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7   Analyse

7.1   Den  typiske  brukeren

7.1.1   Typisk  iPhone-­‐bruker

Na França, o ano de 1830 foi marcado por mudanças políticas e manifestações revolucionárias significativas. Os primeiros meses daquele ano indicavam o profundo descontentamento, tanto do povo francês como dos membros da Câmara, com relação à política sustentada por Carlos X, rei que subira ao trono em 1824. Em 03 de maio, 221 dos 400 deputados que compunham a Câmara assinam uma petição relativa ao afastamento de Polignac, presidente do Conselho. Carlos X ignora tal petição e, no dia 16 de maio, ordena a dissolução da Câmara. Após este ato arbitrário, o rei envia uma expedição militar à Argélia, onde empreende uma sangrenta política de colonização. Na eleição organizada para recompor a Câmara, apenas 154 defensores do monarca são votados, de modo que os deputados da oposição passam a constituir a maioria. Em 25 de julho, sob pretexto de zelar pela segurança do Estado, Carlos X assina mandatos ordenando uma nova dissolução da Câmara, com

eleições previstas para setembro, e suprimindo a liberdade de imprensa. Alguns periódicos, como Le National, Le Globe e Le Temps, por desempenharem uma fervorosa resistência ao mandato real, são contidos pela polícia, por meio da destruição das máquinas tipográficas. O abuso de poder, as práticas severas e extremistas do reinado de Carlos X suscitaram volumosos protestos e manifestações revoltosas por parte do pessoal da imprensa, tipógrafos, editores, jornalistas, bem como dos intelectuais, estudantes, poetas e artistas. Desta forma, nos dias 27, 28 e 29 de julho de 1830, também conhecidos como Les Trois Glorieuses de Juillet (As Três Gloriosas de Julho)291, uma revolução eclode nas ruas de Paris, obrigando Carlos X a fugir. O movimento que depôs o monarca foi fortalecido pela presença de um grupo político de tendência republicana, vindo do Havre para auxiliar os revolucionários parisienses. Tal grupo foi denominado, metonimicamente, como bousingot, termo que designava o chapéu de bordas largas usado pelos defensores do Estado republicano. Com a deposição de Carlos X, muitos revolucionários entreviram a possibilidade de se instaurar uma nova república na França. Todavia, a investida republicana se depara com o fracasso, visto que, em caráter emergencial, Luís Filipe I292

291 Foto 2: La Colonne de Juillet. Em 1831, o rei Luis Felipe I decide erguer um monumento em homenagem aos revolucionários das três Gloriosas, que contribuíram para a queda de Carlos X e a instituição da monarquia constitucional de 1830. A coluna foi desenhada pelo arquiteto Jean-Antoine Alavoine (1778-1834), mas a construção do monumento só foi iniciada em 1835. A decoração foi realizada em 1839, pelo arquiteto Joseph- Louis Duc (1802-1879) e inauguração da coluna, em 28 de julho de 1840, celebrou o aniversário de dez anos da Revolução de Julho. O cume da coluna é ornado por uma escultura em bronze dourado, intitulada Le Génie de la

Liberté, criada por Augustin-Alexandre Dumont (1801-1884). O fuste contém, gravados com o mesmo tipo de

bronze, os nomes dos revolucionários mortos durante as Três Gloriosas. A base conta com duas placas: uma precisa a data do episódio histórico homenageado e a outra contém esta inscrição: “À la gloire des citoyens

français qui s’armèrent et combattirent pour la défense des libertés publiques dans les mémorables journées des 27, 28, 29 juillet 1830” (À glória dos cidadãos franceses que se armaram e combateram pela defesa dos direitos

públicos, nas memoráveis jornadas de 27, 28, 29 de julho de 1830).

sobre ao trono francês e, com o devido tato político, intitula-se

292 Foto 3: Le Duc d’Orléans arrivant à l’Hôtel de Ville, 31 juillet 1830 (1836). Pintura a óleo de Éloi-Firmin Féron, localizada no Musée du Château de Versailles, Galerie des Batailles. O quadro ilustra a chegada do duque de Orléans ao Hôtel de Ville, dois dias após as Três Gloriosas de Julho, para assumir oficialmente o governo da França. O duque salda a bandeira tricolor e é aclamado por uma multidão, composta por representantes de todas as classes sociais. A pintura constitui uma propaganda monárquica, visando a reconciliação nacional de Luis Felipe I, de modo que entusiasmo e a reverência popular retratados pelo autor se distanciam da realidade histórica. Sabe-se que a recepção do futuro monarca ao Hôtel de Ville foi marcada por gritos de “Abaixo o duque de Orléans!” e “Viva a República!”, lançados pelos revolucionários, bem como pelos simpatizantes do liberalismo.

