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5.2 RECRUITMENT AND OVERALL FRAMEWORK

5.2.1 Selection of Participants

Ao longo das análises, percebeu-se que a primeira categoria apresenta uma urbanidade centrípe- ta, ou seja, a permeabilidade e as conexões ocorrem dentro do espaço interno, o pavimento tér- reo. No entanto, a Praça das Artes se expande centrifugamente, tendo como ponto de conversão o interior da quadra permeável, a partir do qual as conexões com os pavimentos térreos e as ruas circundantes estabelecem-se.

C

apítulo 4

Discussão dos r

esultados

EDIFÍCIO COPAN CENTRÍPETA

CENTRÍPETA CENTRÍPETA

CENTRÍFUGA EDIFÍCIO ITÁLIA

PRAÇA DAS ARTES GALERIA METRÓPOLE

- Percurso interno - Térreo dinâmico - alto - Permeabilidade - 26% - Terraço - baixo

- Cobertura (acessível mesmo que seja controlada ao público)

- Percurso interno

- Térreo dinâmico - moderado - Permeabilidade - 33% - Varanda- moderada

- Terraço- moderado (exclusivo) - Cobertura (acessível mesmo que seja controlada ao público)

- Percurso interno e praça urbana - Térreo dinâmico - alto

- Permeabilidade - 60% - Percurso interno - Térreo dinâmico - alto

- Pavimentos superiores dinâmicos - Permeabilidade - 43%

- Sobrelojas - funcionam como terraços ativos

- Cobertura (não acessível)

Tabela 4.2. Síntese dos 04 (quatro) edifícios analisados. Fonte: AUTORA, 2015.

- Pé direito duplo - Marquise - localizada -Brises - Pé direito duplo - Marquise - localizada - Brises - Pé direito duplo - Marquises - Praça - Caixilhos - Pé direito duplo - Marquise - perimetral - Vazio central

C apítulo 4 Discussão dos r esultados EDIFÍCIO COPAN EDIFÍCIO ITÁLIA

PRAÇA DAS ARTES GALERIA METRÓPOLE 02 (dois) (horizontal + vertical) - Praça da República - Edifício Itália - Edifício Ipiranga 165

- Avenida Ipiranga, Vila Normanda, Rua Araújo e Rua Unaí

- Praça da República - Edifício Copan - Edifício Ipiranga 165 - Avenida Ipiranga e Avenida São Luís

- Rua Formosa

- Rua Conselheiro Crispiniano - Avenida São João

-Teatro Municipal - Vale Anhangabaú

- Praça Ramos de Azevedo - Praça Dom José Gaspar - Biblioteca Mário de Andrade - Avenida São Luís e Rua Basílico da Gama 03 (três) (01 horizontal + 02 verticais) 07 (sete) (horizontal + vertical) 02 (dois) (horizontal + vertical)

RELAÇÕES IMEDIATAS COM A PAISAGEM URBANA NÚMERO DE VOLUMES

A dissertação tratou, em um primeiro momento, de deinir os 03 (três) conceitos es- colhidos, verticalização, densidade e percepção. Eles foram selecionados para cons- truir o conceito de urbanidade. Como a cidade em que foram analisados os edifícios trata-se de São Paulo, o conceito de verticalização é de suma importância. Nessa ci- dade, os edifícios, na sua maioria, são verticais porém não possuem densidade. Este último conceito, tem fomentado altas discussões, pois, ao projetar com densidade, potencializa-se o uso do terreno, liberando o espaço para as permeabilidades. A per- cepção, por sua vez, se articula a partir da ótica, das sensações criadas e das relações realizadas entre os objetos e os observadores.

