Segundo O’Laughlin, Kevin A. e Copacino, William C. (in The Logistics Handbook, Robeson, J. F. e Copacino W. C., 1994), o nível estrutural pode ser composto pelo design
de canal e estrutura de rede. O design do canal determina quais atividades e funções necessitam ser estruturadas para um determinado nível de serviços e quais organizações participarão delas. Em outras palavras, define a extensão e o grau de participação de cada um dos membros da cadeia de organizações na distribuição. Muitos fatores influenciam a estratégia para o design de canal, incluindo o nível e a qualidade da demanda dos consumidores, a economia de canal, o papel dos participantes e a força e poder dos participantes do canal. Nesta etapa, a decisão sobre distribuir diretamente ou terceirizar é bastante relevante. A análise detalhada e cuidadosa deve ser feita antecipadamente, pois após a constituição de uma estrutura de canal de distribuição, qualquer alteração na sua configuração original não pode ser obtida no curto prazo.
Novaes (2001: 31-40) afirma que os canais de distribuição oferecem a construção de vantagens competitivas sustentáveis por suas características de longo prazo, tanto no planejamento como na implementação, por exigirem a formatação de estrutura de organizações e terem base os relacionamentos. Sua importância é fundamental e seu custo pode representar uma parcela considerável do preço final do produto vendido ao consumidor.
Segundo Bowersox (2001: 89), dentre as áreas menos compreendidas no mundo empresarial está o complexo agrupamento de organizações denominadas como canal de distribuição ou canal de marketing. O canal é um meio através do qual um sistema de livre mercado realiza a transferência de propriedade de produtos e serviços. É a arena de batalha onde se irá determinar o sucesso ou o fracasso final de uma organização comercial. A diversidade e a complexidade das relações no canal dificultam a descrição e a generalização dos desafios enfrentados no desenvolvimento de uma estratégia para uma determinada cadeia de distribuição.
Assim, os canais não satisfazem apenas a demanda através de produtos e serviços no local em quantidade, qualidade e preço corretos, mas também podem apresentar um papel fundamental no estímulo à demanda, através das atividades promocionais dos componentes ou equipamentos atacadistas, varejistas, representantes e outros. É uma rede orquestrada que cria valor aos usuários finais através da geração das utilidades de tempo, de lugar, de posse e de forma.
Novaes (2001: 111) define os objetivos e funções gerais dos canais de distribuição como sendo: garantir a rápida disponibilidade do produto nos segmentos dos mercados identificados como prioritários, intensificar ao máximo o potencial de vendas do produto em questão, buscar a cooperação entre os participantes da cadeia de suprimento no que se refere principalmente aos fatores relacionados com a distribuição, assegurar o nível de serviço pré-estabelecido pelos parceiros da cadeia de organizações, manter um fluxo seguro de informações rápido e preciso entre os elementos participantes e buscar de forma integrada e permanente a redução de custos atuando, não isoladamente, mas em uníssono, ao analisar a cadeia de valor como um todo.
A constituição da rede física torna-se relevante, pois define quais são as instalações necessárias, qual é a missão de cada uma delas e onde poderiam ser alocados as plantas de produção, almoxarifados, centros de distribuição e outras estruturas necessárias para se operar plenamente o processo produtivo, deixando claro quais clientes e/ou linhas de produtos deverão ser servidos a partir de cada instalação e qual o tamanho de cada estoque será necessário se manter para satisfazer os níveis especificados de serviço. Também implica em se definir quais destas estruturas poderão ser terceirizadas e quais devem obrigatoriamente ser próprias.
O’Laughlin, Kevin A. e Copacino, William C. (in The Logistics Handbook, Robeson, J. F. e Copacino W. C., 1994) afirmam que o desafio nesta etapa é estruturar e implementar os requisitos de serviços sem ignorar os custos (incluídos custos de operação e despesas de implantação), riscos e flexibilidade. Assim, esse processo complexo envolve vários passos:
1. Identificar as soluções em cada sistema logístico potencial.
2. Entender os custos, serviços, benefícios, riscos e flexibilidade de cada um deles.
3. Identificar potenciais alternativas adicionais que poderiam ser consideradas.
Bowersox e Closs (2001: 138) afirmam que o projeto de rede é uma responsabilidade básica da gerência logística, consistindo em um projeto que envolve a estrutura das instalações da organização para fornecer produtos e materiais aos clientes. O objetivo é determinar a quantidade e a localização de todos os tipos de instalações necessárias para a execução do processo logístico. Também faz parte determinar o tipo de estoque e o
volume a ser armazenado em cada instalação, assim como as formas de vincular os pedidos de clientes aos locais de onde deve ser feita a expedição.
A rede deve incorporar as capacidades relacionadas com a capacidade armazenagem, a informação e os transportes. Todas as tarefas específicas associadas ao processamento de pedidos de clientes, à manutenção de estoque e ao manuseio de materiais devem ser executadas também dentro da estrutura do projeto de rede, que deve considerar as diferenças entre mercados geográficos. Uma organização que atua em escala estadual, por exemplo, deve desenvolver capacitações logísticas para atender a esses principais mercados, diferentemente de uma organização que tenha atuação internacional.
Não se pode esquecer também da modificação constante da rede de instalações, visando adaptá-la às mudanças nas infra-estruturas da oferta e da demanda. Trata-se de considerar a variedade de produtos, a demanda dos clientes e as necessidades de fabricação que estão em constante mudança diante de uma ambiente dinâmico e competitivo.