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5. DATAPRESENTASJON OG TOLKNINGER

5.5 TILRETTELEGGING AV ARBEIDSSITUASJONEN

Geralmente as emoções são bem calibradas frente aos desafios e oportunidades que as pessoas costumam enfrentar. Quando elas se desenvolvem de forma desproporcional, existe a possibilidade de regulá-las (OPITZ; GROSS; URRY, 2012). No entanto, não parece haver uma variação considerável tanto nas estratégias que as pessoas usam para regular as emoções, quanto no sucesso destas estratégias para a regulação emocional. Porém estudos realizados pelos autores citados acima propõem ganhos relacionados ao envelhecimento em metas e estratégias emocionais que buscam proporcionar o bem-estar psicológico.

Segundo Batistoni et al. (2011) os altos níveis de bem-estar relatados por pessoas idosas nas pesquisas, mesmo no contexto de perdas, estão correlacionados com a capacidade de regulação emocional e as estratégias adaptativas de seleção, otimização e compensação. Para uma melhor compreensão do que se trata a regulação emocional, o primeiro passo é compreender o significado de emoção. Segundo Gross e Thompson (2007) as emoções são respostas de curto prazo, que muitas vezes ajudam a alcançar alguma meta imediata e momentaneamente valorizada pelo indivíduo.

As emoções não se resumem à reação fisiológica do organismo a um estímulo, porém se constituem dentro de uma multiplicidade de processos. Diante de um estímulo interno ou externo, o ser humano pode apresentar uma determinada resposta fisiológica à qual será atribuída posteriormente uma significação emocional. Esse processo é denominado por Barret e Gross (2001) como diferenciação emocional, caracterizado por uma simbolização da emoção, que permite a representação mental da emoção para a sua compreensão e em seguida a regulação da emoção. Assim, a diferenciação emocional implica na atenção direcionada para a experiência emocional, de modo a formar uma interpretação e avaliação do estado vivenciado.

Diante de um estímulo, avaliado pelo indivíduo como significativo, a emoção será ativada, algumas vezes automaticamente, porém na sua maioria, as emoções são desencadeadas, somente após a atribuição do significado. Essas emoções implicam um conjunto coordenado de mecanismos comportamentais, fisiológicos e experienciais que irão influenciar na forma como o individuo irá perceber os desafios e oportunidades e, consequentemente, em como irá implementar estratégias de regulação para lidar com a situação (GROSS, 2002).

As emoções são uma resposta a uma situação vivenciada e frequentemente são úteis na resolução de dificuldades. Contudo nem todas as respostas emocionais são adaptativas, podem ser geradoras de mal-estar, principalmente quando na reação do indivíduo não corresponde ao esperado pelo meio social. As respostas emocionais podem ser fracas ou fortes, curtas ou longas, ou podem ocorrer no tempo errado ou diante de uma situação errada (GROSS; THOMPSON, 2007). Nestes momentos em que as emoções são incongruentes com a situação, o indivíduo irá tentar regular a sua resposta emocional a fim de atingir seu objetivo pretendido e de se adequar a situação.

Segundo Gross (2002) para uma pessoa ser capaz regular sua emoção de forma adaptada necessita primeiro desenvolver competências como: diferenciar as emoções, compreender a sua função e refletir sobre as emoções com relação ao objetivo pretendido, para poder decidir o que quer expressar ou suprimir.

O processo de regulação emocional se caracteriza por um conjunto de estratégias conscientes e/ou inconscientes que o indivíduo utiliza para aumentar, manter ou diminuir um ou mais determinantes de uma resposta emocional, incluindo os sentimentos, comportamentos e respostas fisiológicas que constroem as emoções (GROSS, 1998, 2002).

