4.1 CONFLICT TRANSFORMATION
4.1.3 Three Levels of Leadership
2.4.1 Ficha técnica
O Conjunto Maximus nomeado posteriormente de Centro Metropolitano de Compras, é também conhecido por Galeria Metrópole.
O projeto é fruto de um concurso fechado que previa a construção de uma galeria comercial nos pavimentos inferiores, sobre os quais seria erguida uma torre de escritórios.
No arranjo inal do projeto, a galeria comercial abriga 402 lojas, uma sala de cinema com capacidade para 1200 espectadores e, no corpo vertical, distribuem-se os conjuntos comerciais (Quadro 2.3).
Centro Metropolitano de Compras
Arquitetos: Giancarlo Gasperini e Salvador Candia Ano: 1956
Localização: Avenida São Luís, 187
Vias: Avenida São Luís, Praça Dom José Gaspar e Rua Basílio da Gama Tipologia: Mista (Comercial e serviços)
Altura: 76,5 m
Número de pavimentos: 23
Área do terreno: 4.627,21 m2 / 0,46 ha
Área construída: 35.151,00 m² / 3.51 ha Coeiciente de aproveitamento (CA): 7,6
População permanente (condôminos + funcionários): 1200 hab População transitória (população permanente + visitantes): 5200 hab Densidade física permanente (população/área construída): 342 hab/ha Densidade física transitória (população/área construída): 1481,00 hab/ha
Figura 2.57. Galeria Metrópole - Maquete. Fonte: SERAPIÃO, 2011, p. 53. Quadro 2.3. Quadro Galeria Metrópole.
C apítulo 2 A nálises - R eper tór io M oder no
2.4.2 Implantação do edifício e traçado urbano
A riqueza da Galeria Metrópole encontra-se na sua implantação, circunda- da de três vias, Avenida São Luís, Praça Dom José Gaspar e Rua Basílio da Gama. A Avenida São Luís teve seu alargamento na década de 1940, sendo parte do Perímetro de Irradiação do Plano de Avenidas e é um eixo urbano caracterizado pela presença de vegetação. Adjacente à galeria, encontra- se a Biblioteca Municipal Mário de Andrade, que foi inaugurada durante a administração do prefeito Prestes Maia. A conexão entre ambos ocorre pela Praça Dom José Gaspar, sendo que, nos dias atuais, o gradil que con- torna a biblioteca acaba criando um isolamento maior (CECCO; PERRONE, 2005) (Figuras 2.58 e 2.59).
Praça Dom José Gaspar Galeria Metrópole
Biblioteca Mário de Andrade
Avenida São Luís
Ru a C o n so laç ão
Rua Dr. Brulio Gom
es
Figura 2.58. Implantação. Fonte: CECCO; PERRONE, 2005, adaptada pela autora. Figura 2.59. Corte longitudinal. Fonte: CECCO; PERRONE, 2005, adaptada pela autora.
Área permeável s/escala N s/escala Rua Basílio da Gama
Figura 2.61. Planta da 3a sobreloja (Passeio Capri).
Fonte: Acervo AFLALO; GASPERINI, 2015.
Circulação - 43% da área do pavimento térreo Acesso - Bloco escritório
Acesso pedestres B Acesso estacionamento E E B B
Figura 2.60. Planta do pavimento térreo (Passeio São Paulo).
Fonte: Acervo AFLALO; GASPERINI, 2015, adaptada pela autora.
s/escala
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Figura 2.62. Visual do vazio central desde interior do edifício.
Fonte: AUTORA, dez. 2014.
Atualmente é possível ter acesso pela Rua São Luís (utilizando-se de um acesso rampeado) e pela Praça Dom José Gaspar (em nível). A entrada pela Rua Basílio da Gama, para acompanhar o nível do terreno, é composta por uma escadaria.
Os elevadores e as escadas são componentes da circulação vertical. As escadas ro- lantes estabelecem as ligações entre os pavimentos comerciais, sendo elementos mecânicos que permitem maior luxo vertical (Figuras 2.60 e 2.61).
