A discussão e os estudos acerca do uso da informática na Educação não é algo recente. Ainda na década de 1960, Seymour Papert desenvolveu uma proposta de utilização do computador em sala de aula denominada de construcionismo (ALMEIDA, 2000). Nessa proposta o computador é uma ferramenta tutorada pelo aluno e permite buscar informações em redes de comunicação a distância, navegar entre nós e ligações, de forma não linear, segundo o estilo cognitivo e o interesse de cada um. Para Papert (1985), a informática possibilita um fazer educativo com bases mais sólidas por estimular os usuários a pensar, refletir, expandir e implementar suas ideias.
No Brasil, a intensificação das discussões sobre a informática na Educação ocorreu a partir de 1970. Nascimento (2007) informa que data desse período a realização de alguns eventos para discutir o assunto, como por exemplo, o seminário
51É um computador portátil, leve, projetado para ser transportado e utilizado em diferentes lugares com
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promovido na cidade de São Carlos (SP) pela Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com a Universidade de Dartmouth (EUA), para debater sobre o uso de computadores no ensino de Física. No decorrer da mesma década e da década seguinte, por meio de alguns órgãos e entidades do Governo Federal, como a Secretaria Especial de Informática (SEI), o Ministério da Educação e Cultura (MEC), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) foi criada uma equipe inter-setorial, com a incumbência de realizar projetos para promover o uso da informática na Educação.
Segundo Oliveira (1997), uma das primeiras atitudes desta equipe foi realizar o I Seminário Nacional de Informática Educacional em agosto de 1981, deixando algumas recomendações importantes, como a de se observar a realidade brasileira para poder incluir a informática na Educação. O legado do seminário foi a conclusão de que o computador era um instrumento para auxiliar o professor e não para substituí-lo. Ficou também na responsabilidade da equipe, a criação de centros-piloto em universidades, cujas investigações ocorreriam em caráter experimental e deveriam servir de subsídios a uma futura política nacional de informatização das escolas.
Em Agosto de 1982 o MEC, a SEI e o CNPq promoveram, na Universidade Federal da Bahia, o II Seminário Nacional de Informática na Educação, visando coletar novos subsídios para a criação dos projetos-piloto. Neste seminário ficou decidido que a utilização da informática não deveria ficar restrita ao 2º grau (atual ensino médio), mas que deveria atender a todos os níveis e modalidades de ensino (OLIVEIRA, 1997).
Um ano após o segundo seminário, o governo federal criou o Projeto Educom, que foi de grande importância para o desenvolvimento da informática na Educação brasileira. Nascimento (2007) explica que embora os recursos fossem escassos, o projeto estimulou a pesquisa na área e o desenvolvimento de softwares educativos.
De acordo com Borba e Penteado (2007) também foram criados cursos como o Projeto Formar, com o objetivo de capacitar professores para atuar nos diversos centros de informática educativa dos sistemas estaduais e municipais de Educação.
Os idealizadores do Projeto Formar pretendiam inserir mudanças no contexto da formação docente, pois não visavam apenas o treinamento dos professores, o objetivo era fazê-los refletir sobre sua prática e assumir uma nova postura como educador, conforme relata Moraes (apud NASCIMENTO, 2007, p. 23):
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transição importante em nossa cultura de formação de professores. Ou seja, pretendíamos fazer uma distinção entre os termos formação e treinamento, mostrando que não estávamos preocupados com adestramento ou em simplesmente adicionar mais uma técnica ao conhecimento que o profissional já tivesse, mas, sobretudo, pretendíamos que o professor refletisse sobre sua forma de atuar em sala de aula e propiciar-lhe condições de mudanças em sua prática pedagógica na forma de compreender e conceber o processo ensino aprendizagem, levando-o a assumir uma nova postura como educador. A introdução do computador no ambiente escolar não pretendia substituir o professor, mas obrigava-o a assumir uma nova postura para lidar com essa ferramenta. Foi pensando nessa nova demanda que o projeto Formar foi idealizado.