A expressão regulação emocional suscita algumas dúvidas com relação a sua definição e muitas vezes é confundida com conceitos próximos como coping, regulação do humor e os mecanismos de defesas. Segundo Gross (1998) a regulação emocional, assim como o coping, a regulação do humor e as defesas psicológicas fazem parte de uma supracategoria a regulação do afeto. Com o intuito de formar uma compreensão única e especificar os demais processos frequentemente associados à regulação emocional, segue uma breve descrição de cada um deles para melhor diferenciação:

O coping difere da regulação emocional por ter como objetivo apenas a regulação das emoções negativas, enquanto a regulação emocional engloba tanto as emoções negativas quanto as positivas, incluindo a regulação expressiva e os aspectos fisiológicos, que não são considerados no coping. Segundo Lazarus e Folkman (1984), o conceito de coping está ligado

ao estresse, o qual se refere a esforços cognitivos e comportamentais para dominar, reduzir ou tolerar as condições geradas por uma situação de estresse.

O humor, como colocado anteriormente, é definido por Dalgalarrondo (2000) como um estado emocional basal e difuso, influencia na resposta emocional, porém de forma menos definida. A regulação do humor busca modificar a experiência emocional e não o comportamento decorrente da emoção (PARKINSON, 1996, apud GROSS 1998).

Por fim os mecanismos de defesa são operações mentais, geralmente inconscientes, que têm por finalidade reduzir tensões internas das experiências emocionais negativas (ZIMERMAN, 2001).

Gross (1998) conceitua a regulação emocional como um processo contínuo consciente e controlado e/ou inconsciente e automático, que os indivíduos utilizam para aumentar, manter e diminuir não só as emoções negativas, mas também as positivas. Deste modo a regulação emocional é entendida por Gross (1998, p.275) como um processo através do qual “os indivíduos influenciam que emoções é que têm, quando é que têm e como é que vivenciam e expressam essas emoções”.

Entendendo a regulação emocional como um conjunto heterogêneo de processos que modulam a emoção, Gross (1998) distingue “famílias” de estratégias de regulação emocional, inicialmente separa em dois conjuntos de estratégias com base no momento em que atuam no processo emocional: estratégias de regulação emocional focadas nos antecedentes e as estratégias de regulação emocional focadas nas respostas. As estratégias de regulação emocional focadas nos antecedentes surgem antes da emoção ser ativada e modificar o comportamento e a resposta fisiológica. São subdivididas em quatro grupos de estratégias, assim denominadas por Gross (1998): seleção da situação, modificação da situação, modificação do foco atencional e modificação cognitiva. Por fim, o grupo de estratégias de regulação emocional focado na resposta atua diretamente na resposta emocional é denominado de modelação de resposta (GROSS, 1998).

As estratégias de seleção da situação referem-se a escolher as situações que entram para alterar as emoções. Ocorre no início do processo emocional e afeta a situação à qual a pessoa se expõe, por exemplo, a aproximação ou distanciamento de pessoas, lugares ou atividades com o objetivo de regular as emoções (GROSS, 1998; GROSS; THOMPSON, 2007). Essas estratégias têm como limitação a necessidade da capacidade da pessoa avaliar os benefícios em curto prazo e os custos em longo prazo que decorrem dessas estratégias, exigindo da pessoa uma análise complexa e autoconhecimento para executar a seleção.

As estratégias de modificação da situação referem-se a alterar alguns aspectos da situação atual para alterar as emoções. Restringem-se à modificação externa do ambiente físico, enquanto as estratégias de modificação do foco da atenção, na impossibilidade de mudarem a situação externa, buscam modificar o foco de atenção para alterarem as emoções. A modificação do foco atencional geralmente ocorre através da distração ou da concentração. A distração envolve a mudança da atenção para dimensões não emocionais ou para fora da situação, pode envolver também a modificação do foco da atenção interna, evocando pensamento ou emoções alheios a situação e evitando emoções indesejadas (GROSS; THOMPSON, 2007).

Ao contrário da distração, a concentração dirige a atenção para a dimensão emocional da situação. Quando este processo ocorre repetidamente e mantem o foco da atenção direcionado para pensamentos ou sentimentos, pode conduzir a um processo desadaptativo denominado de ruminação. A ruminação acerca de acontecimentos dolorosos aumenta a duração e a intensidade das emoções negativas e agrava os sintomas depressivos (GROSS, 1999, 2008).