2.4.3 Espaços positivos e permeabilidades
O edifício atua como igura e a permeabilidade no pavimento térreo é de 43 % (qua- renta e três) (Figuras 2.63 a 2.65). Distribuem-se comércios e serviços, possibilitando o uso e a função do edifício.
O espaço interno resultante é agradável e a somatória entre o pé-direito duplo e a presença do vazio central garantem-lhe amplitude (Figura 2.62).
Figura
Figura
Fundo
C apítulo 2 A nálises - R eper tór io M oder no
Permeabilidade - 43% da área do pavimento térreo Figura
Espaço positivo
30 m
Figura 2.63. Galeria Metrópole - Figura e fundo. Figura 2.64. Galeria Metrópole - Figura e fundo.
Figura 2.65. Galeria Metrópole - Espaço positivo- permeabilidade.
Fonte: AUTORA, 2015.
Nesse edifício, a permeabilidade não concentra-se apenas no pavimento térreo mas distribui-se pelos andares superiores, tendo o vazio como elemento central dessa dis- posição. A permeabilidade, portanto, expande-se horizontalmente e verticalmente, intensiicando as conexões de urbanidade.
2.4.4 Embasamento
O programa segmenta-se em dois blocos, horizontal (comércio e serviços) e vertical (escritórios). As três vias que contornam o edifício criam um per- curso com urbanidade a ser seguido (Figuras 2.66 e 2.67).
A Galeria Metrópole foi projetada como uma quadra urbana vertical: são ao todo 05 (cinco) pavimentos de galeria comercial, sendo eles o pavimento inferior (Passeio Nova York), o térreo (Passeio São Paulo), a 1ª sobreloja (Passeio Londres), a 2ª sobreloja (Passeio Paris) e a 3ª sobreloja (Passeio Capri).
Figura 2.66. Elevação.
Fonte: SERAPIÃO, 2011, p.32., adaptada pela autora.
s/escala es crit ó rio s co m erc ia l A v. S ão Lu ís
C apítulo 2 A nálises - R eper tór io M oder no Área permeável
Figura 2.67. Corte longitudinal.
Fonte: Acervo AFLALO; GASPERINI, 2015, adaptada pela autora.
s/escala
A
v. S
ão Lu
2.4.5 Pregnância da forma e tratamento de fachada
No pavimento térreo, as lojas da galeria são dispostas ao redor de um jar- dim interno (praça), que é visualizado em qualquer um dos níveis, median- te a existência de um vazio central que serve como elemento conector e de estruturação do espaço interno. Ao redor do vazio, estão voltadas as frentes das lojas e dos restaurantes e o espaço resultante serve tanto como travessia do público, como também para atividades de permanência. Essa sutileza no projeto reforça a integração de continuidade entre o espa- ço interno e o exterior, compreendido pela Praça Dom José Gaspar, sendo elemento de importância para o conceito de urbanidade. Acima desse jar- dim, localiza-se uma abertura zenital que permite a incidência de luz na- tural (Figura 2.72). O pavimento térreo, portanto, conigura-se como uma extensão do espaço urbano e funciona como um centro de conluência e irradiação de percursos para os pedestres.
O corpo horizontal avança em projeção, 1.20 metros (CUNHA, 2007, p. 198), sobre o espaço público que contorna o edifício. Esse artifício é relevante, pois não só suaviza as entradas, como também serve de proteção para os transeuntes e permite ser apropriado para diferentes usos (Figura 2.69). A entrada à Galeria, desde a Praça Dom José Gaspar, é emoldurada por um pórtico, o qual tem como função enquadrar a paisagem (Figuras 2.68, 2.70 e 2.71). Esse elemento arquitetônico funciona como transição entre os espa- ços público e privado, onde o observador consegue distinguir “estou aqui dentro,” “estou aqui fora” (CULLEN, 2009). De fato, desde o interior do edi- fício consegue-se apreciar a praça, e esse é um dos pontos principais, em que o observador é convidado a contemplar. A praça não só tem um grande luxo de passagens, como também é ocupada para ins sociais e comercias, como é o caso do conjunto de mesas e cadeiras, objetos de apoio dos res- taurantes da galeria.
