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5.2 The responsiveness of the courts to the voice of the hungry and malnourished

5.2.2 The nature of the judiciary

Considerado por muitos como o pai do yoga moderno, nasceu em 1888 na Índia, em Muchukundapura, Karnataka. Seu pai, que veio a falecer quando ele era ainda um adolescente, o teria iniciado e incentivado na pratica do Yoga e afirmava ser a sua família descendente de um yogue conhecido por Nathamuni, que viveu no século IX. Ainda muito jovem dedicou-se ao estudo do sânscrito e aos textos védicos. Estudou ainda filologia,

lógica, mística e música. Com a morte do seu pai, começou a praticar as posturas a partir de textos e, ocasionalmente, orientava-se com yoguis que conhecia. Foi um professor que recomendou-lhe procurar Sri Ramamohana Bramachari, um mestre em Hatha-Yoga, que vivia no Himalaia, perto da fronteira do Nepal com o Tibete, e com ele aprendeu asanas (posturas), pranayamas (técnicas de respiração) e memorizou o Yoga-Sutra de Patanjali. Aprendeu habilidades consideradas extremamente difíceis como a de controlar o próprio pulso, além de uma seqüência enorme de asanas. Depois de sete anos, o seu Mestre pediu que voltasse a sua cidade e se casasse, pois deveria aprender a viver em família. Nessa época, era muito difícil conseguir trabalho, principalmente como professor de Yoga, e ele passou a fazer demonstrações em público para atrair seus alunos: realizava posturas difíceis, parava o pulso, levantava objetos pesados com os dentes, enfim fazia tudo para chamar a atenção: um yoga-show. Como era costume na Índia (e ainda é em algumas famílias), ele conseguiu um casamento arranjado e foi um período muito difícil em sua vida, pois a pobreza era muito grande.

Em 1931, conseguiu trabalho como professor de Yoga no Sanskrit College, em Mysore, mas foi por pouco tempo pois era muito severo com seus alunos e as reclamações começaram a ocorrer. A grande sorte foi o fato do marajá, da família real de Mysore, ser uma pessoa defensora da cultura indiana e, impressionado com a erudição e a performance de Krishnamacharya, ofereceu-lhe para ensinar em sua faculdade de sânscrito e um salão do palácio de Jaganmohan, para que continuasse com suas aulas de Hatha-Yoga.

O objetivo de Krishnamacharya era alcançar a maestria do corpo e desenvolver também os poderes (siddhis) que, acreditava, podiam ser alcançados com a prática de asanas. Neste período ele começou a desenvolver o seu método que ficou conhecido como Ashtanga Vinyasa Yoga, conhecido também por Viniyoga. Neste método, ele divide em três estágios as fases de vida, representados pela juventude, meia idade e velhice. Na juventude, o objetivo do seu Yoga era desenvolver força muscular e flexibilidade; na meia idade, a finalidade é cuidar da saúde para poder atender a profissão e a família; na velhice, o objetivo deve ir além da prática física, pois, inicia-se a busca por Deus. Esta visão de Krishnamacharya está fortemente ligada a uma tradição da Índia onde o ciclo da vida está dividido em quatro estágios: o primeiro é o da criança que está em crescimento; o segundo é o do estudante que está em busca de conhecimento; o terceiro é o período do casamento, da família e do trabalho e o quarto estagio é aquele em que a pessoa, após cumprir suas obrigações profissionais e familiares, torna-se livre para se dedicar à busca da Verdade ou

Deus e livre para se tornar um sanyasin ou um monge.

A idéia tradicional de que a “busca de Deus” só deve acontecer na velhice influenciou, de certa forma, o foco que os indianos começaram a dar ao Hatha-Yoga. A saúde física em primeiro lugar, pois, buscar o divino é coisa para os idosos.

O objetivo de Krishnamacharya era dar a seus alunos, crianças e jovens, todos do sexo masculino, uma boa forma física e para isso uniu Yoga, ginástica e luta. Nesse período, viajou muito, ao que ele chamava “excursões de propaganda”, e suas demonstrações públicas atraiam pessoas das mais diferentes classes sociais.