Nascimento (2007) informa que em 1992 a Organizações dos Estados Americanos (OEA), reconheceu os esforços brasileiros na implantação da informática na Educação, firmando um acordo de cooperação multinacional envolvendo outros países latino-americanos.
As iniciativas já citadas ajudaram a criar uma base sólida para a criação do Programa Nacional de Informática Educativa (Proninfe) em outubro de 1989, por meio da Portaria Ministerial no 549/GM e cuja finalidade era:
[...] desenvolver a informática educativa no Brasil, através de projetos e atividades, articulados e convergentes, apoiados em fundamentação pedagógica sólida e atualizada, de modo a assegurar a unidade política, técnica e científica imprescindível ao êxito dos esforços e investimentos envolvidos (NASCIMENTO, 2007, p.25).
Esse programa tinha como intuito desenvolver e permitir o acesso de professores e alunos do 1º, 2º e 3º graus (equivalente ao ensino fundamental, médio e superior, atualmente em vigor), através de recursos financeiros para equipamentos e cursos profissionalizantes.
Também foi criado o Programa Plano de Ação Integrada (Planinfe), que junto com o Proninfe tinha o objetivo de desenvolver iniciativas para promover a integração da informática na Educação e providenciar material necessário para isso. Era consenso que a consolidação de tais programas dependia em grande parte de programas de formação de professores e técnicos na área de informática educativa. Era preciso investir em um intensivo programa de capacitação de recursos humanos (BORBA; PENTEADO, 2007, p. 20).
Em 1997 o MEC, por meio da portaria nº 522/MEC, criou o Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo), ainda em vigor na atualidade, que tem como intuito promover um trabalho pedagógico nas escolas estaduais e municipais de
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forma descentralizada.
Apesar dos esforços dos Governos Federal, Estadual e Municipal, o uso da informática com fins pedagógicos ainda não se consolidou em todas as escolas brasileiras, tendo em vista que os recursos financeiros destinados a essa área não são suficientes para atender todas as demandas. Borba e Penteado (2007, p.13) comentam que “muitos questionam: Como comprar computador para as escolas, se nem mesmo há giz em várias delas? Como pensar em computados nas escolas, se os professores continuam sendo mal remunerados?”.
Ainda há o fato de alguns professores ainda serem resistentes ao uso do computador em sua prática pedagógica:
Para muitos professores, o computador é um mito, ou seja, existe a idéia (sic) de que ele é um instrumento muito poderoso e que exige pessoas altamente qualificadas para manuseá-lo, o que provoca medo, insegurança e calafrios no primeiro contato. Há o medo do desconhecido, medo de mostrar incompetência perante os colegas, medo de danificar a máquina e causar prejuízos, medo de não conseguir desenvolver as competências em informática (BORBA; PENTEADO, 2007, p. 29).
Vale salientar que não se pode supervalorizar a informática e acreditar que sua inclusão na escola pode resolver todos os problemas da Educação, tampouco menosprezá-la, pois a sociedade atual está permeada pelas tecnologias e a escola não pode ignorá-las. Segundo Borba e Penteado (2007) é importante que o professor seja receptivo às mudanças, assim poderá contribuir de forma efetiva para a melhoria da Educação.
1.1 O PROGRAMA UM COMPUTADOR POR ALUNO
Em um Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, em 2005, foi apresentado aos líderes de vários países, inclusive do Brasil, um projeto idealizado por Nicholas Negroponte do MIT (Massachusetts Instituteof Technology, em Português: Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que tinha como objetivo oferecer às escolas públicas dos países emergentes, o projeto OLPC (One Laptop per Child, em Português: um laptop por criança), por um preço de US$ 100. Desde então este projeto foi aplicado em vários países do mundo. No Brasil, o Programa um Computador por Aluno (PROUCA) foi implantado inicialmente em 2006 em cinco escolas. A fase de testes do PROUCA se estendeu até 14 de junho de 2010. Em seguida foi instituído oficialmente
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por meio da Lei nº 12.249/2010. Segundo o Ministério da Educação, o objetivo do PROUCA é promover a inclusão digital nas escolas públicas de todo o país, dando acesso aos alunos e professores à informática por meio de computadores portáteis, desenvolvidos com características especifica para o projeto (BRASIL, 2013).