Foto 4: Louis-Philippe Ier. Escultura em mármore, de Augustin-Alexandre Dumont, datada de 1835

Foto 2

La Colonne de Juillet (1840)

Place de la Bastille, Paris

assentada sobre a Carta Constitucional de 1830. Esta metáfora do novo regime permite a Luis Filipe I se apresentar como “rei dos franceses” e não, rei da França. (Detalhe ampliado)

Foto de Fernanda Almeida Lima

Foto 3

Le Duc d’Orléans arrivant à l’Hôtel de Ville, 31 juillet 1830 (1836)

FÉRON, Eloi-Firmin (1802-1876)

Musée du Château de Versailles, Paris.

Foto de Fernanda Almeida Lima

Foto 4

Louis-Philippe Ier

Musée du Château de Versailles, Paris. Foto de Fernanda Almeida Lima

“rei dos franceses”. Após a apressada coroação do “rei burguês” e a instituição da Monarquia de Julho (1830-1848), o sonho republicano será adiado por quase duas décadas (até o fim do reinado de Luís Filipe I, quando eclode a revolução de 1848), e verifica-se uma transformação expressiva da sociedade francesa, com o desenvolvimento de uma política mercantil e industrial. Alexandre Dumas define o perfil do novo monarca e a economia burguesa da Monarquia de Julho nestes termos:

Luís Filipe I representava a burguesia que se compõe de notários, homens de negócios, banqueiros, agiotas, especuladores financeiros; e a burguesia tem seu deus à parte, seu próprio deus, que não tem nada em comum com o deus das reflexões elevadas e dos grandes sentimentos.293

Nessa perspectiva, verifica-se que os valores e a lei econômica instaurados pelo materialismo burguês acabam por atingir o campo literário, através do desenvolvimento da imprensa e de uma produção literária voltada para a quantidade de publicações e tiragens, e não para a qualidade dos textos. Este tipo de produção será, posteriormente, classificado por Sainte-Beuve, como a “literatura industrial”, em um artigo publicado na Revue des Deux

Mondes, em 1° de setembro de 1839. Qualificada pejorativamente por Sainte-Beuve, a

“literatura industrial”, ou até mesmo “alimentar”, surge em decorrência da superpopulação de escritores, da multiplicação das editoras, banalizando o direito e a qualidade requeridos para se publicar uma obra, e do estatuto do escritor no campo literário da época, vivendo exclusiva e profissionalmente de sua pena, de modo que os lucros obtidos por suas publicações constituem fonte de subsistência. Para Sainte-Beuve o que caracteriza esta literatura “e a torna um fenômeno totalmente próprio àquele tempo é a ingenuidade e, geralmente, a audácia de sua reivindicação, de ser miserável e de passer en demande todos os limites do necessário, de

293 DUMAS, Alexandre. Mes mémoires. Paris: Michel Lévy, t., 7, 1863, p. 128.

“[...] Louis-Philippe représentait la bourgeoisie, qui se compose de notaires, d’hommes d’affaires, de banquiers, d’agioteurs de bourse, de tripoteurs d’argent ; et la bourgeiosie a son dieu à part, son dieu à elle, qui n’a rien de commun avec le dieu des grands esprits et des grands cœurs”.

se fundir a uma paixão desenfreada pela glória, ou melhor, pela celebridade”294

Estamos limitados (acreditaríamos nisso?), acerca de certas questões correntes e animadas, a ter como sentinela insolente nada mais que o humor e o capricho do Sr Janin, que diz, a cada manhã, com um bom senso sonoro, o que cada um pensa. Nunca foi tão sentida, no seio da literatura usual e da crítica ativa, a falta de tantos escritores espirituosos, instruídos, conscientes [...]

. Para o crítico, escrever e publicar figuram como atividades cada vez menos distintivas, assim este tipo de literatura é designado como peça relevante de uma organização social mercantil. Sainte-Beuve qualifica a situação da imprensa periódica da época como desastrosa, assinalando o rebaixamento e a degeneração não só na literatura, mas também na esfera da crítica. Avaliando tal situação, Sainte-Beuve conclui:

295

O fracasso da investida republicana e a instituição da Monarquia de Julho distanciam o horizonte sociopolítico idealizado pelos românticos, partidários do liberalismo. A incompatibilidade entre artistas e burgueses data desta época, delineando a estrutura de um

campo literário às vésperas da conquista da autonomia. Bourdieu destaca a relevância do

romantismo na sustentação desta incompatibilidade, fundamental para o desenvolvimento de uma economia simbólica, regendo a produção e a legitimação dos bens culturais. “Desinteresse contra interesse, nobreza contra baixeza, largueza e audácia contra mesquinharia e prudência, arte e amor puros contra arte e amor mercenários, afirma-se por toda parte, desde a época romântica, [...] com os inúmeros retratos contrastados do artista e do burguês”296

294 SAINTE-BEUVE. “De la littérature industrielle”. In: ___. Portraits contemporains. Paris: Didier, vol. 1, 1855, p. 487.