A apropriação do espaço público dá maior vitalidade à praça, deixando de ser apenas um local de transição e podendo ser destinado para a contem- plação, as relações sociais, comerciais e de trabalho, entre outros.
Figura 2.68. Visual do pórtico de entrada desde a Praça
Dom José Gaspar. Fonte: AUTORA, dez. 2014.
Figura 2.69. Visual desde a Avenida São Luís.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
Figura 2.70. Visual desde a Praça Dom José Gaspar.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
Figura 2.71. Visual desde a Praça Dom José Gaspar.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
Figura 2.72. Visual interna, destacando-se o vazio central.
C apítulo 2 A nálises - R eper tór io M oder no
2.4.6 Escala e paisagem urbana
No último pavimento da área comercial, aproveitando-se do espaço dei- xado pela ausência das escadas rolantes, consolida-se mais um jardim que visualmente integra-se com a Praça Dom José Gaspar, a partir da continui- dade espacial. Esse pavimento funciona como belvedere urbano (Figuras 2.73, 2.74, 2.75 e 2.76).
A implantação do edifício, com o bloco horizontal estendendo-se perime- tralmente pelo limite da quadra e o volume vertical em uma proporção menor, delimitou um recuo/afastamento com as construções circundantes. Dessa maneira, permitiu-se melhor iluminação e ventilação nas salas co- mercias, como também aproveitaram-se as esquinas, as quais possibilitam ângulos de apreciação da paisagem urbana.
A relação com o seu entorno permite a formação de permeabilidades vi- suais. Ainda que a Galeria Metrópole esteja implantada entre volumes de ediicações preexistentes, ela se destaca. Não representa apenas um pas- seio, mas dialoga diretamente com o seu entorno a partir das aberturas, elementos que enquadram a paisagem.
Figura 2.75. Visual desde o jardim da cobertura - continuidade com a Praça Dom José Gaspar. Figura 2.76. Visual para a Praça Dom José Gaspar desde a 3a sobreloja.
Figura 2.77. Visual para a Rua Basílico da Gama desde a 3a sobreloja.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
C apítulo 2 A nálises - R eper tór io M oder no
Os balcões, extensões dos pavimentos da galeria, também têm essa função, pois a partir deles consegue-se dialogar com a paisagem. Eles funcionam como “passeios sobrepostos” (GASPERINI, 1960, apud, CUNHA, 2007, p. 173). Como salientado por Cunha (2007), o “passeio sobreposto” representava a cultura da cidade da época, que tinha como um dos costumes de maior agrado sentar-se em volta de um café e “ver” a cidade (Figuras 2.78 e 2.79). A ocupação em esquina, por sua vez, permite os diferentes ângulos e vi- suais (Figura 2.77).
Figura 2.78. Conexão dos espaços interior e exterior por meio das aberturas (ligação com a Praça Dom José Gaspar).
Figura 2.79. Visual desde a 20 sobreloja para a calçada e a Avenida São Luís.
C apítulo 2 A nálises - R eper tór io M oder no D A v. S ão Lu ís H
Utilizando-se do conceito do Ashihara (1982), D/H= 43/100 m = 0.43, o coe- iciente resultou em um número menor do que 1 (um), porém como salien- tado anteriormente, a própria implantação do edifício e o recuo do bloco vertical permitem uma melhor coniguração urbana e, portanto, a percep- ção do espaço não ica comprometida (Figuras 2.80 e 2.60). A distribuição do programa em diferentes níveis e no pavimento térreo, garantem-lhe ao projeto maior espacialidade, sendo que o projeto se abre para a rua.
Figura 2.80. Galeria Metrópole - Relação distância e altura.
Fonte: AUTORA, 2015. 20 m
Figura 2.60. Planta do pavimento térreo (Passeio São Paulo).
Fonte: Acervo AFLALO; GASPERINI, 2015.