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Systematisk oversikter

In document Lindring av smerter hos kreftpasienter (sider 111-130)

5. Oppsummering av kunnskapsstatus/resultater

5.10 Ekstern strålebehandling

5.10.1 Systematisk oversikter

Mesmo não sendo uma novidade em pesquisas na área de Educação, a utilização da Hermenêutica de Profundidade (HP) na Educação Matemática ainda se apresenta de forma tímida e inicial (CARDOSO, 2011). Entre as pesquisas desenvolvidas com a utilização desse referencial, além de Cardoso (2009), destacamos o trabalho de doutorado de Mirian Maria Andrade17, que analisou a obra Essais sur l'enseignement en général, et sur celui des

17 ANDRADE, Mirian Maria. Ensaios sobre o Ensino em Geral e o de Matemática em Particular, de Lacroix:

análise de uma forma simbólica à luz do Referencial Metodológico da Hermenêutica de Profundidade. Tese (Doutorado em Educação Matemática) – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, 2012.

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mathématiques en particulier, de Silvestre François Lacroix. Andrade estabelece, no final de sua tese, uma discussão sobre a HP, apontando algumas potencialidades e limitações relevantes desse referencial teórico-metodológico como um método em desenvolvimento em pesquisas no campo da Educação Matemática. A opção por trabalhar com a HP se deu pelo fato de tal proposta oferecer uma abertura metodológica capaz de nos auxiliar no trabalho com a História da Educação Matemática.

O Referencial Metodológico da HP, desenvolvido por John B. Thompson, em sua obra Ideologia e cultura moderna (2011), baseado em filósofos hermeneutas dos séculos XIX e XX, como Dilthey, Heidegger, Gadamer e Ricoeur, se constitui em uma estrutura analítica fundamentada em um problema de compreensão e interpretação/reinterpretação dos “fenômenos culturais, isto é, para a análise das formas simbólicas em contextos estruturados” (THOMPSON, 2011, p. 33). Em seu livro, o autor analisa especialmente os discursos veiculados em meios de comunicação de massas. As formas simbólicas, de acordo com Cardoso (2009, p. 26), em relação aos contextos que as produzem, transmitem e recebem “ações, falas, imagens e textos produzidos e reconhecidos como significativos para os sujeitos envolvidos nos contextos de produção, emissão e recepção”. Nesse sentido, Oliveira (2008) acredita que estabelecer relações entre os sujeitos envolvidos possibilita uma interpretação mais plausível do objeto de estudo:

[...] as formas simbólicas são socio-historicamente estruturadas e, portanto, a análise do contexto sócio-histórico deve fazer parte da metodologia da interpretação para garantir maior plausibilidade à interpretação. Dessa forma, as relações sociais, a estrutura das instituições e suas interações ocorridas nos momentos de produção e apropriação das formas simbólicas, bem como os meios técnicos de sua produção e transmissão, devem fazer parte do processo de análise (OLIVEIRA, 2008, p. 38).

Para Cardoso (2009), o referencial metodológico da HP, de Thompson, é “uma análise cultural que foca as formas simbólicas em relação aos contextos que as produzem, transmitem e recebem” (p. 26). Nesse sentido, a vida cotidiana passa a ser o ponto de partida da HP, uma vez que “após a hermenêutica do cotidiano, consideramos que as formas simbólicas são produzidas em situações sociais e históricas específicas, são estruturas formalizadas num discurso, são recebidas e apropriadas por sujeitos situados num contexto” (CARDOSO, 2011, p. 3).

Thompson (2011) caracteriza as formas simbólicas sob cinco aspectos, a saber: intencional, convencional, estrutural, referencial e contextual.

O aspecto intencional destaca que toda forma simbólica sempre tem a intenção de dizer alguma coisa e, do outro lado, o intérprete, de fazer a compreensão do que foi dito. Assim, a forma simbólica sempre é produzida por um sujeito para outro sujeito. “A constituição de um objeto como forma simbólica pressupõe que ela seja produzida, construída ou empregada por um sujeito para um sujeito ou sujeitos e/ou que ela seja percebida como produzida dessa forma pelo sujeito ou sujeitos que a recebe” (THOMPSON, 2011, p. 184).

