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No nível funcional situam-se as atividades fundamentais sem as quais a logística não pode funcionar: gestão da informação, gestão de estoques e gestão da movimentação (figura 13). Ballou (1993: 2-5) definiu a logística empresarial como sendo aquela que trata de todas as atividades de (gestão de) movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como (gestão) dos fluxos de informação que colocam os produtos

em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável.

Figura 13. Atividades funcionais e fundamentais da logística.

A gestão de estoques apresenta-se como essencial à logística, pois determina a importância do nível de disponibilidade do produto. Moreira (1993: 463) define estoques como sendo quaisquer unidades de bens físicos que sejam conservados, de forma improdutiva, por algum intervalo de tempo. Os estoques se constituem tanto de produtos acabados que aguardam venda ou despacho, como matérias-primas e componentes que esperam ser utilizados na produção.

Segundo Chopra e Meindl (2003: 227), o nível de disponibilidade do produto é medido usando-se o nível de serviço por ciclo ou grau de atendimento. O nível de disponibilidade mede a fração de demanda do cliente que é satisfeita com o estoque disponível. O nível de disponibilidade do produto é também denominado Nível de Serviço ao Cliente. Assim, um alto nível de serviço ao cliente manterá em seus estoques um elevado nível de disponibilidade, o que aumentará os custos, embora atenda satisfatoriamente às demandas totais do mercado. Torna-se necessário então,

G E ST Ã O D E G E ST Ã O D E EST O Q U E S E ST O Q U E S G E S T Ã O D A G E ST Ã O D A M O V IM E N T A Ç Ã O M O VIM E N T A Ç Ã O G E ST Ã O D A IN F O R M A Ç Ã O

buscar um equilíbrio entre os custos de se manter os estoques e um atendimento com elevado nível de serviços aos clientes.

Bowersox e Closs (2001: 23-4) acrescentam que a responsabilidade operacional da logística está diretamente relacionada com a disponibilidade de matérias-primas, produtos semi-acabados e estoques de produtos acabados, no local onde são requisitados, ao menor custo possível. É por meio do processo logístico que os materiais fluem pelos sistemas de produção e os produtos são distribuídos para os consumidores pelos canais de marketing. No que concerne ao estoque, a logística agrega valor quando o estoque é corretamente posicionado para facilitar as vendas. Afirmam que o serviço logístico básico é medido em termos de disponibilidade, desempenho operacional e confiabilidade do serviço.

O estoque atua como um amortecedor, como um “pulmão” entre os lotes ótimos de produção - LOP, definidos no Plano Mestre de Produção em função de análises racionais lógicas sobre o processo produtivo em suas linhas de produção e o os lotes ótimos de consumo - LOC, definidos a partir de demandas que podem variar de quase aleatoriedade total até uma aproximada sazonalidade, semanal, mensal e anual. A função dos estoques é impedir que os processos de produção e abastecimento dos mercados sejam interrompidos por faltas ou atrasos. Assim, a gestão de estoques e a compatibilização entre os LOPs e os LOCs é um dos papéis fundamentais da logística e pode incluir desde pequenos armazéns localizados em pontos distantes até grandes Centrais de Distribuição – CDs, localizados junto às fábricas; pode incluir sistemas que fazem entregas diretas desde a fábrica até os grandes magazines ou hipermercados, sem

passar por CDs ou armazéns, denominados estoque em trânsito ou armazenagem em instalações terceirizadas.

Kobayashi (2000: 95) afirma que quando se faz a programação para a produção sob previsão, a coisa mais importante é exatamente a modalidade relativa aos estoques dos produtos. Estabelecer o nível de programa de quanto estoque de produtos necessita-se ter é mais importante do que a programação de vendas. Assim, o gerenciamento de estoques torna-se um fator preponderante para a condução da função logística e sua eficiência está condicionada á eficiência da gestão dos estoques. Por isso, a gestão de estoques é considerada neste trabalho como de precípua e vital atuação funcional.