No ano de 1947, ano em que a Índia passava por sérias mudanças políticas que vieram a culminar com a sua independência, a escola contava com apenas três alunos e em 1950 ela fechou. Uma época bastante difícil para Krishnamacharya, pois se viu, com sessenta anos de idade, tendo que recomeçar a vida. Iyengar comenta que foi nesse período que seu guru teria desenvolvido mais o espírito de compaixão, pois era uma pessoa conhecida por uma rigidez que beirava ao “fanatismo”. Aqui Iyengar fala de si mesmo e do seu guru, Krishnamacharya:

Sou fanático com relação a mim quando pratico ioga. É verdade. Você deve ser fanático quando se trata de você, mas não com os outros. Meu guru era fanático com relação a todos, a mim inclusive. Ele impunha seus padrões a todo mundo. (IYENGAR,2007:124)

No final da década de 1950, Krishnamacharya mudou-se para Madras e a perfeição da postura passou a ser o seu objetivo principal. Para ele, o movimento do corpo deve ser combinado com a respiração e a concentração do olhar em pontos específicos (drishtis), e a essa técnica ele deu o nome de shikshana. Foi neste período que o seu filho Desikachar passou a se interessar pelo Yoga. Ele era engenheiro de formação e nunca havia se interessado pelas atividades do pai, sendo visto como uma pessoa de “nariz empinado”.

A partir de 1970, Krishnamacharya passou a adaptar as aulas de acordo com a habilidade de cada praticante, usando a capacidade de cada pessoa como ponto de partida com o objetivo de leva-la a uma perfeita saúde. Especializou-se neste sistema onde a prática é realizada de uma forma intensa, dinâmica, desenvolvida ao longo de três séries de posturas, sendo composta de asanas preliminares, intermediárias e avançadas. Os alunos devem memorizar e dominar cada seqüência antes de passar para a próxima. Desenvolveu também formas de trabalhar onde poderia atender as pessoas doentes, mulheres grávidas e

crianças. Passou a dar mais atenção a prática do Yogaterapia.

Nos últimos anos de sua vida modificou sua forma de trabalho, tendo incluído em suas aulas cantos de mantras ou textos védicos, pois havia se tornado também mais dedicado a praticas devocionais. Combinava o número de versos com o tempo em que se deveria permanecer na postura, acreditando que assim ajudaria os alunos a manter o foco da atenção. Em suas práticas de “meditação” instruía os alunos a observar o espaço entre as sobrancelhas e então dizia: “Pense em Deus. Se não em Deus, no sol. Se não no sol, em seus pais.” Insistia para que fosse encontrado “um poder maior que nós mesmos”.

Sua didática teria sido criada basicamente entre 1930 e 1950, mas, só agora se tornou tão popular, graças a alguns de seus discípulos. Na verdade, aqueles que se consideram seus discípulos acabaram por criar uma variação do seu método pois, Indra Devi, que faleceu recentemente, sempre utilizou uma forma mais suave de Hatha-Yoga; Iyengar acabou criando o seu próprio estilo e K. Pattabi Jois, ao que tudo indica, parece ter permanecido mais fiel ao estilo do mestre. O seu filho Desikachar também acabou criando seu próprio estilo de trabalho.

Krishnamacharya sempre insistiu para que todos da familia praticassem Hatha- Yoga. Seu filho, Desikachar, nascido em 1938, nunca se interessou e muitas vezes fugia para não ter que fazer as aulas. Este relata, em seu livro O Coração do Yoga, lançado recentemente no Brasil, que seu pai chegou a usar técnicas um tanto agressivas, amarrando-o, mas isto também não o intimidou. Ele decidiu estudar engenharia e só depois de formado veio a se interessar pelo Yoga. Isto aconteceu quando ele descobriu o valor terapêutico da mesma, visto que seu pai, nos últimos anos de vida, passou a ser visto como um curador. Seu pai não acreditou que seu interesse fosse duradouro e sugeriu que continuasse se dedicando a sua profissão, a engenharia. Para ficar próximo do pai, consegue emprego em uma firma perto de sua cidade. Krishnamacharya, para testar o filho, combinou que as aulas seriam às 3:30 da manhã e este concordou que realizariam as práticas de “asanas” (posturas) e o canto do Yoga Sutra de Patanjali. Ele relata que 'minha experiência pessoal de mudança de uma vida de engenheiro para a de dedicado professor de yoga – isso foi em 1964 – foi difícil' (DESIKACHAR, 2007:165).