O aspecto convencional ressalta que as formas simbólicas, objetivando sempre promover a comunicação, obedecem a convenções, uma vez que “a produção, construção ou emprego das formas simbólicas, bem como a interpretação das mesmas pelos sujeitos que as recebem, são processos que, caracteristicamente, envolvem a aplicação de regras, códigos ou convenções de vários tipos” (THOMPSON, 2011, p. 185).

O aspecto estrutural se refere ao fato de que as formas simbólicas possuem seus vários elementos internos, todos convenientemente organizados/estruturados. De acordo com Thompson, podemos

distinguir entre a estrutura de uma forma simbólica, de um lado, e o sistema que está corporificado em uma forma particular, de outro. Analisar a estrutura de uma forma simbólica é analisar os elementos específicos e suas inter-relações que podem ser discernidos na forma simbólica em questão; analisar o sistema corporificado em uma forma simbólica é, por contraste, abstrair a forma em questão e reconstruir uma constelação geral de elementos e suas inter-relações, uma constelação que se exemplifica em casos particulares (THOMPSON, 2011, p. 187-188 – Itálicos do autor)

O aspecto referencial enfatiza que as formas simbólicas sempre falam de alguma coisa (aspecto intencional) e sobre alguma coisa (aspecto referencial). O referente, nesse caso, sempre é externo à forma simbólica.

[...] a expressão “eu”, na frase “eu tenho compromisso com a melhoria das condições de nossos membros” refere-se ao indivíduo que pronunciou a frase em um momento e lugar particulares. [...] “Especificidade referencial” significa o fato de que, em uma dada condição de uso, uma figura ou expressão particular refere-se a um específico objeto ou objetos, indivíduo ou indivíduos, situação ou situações (THOMPSON, 2011, p. 190).

Por fim, o aspecto contextual relaciona-se à ideia de que as formas simbólicas são produzidas, transmitidas e recebidas sempre dependendo, em certa medida, dos contextos e instituições que as geriram, pois elas estão inseridas em processos e contextos sócio-históricos específicos. O autor realça que “ao destacar o aspecto contextual das formas simbólicas, estamos indo além da análise dos traços estruturais internos das formas simbólicas” (THOMPSON, 2011, p. 192).

As formas de investigação da HP, propostas por Thompson, constituem-se de três fases, dimensões (conforme Cardoso, 2009) ou movimentos analíticos (conforme Otero-Garcia e Silva, 2013), que, embora sejam aqui apresentadas de forma linear, não ocorrem, necessariamente, de modo sequencial, acontecendo, na realidade, de maneira interligada e concomitante: “Análise Sócio-Histórica”, “Análise Formal ou Discursiva” e “Interpretação/Re- Interpretação”. O esquema a seguir sintetiza as várias dimensões do enfoque da HP, de acordo com Thompson.

Figura 13 – Formas de Investigação Hermenêutica (THOMPSON, 2011, p. 365)

O primeiro movimento analítico pode ser considerado como a “análise sócio-histórica ou contextual”. De acordo com Thompson, vista muitas vezes como uma “análise externa”, tal dimensão enfatiza que as “formas simbólicas não subsistem num vácuo, elas são produzidas, transmitidas e recebidas em condições sociais e históricas específicas” (THOMPSON, 2011, p. 366).

Em consonância com o autor, ainda reafirmamos que, “O objetivo da análise sócio- histórica é reconstruir as condições sociais e históricas da produção, circulação e recepção das formas simbólicas” (Idem, itálicos no original). Dentro dessa dimensão, Thompson ressalta que alguns pontos precisam ser observados, tais como: situações espaço-temporais, campos de interação, instituições sociais, estrutura social e os meios técnicos de construção e transmissão, mediante os quais as formas simbólicas são produzidas e transmitidas.