A gestão de movimentação inclui os transportes e as movimentações internas. Transferir bens de um local a outros é claramente uma das atividades funcionais da logística. Sem ela a logística não funciona, pois os produtos e materiais não chegam a outros pontos de demanda e consumo. A forma como o material ou produto será transportado depende das vantagens e desvantagens relacionadas à infra-estrutura de transportes, ao volume a ser transportado, à contabilidade e aos custos de movimentação, tempo, legislação, capacidade, etc.

De acordo com Bowersox e Closs (1996: 234 e 279), a funcionalidade do transporte baseia-se em duas atividades: movimentação e o transporte de produtos. A movimentação de produtos (materiais, componentes, subconjuntos, produtos semi- acabados ou produtos acabados) pode ser feita até a fase seguinte do processo de fabricação ou até um local fisicamente mais próximo ao cliente final. O transporte utiliza recursos temporais, já que o produto transportado torna-se inacessível durante o

processo de movimentação. Este estágio revela um novo tipo de estágio de produto chamado de estoque em trânsito, cuja importância cresce à medida que várias estratégias envolvendo a cadeia de suprimento visam reduzir os estoques das fábricas e dos centros de distribuição.

O transporte também utiliza recursos financeiros, já que são necessários gastos internos para manter uma frota própria para o trabalho do motorista, para os custos operacionais de veículos e para os custos gerais e administrativos, além das despesas decorrentes de possíveis perdas ou danos aos produtos. Por outro lado, gastos externos podem advir da contratação de serviços de terceiros. Assim como utiliza recursos temporais e financeiros, o transporte depende de recursos ambientais, tanto direta como indiretamente. De forma direta, pode ser tratado como um dos maiores consumidores de energia (combustível e óleo lubrificante) em decorrência das operações globais crescentes que exigem distâncias de transporte cada vez maiores. Indiretamente, o transporte causa danos ambientais em virtude de engarrafamentos, poluição do ar e poluição sonora.

O principal objetivo do transporte é movimentar produtos de um local de origem até um determinado destino, minimizando ao mesmo tempo recursos financeiros, temporais e ambientais. Além da movimentação, o transporte tem como função a estocagem temporária, embora esta seja menos comum. Tal função é efetivada, quando o espaço do depósito é limitado, utilizando-se veículos de transporte para a guarda de produtos, através do transporte do produto por um itinerário mais longo até seu destino, com maior tempo de trânsito; ou então, quando ocorre a alteração do destino da carga,

durante o trânsito, desviando a rota e determinando que a armazenagem temporária seja concluída (Bowersox e Closs, 1996: 281).

Comparado a outras atividades empresariais, o transporte assume caráter singular, já que as tomadas de decisão respectivas envolvem e são normalmente influenciadas por cinco componentes: o embarcador (ponto de origem), o destinatário ou receptor (ponto de destino), a transportadora, o governo e o público, os quais podem estar relacionados em termos de propriedade, ou podem operar de forma independente e representar interesses diferentes.

O transporte pode apresentar diferentes formas de realização denominadas “modais” e revela cinco tipos básicos: o ferroviário, o rodoviário, o hidroviário (também conhecido como aquaviário), o dutoviário e o aeroviário. A importância relativa de cada tipo pode ser medida pela distância coberta pelo sistema, pelo volume do tráfego, pela receita e pela natureza da composição do tráfego, e pelos horários de escalas de partida e chegada nos destinos. Assim, a gestão da movimentação apresenta-se como de grande importância e o seu papel junto ao nível funcional deve revestir-se de cuidados e atenção.

