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E XPERIENCE ON S OCIAL I NCLUSION

Em 5 de abril de 2008, aconteceu a cerimônia de formatura da turma do curso de graduação em Engenharia de Produção do Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (UNIDAVI), evento para o qual o autor desta dissertação foi convidado como professor Nome da Turma. Durante o baile de formatura, este autor teve a honra de conversar bastante com o Sr. Adinei Sandri, presidente do Grupo Sandri e padrinho da turma formanda, o qual solicitou que eu indicasse quatro professores universitários da UNIDAVI para nos encontrarmos e discutirmos gestão de empresas e economia.

Nosso encontro foi realizado no Hotel Aliança Express, em 2 de agosto de 2008, previsto para começar no sábado às quinze horas e terminar no domingo ao meio-dia. A pauta seria definida no início do encontro, e era importante que todos se hospedassem no mesmo hotel para manter o foco das discussões. Os professores perceberam que no Sr. Adinei Sandri um gênio empreendedor por este ter a iniciativa de incentivar essa reunião com o grupo de professores e, principalmente, pelas suas ideias sobre gestão e economia.

Efetuou-se o cadastro desse grupo de estudos no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) como grupo de pesquisa em Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas, cadastro esse efetuado durante nosso segundo encontro, realizado em 30 de agosto de 2008, no mesmo hotel e horário.

O Sr. Adinei Sandri, nesta pesquisa denominado entrevistado C, relatou: Em um determinado momento, eu me encontrei com alguns professores, e entre eles você [Givanildo Silva] foi a pessoa fundamental para a gente se reunir e juntos construirmos algo novo. Um material novo, melhorar o intelecto na área de ensino desde a história antiga até a economia moderna de hoje. Então, ali dentro desse grupo eu via uma vontade muito grande de as pessoas empreenderem com o conhecimento que desenvolvíamos juntos.

Naquela época, o grupo era formado pelos seguintes integrantes: o coordenador do curso de Administração, Givanildo Silva, o professor de administração Cleison Minatti, o professor de economia M.Sc. Marcos Roberto Cardoso, o presidente do Grupo Sandri, Sr. Adinei Sandri, e o professor Dr. Nivaldo Machado. Sobre a interação entre os membros do grupo, o entrevistado C reforça: “Tivemos ótimas tardes, ótimas noites de conversas proveitosas. A gente não sabia exatamente o que, mas a gente sabia que ia nascer um negócio”.

O entrevistado C complementa: “Queríamos um negócio que pudesse ajudar o nosso intelecto, ajudar a nossa economia regional e que contribuísse realmente, transformando isso tudo em forma de emprego e renda. Isso está no sangue do empreendedor”. Após assumirmos a Faculdade Ação, o entrevistado C relembra que “os contatos foram bastantes, a amizade foi grande e a confiança foi também predominante para esse negócio”.

Os acionistas da FCTVale haviam iniciado a busca na região do Alto Vale do Itajaí por novos acionistas com capacidade de investimento e, principalmente, com potencial de gestão em instituições de ensino superior. O entrevistado E, que era o presidente da FCTVale na época, procurou o Sr. Adinei Sandri e apresentou-se: “Eu sou Roland Dagnoni, presidente da Sociedade Blumenauense de Ensino e Cultura [mantenedora da FCTVale], e busco parceiros com dinheiro e gestão para viabilizar o negócio”.

Sobre Roland Dagnoni, o entrevistado C comentou:

Eu recebi a visita do Dr. Roland Dagnoni num final de tarde. Ele não marcou, simplesmente chegou, bateu na porta e disse: “eu quero falar com Adinei Sandri, eu sou Roland Dagnoni da Sociedade Blumenauense de Ensino e Cultura”. Atendi o Roland, que veio me convidar para ser sócio da Sociedade Blumenauense de Ensino e Cultura. Ele entendia que, para a época, era importante que empresários da nossa região se envolvessem no projeto para dar uma melhor visibilidade, ou segurança, ou credibilidade, enfim, como a gente quiser entender.

Então começaram as primeiras negociações, e as perguntas que o entrevistado C tinha em mente eram:

Como que nós, do Grupo Sandri, poderíamos participar da Sociedade Blumenauense de Ensino e Cultura? Como eles viam isso e de que forma poderíamos ser úteis? E como eles poderiam ser úteis? Eu entendia que, se fosse para a gente gerir, estava bem complexa a situação da Sociedade naquele momento. A parte de controle realmente estava muito embaraçosa, pois foi uma faculdade que chegou a ter quase 500 alunos. E nós vimos que foi inteligente por parte dos acionistas da antiga Sociedade a decisão de procurar uma nova gestão focada em resultados.

