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Etiske utfordringer

In document Lindring av smerter hos kreftpasienter (sider 142-152)

Em consonância com Cardoso (2009, p. 26), entendemos formas simbólicas como “ações, falas, imagens e textos produzidos e reconhecidos como significativos para os sujeitos envolvidos nos contextos de produção, emissão e recepção”. Nessa perspectiva, ao abordarmos os cadernos escolares como formas simbólicas, adotamos a Hermenêutica de Profundidade, por ser um referencial teórico-metodológico pertinente e adequado à nossa pesquisa, por possibilitar: realizar uma análise considerando o contexto sócio-histórico e espaço-temporal em que os cadernos escolares foram produzidos; empreender uma análise formal ou discursiva, uma vezque os cadernos circulam nos campos sociais, e como tal, são considerados como construções complexas que apresentam uma estrutura articulada; criar significações relacionando contextos e elementos de forma a construir um significado para os cadernos, interpretando-os ou reinterpretando-os.

Neste texto, especificamente, vamos tratar dos elementos da HP relacionados à realização de uma análise formal ou discursiva de uma forma simbólica. Embora centrados nesse movimento analítico, reconhecemos que os outros movimentos analíticos próprios à HP15 não são independentes dele, e, por conseguinte, estão imbricados em nosso trabalho.

De acordo com Thompson (2011), a análise formal ou discursiva é considerada como mais uma fase de interpretação hermenêutica, cujo foco central está no “objeto de estudo” em

15 Esses movimentos (análise sócio-histórica e interpretação/reinterpretação) são focalizados no texto O Arquivo Pessoal Alda Lodi e suas potencialidades para uma investigação em História da Educação Matemática, que

compõe esta tese.

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si. Para o autor, toda forma simbólica apresenta internamente uma estrutura articulada que pode facilitar ou não a mobilização do seu significado. Oliveira (2008) enfatiza que

Para Thompson, os métodos objetivos de análise formal, herdados do positivismo, não devem ser expurgados do processo de análise. Embora seja apenas uma das fases da interpretação, a Análise Formal, que pode contemplar também métodos objetivos, contribui no processo de análise e na sustentação da plausibilidade da interpretação. Ainda que, considerada isoladamente, a Análise Formal ou Discursiva, ou seja, a análise dos elementos (internos) da forma simbólica, suas inter-relações e vínculos com estruturas mais gerais, como as de codificação e decodificação, conduza a interpretações parciais ou até mesmo ilusórias, ela é parte importante dentro da proposta da Hermenêutica de Profundidade (p. 38).

Desse modo, a forma simbólica deve ser estudada de maneira completa e, em se tratando do movimento analítico formal e discursivo, é imprescindível levar-se em conta o fato de se estar lidando com construções simbólicas complexas. Em virtude de suas características estruturais, a partir desse movimento de análise, pode-se indagar sobre qual o objetivo/intenção por trás da forma simbólica. Assim, ao considerarmos os cadernos escolares como formas simbólicas em nossa pesquisa, podemos, segundo Thompson (2011), investigar como o conteúdo, conceitos, ideias e a ideologia foram transmitidos por meio da organização interna deles, suas características estruturais, padrões e relações. De fato, seria impossível ter acesso a todos esses elementos por meio dos cadernos escolares e o que podemos realmente fazer é tentar nos aproximar dessa realidade, identificando sinais e/ou indícios (GINZBURG, 2012) de como esses elementos foram organizados/estruturados e mobilizados pela professora Alda Lodi nos cadernos de suas alunas-professoras.

Assim como destaca Andrade (2012) ao tratar de livros didáticos, enfatizamos que os cadernos escolares em si não têm o poder de dizer nada e não dizem nada. A atribuição do significado é feita pelo leitor, que no ato da leitura, faz com que o caderno possa dizer algo. Nesse sentido,

o autor – que certamente teve uma intenção de dizer algo – não pode ser recuperado congenialmente em suas intenções de dizer. O que se impõe, segundo alguns, é um diálogo entre o leitor e um autor que esse leitor constitui como interlocutor: é, portanto, um autor inventado pelo leitor. O que esse autor diz para este leitor específico é, para tal leitor, a intenção de dizer do autor e não, é claro, o que “efetivamente o autor disse”, dado que aquilo que foi dito pelo autor é irrecuperável, assim como, no limite, inexiste esse autor que “efetivamente disse” alguma coisa (ANDRADE, 2012, p. 37).

