era proposto, ficando logo impaciente. Na intenção de se aproximar do Aluno e de lhe despertar interesse, a Professora apresentou uma brincadeira cantada e ele demonstrou prazer. Foi a partir de então que houve uma mudança na relação do Aluno com a Professora e no ambiente da sala de dança. Com a proposta da Professora ele se divertiu, passando a pedir para ela cantar tal música em todas as aulas. Inicialmente, passavam praticamente todo o tempo da aula na mesma música.
Assim, a Professora conquistou sua disponibilidade e passou a apresentar-lhe outras músicas e outras brincadeiras, tudo sem o teclado. Mas a brincadeira cantada que foi utilizada inicialmente pela Professora passou a ser obrigatória nas aulas.
Fato ressaltado pela mãe do Aluno foi que a Professora evitou culpabilizar ou cercear as iniciativas do mesmo. Em uma das aulas ele estava muito agitado e gritando, querendo morder a Professora. No momento em que ele foi ao seu encontro para mordê-la, ela o abraçou e começou a cantar uma música que ele gostava até ele se acalmar. Segundo a mãe, em situações parecidas ele era contido pelas pessoas, incluindo os profissionais, como se tivesse feito uma coisa muito errada.
Ao final do semestre, o vínculo afetivo tinha se estabelecido e já era possível investir em atividades voltadas para a dança e a expressão corporal do Aluno.
5.1.1.2.3 Objetivos estipulados para o segundo semestre de 2010
a) Criar estratégias de comunicação verbal e não verbal para desenvolver atividades lúdicas de expressão corporal que permitissem a consciência do corpo;
b) Explorar as iniciativas e atitudes do Aluno para estimular movimentos da dança; e c) Propor atividades de dança que permitissem a sua participação no Espetáculo no final do semestre.
5.1.1.2.4 A Intervenção Pedagógica no segundo semestre de 2010
A Professora trabalhava com uma estagiária que ficava como observadora das aulas do Aluno. Ela começou a envolvê-la no trabalho de forma que a estagiária participasse das aulas buscando desenvolver novas possibilidades de relações interpessoais com o Aluno. Às vezes, ele aceitava a presença da estagiária, às vezes ficava excitado e às vezes nervoso. A orientação era para que a mesma se portasse de forma comedida, com alegria, com vontade, mas sem gritos, agitação ou muitos movimentos visando à tranquilidade do espaço e do momento, oferecendo assim um ambiente tranquilo e acolhedor para o Aluno.
Com o tempo ele foi se integrando ao espaço, da mesma forma que o espaço e as pessoas foram se integrando a ele. Assim, aos poucos, a Professora foi apresentando a estrutura da aula, trabalhando a respiração, as partes do corpo, mostrando-lhe movimentos diferentes dos que ele normalmente utilizava e ele foi aceitando tais propostas. Quando estava mais agitado ou nervoso ela utilizava a música que o conquistou inicialmente, e o Aluno novamente se acalmava.
Dentro dessa perspectiva, a Professora foi introduzindo movimentos e atividades nas aulas visando a participação do Aluno no Espetáculo de Dança, juntamente com os demais alunos do Projeto Espaço Com-Vivências. Porém, não houve imposição de rotinas coreográficas nem o treinamento de movimentos estereotipados ou predeterminados pela Professora. Ao contrário, houve o estímulo à vivência da música proposta para o Aluno, além da manifestação de seus gestos espontâneos dentro do ritmo dessa música.
O Aluno aceitou bem essa proposta, além de também aceitar a presença da estagiária que o acompanhava nessas vivências e, assim, no final de 2010, ele participou do primeiro espetáculo de dança apresentado pelo grupo de alunos da oficina Corpo Expressão no auditório central da UCB, com um público de, aproximadamente, 850 pessoas.
Pode-se dizer que foi uma simples participação, considerando o tempo de permanência no palco e o fato de que o Aluno foi acompanhado pela estagiária do projeto durante todo o tempo. Porém, considerando suas condições no início da intervenção pedagógica e suas dificuldades com relação à oficina e à Professora no começo do ano, foi uma grande conquista, pois se ele, no começo do trabalho, não permanecia mais que 15 minutos na aula, rejeitando o contato com a Professora, as suas propostas e o ambiente, agora ele não só mudara essas atitudes, como também conseguiu se mostrar para outras pessoas, demostrando estar, de certa forma, bem ambientado na Oficina Corpo Expressão.
