1.1. THE PURPOSE OF THE THESIS
1.1.1 Concepts & Definitions: Intractable- and Protracted Social Conflicts (PSCs) 6
Nos dias atuais, quando pensamos em um projeto, devemos associá-lo a sua sustentabilidade, buscando a qualidade do projeto e a qualidade construtiva que considere à preservação dos recursos ambientais. Como por exemplo, a inclusão de energias renováveis, a busca de conceitos bioclimáticos integrando componentes passivos e ativos, e novas tecnologias de fontes luminosas eficientes energeticamente (KEELER; BURKE, 2010, p. 150).
Neste sentido, nos edifícios comerciais, a integração da iluminação artificial com a natural é uma técnica bioclimática e uma forma de minimizar os gastos energéticos. Outros aspectos de grande relevância nos edifícios comerciais é que a iluminação natural em um ambiente de trabalho determina uma maior qualidade ao espaço, além de promover um rendimento superior nas tarefas realizadas, como afirma a arquiteta Dimas Bertolotti (2010) especialista em conforto ambiental e conservação de energia.
[...] A iluminação natural é essencial na vida de ser humano, é mais do que economia de energia, está diretamente ligada à saúde e bem- estar. Estudos feitos no mundo indicam que pessoas expostas à luz natural durante o trabalho apresentam um rendimento superior em relação às pessoas que não estão em contato com a luz, além de promover uma grande sensação de bem-estar.
Segundo o Guia da American National Standard for Office Lighting. ANSI/IES - RP- 1-12 (2012), a projeção da luz natural em um ambiente de trabalho, com luz incidente e predominante lateral, é de “duas vezes a altura do piso até a parte superior da abertura da janela” como mostra a imagem 18.
Keeler Burke (2010, p. 150) afirmam que, em relação às alturas das janelas o aproveitamento da luz natural é de “uma vez e meia a altura da janela”. Portanto o aproveitamento da luz natural será maior, quanto mais alta for a janela, mais profunda será a entrada da iluminação natural.
Fonte: USGBC, 2009.
Para se obter melhor desempenho da luz natural no interior do edifício, algumas soluções podem ser previstas, como o aumento da abertura das janelas, aplicação de estantes de luz, prateleiras de luz8, painéis prismáticos9, entre outros10, que
direcionam essa luz solar de forma correta e adequada, ampliando esta distância. No caso do projeto contar com estantes de luz esse aproveitamento pode chegar a “duas vezes e meia” (KEELER E BURKE, 2010, p.150).
Neste sentido, como exemplos de edifícios corporativos contemporâneos considerados sustentáveis, integrando a iluminação natural e artificial, é possível citar o Edifício Condé Nast Building, chamado de Four Times Square e o Manitoba Hydro, reconhecidos por sua arquitetura sustentável internacionalmente, além de receber a certificação LEED.
O Four Times Square, imagem 19 e 20, projetado pelos Arquitetos Fox & Fowle, foi premiado pelo Instituto Americano de Arquitetos. Considerado um dos arranha-céus mais altos do mundo, com 213 metros de altura, edificado na cidade de Nova York,
8 Prateleira de luz é uma técnica utilizada na arquitetura, que garante o aproveitamento da luz natural e a redução da incidência direta de radiação solar.
9 Painéis Prismáticos: Direcionam e distribuem com mais eficiência a luz solar, enviando de volta à atmosfera o calor emitido pelos raios infravermelhos.
10 Lase cut panel: é um fino painel de acrílico, dividido em vários elementos retangulares, que atuam como um espelho interno, desviando a luz que passa por meio deste painel. Okasolar: é um painel fixo, que difunde a luz natural de forma uniforme no interior de uma edificação, além de servir como proteção solar.
nos Estados Unidos. Sua obra foi concluída em 1999, tendo 48 pavimentos e 150mil m2. É um edifício comercial de múltiplos pavimentos, sendo referencial nesta
pesquisa. A empresa que atuou, predominantemente neste edifício, é a Durst Corporation (KODMANY, 2015, p.150).
Imagem 19 e 20: Fachadas do Edifício Four Times Square
Fonte: 4 Times Square, 2016.
Segundo Keeler; Burke, (2010, p. 309) os projetistas do Four Times Square aplicaram conceitos de “construção ambientalmente responsável” utilizando “materiais atóxicos e biodegradáveis” para obter uma maior qualidade do ar interno. Na busca do menor impacto sobre o meio ambiente, foram aplicados os seguintes materiais à obra: madeira e um tipo de cimento que incorpora uma maior quantidade de CO2. Ainda de acordo com os autores na busca de autonomia de energia, os projetistas aplicaram painéis fotovoltaicos integrados às fachadas e películas finas de silício, nos últimos andares.
A planta do andar tipo, do décimo primeiro andar, apresenta postos de trabalho em espaços abertos, salas para reuniões rápidas em pequenos grupos e em sala fechada, espaços para reuniões informais em espaços abertos e duas grandes salas de reunião, como mostra a imagem 21. É possível observar também que a
valorização da iluminação natural para os postos de trabalho em áreas abertas, distribuídas no perímetro do edifício, enquanto outros espaços com menor exigência de iluminação artificial são alocados na parte mais interna do andar, como as salas de reunião em grupo.