. Como destaca Paul Bénichou, a oposição entre romantismo e valores burgueses

“Ce qui la caractérise en ce moment cette littérature, et la rend un phénomène tout à fait propre à ce temps-ci, c’est la naïveté et souvent l’audace de sa requête, d’être nécessiteuse et de passer en demande toutes les bornes du nécessaire, de se mêler avec une passion effrénée de la gloire ou plutôt de la célébrité [...]”.

295 Idem, p. 490.

“[...] On en est réduit (le croirait-on ?) sur certaines questions courantes et vives, à n’avoir plus pour sentinelle hardie que l’esprit et le caprice de M Janin, qui dit ce matin-là, avec un bon sens sonore, ce que chacun pense. Jamais on n’a mieux senti, au sein de la littérature usuelle et de la critique active, le manque de tant d’écrivains spirituels, instruits, consciencieux [...]”.

Devotado à Monarquia de Julho, Jules Janin era conhecido como o “príncipe da crítica brurguesa”.

296 BOURDIEU, Pierre. As regras da arte. Trad. Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 2ª ed., 2005, p. 155.

já se manifesta na primeira geração de românticos. Os “Grandes Magos” do movimento, Victor Hugo, Lamartine, Vigny e Sainte-Beuve,

pretenderam definir, para além da realidade presente e sem condená-la totalmente, um horizonte ideal, um prolongamento reparador, retardado, mas não recusado. Todos celebraram, mesmo em sua moderação, algo diverso do mundo de Casimir Périer, Thiers ou Guizot.297

No entanto, Bénichou assinala que tal incompatibilidade se apresenta de forma mais acentuada e agressiva na geração dos jovens românticos de 1830, visto que “entre a Arte soberana ideal e a Boutique triunfante real, eles não viram acomodação possível, e acolheram a entronização burguesa com cólera e desespero”.298 Assim, pode-se afirmar que o Pequeno Cenáculo demonstrou uma calorosa simpatia às manifestações republicanas de 1830, interpretadas em termos de conquista da liberdade. Todavia, faz-se necessário tecer os devidos esclarecimentos acerca da denominação de bousingo atribuída à camaraderie de Pétrus Borel e do suposto engajamento político grupo. Segundo um episódio relatado por Philothée O’Neddy, na carta enviada a Asselineau, alguns membros do grupo, após saírem de um jantar “animado”, teriam rompido o silêncio da madrugada parisiense com o seguinte refrão: “Nous ferons (faremos) ou nous avons fait (fizemos) du bouzingo”299

297 BENICHOU, Paul. Le sacre de l’écrivain. 1750-1830. Essai sur l’avènement d’un pouvoir spirituel laïque

dans la France moderne. 2e éd. Paris: José Corti, 1985, p. 420.

. Sob a alegação de perturbação da ordem e de apresentar conduta e porte republicanos, Pétrus Borel e Gérard de Nerval foram detidos e passaram a noite na prisão de Sainte-Pélagie. Entretanto, segundo O’Neddy, o grupo criou o termo bousingo, juntando à palavra bousin, que significa barulho ou algazarra, a sílaba –go, em mais uma homenagem ao mestre Victor Hugo. Logo, não houve intenção de afirmar convicções políticas, argumento igualmente sustentado por Arsène

“[...] ils ont prétendu définir, au-délà de la réalité présente et sans la condamner absolument, un horizon idéal, un prolongement réparateur, retardé, mais non refusé. Tous célèbrent, dans leur modération même, autre chose que le monde de Casimir Périer, Thiers ou Guizot. [...]”.

298 Ibidem, idem.

“[...] Entre l’Art souverain idéal et la Boutique triomphatrice réelle, ils ne virent pas d’accomodation possible, et ils accueillirent l’avènement bourgeois avec colère et desespoir. [...]”.

