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desenvolver e construir conhecimento por meio da interação. Desta forma, pode-se considerar que no interacionismo se valoriza os fatores externos e também os internos, ou seja, a interação desses fatores para o desenvolvimento humano.

Entretanto, os interacionistas Piaget e Vygotsky apresentam considerações que diferem um do outro no que se refere a essa temática.

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Para Piaget (1987, citado por SAYEGH, 2006, p. 5), “a origem do desenvolvimento dá-se do interior para o exterior, ocorrendo em função da maturidade da pessoa”. O autor considera que o ambiente pode influenciar o desenvolvimento cognitivo, porém sua ênfase recai para o elemento biológico do indivíduo, ressaltando o aspecto da maturidade no desenvolvimento. Piaget defende que o ser humano se desenvolve com o papel dos fatores internos, deixando claro sua ideia que o indivíduo já nasce com uma estrutura prévia, deste modo expõe a maturação como uns dos principais fatores do desenvolvimento humano.

Outro aspecto importante é que para Piaget

A criança não é um adulto em miniatura. Ao contrário, apresenta características próprias de sua idade. Compreender isso é compreender a importância do estudo do desenvolvimento humano. Estudos e pesquisas de Piaget demonstraram que existem formas de perceber, compreender e se comportar diante do mundo, próprias de cada faixa etária, isto é, existe uma assimilação progressiva do meio ambiente, que implica uma acomodação das estruturas mentais a este novo dado do mundo exterior (BOCK et al, 2001, p.129).

Nesse processo de desenvolvimento, Piaget considera que os fatores internos predominam sobre os externos, colocando assim seu ponto de vista que o desenvolvimento humano segue uma sequência fixa e universal de estágios, isso “de acordo com o aparecimento de novas qualidades do pensamento” do ser humano “o que, por sua vez, interfere no desenvolvimento global”. Desse modo, salienta quatro estágios denominados por ele como sendo: sensório-motor (0 a 2 anos), pré-operatório (2 a 7 anos), operações concretas (7 a 11 ou 12 anos) e operações formais (11 ou 12 anos em diante). Para Piaget “cada período é caracterizado por aquilo que de melhor o indivíduo consegue fazer nessas faixas etárias” ele ainda afirma que “todos os indivíduos passam por todas essas fases ou períodos, nessa sequência, porém o início e o término de cada uma delas dependem das características biológicas do indivíduo” (BOCK et al, 2001, p.131).

No entanto, Vygotsky apresenta uma ideia contrária a da apresentada por Piaget. Segundo Sabini (1998, p. 156), Vygotsky entende o desenvolvimento como “um processo complexo, caracterizado pela periodicidade e desigualdade no desenvolvimento de diferentes funções”, acreditando que nada se desenvolve conforme uma regra, um seguimento fixo de atitudes e vontades. Sendo assim, “Vygotsky não via o homem como um ser passivo” para ele o homem é um “ser ativo, que age sobre o mundo, sempre em relações sociais, e transforma essas ações para que constituam o funcionamento de um plano interno” (BOCK et al, 2001, p.140). Ainda, de acordo com os referidos autores um dos pressupostos básicos da teoria de Vygotsky mostra que “as origens das formas superiores de comportamento consciente pensamento, memória, atenção voluntária etc, formas essas que diferenciam o homem dos outros animais, devem ser achadas nas relações sociais que o homem mantém”.

Assim, como Luria, Vygotsky compreendia o desenvolvimento infantil por meio de três aspectos: Instrumental, cultural e histórico. Desse modo, para Vygotsky “a história da sociedade e o desenvolvimento do homem caminham juntos e, mais do que isso, estão de tal forma intrincados, que um não seria o que é sem o outro”. Neste sentido, Vygotsky evidencia que desde o nascimento as crianças, “estão em constante interação com os adultos, que ativamente procuram incorporá-las a suas relações e a sua cultura. No início, as respostas das crianças são dominadas por processos naturais, especialmente aqueles proporcionados pela herança biológica”. Entretanto, é por meio

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da “mediação dos adultos que os processos psicológicos mais complexos tomam forma”. Inicialmente, esses processos são interpsíquicos (partilhados entre pessoas), isto é, só podem funcionar durante a interação das crianças com os adultos. Depois se tornam intrapsíquicos, na medida em que as crianças crescem e os processos acabam por ser executado dentro da própria criança (BOCK et al, 2001, p.141).

Essas operações também podem ser chamadas de interiorização. Além do mais, para materializar de forma efetiva os argumentos de Vygotsky com relação a esses aspectos, ele discorre sobre o desenvolvimento da fala, em que evidencia os aspectos mencionados acima de uma forma clara e evidente.

Logo, na formulação da teoria sócio-histórica, entende-se que para Vygotsky o desenvolvimento humano é social, em que neste contexto dá ênfase a Zona de Desenvolvimento Proximal.