O segundo movimento analítico do enfoque da HP é a “análise formal ou discursiva”. Nessa dimensão, muitas vezes relacionada a uma “análise interna” da forma simbólica, parte-

se do pressuposto de que os objetos e expressões que circulam nos campos sociais, por meio dos quais se dão as relações, são formas simbólicas, e como tais, são construções complexas que apresentam uma estrutura articulada (sejam elas textos, falas, imagens paradas ou em movimento, ações, práticas, etc). Segundo Andrade (2012), a forma simbólica é quebrada nessa fase, sendo “desconstruída, dividida para, posteriormente, se ‘refazer’ como interpretação, apoiada também nas considerações da análise sócio-histórica, na fase da interpretação/reinterpretação” (ANDRADE, 2012, p. 37). Thompson elenca, nesta dimensão, quatro tipos de análise comuns, atribuídas às ciências humanas: 1ª) análise semiótica, cujo foco está na análise das características estruturais internas de uma obra, de seus elementos constitutivos e de suas inter-relações; 2ª) análise sintática, que consiste num estudo das características gramaticais do discurso; 3º) análise narrativa, que visa identificar os efeitos narrativos específicos que operam dentro de uma narrativa particular e 4º) análise argumentativa, que tem como finalidade construir e explicitar os padrões de inferência que caracterizam o discurso.

Essa fase, para Thompson (2011, p. 34, itálicos no original),

é essencial porque as formas simbólicas são fenômenos sociais contextualizados e algo mais: elas são construções simbólicas que, em virtude de suas características estruturais, têm possibilidade de e afirmam representar algo, significar algo, dizer algo sobre algo. É esse aspecto adicional e irredutível das formas simbólicas que exige um tipo diferente de análise, que exige uma fase analítica que se interesse principalmente com a organização interna das formas simbólicas, com suas características estruturais, seus padrões e relações.

Por outro lado, o autor ressalta que o exercício da análise discursiva ou formal, quando desvinculada do contexto da HP, pode se tornar perigosa, uma vez que

essa fase de análise, embora perfeitamente legítima, pode se tornar enganadora quando ela é separada do referencial da hermenêutica de profundidade e concebida como um fim em si mesma. Tomada em si mesma, a análise formal ou discursiva pode tornar-se – em muitos casos ela se torna – um exercício abstrato, separado das condições sócio- históricas e despreocupada com o que está expresso pelas formas simbólicas, cuja estrutura ela procura revelar (Idem, Ibidem).

O terceiro e último movimento analítico do enfoque da HP é chamado de “interpretação” ou “reinterpretação”. Nessa dimensão, são criadas as significações. Para Cardoso (2009, p. 30), essa dimensão “não é uma fase de análise, mas sim de síntese”. Nela, devemos construir ou reconstruir os significados do discurso, por meio das formas simbólicas. De acordo com Thompson,

as formas simbólicas que são o objeto de interpretação são parte de um campo pré- interpretado, elas já são interpretadas pelos sujeitos que constituem o mundo sócio- histórico. Ao desenvolver uma interpretação que é mediada pelos métodos do enfoque da HP, estamos reinterpretando um campo pré-interpretado; estamos projetando um significado possível que pode divergir do significado construído pelos sujeitos que constituem o mundo sócio-histórico. [...] Como uma reinterpretação de um campo objeto pré-interpretado, o processo de interpretação é necessariamente arriscado, cheio de conflitos e aberto à discussão. A possibilidade de um conflito de interpretação é

intrínseco ao próprio processo de interpretação. E esse é um conflito que pode surgir,

não simplesmente entre as interpretações divergentes de analistas que empregam técnicas diferentes, mas também entre uma interpretação mediada pelo enfoque da HP de um lado, e as maneiras em que as formas simbólicas são interpretadas pelos sujeitos que constituem o mundo sócio-histórico de outro (THOMPSON, 2011, p. 376, itálicos no original).