A gestão da informação se incumbe de definir o design e operação da infra-estrutura de informação, incluindo a definição do ciclo de processamento de pedidos, escolha de

software, hardware e sistemas integrados de comunicação, rastreamento e segurança. A

gestão da armazenagem busca definir a localização, o design e operação da infra- estrutura de armazenagem e inclui lay-out das instalações, tecnologia de seleção e manuseio de materiais, produtividade, segurança e regulamentação legal, entre outras. A

gestão da movimentação define o design e operação da infra-estrutura de transportes, podendo incluir considerações sobre escolha de modais, seleção de transportadores, racionalização dos transportes, consolidação de cargas, roteirização, agendamento, gerenciamento de frotas, medição de performance de transportes etc. Estas atividades são consideradas primárias porque elas são essenciais para a coordenação e o cumprimento da função logística.

A logística realiza a tarefa crucial de marketing ao tornar o produto esperado um produto recebido e também realiza a entrega do serviço/produto, permitindo que os clientes e/ou consumidores possam satisfazer suas necessidades. Porter (1992: 31-41) considerou como funções importantes da logística externa, a tecnologia de transporte, a tecnologia de manuseio de material, tecnologias de embalagem, tecnologia de sistemas de comunicação e a tecnologia de sistemas de informação. Considerou as tecnologias empregadas em logística como atividades de valor e a crescente proliferação dos sistemas de informação como uma poderosa força na abertura de possibilidades para inter-relações. Com a crescente capacidade para manipular dados em linha complexos, a tecnologia da informação está possibilitando o desenvolvimento de sistemas automatizados de processamento e controle de pedidos, roteirização, sistemas automatizados de manuseio de materiais e depósitos automatizados. A tecnologia de informação também está reestruturando os canais de distribuição, segundo este autor:

“A tecnologia de processamento de informações permitiu o estabelecimento de sistemas de informações gerenciais em áreas como logística, gerencia de estoque, programação da produção e programação da força de vendas.”

Christopher (1999: 111) considera que o que distingue a verdadeira integração da cadeia de abastecimento de acordos mais efêmeros e vagos é a disposição dos participantes em

compartilhar informações, sobretudo aquelas relativas à demanda, disponibilidade de estoque e programação da produção. Considera que o objetivo é criar uma “via de informações” que ligue o mercado final a todos os participantes. Esta afirmação por si só denota a relevância da função informação na estratégia logística, pois possibilita a todos os participantes da cadeia de abastecimento administrarem suas operações visando a obtenção de melhores resultados, com custos mais baixos e com melhor capacidade de resposta. Desta maneira, afirma:

“Há sinais de que, à medida que as organizações reconhecem que competir no desafiante mercado de hoje requer uma agilidade cada vez maior, a custos mais baixos, as empresas estão sendo forçadas a criar canais com maior capacidade de resposta. O segredo para a realização desses canais mais flexíveis, rápidos e baratos é a troca de informações. Sem ela, é pouco provável que esses novos desafios competitivos possam ser enfrentados.”

Magee (1977: 17 e 162) afirmava que o aperfeiçoamento dos canais de informação é fundamental para revolucionar os canais de distribuição, pois permite um acesso sistemático aos dados e controles, antigamente inexeqüível. Sem poder, ainda naquela época, contar com ferramentas informacionais, como computadores pessoais, redes e

Internet, já destacava a informação como elemento preponderante e funcional para o desenvolvimento de uma logística operando em sua melhor performance. Ao discorrer sobre as oportunidades para a redução de custos e tempos de espera, entre outros itens relevantes, considera sempre os três elementos (movimentação, estoques e a informação), em suas análises.

Assim, os novos avanços técnicos em comunicações observados à época, bem como o processamento de dados e os transportes, poderiam acelerar o reabastecimento, reduzindo o tempo de espera. A substituição do correio por comunicações telefônicas, do

processamento manual de dados pelo eletrônico, permitiu um aumento direto dos custos, mas poderia, também, reduzir o tempo de espera e, portanto, o investimento, fortalecendo assim a importância essencial da gestão da informação como componente crucial na obtenção de uma funcionalidade mais eficiente de sua aplicação.