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meio, nas palavras da professora Zélia Ramozzi Chiarotino, responsável por introduzir, do ponto de vista da Teoria do Conhecimento e da Epistemologia, as ideias de Jean Piaget no Brasil: "resumindo: de um lado, temos o organismo com suas possibilidades, de outro, o meio que o solicita" (CAETANO, s/d). Piaget procurou investigar sobre como se dá construção do conhecimento, através da criação da teoria e Epistemologia Genética.

Para Piaget

A criança não é um adulto em miniatura. Ao contrário, apresenta características próprias de sua idade. Compreender isso é compreender a importância do estudo do desenvolvimento humano. Estudos e pesquisas de Piaget demonstraram que existem formas de perceber, compreender e se comportar diante do mundo, próprias de cada faixa etária, isto é, existe uma assimilação progressiva do meio ambiente, que implica uma acomodação das estruturas mentais a este novo dado do mundo exterior (BOCK, et al, 2001, p.129).

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Desse modo, a teoria de Piaget se baseia nas estruturas da inteligência que vão se formando a partir de novos conhecimentos, ao qual o sujeito tem a possibilidade de reorganizá-las, assimilando-as a novos objetos existentes, ampliando assim o conhecimento denominados acomodação. O resultado da assimilação e a acomodação são chamados de equilibração. Assim, temos também o desequilíbrio que é quando o sujeito não consegue assimilar um novo conhecimento. É nesse sentido, que o sujeito busca um equilíbrio a fim de garantir sua adaptação (CAETANO, 2010).

Desse modo, Piaget enfatiza que o sujeito busca constantemente organizar e adaptar os objetos que fazem parte do meio (PIAGET, 2011, p.89). Além disso, segundo Becker (2010, p. 31), Piaget discute sobre a organização dos elementos, isto é os objetos, e a assimilação e acomodação da atividade intelectual que se dá através da própria inteligência. Neste sentido, o autor destaca também que “como a acomodação, atividade centrífuga dos esquemas progressivamente se diferencia, a assimilação coordena e unifica a atividade do sujeito”. Em função disso, “Piaget conclui que a experiência, longe de emancipar-se da atividade intelectual, só progride na medida em que é organizada e animada pela própria inteligência”.

Segundo Ghedin (2012), para Piaget a inteligência é algo que está em constante mudança, e isto implica a dizer que a assimilação e a acomodação, são processos que fazem parte para o desenvolvimento do mesmo. Piaget definiu como sendo um processo de equilibrações, que é caracterizado por diversas fases. Cada fase mostra como o desenvolvimento da criança se dá conforme a idade e as estruturas que estão ao seu redor.

Essas quatro fases são evidenciadas por Davis e Oliveira (1994), tais como: A Sensória motora que vai do nascimento da criança até aproximadamente seus dois anos de idade. Nesse período considera-se que a criança ainda não tem o pensamento formado, porque nessa idade ela não dispõe a capacidade de representar, lembrar ou pensar. Para se comunicar ela utiliza os sensórios motores como: balançar, pegar, jogar, bater objetos. A Pré-operatória acontece a partir dos dois anos de idade. É marcada pelo aparecimento da linguagem da fala. É nesta fase que a criança é capaz de formar representações simbólicas como identificar e produzir desenhos que os identificam. A partir destas novas possibilidades de lidar com o meio, ela consegue expressar seus desejos. A Operatório-concreta acontece por volta dos sete anos de idade, nesta etapa a criança é capaz de construir um conhecimento mais compatível com o mundo que a

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rodeia. O real e o fantástico passam a ser distinguido. Neste período, o pensamento operatório é denominado concreto porque a criança ainda só consegue pensar para ordenar, classificar e etc. A Operatória formal é a partir dos treze anos de idade, o pensamento da criança se torna livre das limitações das realidades concretas, ela é capaz de raciocinar logicamente. Isto permite que o adolescente trabalhe e pense não só com a realidade concreta, mas com a realidade possível.

Assim, para Piaget a construção do conhecimento está relacionada com as características preconizadas para cada fase de desenvolvimento do indivíduo. Dessa forma, as potencialidades e limitações no que se refere à construção do conhecimento estão atreladas a cada fase elencada por ele.