Apesar de as alunas terem realizado a escrita nos cadernos, atribuímos a autoria desses textos conjuntamente a elas e à professora Alda Lodi, que intencionalmente mobiliza seus materiais e conhecimentos para que suas alunas possam compreender a metodologia de ensino da Aritmética e utilizar esses conhecimentos, posteriormente, em sua prática.

Entre os métodos comuns para a condução da análise formal ou discursiva, Thompson (2011) elenca algumas possibilidades, entre as quais destacamos as análises semiótica, sintática, narrativa e argumentativa16.

A análise semiótica respalda-se na análise das características estruturais internas de uma forma simbólica, visando a conexão entre essas estruturas e os sistemas e códigos dos quais elas fazem parte. Para Thompson (2011), a análise semiótica é “o estudo das relações entre os elementos que compõem a forma simbólica, ou o signo, e das relações entre esses elementos e os do sistema mais amplo, do qual a forma simbólica, ou o signo, podem ser parte” (p. 370). Para o autor, a análise semiótica pode contribuir para iluminar a compreensão de como as formas simbólicas foram construídas e, também, pode contribuir para identificar os elementos e as inter-relações que as constituem, “em virtude dos quais o sentido de uma mensagem é construído e transmitido” (Idem, ibidem).

Segundo Cardoso (2009, p. 30), ao fazermos uma análise semiótica, “estudamos as relações que compõem o signo e as relações entre o signo e o sistema mais amplo em que ele está inserido”. Para Andrade (2012, p. 38), essa análise “exige do hermeneuta um olhar atento e cuidadoso no que se refere aos elementos que constituem a forma simbólica e suas interrelações”. Oliveira (2008, p. 42), ao tratar da análise de textos escritos, propõe que a análise semiótica leve em consideração “gráficos, figuras, desenhos, exemplos, exercícios, definições, demonstrações, justificações etc”. Tal consideração, mesmo tendo sido feita para livros didáticos, pode ser tomada como referência para os cadernos escolares, pois analisar a disposição e utilização desses elementos pode contribuir para o entendimento daquilo que o caderno consegue “expressar, transmitir o que quer dizer” (ibidem).

Thompson (2011) ressalta, ainda, que a análise semiótica é limitada, por não conseguir abranger de maneira sistemática os contextos sócio-históricos de produção e recepção das formas simbólicas. Entretanto, o autor enfatiza que essa limitação não inviabiliza a sua utilização e que “esse tipo de análise deve ser visto não como um enfoque auto-suficiente ao estudo das formas simbólicas, mas como um passo parcial de um procedimento interpretativo mais compreensivo” (Idem, p. 371).

16 Thompson apresenta outras formas de análise; porém, só evidenciamos aqui as que mais se aproximam do nosso

trabalho.

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A análise sintática consiste em estudar as instâncias do discurso dirigindo o foco para as partes das frases e as categorizações das palavras, com a finalidade de realçar como o significado é construído, de alguma forma, na utilização cotidiana do discurso. Essa análise, de acordo com Thompson (2011), “se preocupa com a sintaxe prática ou a gramática prática – não com a gramática dos gramáticos, mas com a gramática ou sintaxe que atua no discurso do dia a dia” (Idem, p. 372)

Para Oliveira (2008, p. 42), que aborda livros didáticos, a análise sintática estaria direcionada “à composição dos elementos levantados na análise semiótica individualmente”. Desse modo, ao analisarmos os cadernos escolares poderíamos, por exemplo, focar a “qualidade dos gráficos, a utilidade das figuras e desenhos, as metáforas utilizadas nos exemplos e exercícios, a linguagem utilizada na apresentação da teoria etc” (Idem, ibidem).