299 O’NEDDY, Philothée. Lettre inédite de Philothée O’Neddy, auteur de Feu et Flamme, sur le groupe littéraire

romantique dit des Bousingos. Paris: Rouquette, 1875, p. 13. Disponível em: http://gallica.bnf.fr. Acesso em:

Houssaye, ao apresentar uma nova versão do contexto que motivou a criação do termo

bousingo:

[...] foi num daqueles ponches no Petit-Moulin-Vert que foi criado o termo

Bousingoth, aplicado, inoportunamente, aos republicanos. Girávamos em

volta do fogo, como possuídos, com prostitutas, improvisando uma roda. A rima era em go ou goth. Esta rima fora sugerida pelo nome de Hugo.300

Uma caricatura301 de Victor Hugo, feita por Pétrus Borel, reproduzida no periódico La

Charge, em 1833, parece legitimar o argumento de Houssaye e seu relato. A caricatura

representa o jovem mestre do romantismo com uma fronte gigantesca, denotando sua genialidade, e no lugar do tronco, figura o fragmento de uma muralha gótica, ornamentado com diversos relevos, no mesmo estilo. O nome “Hugoth”, marcado pela devida terminação arcaica, consta como legenda, seguida dos versos “Époque tant étroite / Où Victor Hugo seul

porte la tête droite / Et crève le plafond de son crâne géant...”302

300 HOUSSAYE, Arsène. Les Confessions. Souvenirs d’un demi-siècle. Paris: Dentu, 1885, t. I, p. 313. Disponível em:

. Desta forma, a caricatura de Victor Hugo, a única ilustração de autoria de Pétrus Borel de que se tem conhecimento, constitui um documento relevante, no que concerne à natureza do bousingotismo do grupo do Pequeno Cenáculo, fundamentado na “hugolatria” proclamada pelos “recrutas” do romantismo francês, ávidos por inovações estéticas. Como pode ser verificado na ilustração, os versos que compõem a legenda são assinados por “Pétrus B...”. No entanto, a autoria destes versos deve ser problematizada, dado que os mesmos integram uma composição de Théophile

http://gallica.bnf.fr. Acesso em: junho de 2006.

“[...] ce fut dans un de ces punchs au Petit-Moulin-Vert que fut créé le mot Bousingoth, qu’on appliqué mal à propos aux républicains. Nous tournions autour de la flamme bleue comme des possédés, avec des femmes de hasard, tout en improvisant une ronde. La rime était en go ou goth. Cette rime avait été donnée par le nom de Hugo.”

301 Reprodução 2: Caricatura de Victor Hugo. Ilustração de Pétrus Borel, reproduzida como litografia, no periódico La Charge, número 4, do ano de 1833, na seção intitulada Galerie des fous contemporains. A ilustração é reproduzida, igualmente, no Album Hugo (Bibliothèque de la Pléiade, 1964, p. 111) e na biografia

Pétrus Borel, vocation: poète maudit (2002), escrita por Jean-Luc Steinmetz.

302 “Época tão estreita / Onde só Victor Hugo mantém a cabeça erguida / E arrebenta o teto com seu crânio gigante...”.

Gautier, Ode à Jean Duseigneur303

Todavia, desconsiderando tais particularidades e enfatizando o comportamento ruidoso, a excentricidade das vestimentas, barbas e cabelos, assim como a simpatia do Pequeno Cenáculo aos ideais republicanos, Léon Gozlan, crítico do jornal Le Figaro, utiliza a expressão Jeune-France

, datada de setembro de 1831, ou seja dois anos antes da publicação da caricatura desenhada por Borel.

304 para qualificar pejorativamente a juventude romântica e, em

seguida, adota a denominação de bousingot ou bouzingot. Os artigos são publicados em série, a partir de 30 de agosto de 1831, como uma sorte de ataque planejado e incessante, voltado, particularmente, à camaraderie de Pétrus Borel. No artigo inaugural da série, encontra-se esta definição: “O jeune France nasceu no dia em que a pintura se aliou à literatura romântica. [...], ou seja, ele chora com versos românticos e tem espasmos diante de uma paisagem primitiva, ele desmaia por um verso quebrado e cai estirado diante do vermelhão”305. No

artigo intitulado Ameublement des Jeunes Frances, publicado em 12 de setembro de 1831, a referência ao grupo do Pequeno Cenáculo torna-se mais explícita. A descrição do alojamento dos Jeunes-France é iniciada com a constatação de que apenas três cômodos são necessários: um para se embriagar, outro para objetos de valor sentimental e o último para guardar peças exóticas ou antiguidades. Ao longo da descrição, são tecidas alusões irônicas à simplicidade e à excentricidade decorativa, peculiares ao ateliê de Jehan Duseigneur, bem como ao gosto exótico do grupo:

303 Cf. GAUTIER, Théophile. “Ode à Jean Duseigneur”. In: ___. Poésies complètes. Paris: Charpentier et Cie, t. II, 1890, p. 167.