Um dos aspectos fundamentais da obra de Vygotsky, para Bock et al (2001), está no fato de que “as origens das formas superiores de comportamento consciente, pensamento, memória, atenção voluntária etc, formas essas que diferenciam o homem dos outros animais, devem ser achadas nas relações sociais que o homem mantém”. Desse modo, Vygotsky “entendia o homem como ser ativo, que age sobre o mundo, sempre em relações sociais, e transforma essas ações para que constituam o funcionamento de um plano interno”.

Assim, para Vygotsky,

As crianças, desde o nascimento, estão em constante interação com os adultos, que ativamente procuram incorporá-las a suas relações e a sua cultura. No início, as respostas das crianças são dominadas por processos naturais, especialmente aqueles proporcionados pela herança biológica. É através da mediação dos adultos que os processos psicológicos mais complexos tomam forma. Inicialmente, esses processos são interpsíquicos (partilhados entre pessoas), isto é, só podem funcionar durante a interação das crianças com os adultos. À medida que a criança cresce, os processos acabam por ser executados dentro das próprias crianças — intrapsíquicos (BOCK, et al, 2001, p. 141).

Vygotsky destaca ainda que a criança possui em sua mente os conceitos formados, porém com o passar dos anos esta irá desenvolver os conceitos mais específicos, em função disso o conhecimento evolui com seu desenvolvimento intelectual, com suas estruturas cognitivas específicas, e com o desenvolvimento espontâneo da criança. Assim,

A criança possui também seus próprios conceitos formados e somente com o passar do tempo e através da educação formal e que irá adquirindo os

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conceitos científicos. Esses conceitos não podem ser transmitidos por treinamentos feitos mecanicamente, mas deve haver respeito quanto ao nível da criança com o seu desenvolvimento mental. Tais conceitos evoluem com a ajuda da atividade mental da criança. O conceito que a criança possui espontaneamente direciona o caminho para o conceito científico, e este por sua vez fornece estruturas básicas o para o desenvolvimento do conceito espontâneo. Poder-se-ia dizer que o desenvolvimento dos conceitos espontâneos da criança é ascendente, enquanto o desenvolvimento dos seus conceitos científicos é descendente, para um nível mais elementar e concreto. Isso decorre de diferentes formas pelas quais os dois tipos de conceitos surgem (VYGOTSKY, 1987, p. 93).

Dessa forma, para Vygotsky a aprendizagem, por conseguinte a construção do conhecimento é um processo essencialmente social, e que as funções psicológicas humanas são construídas nesta relação.

De acordo com Davis e Oliveira (1994), Vygotsky defende a ideia de que a interação entre as mutáveis condições sociais é a base biológica do comportamento humano. Partindo de estruturas orgânicas elementares, determinadas basicamente pela maturação, formam-se novas e mais complexas funções mentais a depender da natureza das experiências sociais a que as crianças se acham expostas.

Nesse sentido, a fala é utilizada na interação social como adultos e outras crianças, desempenhando um papel importante na formação e organização dos pensamentos complexos e abstratos individual. Além disso, Vygotsky defendia o caráter antecipatório e preparatório a partir dos brinquedos para vida real. O brincar do dia-a- dia das crianças é algo que se destaca como essencial para seu desenvolvimento e aprendizagem. Para ele, o desenvolvimento e a aprendizagem estão inter-relacionados desde o primeiro dia de vida do indivíduo (PINHEIRO, 2007).

Cabe destacar que Vygotsky apresenta em sua teoria aspectos relacionado ao aprender e ao relacionar-se com o meio, ao qual o aprendizado se consolida com a orientação de um mediador/adulto em que possa orientar a criança, visando o seu desenvolvimento.

Desse modo, no contexto escolar para que uma criança construa conhecimento é necessário que o professor signifique o conceito trabalhado, relacionando à “bagagem” que o indivíduo traz consigo, isto é, através das brincadeiras infantis (PINHEIRO, 2007). Através de Vygotsky (1998) a brincadeira pode proporcionar alterações das estruturas mentais, pois no brinquedo a criança tem a oportunidade de construir novos saberes que são estabelecidos pela aprendizagem escolar. Ainda, conforme a autora ao fazermos uma relação ao aprendizado, não nos referimos apenas ao ensino sistemático,

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pois desde muito pequenas as crianças interagem com o meio físico e social obtendo uma série de conhecimentos e consequentemente alargando os horizontes da zona de desenvolvimento proximal. No brinquedo também se cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança.