Partindo-se dos 03 (três) conceitos e compreendendo-se que um projeto urbano depende do objeto arquitetônico e dos elementos morfológicos, conceituou-se a urbanidade. Para conseguir visualizar esse conceito na realidade urbana, foram reali- zadas análises de 04 (quatro) edifícios. Os 03 (três) primeiros comportaram o período moderno (Edifício Copan, Itália e Galeria Metrópole) e o quarto edifício foi projetado e construído na contemporaneidade (Praça das Artes). A análise dos dois períodos permitiu compreender como as relações urbanas se preservam ao longo do tempo e também quais características reverberam nos projetos atuais. Expõe-se que desde o seu início, o projeto da Praça das Artes não teve um perímetro claro para a sua construção, tendo que se adaptar ao longo do processo projetual e articular-se com o entorno predominante. Os edifícios modernos, no entanto, tiveram uma quadra deinida e surgiram antes da conformação do centro. Embora os edifícios modernos e o contemporâneo sejam de épocas diferentes e pensem a cidade de maneira diver- sa, ambas categorias “respeitam e se inserem” na morfologia da cidade tradicional, destacando-se como virtude a relação intrínseca entre a arquitetura e a cidade, pro- movendo essa articulação “necessária” para a urbanidade.

As semelhanças entre ambos os períodos deram-se pelos seguintes elementos: per- meabilidades, conexões entre o espaço interno e o externo, conformação da quadra, segmentação do projeto em volumes, altas densidades, tratamento de fachada, en- tre outros, distinguindo-se entre elementos quantitativos, qualitativos, perceptivos e estéticos que se tornaram os indicadores de análise. Esses apresentaram relações de escala e permanência, além de destacarem-se como elementos irradiadores e propul- sores de urbanidade, permitindo que os edifícios ultrapassassem a formalidade para efetuar relações urbanas que acentuam o diálogo entre o edifício e a cidade, passando

da escala local para a urbana (FRANCO, 2005). Assim, com maior diálogo, maiores são as dinâmicas urba- nas, induzindo a vitalidade na paisagem urbana.

As altas densidades dos edifícios distribuíram-se pelos volumes projetados. No caso dos edifícios modernos, as alturas atingidas são maiores e as densidades são altas, porém o edifício Praça das Artes, com menores alturas, sobressaiu-se na densidade. Acentua-se que a verticalização não só precisa se relacionar com a densidade para que o projeto tenha qualidade, como também depende dela para se sustentar.

Destaca-se que os coeicientes são representativos da potencialidade e capacidade que cada edi- fício comporta. A forma que esses recursos são articulados é que permite salientar as relações de urbanidade, valorizando a cidade e seus cidadãos. A relação de Ashihara (1982) compreendida por D/H é um exemplo claro disso, já que os coeicientes resultantes não mensuraram as espacialidades criadas, dependendo da implantação, volumetria e distribuição do programa de cada edifício. A maneira em que os recursos são usados, ou seja as densidades, os coeicientes, entre outros, é que permitirá valorizar a vida urbana.

Ressalta-se que projetar qualiicadamente signiica projetar com urbanidade, por meio da articulação dos recursos. Os edifícios não podem ser pensados isoladamente, eles precisam se articular com o seu entorno, a paisagem urbana. Eles não foram concebidos de maneira autônoma, não fecham-se em si mesmos, e sim integram-se e relacionam-se com o espaço urbano. As análises, por sua vez, serviram como lições dos elementos representativos de urbanidade. E, como apontado, podem existir duas formas de urbanidade: centrípeta e centrífuga. Na primeira, as forças convergem para o centro, na segunda, a partir do centro se espalham. Essa distinção é importante, pois as relações de urbanidade aumentam quando o espaço público transcende do interior do edifício e se espalha pela quadra. Expõe-se que o arquiteto tem como responsabilidade ética desenhar espaços públicos. Uma cidade que segrega e não se articula não tem urbanidade. Ela torna-se obsoleta e é a relação entre os elemen- tos e os conceitos que permite desenhar a cidade urbanamente, e não apenas quantitativamente. A cidade surge de números e coeicientes, porém não pode ser dominada pelos mesmos. Projetar com urbanidade destaca-se como um dos desaios atuais das cidades. E se não ocorrer a integração entre os objetos construídos e o espaço urbano, essa relação não é possível, comprometendo a qualidade da cidade. O edifício, portanto, tem o papel de articulador e estruturador para a construção de urbanida- de. As relações na cidade são mais signiicativas do que o edifício em si, já que a expressão do mesmo no espaço urbano sobressai a forma.

Estendendo-se o debate, abre-se a possibilidade de novas investigações que objetivem compreender novos elementos conformadores de urbanidade.

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