As mudanças estratégicas no período de novembro de 1986 a janeiro de 2005 são: (1) a constituição da Associação Blumenauense de Ensino e Cultura (ABEC); (2) o início de suas atividades por meio dos serviços de capacitação junto às empresas de Blumenau; e, por fim, (3) análise do mercado de ensino superior após alteração das políticas do Ministério da Educação (MEC).
A Associação Blumenauense de Ensino e Cultura (ABEC) foi constituída como uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos, tendo sido fundada em 15 de novembro de 1986 e com sede localizada na cidade de Blumenau-SC, conforme publicação no Diário Oficial do Estado de Santa Catarina, sob o nº 13.108, p. 33, na data de 18 de dezembro de 1986.
Foi idealizada inicialmente por um grupo de professores e de profissionais liberais comprometidos com a qualidade da educação superior e com a intenção de atuar em áreas geográficas que tinham necessidade de ensino superior. Seu objetivo social inicial foi a criação e a administração de creches e de entidades de 1º, 2º e 3º graus.
O profissional liberal idealizador da Associação (entrevistado E) comenta que, antes de concluir sua graduação, foi convidado por seus professores de curso para permanecer em Florianópolis e seguir a carreira acadêmica. Durante sua especialização em São Paulo, também recebeu convite para lecionar na graduação. Esse profissional liberal foi o principal empreendedor da Associação e no seu relato destacou que sempre quis ser professor, tendo a iniciativa de oficializar essa instituição de ensino.
A ABEC ficou 20 anos desenvolvendo pequenas atividades e iniciativas educacionais e de capacitação junto às empresas de Blumenau, tempo em que esteve praticamente parada. Com a alteração das políticas do Ministério da Educação (MEC), que permitiu a autorização de cursos de graduação por meio de instituições privadas, a Associação vislumbrou uma oportunidade no mercado do ensino superior e iniciou o processo de constituição da Faculdade de Ciência e Tecnologia do Vale (FCTVale) em Rio do Sul (SC), pois Blumenau não comportava uma nova instituição de ensino superior a partir de 2005.
O entrevistado G comenta que, no ano de 2003, foi convidado pelo diretor- geral para colaborar em tempo integral em um novo projeto
que na verdade era uma nova faculdade para Rio do Sul. Em 2003, a ideia era trazer uma nova opção para Rio do Sul e, para tal, ocupar algum espaço nesse mercado, e para isso o Colégio Dom Bosco foi pensado, foi feito um projeto. Em algum momento, depois de várias reuniões e conversas, a intenção se extinguiu, mas o projeto ficou com uma instituição de ensino superior de Blumenau.
Para melhor entendimento das mudanças estratégicas elencadas nesta seção, apresenta-se a seguir a análise das mudanças nesse período em comparação com o arcabouço teórico discutido no capítulo 2 – Revisão de literatura. 4.1.1 Discussão das mudanças implantadas no período 1
Os clientes (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2008) da Associação eram apenas algumas empresas blumenauenses conhecidas dos empreendedores que adquiriam cursos de capacitação para seus colaboradores. Não havia regulamentação mais severa por tratar-se de uma associação que prestava cursos de capacitação.
Analisando-se os elementos de ação indireta (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2008), destacam-se: (1) elementos econômicos, com renda per capita de Blumenau, sendo essa renda uma das maiores do Estado de Santa Catarina; (2) elementos demográficos, visto que Blumenau era uma cidade constituída por uma população de aproximadamente 187 mil habitantes à época; (3) elementos culturais, considerando-se que o valor da educação é premissa fundamental no Vale do Itajaí; e (4) elementos sociais, devido ao elevado nível de escolaridade na região.
A estratégia (MINTZBERG; QUINN, 2001) nesse período foi delineada como
um plano, com ações definidas e expectativas de resultados inexpressivos no futuro,
bem como uma perspectiva, uma visão coletiva na mente dos estrategistas de desenvolver pequenos cursos de capacitação e vender suas horas-aulas.
A iniciativa empreendedora e a formulação dessas estratégias (MINTZBERG; AHLSTRAND; LAMPEL, 2000) são condizentes com a escola empreendedora, em que a estratégia é um processo visionário e o líder centraliza o processo de formação da estratégia com base na sua intuição. A escola do design é percebida
nessa fase da organização, na qual a estratégia é um processo de concepção definido por meio do diagnóstico das oportunidades externas e da aplicação de estratégias simples e claras.
A missão (BENNIS; NANUS, 1988) da Associação, razão de ser de uma organização, altera-se no próximo período por meio da mudança estratégica apresentada e discutida na constituição da Faculdade de Ciência e Tecnologia do Vale (FCTVale), conforme a seção 4.2 - Período estratégico 2: Constituição da
Faculdade de Ciência e Tecnologia do Vale (FCTVale): fevereiro de 2005 a agosto de 2007.
Devido à alteração da política do MEC, foi analisada a possibilidade de abertura de IES, que se refere a uma mudança no nível societário (ZALTMAN; DUNCAN, 1977). Trata-se de uma mudança planejada (STONER; FREEMAN, 1999, p. 300), que é “a tentativa sistemática de reformular uma organização de modo a ajudá-la a se adaptar às mudanças no ambiente externo e a alcançar novos objetivos”.
Utilizando-se a abordagem contextualista (PETTIGREW, 1987), comprova-se que o líder teve papel fundamental nas mudanças estratégicas – constituição da ABEC, prestação de serviços de capacitação e análise do mercado de ensino superior. O entrevistado E, que sempre teve o sonho de lecionar, foi o idealizador da ABEC.
A abordagem do ciclo de vida (GREINER, 1972) indica que a associação estava na fase 1 – criatividade e liderança. E as mudanças estratégicas condizem com duas características dessa fase, sendo: (1) ansiedade em identificar oportunidades de mercado e (2) estrutura simples e centralizada.
Com base na teoria dos recursos (BARNEY, 1996), verifica-se que as categorias de recursos utilizados nesse período estratégico são: (1) conhecimento, habilidades e experiências dos proprietários da ABEC que desenvolviam cursos de capacitação; (2) procedimentos e sistemas para aplicação desses cursos; (3) valores e cultura dos próprios fundadores; e (4) rede de relacionamento para o qual se ofertavam os serviços de capacitação nas empresas de Blumenau.
4.2 PERÍODO ESTRATÉGICO 2: CONSTITUIÇÃO DA FACULDADE DE CIÊNCIA E