Os laptops possuem configuração exclusiva e requisitos funcionais próprios para atender o programa, como: bateria com autonomia mínima de 3 horas; peso de até 1,5 kg; 1 GB (gigabyte) de memória RAM e armazenamento de 8 GB; acesso a rede sem fio e conexão à internet. Têm desenho exclusivo de modo a garantir maior segurança aos estudantes e maior resistência a impactos e quedas, reduzindo assim a possibilidade de danificar o equipamento. Os softwares instalados nos equipamentos são de código aberto (softwares livres).
Por serem portáteis, os laptops não precisam ser utilizados somente no laboratório de informática, podem ser levados para a sala de aula e para o pátio da escola, o que permite o seu uso em todas os componentes curriculares e em qualquer momento da aula.
O PROUCA integra planos, programas e projetos educacionais de tecnologia educacional e inclusão digital, vinculando-se às ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e do ProInfo (Decretonº 6.300, de 12/12/2007).
1.2 A INFORMÁTICA NO ENSINO DA MATEÁTICA
A matemática vem se desenvolvendo a milhares de anos de acordo com as necessidades do ser humano (NETO, 2006) e contribuiu para o desenvolvimento e criação de muitas outras áreas, entre elas a informática, como explica Noé (2013, s.p.):
A notória evolução da Informática possui um elo com a Matemática, os códigos binários apresentados pelo matemático indiano Pingala (sec. III a.C.) e desenvolvidos, no século XVIII, por Gottfried Leibniz, se tornaram essenciais para o desenvolvimento dos aparelhos eletrônicos.
No entanto, a informática também contribuiu (e continua contribuindo) para a evolução da matemática. Sobre isso Ponte e Canavarro (1997, p. 39) argumentam que:
[...] as relações entre a matemática e a informática desenvolvem-se nos dois sentidos. A matemática tem contribuído decisivamente para o surgimento e incessante aperfeiçoamento tanto dos computadores como das Ciências da Computação. Mas a matemática, como ciência dinâmica e em constante evolução, está também a ser fortemente influenciada pela Informática, tanto no que respeita aos problemas que coloca como aos métodos que usa na sua investigação. Estas relações dão importantes indicações para a utilização dos instrumentos computacionais no processo de ensino-aprendizagem.
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A informática é uma ferramenta de ensino que pode ser usada no cotidiano escolar, para facilitar a aprendizagem dos educandos em todas as áreas do conhecimento. Na matemática, o professor pode utilizá-la em suas aulas para fazer simulações, contextualizar conteúdos, realizar atividades que favoreçam o desenvolvimento do raciocínio lógico-dedutivo, entre outras possibilidades.
Além disso, o uso da informática na escola também contribui para a inclusão digital dos cidadãos. No entanto, Warschauer (2006) diz que para atingir esse objetivo não basta disponibilizar computadores, é preciso ensinar a utilizá-los para criar novos conhecimentos. Portanto, a escola deve estar atenta a essa questão.
Inicialmente havia certa rejeição à informática no contexto escolar, mas ao longo do tempo isso foi sendo superado e hoje a Educação “absorve as novas tecnologias de informação e da comunicação, como um dia absorveu o lápis, a lousa, a caneta esferográfica, as transparências, os slides e outros instrumentos, com o intuito de facilitar tanto o ensino como a aprendizagem” (SILVEIRA, 2007, p.91).
Com o advento da internet “o saber articula-se à nova perspectiva de Educação, em função das novas formas de se construir conhecimento, que contemplam a democratização do acesso à informação, os novos estilos de aprendizagem e a emergência da inteligência coletiva” (LÉVY, 1999, p. 175). Portanto, a discussão sobre o uso ou não da informática na escola está ultrapassada, mas ainda é preciso discutir como usá-la para melhorar a qualidade do ensino e para promover a emancipação dos educandos.