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Nasceu em 10 de maio de 1855 em Serampore e seu nome era Priya Nath Karada. Seus estudos formais foram curtos, mas falava fluentemente o sânscrito, hindi, bengali, inglês e francês. Casou-se muito jovem e teve uma filha. Já na idade adulta, tornou-se discípulo de Láhiri Mahásaya e, após a morte de sua esposa, entrou para a Ordem dos Swamis, recebendo então o nome de Yukteswar, que significa “unido a Ishvara”, ou seja, “unido a Deus”. Conforme relato de Yogananda, seu Mestre costumava despertar antes da madrugada para praticar meditação; logo após a prática, realizava uma caminhada pelo Ganges, um banho, e tinha sua primeira refeição ao meio dia. Após o jantar, suas aulas eram acompanhadas pelos discípulos até altas horas. Ele ensinava que:

A criação inteira é governada por leis – concluiu Sri Yukteswar - Os princípios que operam no mundo exterior, passíveis de descobrimento pelos cientistas, denominan-se leis naturais. Existe, porém, leis mais sutis que regem os planos espirituais ocultos e o reino interno da consciência; estes princípios podem ser conhecidos através da ciência do ioga. Quem compreende a verdadeira natureza da matéria não é o especialista em Física, mas o mestre unificado com deus. Por meio desse conhecimento, o Cristo foi capaz de restaurar a orelha do servo, depois de ter sido cortada por um de Seus discípulos (YUKTESWAR, Apud YOGANANDA,1981:118). (Grifo meu)

Referir-se ao Yoga como ciência é natural para autores indianos pois eles a consideram a mais elevada das ciências, pois é aquela que leva ao conhecimento e a

transformação de si mesmo, o “conhece-te a ti mesmo”. No clássico entendimento de Epicuro, a ciência teria surgido para desvendar os mistérios, mas, o que observamos é que a ciência como disciplina acabou criando os seus próprios mistérios, onde o ser humano comum sequer pode entender a sua linguagem. Além do mais, ela necessita de constante atualização, pois, os livros científicos de dez ou cinco anos atrás já estão superados, enquanto a ciência do Yoga já conta com milênios e continua atual, pois trata-se de um conhecimento que trabalha com a essência do homem e do universo. Na apresentação do seu livro, Ciência do Yoga, Taimni, ao falar sobre o Yoga, esclarece:

Os que o estudarem verão por si mesmos que esta ciência das ciências é demasiadamente abrangente em sua natureza e muito profunda em suas doutrinas, para enquadrar-se em qualquer filosofia, seja antiga ou moderna. Ela preserva suas características de ciência baseada nas leis eternas da vida superior, sem necessitar que qualquer ciência ou sistema filosófico endosse suas afirmativas. Suas verdades são baseadas em experiências e experimentos de uma linha ininterrupta de místicos, ocultistas, santos e sábios, que as realizaram e as testemunharam através de eras. (TAIMNI,1996:10).

Sri Yukteswar faz parte desta linhagem de santos e sábios e seus ensinamentos são tidos como perenes. Ele usava de uma linguagem clara e contundente, sendo conhecido por sua disciplina rígida, mas também por ser uma pessoa extremamente intuitiva. Yogananda nos relata que seu Mestre teria sido o guru mais procurado da Índia e teria mais discípulos se sua linguagem não tivesse sido tão franca e tão severa. Relata também que seu Mestre era uma pessoa digna de confiança e silenciosamente amoroso, mas nunca dava demonstrações de afeto. Além do mais, costumava dar suas orientações conforme a tendência de cada discípulo. Com relação aos visitantes, costumava ser gentil e cordial, mas quando se tratava de algum ególatra inveterado, ele se tornava “indiferente como o gelo ou duro como o ferro”. Uma das observações de Sri Yukteswar, neste sentido, era que “algumas pessoas tentam ser altas cortando a cabeça das demais!”. Ele criticava aqueles que faziam da filosofia um mero “exercício de ginástica intelectual” (YOGANANDA,1981:131) ou tinham a futilidade de se dar à mera “leitura de livros” não acompanhada de uma mudança interior positiva:

Não confunda a compreensão com um vasto vocabulário – comentava ele. Os escritos sagrados são benéficos para estimular o desejo de realização interna, se um versículo de cada vez for vagarosamente assimilado. Do contrário, o estudo intelectual contínuo pode resultar em vaidade, satisfação falsa e conhecimento indigesto (YUKTESWAR, Apud YOGANANDA,1981:132).

Sri Yukteswar tinha como método de ensino usar da concentração da mente em um assunto de cada vez, e desencorajava aquele que pensava ser o conhecimento literário um degrau para a realização espiritual. Da mesma forma ensinava Dabru Ballav: “Se alguém se ocupa com a exibição exterior da riqueza das Escrituras, que tempo lhe resta para o silencioso mergulho interno em busca das pérolas de valor incalculável?” (BALLAV, Apud YOGANANDA,1981:132).

Yukteswar sempre foi um guru independente financeiramente e isto o colocava numa posição diferente dos instrutores que dependiam dos que os sustentavam. Em seu eremitério, oferecia educação gratuita a todos os seus discípulos. Ele se enquadrava na definição védica de um homem de Deus: “Mais suave que a flor quando se trata de bondade; mais forte que o trovão quando os princípios estão em jogo”.

Ele veio a falecer com 81 anos de idade, no ashram de Puri, em 09 de março de 1936, sentado na posição de lótus (postura de meditação). Em sua vida, nunca saiu do seu país, mas seus ensinamentos atravessaram o além mar, graças ao seu discípulo Yogananda.

O oriente continuou atraindo a atenção do mundo ocidental e, na literatura, pode-se identificar duas tendências que surgem entre os especialistas, uma mais científica e a outra mais espiritual. Na primeira, vamos destacar nomes como Bergaigne, Sylvain-Levi, LaValée-Pussin, Sénart, Grousset e Masson-Oursel, sendo que eles recorrem a métodos históricos e filológicos. Na segunda tendência, percebe-se uma inclinação para a teosofia e podemos citar Romain Roland e René Guénon, entre outros. Bohdan, como veremos, filia- se as duas unindo ciência e espiritualidade na sua vivência e ensinamentos do Yoga.

Entre os grandes mestres contemporâneos, Sri Aurobindo ficou também muito conhecido por divulgar a meditação yogue e a filosofia oriental no Ocidente.