Desikachar fez um acordo com seu pai, que durante as aulas não se falasse em Deus, pois não aceitava a religião. Ele menciona que “quando estudei o Yoga Sutra com meu pai pela primeira vez, eu disse a ele: “por favor, não pregue sobre Ishvara para mim. Quero saber sobre yoga, não quero aprender a rezar”. (Ibid:202). Esta afirmativa nos

mostra a sua visão a respeito do Yoga, isto é, são apenas posturas, que não levam a Deus, mas ao corpo perfeito, flexível, saudável.

Desikachar, até a data de hoje (2008) dirige o Krishnamacharya Yoga Mandiram, em Chennai, Índia e, com a ajuda de seu filho, Kausthub, tem desenvolvido um trabalho de Hatha-Yoga para crianças, incluindo as deficientes, além de publicar livros de histórias infantis e vídeos com técnicas para trabalhar esta faixa etária. Desikachar acredita que, para atender o mundo ocidental, o Yoga deve se despir dos conceitos hindus, e declara, referindo-se a seu pai, que “a visão de mundo de Krishnamacharya estava enraizada na filosofia Védica; a do Ocidente moderno está enraizada na Ciência.”21 Em seu livro, O

Coração do Yoga, podemos observar uma visão do Yoga que, talvez por ser “mais

moderna”, acaba deixando de lado a sua essência.22 Como exemplo, ao ser perguntado se o

objetivo último do Yoga é estar sempre em estado de samadhi, ele responde: “O objetivo último do Yoga é sempre observar as coisas com precisão e, portanto, nunca agir de maneira que possa, mais tarde, nos trazer arrependimento por nossas ações”.(Ibid:184).

Observar as coisas com precisão e não arrepender-se de ações praticadas é mais uma questão de ética e bom senso que um ser humano pode ter sem mesmo conhecer o Yoga. São qualidades que, acredito, possam ser aperfeiçoadas com a prática do Yoga-Meditação, mas, o objetivo último do Yoga, em sua essência, vai muito além dos conceitos.

O livro Coração do Yoga traz informações importantes no que diz respeito ao Hatha-Yoga, mas, é preciso que haja discernimento, pois, o autor usa a palavra Yoga de forma indiscriminada, o que pode gerar confusão entre Hatha-Yoga e Yoga-Meditação (Mantra-Yoga ou Raja-Yoga). Os efeitos e resultados de uma não são iguais aos efeitos e resultados da outra. Os objetivos do Hatha-yoga são totalmente diferentes do Yoga- Meditação, como ensinam os grandes Mestres :Vivekananda, Ramakrishna, Yogananda, Yukteswar, Brunton e Bohdan.

Krishnamacharya exibiu suas habilidades com o corpo para os militares britânicos, para os marajás muçulmanos e indianos, não importasse qual a crença religiosa de cada um, enfatizando que o Yoga poderia atender a qualquer credo ... menos às mulheres!

Embora duvidasse da capacidade feminina em praticar o Hatha-Yoga, o primeiro aluno interessado em aprender o “seu Yoga” foi uma mulher, usando sari (roupa típica das 21 -Informações retiradas do site: http://www.yogamala.org/textos/krishnamacharya.php e da obra “O

coração do Yoga” de DESIKACHAR:2007.

22 -A obra de Desikachar traz em seu final uma tradução e comentário sobre o Yoga-Sutras de Patanjali, que ele afirma ser seu guia preferido. Sugiro uma comparação com a obra de Taimni, A Ciência do

mulheres indianas) e, além de tudo, uma estrangeira. Ele foi taxativo: “sua escola não aceitava mulheres e nem estrangeiros”. Esta mulher havia visto Krishnamacharya, em 1937, em uma demonstração no palácio da família real de Mysore e, descontente com a recusa, solicitou a intervenção do Marajá para que pudesse ser aceita como aluna. Ela ficaria conhecida mais tarde como Indra Devi.