As estratégias de modificação da cognição consistem em modificar a avaliação, ou melhor, a interpretação da situação para alterar as emoções. O individuo através da alteração do pensamento acerca da situação ou das crenças acerca da capacidade para lidar com as exigências da situação, altera a cognição atribuindo um significado pessoal que determina as tendências de resposta experienciais, comportamentais e fisiológicas que serão geradas a partir da situação vivenciada.

Segundo Gross e Thompson (2007) a capacidade de interpretar a ativação fisiológica antes dos acontecimentos como um potencial para um melhor desempenho e não como debilitante proporciona uma regulação emocional mais eficaz para lidar com a situação. A reavaliação cognitiva é uma forma de modificação cognitiva que envolve a modificação do significado atribuído à situação de forma a alterar a resposta emocional. É uma das estratégias de modificação da cognição mais estudas nas pesquisas sobre o tema (GROSS; THOMPSON, 2007).

Segundo Batistoni et al. (2011) em estudo de indicadores psicométricos do Questionário de Regulação Emocional (QRE) e suas relações com medidas de experiência afetiva, satisfação com a vida e depressão, as pessoas idosas pontuaram média mais alta nos itens referentes à estratégia de regulação emocional por meio da reavaliação cognitiva, uma estratégia adaptativa relacionada à melhores indicadores afetivos e de bem-estar. A

reavaliação cognitiva está relacionada com melhor saúde emocional e pode ser considerada um fator de proteção contra sintomas depressivos.

Por último, o grupo da modulação da resposta refere-se à alteração da resposta emocional diretamente. Ocorre após o processo emocional ter sido ativado e tem como objetivo modificar a resposta fisiológica, experimental e comportamental desencadeada pela emoção. A supressão emocional é um exemplo das estratégias de modulagem de reposta. Tem como objetivo a modificação do componente comportamental, mas não reduz a experiência emocional e exige grande esforço pessoal, gerando mal estar e tendência a sintomas depressivos (GROSS, 1998).

Batistoni et al. (2011), no entanto, constatou em seu estudo que a estratégia de supressão emocional não estava diretamente relacionada com indicadores emocionais negativos ou positivos. Este resultado leva ao entendimento que as estratégias não são a priori boas ou ruins, mas adaptativas, dependem do contexto e dos recursos disponíveis. Esses grupos de regulação emocional abrangem um extenso conjunto de estratégias que permitam regular as emoções. No entanto, as pessoas variam na escolha de estratégias de regulação emocional e no sucesso com que se aplicam essas estratégias em um determinado contexto (OPITZ; GROSS; URRY, 2012).

Opitz, Gross e Urry (2012) através de um estudo realizado com adolescentes, adultos e pessoas com o diagnóstico da depressão apresentam uma aplicação direta da meta-teoria de Baltes e Baltes (1990), Seleção, Otimização e Compensação para o domínio da regulação emocional SOC-RE. A meta-teoria de Baltes e Baltes (1990) sugere que uma vida de sucesso pode ser alcançada por qualquer pessoa capaz de estabelecer metas razoáveis coerentes com suas capacidades (seleção), de aplicar tempo e esforço em conhecer e aperfeiçoar suas habilidades e capacidades para atingir as metas (otimização), e de criar soluções para compensar as perdas (compensação).

Segundo Opitz, Gross e Urry (2012), a aplicação das estratégias de SOC para o domínio da regulação emocional propõe que a regulação emocional também pode ser bem- sucedida e alcançada por qualquer pessoa que opta por utilizar estratégias de regulação emocional que sejam razoáveis segundo os recursos disponíveis (seleção), coloca o tempo e esforço em melhorar o seu potencial na utilização destas estratégias (otimização), e seleciona e otimiza diferentes estratégias de regulação emocional para balancear as perdas (compensação).