Considera-se que ele participou efetivamente do espetáculo, embora precisasse ser contido para não correr ou fazer algo inapropriado para o momento. Mas demonstrou interesse e alegria em participar desse evento, inclusive agradecendo os aplausos recebidos da plateia e, segundo relato da mãe, convidava todos as pessoas que iam à sua casa para assistir à gravação do espetáculo, mencionando que se tratava do “seu teatro”.
5.1.1.2.5 Objetivos estipulados para o primeiro semestre de 2011
a) Incrementar as estratégias de comunicação verbal e não verbal para desenvolver atividades lúdicas de expressão corporal que permitissem a consciência do corpo;
b) Explorar as iniciativas e atitudes do Aluno para estimular movimentos da dança; c) Estabelecer uma rotina para as aulas com início, meio e fim das mesmas, de forma a trazer um maior equilíbrio para o Aluno; e
5.1.1.2.6 A Intervenção Pedagógica no primeiro semestre de 2011
No início do ano de 2011 a Professora deu continuidade ao trabalho realizado no semestre anterior propondo uma rotina para as aulas de forma a trazer um maior equilíbrio para o Aluno. Sempre recebia o Aluno acolhendo-o na porta da sala e de lá já ia conversando, cantando e dando ao momento um clima de acolhimento, de leveza e brincadeira, de forma a não excitar o Aluno para que o mesmo não partisse para estereotipias ou movimentos inadequados para a aula.
Ao entrar na sala, a Professora convidava o Aluno para sentar no chão e, nesse momento, cantava com ele as músicas que ele gostava. Em seguida apresentava-lhe a rotina da aula alongando a cabeça, os ombros, os braços, e todo o corpo. Quando sentia que ele começava a ficar nervoso ou agitado voltava para as músicas com naturalidade, e, diante da volta à calma, insistia na rotina. Quando ele já estava acostumado com parte dessa rotina ela foi inserindo novos elementos, usando movimentos que exploravam outras partes do corpo no espaço da sala. No inicio do semestre faziam parte do Projeto Espaço Com-Vivências os estagiários do mesmo foram convidados a participar do atendimento, criando uma movimentação diferente na sala. Tal procedimento tinha como objetivo estimular o Aluno que imitava o que os outros faziam além de propor a convivência com outras pessoas além da própria Professora, pois ele precisava se relacionar com uma quantidade maior de pessoas.
Assim como nas atividades da Oficina de Atividades Aquáticas, o Aluno aceitou bem a presença dos estagiários que lhe pediam beijos, abraços, o elogiavam. Porém, essas abordagens eram feitas de forma comedida para não irritar o Aluno, sempre respeitando suas respostas. Tais abordagens, por parte dos estagiários, aconteciam sempre nos momentos de entrada e saída na sala de aula, criando e mantendo um clima afetivo favorável às relações do Aluno e à sua participação na Oficina Corpo Expressão. Esse movimento era provocado e estimulado pela Professora, que também buscava constantemente expressão de afetividade com relação ao Aluno.
Com essas atitudes, o semestre transcorreu num clima de tranquilidade, com poucos momentos de irritação e de recusa por parte do Aluno com relação às propostas da Professora e, assim, a mesma teve condições de desenvolver importantes propostas de atividades corporais nas quais o Aluno, participando efetivamente, demonstrou certa consciência corporal. Cabe ressaltar que, durante todo o semestre, a Professora se utilizou das músicas que o Aluno gostava para o desenvolvimento das aulas, tornando-as lúdicas para ele. Além disso, o semestre encerrou com uma rotina estabelecida para as aulas que foi aceita pelo Aluno.
5.1.1.2.7 Objetivos estipulados para o segundo semestre de 2011
a) Incrementar as estratégias de comunicação verbal e não verbal para desenvolver atividades lúdicas de expressão corporal que permitissem a consciência do corpo;
b) Explorar as iniciativas e atitudes do Aluno para estimular movimentos da dança; c) Estimular a observação e cópia de movimentos propostos pela Professora; c) Estimular relações com os pares, durante as aulas; e
d) Propor atividades de dança que permitissem a sua participação no Espetáculo do final do semestre.
5.1.1.2.8 A Intervenção Pedagógica no segundo semestre de 2011
No segundo semestre de 2011, um novo aluno passou a participar das aulas. Trata-se do mesmo aluno que participava das aulas da Oficina de Atividades Aquáticas, ou seja, uma criança com Síndrome de Down que tinha a mesma idade do Aluno.