O entrevistado C entendeu que, para facilitar a sua participação na sociedade, era necessário chamar seus amigos professores do grupo de pesquisa. O professor Marcos Roberto Cardoso foi convidado para ser acionista e diretor da faculdade. O autor desta dissertação acompanhou os movimentos e as reuniões a distância, pois morava no Estado da Bahia e atuava como gerente-geral de administração de empresa de médio porte. Sob minha responsabilidade havia sete gerentes subordinados, doze departamentos, uma fábrica de luminárias, uma fábrica de reatores, três centros de distribuição na Bahia, em Santa Catarina e em São Paulo, bem como diversos desafios.

Agendei uma semana de férias em Santa Catarina. No dia 4 de julho de 2009, eu, o Sr. Adinei Sandri e Marcos Roberto Cardoso reunimo-nos em Taió para discutir a nova faculdade. O desenho inicial do negócio, a estrutura e as atribuições ficaram assim definidos:

(1) negócio – ensino superior com excelência em qualidade, sendo prioridade zero: (a) alteração de endereço, razão social, credenciamentos e divulgação do vestibular; (b) definição de visão, missão e valores; e (c) revisão dos projetos pedagógicos de cursos;

(2) marketing e vendas – (a) público-alvo: egressos do ensino médio e empreendedores de todos os segmentos econômicos e (b) mix de mídias, duração, custo e retorno do investimento em marketing; e

(3) administração – (a) viabilidade e equilíbrio econômico: estruturação de custos e despesas bem como definição de plano de contas gerencial e centros de custos; (b) financeiro: inadimplência; (c) estabelecimento de processos de valor: recrutamento e seleção; atendimento e comunicação interna; (d) atividades de apoio: biblioteca, cantina e site; e (e) sistema de avaliação dos processos.

Os principais cargos e atribuições inicialmente foram desenhados como: (1) Conselho de Administração: com a incumbência de (a) definir

planejamento estratégico e (b) orientar tendências e demandas;

(2) direção-geral com Marcos Roberto Cardoso: responsável pelo (a) desenho do planejamento tático, (b) definição de planos de ações e prioridades, (c) gestão questionadora e exigente com todas as pessoas e em todos os níveis, (d) coordenação de cursos e (e) ministração de disciplinas; e

(3) direção executiva com Givanildo Silva: (a) formação de equipe técnico- administrativa, (b) administração geral da faculdade, (c) governança e controladoria, (d) desenho e implementação de processos internos e (e) execução de planos de ações operacionais.

Sobre os cargos e atribuições de papéis, o entrevistado C afirmou: “Eu me sentia bem mais seguro, pois tinha o Marcos como diretor-geral e o Givanildo como diretor administrativo”. Em 21 de agosto de 2009, o entrevistado C enviou-me mensagem eletrônica informando: “Podes ir fazendo as malas, agora é pra valer!”.

Com a intenção de fundar a faculdade, o entrevistado G comentou:

Procurei o diretor do Colégio Energia para viabilizar um encontro com o proprietário do Sistema de Ensino Energia de Rio do Sul, Sr. Luciano Novaes de Carvalho, pois a segunda ideia era iniciar uma faculdade do Colégio Energia com o Grupo Sandri. Mas entrou novamente a luz do Adinei, que disse: “Um momento, por que não juntar os três? FCTVale, Sandri e Energia?”, sendo (1) uma instituição [FCTVale] autorizada a funcionar, porém que passava por dificuldades financeiras; (2) um grupo [Sandri] com capacidade de gestão e investimento e (3) um nome forte [Energia] com excelente filosofia e credibilidade por todo o Estado de Santa Catarina.

Após os contatos com os acionistas da SBEC e do Sistema Energia, deu-se continuidade ao projeto. O entrevistado C relata o seguinte:

Então iniciamos a segunda parte, eu precisava melhorar esse projeto para ele nascer maior. Fiz uma reunião em minha casa e convidei os sócios do Colégio Energia de Rio do Sul. Propus a eles uma “fusão” ou levar a faculdade para dentro do Sistema de Ensino Energia. E nós podemos realmente endossar a nova faculdade com o nome do Sistema de Ensino Energia de Rio do Sul. E então ficaram três grupos econômicos: (1) o grupo econômico de Blumenau (antigos acionistas da Sociedade Blumenauense de Ensino e Cultura); (2) o grupo econômico da Sandri (Sr. Adinei Sandri e professor M.Sc. Marcos Cardoso); e (3) o grupo econômico do Sistema Energia.