Para Oliveira (2008, p. 43), esse terceiro momento de análise “é a reflexão sobre os dados obtidos anteriormente, relacionando contextos e elementos de forma a construir um significado à forma simbólica”. Desse modo, no processo metodológico da Hermenêutica de Profundidade, a análise da forma simbólica “constitui-se quando olhamos para os seus aspectos internos e contextuais e conseguimos tecer relações entre eles, valendo-nos de um para compreender o outro” (OTERO-GARCIA; SILVA, 2013, p. 559). Dessa forma, é durante o último movimento analítico, que não ocorre de forma independente dos outros movimentos, que se desenvolve a análise da forma simbólica. Assim, a interpretação/reinterpretação, de acordo com esses autores, “é um momento da análise que se faz na relação entre as análises contextual e formal, em que se tentam compreender as relações entre a produção, as formas de produção e a interferência do contexto sociopolítico, na elaboração da forma simbólica” (Ibidem, p. 560).

Otero-Garcia e Silva (2013) assinalam, ainda, que os movimentos sócio-histórico e formal não contemplam toda a análise da forma simbólica, sendo necessário “costurar” nos indícios encontrados em cada um deles, por meio de um movimento de reinterpretação. É nessa última instância que será possível produzir “uma interpretação possível/plausível da forma simbólica, de tal modo que não será mais possível identificar quais fios têm origem num ou noutro movimento” (Ibidem, p. 560). Desse modo, podemos considerar que o movimento de interpretação/reinterpretação permeará toda a análise no desenvolvimento da HP.

É importante ressaltar que os estudos produzidos com a utilização da HP, no campo da Educação Matemática, até o presente momento, focalizaram uma obra/objeto/material em específico. No nosso caso, iremos utilizar a HP para estudar não um único objeto específico, como um livro, um livro didático ou uma legislação, mas o conjunto de documentos selecionados no APAL, no âmbito direto de nossa investigação.

Desse modo, em nossa pesquisa, consideramos os documentos encontrados no APAL como formas simbólicas, conscientes de que esses documentos não apresentam todos os aspectos elencados por Thompson em seu estudo. É fato que os documentos pertencentes ao APAL não serão entendidos aqui como meios de comunicação de massa, conforme a análise realizada por Thompson. Isso porque tais documentos não foram produzidos para o público em geral; foram constituídos para um público específico e não apresentam valor mercantil. Porém, consideramos, assim como Cardoso (2009), “que a Hermenêutica de Profundidade se aplica adequadamente aos nossos propósitos” (p. 28), uma vez que, para Thompson, os meios de comunicação de massa não são os únicos que veiculam a ideologia. Para o autor

a comunicação de massa se tornou um fator principal de transmissão da ideologia nas sociedades modernas, mas ela não é, de modo algum, o único meio. É importante acentuar que a ideologia – entendida de forma ampla como sentido a serviço do poder – opera numa variedade de contextos da vida cotidiana, desde as conversações cotidianas entre amigos até as declarações ministeriais no espaço nobre da televisão (THOMPSON, 2000, p. 31).

Os livros, a agenda, os textos e os cadernos e trabalhos de ex-alunas, objetos constituintes do APAL podem ser considerados produções humanas guarnecidas de intenções, de forma que o interlocutor possa compreender o que foi dito/escrito (aspecto intencional); respondem e obedecem a várias e determinadas convenções e visam promover a comunicação (aspecto convencional); possuem elementos internos estruturantes, uma vez que existe uma organização na disposição dos conteúdos (aspecto estrutural); expressam um objetivo, pois foram criados com um fim específico (aspecto referencial); foram produzidos, transmitidos e recebidos em processos e contextos sócio-históricos específicos (aspecto contextual). Por sua sintonia com os cinco aspectos da caracterização de Thompson, parece-nos adequado considerarmos o conjunto de materiais selecionados no APAL como formas simbólicas.

Apesar de não estarmos inseridos no contexto sócio-histórico que constituiu nossas formas simbólicas, ressaltamos, assim como Andrade (2012, p. 42), que “estamos inseridos num contexto sócio-histórico que nos permite atribuir significado ao contexto original da forma simbólica analisada” e, assim, nos permite desenvolver nossa análise.

Na próxima seção, focalizamos o percurso do APAL até sua situação no momento em que escrevemos.

3.

APAL: caminhos e descaminhos na história da educação primária e

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