304 Nos trabalhos consultados para a elaboração da presente tese, a ortografia desta expressão apresenta diversas variáveis. Paul Bénichou, considerando a dificuldade de marcar o plural de expressões deste tipo, reconhece como única opção plausível “les Jeune-France”. Anthony Glinoer adota a forma “Jeunes-France”, como substantivo plural, e “jeune-France”, como adjetivo. A distinção estabelecida por Glinoer será igualmente adotada nesta tese, exceto em citações.

305 “Dossier du Figaro”. In: GAUTIER, Théophile. Les Jeunes-France. Romans goguenards. Paris: Ed. des Autres, 1979, s.n.

“Le jeune France est né du jour où la peinture a fait alliance avec la littérature romantique. [...] c’est-à-dire qu’il pleure aux vers romantiques, et se convulsionne à la couleur primitive, qu’il s’évanouit au vers brisé, et tombe raide mort devant le vermillon pur.”

Reprodução 2

Caricatura de Victor Hugo (1833)

O jeune France baniu os assentos do primeiro cômodo: encosta-se à parede, deita-se no chão, como o homem das cavernas; senta-se com os braços cruzados, como os primeiros operários sansimonistas ou com as pernas uma sobre a outra, como no Oriente. É majestoso e simples ao mesmo tempo; reumático.

[...]

Disse que o primeiro cômodo era reservado à embriaguez; há um crocodilo balançando no teto, um feto conservado em uma botija, posto entre dois vasos de flores. [...]

O espelho produz reflexos verdes. É em torno de uma mesa em carvalho do norte, maciça, escura e quadrada, que os jeunes France fazem suas grosseiras refeições. E de pé; o homem é viajante, essencialmente nômade. [...]

O crocodilo, emblema da circunspecção, figura entre duas serpentes, emblemas da prudência, e um bisão, emblema dos mais velhos. O jeune

France tolera a aranha.

No cômodo consagrado ao valor sentimental, há um arco indígena, sempre armado, e as obras do Sr Sainte-Beuve, arco indígena literário. [...] Aqui encontramos ainda quadros da jovem escola. Quadros de volúpia. As bruxas de Macbeth; preto e branco. O Satã de Milton; branco e preto. [...]

Em seguida, em um canto da parede esverdeiam os retratos-camaradas. Todos os autores mastodontes estão ali; [...] Este é o senhor que revolucionou as artes; é este aqui quem aboliu a perspectiva: prodigioso! Este aqui desrespeitou a gramática: maravilhoso! Aquele ali reabilitou a conjunção bíblica: espantoso! [...]

[...] na sala das relíquias, primeiro a mochila de um granadeiro da guarda real, morto durante os três dias da Revolução de Julho. Não toque nisto, é uma flecha envenenada; nem nisto, é um punhal envenenado; nem nisto, é uma lança envenenada; isto é um dardo envenenado. [...]306

Os redatores do Figaro assumem orgulhosamente a criação da expressão Jeune-

France, entretanto Paul Bénichou alerta para o fato de que “aproximadamente naquela mesma

época, expressões análogas designaram, de forma parecida, a nova geração liberal, em

306 Idem, ibidem.

“ Le jeune France a banni les sièges de sa pièce d’entrée: on s’adosse au mur, on s’étend à terre, comme l’homme des premiers âges ; on s’assied les bras croisés comme les premiers travailleurs saint-simoniens, ou les jambes l’une sur l’autre comme dans l’Orient. C’est majestueux et simple tout à la fois ; rhumatismal. [...] J’ai dit que la première pièce était pour l’ivresse ; il y a un crocodile balancé au plafond, et un fœtus conservé dans un bocal, assis entre deux vases de fleurs. [...] La glace réfléchit en vert. C’est autour d’une table en chêne du nord, massive, brune et carré, que les jeunes Frances prennent leur grossier repas. Et cela, debout ; l’homme est voyageur, essentiellement nomade. [...] Le crocodile, emblême de la circonspection, figure entre deux serpents, emblêmes de la prudence, et un bison, emblême des barbes. Le jeune France tolère l’araignée. Dans l’appartement consacré au sentiment, il y a un arc de sauvage toujours tendu, et les œuvres de M. Sainte-Beuve, arc de sauvage littéraire. [...] Ici nous voyons encore les tableaux de la jeune école. Tableaux de volupté. Les sorcières de Macbeth ; noir et blanc. Le Satan de Milton ; blanc et noir. [...] Ensuite dans un coin du mur