De acordo com Vygotsky existem dois níveis de desenvolvimento: Desenvolvimento real: se refere às conquistas já concretizadas na criança, são as competências que a criança já domina, são capacidades adquiridas que ela consegue realizar sozinha sem a ajuda ou intervenção de alguém. Desenvolvimento potencial: é aquilo que a criança sabe fazer, porém necessita de ajuda de outra pessoa, são a serem construídas (PINHEIRO, 2007).

Neste sentido, Vygotsky (1998, p. 113), esclarece que:

A distância do que a criança sabe fazer (nível de desenvolvimento real) e do que ela faz com ajuda de alguém (nível de desenvolvimento potencial) Vygotsky deu o nome de “zona de desenvolvimento proximal”. Essa zona define aquelas funções que ainda não amadureceram que estão em processo de maturação, funções que amadurecerão, mas que estão presentes em estado rudimentar. Essas funções poderiam ser chamadas de “brotos” ou “flores” do desenvolvimento, ao invés de “frutos” do desenvolvimento.

Em decorrência disso, acreditamos que o desenvolvimento potencial implica no vir a ser, dependendo dessa forma de uma intervenção do meio social, o que evidencia a importância do outro no processo de construção do conhecimento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse estudo procuramos apresentar a partir da perspectiva interacionista como se dá a construção do conhecimento para Piaget e Vygotsky.

Embora, os teóricos sejam interacionistas e de modo geral, entendem que o conhecimento é algo em constante mudança, e sua construção se dá por meio da interação com o social, ou seja, à medida que a criança convive com as pessoas e se relaciona com diferentes objetos o conhecimento se constrói, portanto se transforma.

Entretanto, Piaget e Vygotsky divergem em alguns aspectos com relação à construção do conhecimento. Piaget defende a ideia de que a criança se desenvolve intelectualmente por meio das características que são preconizadas nas quatro fases: sensório motora, pré-operatório, operatório-concreto e operatório formal. Isso mostra

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que a construção do conhecimento se limita a alguns aspectos que se atrelam as referidas fases.

Para Vygotsky a construção do conhecimento se dá principalmente através da interação com meio em que o indivíduo está inserido. Por isso, Vygotsky considera que a criança ao ser inserida no contexto escolar, ela traz consigo uma “bagagem” de conhecimento, que pode ajudá-la na construção dos conhecimentos científicos.

Cabe destacar ainda que na tessitura do texto ao abordarmos a perspectiva teórica de Vygotsky, fizemos algumas relações de sua teoria com o contexto escolar, isso ocorreu pelo fato de que Vygotsky aborda em suas pesquisas o papel da escola e do professor no processo e construção do conhecimento das crianças, diferentemente de Piaget que na sua teoria não se preocupou com esses aspectos, embora os resultados de suas pesquisas influenciem ainda hoje fortemente a educação.

Acreditamos que estudos dessa natureza são importantes, especialmente na formação inicial de futuros professores, para que esses profissionais compreendam como o aluno constrói conhecimento e ainda qual o seu papel, enquanto professor, nesse processo.

REFERÊNCIAS

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BOCK, Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias Uma Introdução ao Estudo de Psicologia. 13° edição reformulada e ampliada, 3ª tiragem São Paulo: Saraiva, 2001.

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DAVIS, C; OLIVEIRA, Z. R de. Psicologia na Educação. Ed. 2º. São Paulo: Cortez, 1994.

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e IV Semana de Estatística SEMATES 2014 ISBN 978-85-7764-034-8 Microscópio. Disponível em < http://revistaescola.abril.com.br/formacao/jean-piaget- 428139.shtml> Acesso em 04 de novembro de 2014.

FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas Técnicas para o trabalho científico: Elaboração e formatação. Explicitação das normas da ABNT. Edição 14º. Porto Alegre, 2008. GHEDIN, E. Teorias psicopedagógicas do Ensino Aprendizagem. Boa Vista: UERR, 2012.

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PIAGET E VYGOTSKY:UM ESTUDO SOBREO PAPEL DOS FATORES

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