Imagem 21: Planta do décimo primeiro andar do Edifício Four Times Square
Fonte: 4 Times Square, 2016.
Na iluminação artificial, o projetista utilizou uma “iluminação eficiente em termos energéticos, aplicando luminárias de alto desempenho com fontes de luz fluorescentes” e reatores eficientes (JAMBHEKAR, 2204, p. 05). A integração entre a luz natural e artificial gera uma economia ao longo da vida útil do edifício, associado a sistemas de controles centrais. Os sistemas de controle são “sensores de presença nas áreas de permanência, nas caixas de escada” e sensores para segurança com “sinalização de saída que utilizam diodos emissores de luz (LED)” (KEELER; BURKE, 2010, p. 309). Com a planta fica clara a consideração da iluminação natural em todas as fachadas do edifício. Keeler; Burke, (2010 p. 309) destacam que, por meio de vidros de baixa emissividade, a fachada permite a entrada da luz natural em todo o perímetro da edificação, gerando economia da iluminação artificial. Além de ser passagem de luz,
também minimiza os ganhos térmicos solares e os raios ultravioletas, bem como diminui as perdas térmicas no inverno (KEELER; BURKE, 2010, p. 309). Estes fatores apontam para a melhora da qualidade do espaço, a saúde do trabalhador e aumento da produtividade.
A imagem 22 mostra o cuidado do arquiteto em cada fachada.
Imagem 22: Características de projeto sustentável11da edificação
Fonte: 4 Times Square, 2016.
11 Projeto sustentável é considerar todo o ciclo de vida de uma edificação, utilizando os recursos naturais do ambiente, sem extingui-los.
Outra referência da integração da iluminação natural e artificial é o Edifício conhecido como Manitoba Hydro Place, localizado no centro de Winnipeg, no Canadá, projeto dos arquitetos associados KPMB, reconhecido internacionalmente como um dos edifícios mais sustentáveis e construído em 2009 (KODMANY, 2015).
A concepção bioclimática integrada com um sistema de gestão do edifício gera uma “economia de energia de 60%”. Este sistema “monitora ambientes internos e externos, otimizando a iluminação artificial, proteção solar, e cargas de aquecimento/arrefecimento, otimizando recursos de energia passiva” (IISBE, 2015, p. 01). Os arquitetos contaram com apoio da empresa Transolar especializada em projetos bioclimáticos e sustentabilidade.
O Edifício Manitoba Hydro Place está em uma região de clima extremo, e aplicam conceitos bioclimáticos, elementos passivos integrados às tecnologias ativas, como a geotermia e lajes radiantes, a ventilação conta com um sistema em chaminé para trocar o ar do edifício, além de contar com a umidificação do ar por meio de cascatas. Cada janela permite a abertura independente e fachadas duplas ventiladas, entre outros aspectos (IISBE, 2015, p. 01).
As imagens 23 e 24 mostram que existe uma preocupação com a “criação de espaços saudáveis e produtivos para os trabalhadores”, portanto os postos de trabalho, local de maior permanência, tem acesso à iluminação natural, enquanto áreas de menor permanência, como as salas de reunião formal e salas de atividade em grupo, caixas de escadas, ficam junto a áreas mais internas. Desta forma, a maior profundidade em planta é de “11,5 metros” para garantir o acesso dos trabalhadores à luz natural. O projeto recebe “85% de luz natural” (LAM; OLSEN, 2014, p. 02).
Imagem 23: Planta do Edifício Manitoba Hydro Place
Fonte: The American Institute of Architects, 2015. Imagem 24: Corte do Edifício Manitoba Hydro Place
As fachadas são integradas ao sistema de controle central, as persianas abrem e fecham ao longo do dia respondendo a “variação de temperatura e de luz”, sendo automatizadas. Nos dias mais quentes fecham, evitando os ganhos solares excessivos. “Nos dias mais frios, ficam abertas e recebem a luz projetada pela prateleira de luz, projetando uma luz adicional no teto” (IISBE, 2015, p. 01).
A iluminação artificial aplica a iluminação “direta/indireta, com luminárias fluorescentes T5”, eficientes energeticamente. Estas luminárias são “endereçáveis individualmente”, possibilitando a sua interligação aos sistemas digitais e o seu controle por uma central de computação, são “equipadas com sensores de iluminação diurna e de ocupação”. Em cada posto de trabalho também existe uma luminária focal com controle individual, com fonte de luz de LED. Este controle individual permite uma economia de energia de “10% a 15%” (IISBE, 2015, p. 01). O conjunto de imagens 25, 26, 27 e 28 demonstra a aplicação destes sistemas bioclimáticos integrados como a geotermia no arrefecimento e aquecimento dos pisos, as fachadas ventiladas, e o fornecimento do ar puro por meio das chaminés.
Imagem 25: Sistemas bioclimáticos integrados com o edifício
Fonte: Manitoba Hydro Place, 2016.
Imagem 26: Sistemas bioclimáticos integrados com o edifício
Fonte: Archdaily, 2016.
Imagem 27: Sistemas bioclimáticos integrados com o edifício
Imagem 28: Sistemas bioclimáticos integrados com o edifício