5. DATAPRESENTASJON OG TOLKNINGER
5.4 TRAINEENES LÆREPROSESSER
As mudanças fisiológicas e corporais influenciam na percepção que a pessoa idosa tem de si, na sua identidade e sentido de valor pessoal. A percepção do envelhecimento muitas vezes se dá de forma brusca e está associada à perda, tais como: da saúde, da juventude, do emprego, das atividades sociais, do desejo. Embora o processo de envelhecimento seja o normal e esperado para todos, seus sinais são temidos e vivenciados muitas vezes com sofrimento e rejeição.
O envelhecimento biológico altera o corpo de forma sistêmica, diminuindo a capacidade de manutenção da homeostase, o que diminui a capacidade de adaptação das pessoas idosas a situações novas e estressantes. Segundo Dourado (2012), a capacidade da pessoa idosa de elaborar perdas através do luto fica mais lenta e diminuída, favorecendo o desencadeamento do luto patológico e o desenvolvimento de quadros depressivos.
No entanto, a forma em que se vive o processo do envelhecimento e das situações da vida depende da personalidade, da estrutura psíquica e sua capacidade adaptativa para as situações que se apresentam. Apesar de a velhice ser um momento de muitas perdas, a organização e significação da vivência pessoal, a capacidade de elaboração e adaptação de cada um é que irá definir a forma da viver na velhice.
A proximidade da morte exacerba a resposta depressiva, não apenas à morte física, definitiva, mas na morte da saúde, da juventude, do vigor e da disposição física. Assim, conforme Erikson (1998) apresentou em sua teoria do desenvolvimento humano, o conflito psíquico básico na velhice estaria relacionado à integridade do ego versus o desespero e angústia de morte. A abordagem psicodinâmica com as pessoas idosas que desenvolveram o transtorno do humor depressivo irá, basicamente, trabalhar na elaboração do luto para restituir à pessoa idosa a possiblidade de realização de novos investimentos objetais (DOURADO, 2012).
No seu ensaio Luto e Melancolia, Freud (1980) argumenta que existem semelhanças entre a melancolia e o luto, tanto na sua manifestação quanto nos processos metapsíquicos e baseia a sua teoria nessas semelhanças. Sentimentos de tristeza e angústia que ocorrem quando alguém amado morre correspondem aos sentimentos dos estados depressivos. Esses sentimentos geralmente são expressos através de fixação dolorosa nas preocupações, perda de interesse pelo que não está relacionado às preocupações, ausência do desejo por outras situações, transformações do humor, inibição afetiva, psíquica e motora.
O luto é uma reação emocional a uma perda do objeto amado. Essa perda pode ser definitiva, relacionada a eventos como morte e abandono ou temporária com a breve ausência de uma pessoa querida, podendo também, estar relacionada a fatos da vida, objetos e coisas. O luto é um processo que ocorre em todas as pessoas com uma dinâmica semelhante à melancolia.
O individuo, diante da perda do objeto amado, cria uma ilusão de que este ainda permanece e continua a viver como se ainda existisse. Para Freud (1980), o luto é caracterizado por um desinvestimento da realidade. Porém, os fatos da vida confrontam com esta ilusão numa experiência dolorosa de falta e ausência do objeto. O trabalho do luto será realizado neste sentimento doloroso de ausência até que se estabeleça a aceitação da perda. Segundo Widlöcher (2001), a consciência da perda e sua aceitação são fundamentais para transformar a ilusão de permanência do objeto em sentimentos de recordação e nostalgia.
Um processo de luto, comum na velhice, para ser considerado bem-sucedido, consiste no reconhecimento e aceitação da falta do objeto, porém a aceitação da perda em si não é o suficiente. Freud (1980) enfatiza que o luto é um trabalho doloroso e por vezes demorado, que necessita de um desinvestimento libidinal de todos os envolvimentos relacionados ao objeto perdido, finalizando na liberação do eu para investir em outras tarefas e desenvolver outros desejos. Quando este trabalho de luto fracassa e passa a ser uma forma de manter a relação com o objeto, incorporando-o para evitar a perda, esse movimento redunda no luto patológico, que, segundo Freud (1980), é à base do sofrimento melancólico.