Opitz, Gross e Urry (2012) entendem por recursos para desenvolver estratégias de regulação emocional as habilidades internas ou externas (arranjos ambientais) que ajudam a

na realização de um determinado tipo de regulação emocional. Os recursos internos incluem habilidades como a capacidade para controlar o conteúdo da memória de trabalho, a capacidade de reconhecer a informação como positiva ou negativa, e a capacidade de ter uma perspectiva diferente diante de determinada situação. Os recursos externos incluem características ambientais como: o acesso a pessoas, ambientes e realidades diversas que estimulam o pensar sobre aspectos diferenciados de uma mesma situação.

O processo de regulação emocional para ser bem-sucedido, segundo Opitz, Gross e Urry (2012), busca modelar ou alterar as emoções para atingir uma meta desejada, por exemplo, se uma pessoa tem como objetivo implícito ou explícito de sentir-se menos triste ou mais irritada, o sucesso usando a estratégia de reavaliação cognitiva refletirá em uma redução na tristeza ou um aumento de raiva, respectivamente. Naturalmente, a relação entre os meios e as estratégias de regulação emocional não é tão simples como no exemplo que demonstra uma relação direta. A relação entre estratégia e recurso é bem mais complexa, com vários fatores que interferem no resultado final para o alcance dos objetivos.

O primeiro fator a ser considerado é a situação que desencadeia uma reação emocional que poderá necessitar de recursos e estratégias diferenciadas. O segundo fator é a relação entre indivíduo, recursos e estratégias, alguns recursos podem ser específicos para indivíduo ou para estratégias, enquanto outros recursos podem ser compartilhados entre uma série de estratégias. As estratégias de regulação emocional que utilizam recursos compartilhados podem diferir na intensidade e na quantidade dos diferentes recursos utilizados (OPITZ; GROSS; URRY, 2012).

O terceiro fator influenciador é o próprio indivíduo, em muitos casos, mesmo quando os recursos são suficientes e adequados para a estratégia, o indivíduo pode optar por não utilizar uma estratégia de regulação emocional. Nestes casos, destaca-se que além da necessidade de ter a disponibilidade e o acesso aos recursos internos e externos existe a interferência de fatores motivacionais, traços de personalidade e do contexto, como determinantes importantes na regulação emocional e consequentemente no comportamento (OPITZ; GROSS; URRY, 2012).

Enquanto os estudos de Baltes (1987) e Freund e Baltes (2007) estão voltados para a velhice e demonstram, que pessoas idosas utilizam as estratégias de seleção-otimização- compensação de forma intencional com o intuito de tornar o envelhecimento um processo bem-sucedido. À medida que a pessoa envelhece e percebe o declínio de suas capacidades, a pessoa seleciona objetivos pessoais nos quais deseja continuar a envolver-se, seja em função das prioridades, capacidades e motivações ou em função das exigências que o ambiente lhe

impõe. Gross (1998) voltou-se para o desenvolvimento de um modelo processual que procura demonstrar como as estratégias específicas de regulação emocional acontecem e se diferenciam ao longo da vida e não regula somente a emoção adaptativa, mas também as desadaptativas.

Segundo Gross (2002) a regulação emocional pode ser adaptativa ou desadaptativa consoante os recursos do indivíduo para lidar com a situação ativadora. Neste momento, a utilização das estratégias adaptativas do modelo SOC se evidencia na regulação emocional da pessoa idosa. A idade avançada é marcada por aumento de emoção positiva e diminuição de emoções negativas o que leva a um aumento do bem-estar global. Isso levanta a possibilidade de que as pessoas idosas são capazes de selecionar recursos mais adequados que viabilizem estratégias de regulação emocional adaptativa e coerente com sua capacidade, proporcionando compensações e resultando em sensação de bem-estar.

3 MÉTODO

O presente estudo trata-se de uma pesquisa com abordagem metodológica qualitativa, descritiva e exploratória. Através da análise de conteúdo, buscou-se a compreensão da percepção das pessoas idosas sobre a vivência depressiva e a utilização de estratégias adaptativas.