A análise narrativa trata da constituição da narrativa centrando o foco em como uma história é contada. De maneira geral, Thompson considera uma narrativa como um discurso que relata uma sequência de acontecimentos, que “conta uma história”. Essa história, geralmente é conduzida por um “enredo”, que apresenta e orienta os personagens e uma sucessão de eventos. Assim, para Thompson, é possível identificar os efeitos narrativos de uma estrutura narrativa que são específicos e que atuam dentro de uma narrativa particular e esclarecer o seu papel na narração da história. As concepções de Oliveira (2008, p. 42-43), que faz sobressair a importância da análise narrativa na identificação de “qual ou quais metodologias são favorecidas pela estrutura do livro” e na possibilidade de verificar “se o texto estimula a resolução de problemas, a construção de significados pelo aluno, a exposição dos conteúdos pelo professor”, nos parecem adequadas, também, para os cadernos escolares. Consideramos, nessa mesma linha de raciocínio, que é possível apreender, a partir da forma como são apresentados os conteúdos nos cadernos, características das concepções e da postura do professor em sala de aula.

A análise argumentativa visa “reconstruir e tornar explícitos os padrões de inferência que caracterizam o discurso” (THOMPSON, 2011, p. 374). O autor ressalta, ainda, que tal análise possibilita “romper o corpo do discurso em conjuntos de afirmativas ou asserções, organizadas ao redor de certos tópicos ou temas, e, então, mapear as relações entre essas afirmativas e tópicos em termos de determinados operadores lógicos, ou quase-lógicos (implicação, contradição, pressupostos, exclusão, etc)” (Idem, ibidem). Essa análise viabiliza examinar a harmonia, sequência, estrutura e coerência encontrados nos cadernos e, também, a

apresentação dos conteúdos e assuntos presentes neles. Oliveira, na abordagem dos livros didáticos, chama a atenção para a pertinência desse tipo de análise em relação à Matemática, cujas cadeias de raciocínio, “não só como discurso científico, mas também pedagógico, compõem a estrutura argumentativa da obra” (2008, p. 43).

Analisar uma forma simbólica a partir do referencial da Hermenêutica de Profundidade proposto por Thompson exige que o hermeneuta exercite algumas escolhas para que o objeto de estudo possa ser analisado. Entretanto, pode ser inviável utilizar todos esses tipos de análise e o hermeneuta deve estar atento ao fato de que a escolha de alguns métodos em detrimento de outros pode trazer benefícios e limitações para a sua pesquisa.

Em nosso trabalho, inspirado nos métodos elencados por Thompson, visamos analisar todos os cadernos escolares encontrados no APAL. Ao realizarmos uma análise semiótica nos cadernos, buscamos indícios de como a organização do caderno foi estruturada pela professora Alda Lodi, conferindo atenção a sinais como gráficos, figuras, desenhos, exemplos, exercícios, definições, demonstrações e justificativas. Ao fazermos uma análise sintática, focamos a categorização das palavras, observando a utilidade das figuras e desenhos, as metáforas utilizadas para exemplificar algum conhecimento, conteúdo ou exercícios e a linguagem utilizada na apresentação da teoria. Ao efetuarmos uma análise narrativa nos cadernos escolares, tentamos identificar como a “história foi contada”, transmitida, identificando formas como o texto estimula ou não o trabalho com a resolução de problemas, a construção do significado e a exposição do conteúdo. Ao executarmos uma análise argumentativa, direcionamos nosso olhar para os padrões que caracterizam a “história” contada nos cadernos, verificando, assim, como seu conteúdo apresenta harmonia, sequência, estrutura e coerência na apresentação da metodologia de ensino e dos tópicos matemáticos. Em função das características específicas de alguns cadernos, precisamos ressaltar que não foi possível realizar todos os quatro tipos de análise comentados em todos os cadernos escolares encontrados no APAL. Ainda, para auxiliar nesse trabalho, para dois cadernos específicos de Metodologia da Aritmética, utilizamos o recurso das nuvens de palavras, que será explicado adiante.

A seguir, descrevemos o trabalho realizado em nossa investigação inicial referente aos cadernos escolares do APAL.

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