A qualidade dos projetos de iluminação, pautada em parâmetros de conforto e eficiência dos sistemas de iluminação artificial, é muito importante pois afeta a saúde dos trabalhadores e a sua segurança. A análise realizada no escritório da Philips destaca estes fatores. O projeto demonstra um equilíbrio desde a concepção dos espaços internos com cores, aos tipos de iluminação adequadas a cada espaço e atividade. Neste projeto ocorreu a valorização da iluminação artificial, considerando a eficiência das fontes de luz em termos do índice de reprodução de cor e do nível de luminância, para evitar o ofuscamento e refletância. Como discutido no estudo de caso, as fontes de luz aplicadas no projeto apresentam IRC maior que 80 e níveis de luminância que atendem aos requisitos normativos.
A influência da iluminação natural e artificial foi analisada nas duas normativas, a NBR 8995-1 (2013) e o Guia Americano ANSI/IES RP-1-12(2012). Diversos autores destacam a importância do contato dos trabalhadores com a iluminação natural para aumento da produtividade, melhora da saúde e ao mesmo tempo promove economia de energia. No escritório da Philips estes conceitos foram contemplados no projeto de iluminação, como podemos observar, as áreas de trabalho (open spaces) estão posicionadas junto ao perímetro externo do edifício. Nas atividades com menor necessidade de iluminação natural e artificial, como os espaços de convivência e circulações foram projetados junto às áreas internas do edifício. Como discutido no estudo de caso, as medições realizadas in loco e a simulação no Relux realizadas no open space, a qualidade da iluminância contempla as exigências das normas, em torno de 500 lux.
Um bom projeto de iluminação precisa estar integrado com o projeto de arquitetura do local e, principalmente, estar adaptado ao tipo de atividade e necessidade dos usuários. Como podemos observar no estudo de caso, estes aspectos foram levados em consideração. Optou-se por luminárias e fontes de luz de baixa potência e alta qualidade, integraram o conjunto aos sistemas de monitoramento central, o uso de sistemas dimerizáveis, sensores de presença e captação de iluminação natural, que amplia a vida útil.
Uma das questões discutidas neste trabalho é: as certificações LEED e PROCEL contribuem de forma determinante para a busca da sustentabilidade ambiental em termos dos sistemas de iluminação artificial?
Devido as certificações ainda estarem apoiadas em critérios quantitativos e não em critérios qualitativos, com condicionantes para um projeto de arquitetura sustentável ou bioclimático, observa-se observa-se que ainda existe um longo caminho para a melhora destas.
Na eficiência energética, as certificações têm buscado criar critérios que levam à melhora do sistema de gestão ambiental do edifício. Como destacamos anteriormente, a iluminação é um dos itens que mais consome energia, só perdendo para os sistemas de ar condicionado. As últimas versões das certificações passaram a integrar os sistemas de controle e monitoramento do edifício, devido ao potencial de integração dos sistemas de iluminação natural e artificial, produzindo uma economia de energia.
As novas tecnologias permitem a integração dos sistemas de controle com uma central por computador, possibilitando a gestão dos equipamentos de iluminação em tempo real, ampliando assim o ciclo de vida das luminárias e fontes, além de minimizar sua manutenção.
No edifício da Philips estes sistemas apresentam inovações tecnológicas, como o sistema Dynalite, que promove o controle e gestão da vida útil das luminárias e das fontes de luz, permitindo o desligamento automático quando não existem usuários. Outra tecnologia são as fotocélulas instaladas nas luminárias próximas às janelas da área de trabalho, que fazem a integração da iluminação artificial com a natural, gerando economia de energia. O LEED V4 (USGBC, 2015) valoriza a aplicação dos sistemas de controle associados ao referido protocolo, recomendando a instalação de fotosensores regulando a quantidade de iluminação natural junto às luminárias e considera que, 75% da área tenha sensores de presença.
Já a certificação RTQ-C (ELETROBRAS, 2013) é bem menos rigorosa em termos de sistemas de controle e monitoramento, ela recomenda uma subdivisão dos sistemas de iluminação para áreas superiores a 250m² e recomenda o uso de sistema de
controle manual. Exige também a aplicação de sensores de presença com desligamento automático.
O LEED faz recomendações no sentido do tipo de iluminação eficiência e qualidade da luz aplicada nos equipamentos, e traz recomendações no sentido de aplicar luminárias com um maior ciclo de vida, aspectos que não são discutidos no RTQ-C. Na modelagem realizada no programa Relux com fontes de luz simulares às do projeto, segundo o método da área do edifício, tem-se um gasto energético de 6,50W/m2. Este índice atinge o nível A de maior eficiência no RTQ-C PROCEL. Podemos destacar no estudo de caso, que essa eficiência é devido a aplicação de fontes de luz de baixa potência e alta eficiência, como as luminárias LED e as luminárias que utilizam fluorescentes T5.
Outro ponto a destacar, é que ambas as certificações utilizam como base os parâmetros energéticos dos edifícios comerciais americanos destacados na ANSI/ASHRAE/IES Standard 90.1 (2010). Portanto, no Brasil é muito importante a criação de um banco de dados referentes aos gastos energéticos dos edifícios comerciais.
Os estudos realizados nesta pesquisa demonstram a relevância da eficiência energética na sustentabilidade ambiental, em especial nos projetos dos edifícios corporativos. Ela leva à economia de energia e consequentemente um menor gasto ao longo do ciclo de vida dos edifícios.
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