No inicio dos trabalhos houve conflitos em função dessa junção. O Aluno, assim como nas atividades da outra oficina, demostrava ciúmes, e por vezes ficava nervoso, gritava, falava alguns palavrões, mas essa atitude foi logo trabalhada pela Professora e pela mãe do mesmo. Uma estratégia usada pela Professora era perguntar: “por que você fez isso?”. Logo após, ela dava um pequeno tempo para que ele pensasse sobre o assunto e, em seguida, partia para a atividade da aula, sem dar maior importância ao fato. Quando o Aluno fazia o que lhe era proposto, a Professora sempre elogiava, buscando mostrar a ele que, mesmo com a presença de outra criança, ela continuava a ter carinho e afeto por ele.
Assim, a Professora, aproveitando os ganhos obtidos nos semestres anteriores com relação à participação do Aluno nas atividades e no relacionamento com os estagiários, passou a propor aulas mais movimentadas, sendo que os dois alunos, os estagiários e a própria Professora, realizavam atividades visando o desenvolvimento da consciência corporal do Aluno. Nessas atividades propunha brincadeiras que permitiam ao Aluno andar de diferentes formas, se apoiar no chão com diferentes partes do corpo, realizar movimentos corporais cantando e dançando, realizar inibição voluntária dos movimentos por meio de brincadeiras como o “jogo de estátua”, sendo que, em função do ambiente lúdico e afetivo, o Aluno realizava tais atividades com frequência.
Porém, em alguns momentos, o Aluno se dispersava e a Professora insistia um pouco mais, visando sempre ir um pouco além do tempo que o Aluno tentava impor e em seguida mudava a atividade, sem, contudo, esperar muito tempo para que não houvesse reações agressivas do Aluno diante de uma de suas propostas.
Por meio dessas atividades, o Aluno passou a compartilhar momentos não só com a professora, mas também com os estagiários e principalmente com o outro aluno, mostrando que sentia prazer em estar na aula.
No final desse semestre seria realizado o segundo espetáculo de dança do Projeto Espaço Com-Vivências e, em função disso, parte das aulas eram destinadas aos ensaios para o mesmo. Sendo assim, a Professora procurava contextualizar a coreografia proposta para o Aluno, buscando uma compreensão, por parte do mesmo, do que se passava e como deveria ser sua atuação no Espetáculo. A Professora, ao propor a coreografia para o Aluno, respeitou suas condições e suas propostas de movimentos dentro da música apresentada.
O Espetáculo proposto foi “Alice no País das Maravilhas” e o personagem do Aluno era um dos súditos da Rainha Branca que, durante a trama era atacada pelos soldados da Rainha de Copas. O Aluno, quando acontecia o ataque, deveria fugir demonstrando medo, porém, diante da dificuldade de compreensão do Aluno, a Professora sempre reforçava a necessidade do mesmo expressar o sentimento, sendo que ele era acompanhado por um estagiário.
De forma surpreendente, o Aluno passou a compreender o seu papel e, ao comando da Professora, corria da cena fazendo expressão de medo. Tal ação era sempre elogiada pela Professora que o chamava de artista e ele demostrava gostar disso.
Porém, durante o espetáculo, apesar de já apresentar um pouco mais de autonomia, ainda estava sob os cuidados de uma estagiária, sendo que demonstrava compreender sua postura no palco, se portando de maneira satisfatória.
No final do semestre, pôde-se notar um considerável desenvolvimento do Aluno, que compartilhou com outra criança e com estagiários os momentos das aulas, mostrando-se mais adaptado. Suas reações agressivas ou por meio de estereotipias diminuíram consideravelmente, além de que ele apresentou um bom desenvolvimento psicomotor e uma melhor consciência corporal, que lhe permitiram realizar movimentos mais elaborados durante as aulas.
5.1.1.2.9 Objetivos estipulados para o primeiro semestre de 2012
a) Propor novas vivências motoras que estimulassem a consciência do corpo; b) Estimular a observação e cópia de movimentos propostos pela Professora; c) Estimular a autonomia do Aluno durante a realização das aulas;
d) Explorar as iniciativas e atitudess do Aluno para estimular movimentos da dança; e e) Estimular relações com os pares, durante as aulas.