Em 16 de setembro de 2009, o entrevistado G destaca que ocorreu

a reunião definitiva, e foi definido que você [Givanildo Silva] viesse aqui para encorpar a equipe, atuando na área financeira, executiva e de montar a equipe, pois essa era a ideia desde o início. O Adinei sempre dizia: “você [Marcos Roberto Cardoso] e Givanildo se completam”. Acredito que ele sentiu intuitivamente, pois não conhece muito profundamente o setor do ensino superior, que era complexo.

Foi confeccionado o instrumento particular de compromisso de assunção de obrigações e outras avenças, sendo assinado em 16 de setembro de 2009 pela Sociedade Blumenauense de Ensino e Cultura S/S Ltda. (SBEC), pelo Grupo Sandri e pelo Grupo Energia, considerando: (1) o interesse dos grupos na reestruturação e na transformação da Faculdade de Ciência e Tecnologia do Vale (FCTVale), instituição mantida pela SBEC; (2) a necessidade de aditamento dos atos normativos da FCTVale e de adequação dos atos institucionais da SBEC junto ao Ministério da Educação (MEC); e (3) a necessidade de definição prévia de investimentos, de participações e de responsabilidades, bem como de diretrizes para a efetivação dos atos voltados à referida reestruturação.

Com o efetivo início das atividades, a gestão da sociedade passou a ser feita pelo Grupo Sandri, que nomeou seus prepostos para que tomassem as medidas administrativas que entendessem ser cabíveis para regular o andamento da sociedade. Outras definições foram:

1) a SBEC comprometeu-se a: (1) abrir sua sociedade para o ingresso dos grupos Sandri e Energia, respectivamente com 32,5% e 32,5% das cotas sociais; (2) formular o pedido de aditamento do ato autorizativo da FCTVale junto ao MEC, informando a mudança do local de oferta dos

cursos; (3) rescindir os contratos de trabalho de todo o seu corpo administrativo; (4) responsabilizar-se por todos os débitos contraídos pela FCTVale, de qualquer natureza, já reconhecidos ou a reconhecer, mormente em razão de qualquer procedimento judicial ou extrajudicial passado, presente ou futuro; e (5) providenciar o encaminhamento dos trâmites para o credenciamento dos cursos de graduação junto ao MEC; 2) o Grupo Sandri comprometeu-se a: (1) intermediar toda a negociação; (2)

transferir know-how em gestão para a FCTVale; (3) incorporar o gestor e sócio Marcos Roberto Cardoso bem como o gestor Givanildo Silva, os quais atuariam na instituição com disponibilidade integral e teriam custeadas as despesas da transição de ambos para o negócio; (4) disponibilizar a participação direta na gestão do sócio Adinei Sandri; e (5) também pôr à disposição os serviços da empresa de marketing Studgio A2 Design (SA2) pertencente ao Grupo Sandri, visando ao desenvolvimento de um novo nome fantasia para a FCTVale;

3) o Grupo Energia comprometeu-se a: (1) ceder espaço físico em suas instalações sem a cobrança de aluguel pelo prazo mínimo de um ano; (2) disponibilizar o seu corpo administrativo para atuar na faculdade; e (3) permitir a utilização de sua marca.

A entrevistada F e o entrevistado G explicam que a auditoria começou em agosto de 2009 e terminou no final do mês de setembro desse mesmo ano. O entrevistado G destaca: “Durante a minha auditoria, eu mapeei quem iria ficar, e procedeu-se a uma demissão em massa da maioria dos funcionários. Catia Dagnoni assumiu a diretoria acadêmica, e Givanildo Silva estava vindo da Bahia para assumir a diretoria executiva”. A entrevistada F esclarece:

Na sexta-feira, em 2 de outubro de 2009, foi o último dia de aula nas instalações do Instituto Maria Auxiliadora. No sábado, nós fizemos a mudança, que terminamos meia-noite e meia, e na segunda-feira, dia 5, as aulas já foram todas no prédio do Colégio Energia.