A zona de desenvolvimento proximal é a diferença (ou distância) que existe entre a zona de desenvolvimento real e a zona de desenvolvimento potencial, ou seja, são aqueles conhecimentos que possibilitam ao indivíduo resolver um problema que antes não era possível de resolver apenas com os conhecimentos antigos (VYGOTSKY, 1978 apud ROSA et al, p.2).

Isso evidencia que o desenvolvimento potencial, que é o vir a ser, depende de uma intervenção intencional do meio social, assim deixando evidente a interferência do papel dos fatores externos para o desenvolvimento do ser humano.

Como se pode verificar na tessitura do texto, os dois teóricos apresentam perspectivas diferentes de como compreender o desenvolvimento humano. Embora, haja um aspecto em comum, que é de considerar a interação dos fatores externos e internos no processo de desenvolvimento.

Os estudos de Piaget e Vygotsky contribuíram em vários sentidos e em distintas áreas de conhecimento, tornando-se assim os principais referenciais no que se refere a desenvolvimento humano entre outras temáticas. A partir das pesquisas desses teóricos, segundo Bock, Furtado e Teixeira (2001), atualmente têm-se a compreensão que vários fatores influenciam o desenvolvimento humano, além disso, esses fatores são indissociáveis, como: hereditariedade, crescimento orgânico, maturação neurofisiológica e meio.

Cabe destacar que quanto a desenvolvimento cognitivo e social do ser humano ainda há vários aspectos que carecem de maiores investigações. Mas, entende-se que as pesquisas realizadas por Piaget e Vygotsky consistiram numa importante conquista, que pode ser ampliada, para se compreender a complexidade de como o ser humano se desenvolve. E, além disso, de entender sobre que fatores, como e de que forma eles influenciam nesse processo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse estudo procurou-se discorrer sobre alguns aspectos no que se refere o papel dos fatores internos e externos no desenvolvimento humano na perspectiva de Piaget e Vygotsky.

Na tessitura do texto foi possível verificar que embora, Piaget e Vygotsky eram considerados interacionistas, o que implica em que esses teóricos consideravam tantos os fatores externos e internos para o desenvolvimento humano, no entanto divergiam sobre que fator predominava sobre o outro no processo de desenvolvimento.

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Piaget enfatizou em sua teoria o aspecto maturacional, enquanto Vygotsky o aspecto social. Acredita-se que o estudo nos possibilitou compreender que os fatores abordados no texto, bem como a maturação (interno) e a interação social (externo), não influenciam de uma forma isolada o desenvolvimento humano, e que a interação dos referidos fatores são imprescindíveis para esse complexo processo.

Nesse sentido, ressalta-se que são necessárias mais pesquisas para que amplie as discussões concernentes a essa temática que ainda se constitui num campo recente de investigação.

Considera-se, ainda, que estudos dessa natureza são necessários principalmente na formação inicial de futuros professores, a fim de que possam compreender como se dá o desenvolvimento intelectual e social dos seus alunos, para que o professor saiba como intervir e mediar o processo de ensino e aprendizagem. Destacou-se, ainda, que na proposição de ensinar algo, o profissional docente tem que ter um repertório mínimo de conhecimento sobre como ocorre à dinâmica cognitiva do aluno, e de que forma os aspectos sociais podem interferir no plano intelectual.

REFERÊNCIAS

BOCK, Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias Uma Introdução ao Estudo de Psicologia. 13° edição reformulada e ampliada, 3ª tiragem Saraiva, 2001.

SABINI, Maria Aparecida Cória. Psicologia do Desenvolvimento. 2° Edição. São Paulo: Ática, 1998.

SAYEGH, Flávia. As Relações Entre Desenvolvimento e Aprendizagem para Piaget

e Vygotsky. Disponível em <

http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=884 >Acesso em 08/01/2014.

FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas Técnicas para o Trabalho Cientifico: Elaboração e Formatação. Explicitação das Normas da ABNT, - 14. Ed. – Porto Alegre: s.n., 2008.

ROSA, Taiane Carrilho; LEAL,Daiane da Conceição; BECK, Vinicius Carvalho; SILVEIRA, Denise Nascimento. O conceito de zona desenvolvimento proximal no processo de ensino- aprendizagem em sala de aula. 21° Congresso de Iniciação Cientifica, 4° Mostra Cientifica, Universidade Federal de Perolas. Disponível em <http://www2.ufpel.edu.br/cic/2012/anais/pdf/CH/CH_00530.pdf >. Acesso em 07/01/2014.

TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987. Disponível em < http://pt.scribd.com/doc/84708933/Livro-Introducao-a-pesquisa-em-Ciencias-Sociais- Trivinos > Acesso em 09/10/2014.

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