No luto patológico a tentativa é de negar a morte, incorporar o objeto perdido. O sujeito se sente culpado pela morte do objeto desejado, coloca-se no lugar do objeto perdido e volta para si os sentimentos ambivalentes, por vezes hostis dispensados ao objeto ausente e se recrimina pela morte do objeto amado (BARROS E.M.R.; DANTAS; BARROS E. L., 2000).
A melancolia é um luto malsucedido, que não avança para a elaboração e integração egóica, marcada pelo rebaixamento geral do ego, o que não acontece no luto. A perda então passa a ser uma perda do próprio ego, narcísica. Os sinais clínicos demonstram bem esse processo de esvaziamento do ego com expressões de depreciação da própria imagem e da agressividade voltada contra si. Freud (1980, p. 278) escreve que “[...] no luto é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego”. Nesse aspecto, em que o ego se vê ameaçado pela perda, Freud (1980) esclarece que o relacionamento do sujeito melancólico com o objeto é de natureza narcísica. O objeto, então, não é apenas um objeto do desejo, mas um objeto cuja função é manter a integridade do ego.
A escolha objetal é narcísica, o sujeito percebe o outro como parte dele mesmo. O melancólico ama no objeto aquilo que percebe como seu próprio ego, que o torna engrandecido com a incorporação do objeto. Diante da perda desse objeto, o melancólico se identifica com o objeto perdido, substituindo a libido objetal pela identificação com o objeto e redireciona a libido para o Eu. O melancólico fixa-se na experiência da perda, que impede o deslocamento do investimento libidinal para outro objeto.
Freud (1980) também pontua que, na melancolia, o objeto pode se revelar mais poderoso do que o ego. Na sua fragilidade narcísica, o ego, incapaz de se separar do objeto perdido, torna-se o substituto do objeto, através do mecanismo de introjeção. Nas palavras do próprio Freud (1980, p 281):
[...] a sombra do objeto recai sobre o ego e este pôde daí por diante, ser julgado por um agente especial, como se fosse um objeto, o objeto abandonado. Dessa forma, uma perda objetal se transformou numa perda do ego, e o conflito entre o ego e a pessoa amada, numa separação entre a atividade crítica do ego e o ego enquanto alterado pela identificação.
Deste modo, com a fusão do ego ao objeto perdido, o julgamento do chamado, na ocasião, ‘agente crítico’, o superego recai sobre o ego. Parte das autoacusações e recriminações, comuns no melancólico, dirigem-se ao objeto perdido e introjetado, confundido ao Ego, e expressam a situação emocional do sujeito.
Do ponto de vista psicanalítico, o melancólico tem dificuldade de atribuir significação a angustia relacionada à perda e se percebe incapaz de preservar a integridade do ego, bem como de suas relações e sua capacidade de reinvestimento.
No entanto, pode-se dizer que o luto na velhice é antecipado, de um objeto ainda não perdido – a própria vida, um processo de desinvestimento da vida (GOLDFARB et al., 2011). Diante da perda real e também ideal e das perdas das perspectivas de futuro, nem sempre o a pessoa idosa consegue elaborar o luto e se manter um sujeito desejante. A questão passa a ser a sobrevivência, a manutenção da identidade, o medo da fragmentação frente ao envelhecimento do corpo e da mente e do esfacelamento da rede social.
Para a psicanálise, as perdas devem ser consideradas, o processo de luto deve acontecer. Reconhecer as perdas na velhice e vivenciar seu sofrimento por um período até que a pessoa idosa possa se abrir novamente para o relacionamento com o mundo externo torna processo de envelhecimento mais saudável. O envelhecimento pressupõe um período de sofrimento pela perda e a possibilidade de uma elaboração para uma reação flexível às mudanças impostas pela vida (GOLDFARB et al., 2011).