4.4 The judiciary in Guatemala
4.4.4 Other domestic institutions
No final do século XX, podemos destacar a pessoa de Krishnamurti, mais que um filósofo ou um sociólogo, um pensador que muito veio a influenciar os estudiosos e os jovens ocidentais da “Contracultura”. Ele fez parte também de um circulo de pensadores e de uma sociedade que se tornou polêmica: a Sociedade Teosófica fundada por Madame Blavatsky, conhecida por seus poderes paranormais e uma coleção de livros, deixados pela mesma, que são de valor inestimável pelo grande número de informações e comentários
que oferece, a respeito do universo e do homem; algo que todos os orientalistas da época não conseguiram realizar: A Doutrina Secreta e Ísis sem Véu (ao todo dez volumes).
A obra deixada por Helena Petrovska Blavatsky merece ser conhecida por todos aqueles que se interessam pela filosofia e cultura oriental. Krishnamurti, com certeza, recebeu forte influência destes teosofistas, mesmo porque seu pai era um deles e ele viveu sua infância e juventude sob a tutela de Annie Besant (1847-1933), que veio a se tornar presidente da Sociedade quando o Coronel H. S. Olcott faleceu, em 1907.
Annie Besant foi uma feminista, ambientalista, e defendia a liberdade, quando grande número de países estava preso ao colonialismo. Na Índia, ela exerceu importante papel na criação e reformas de escolas e universidades. Profunda conhecedora da filosofia oriental, deixou inúmeras obras e esclarece que “a Teosofia não preconiza nada mais que Raja Yoga” (BESANT,1968:21). A Raja-Yoga, também conhecida como “Yoga Real” corresponde a práticas espirituais mais elevadas, enquanto o Hatha-Yoga é tido como disciplina preparatória. Logo, Besant declara abertamente que a Sociedade Teosófica recebeu influência desta linha de Yoga.
A pessoa de Krishnamurti se destaca pela divulgação que o mesmo deu a conceitos importantes dentro da filosofia yogue e principalmente do que diz respeito ao silêncio e a meditação. Como exemplo podemos citar:
Se observardes com muita atenção, vereis que, embora a reação, o movimento do pensamento pareça tão rápido, há vãos, há intervalos entre os pensamentos. Entre dois pensamentos, há um período de silêncio, que não se relaciona com o processo de pensamento. Observando-o, vereis que esse período de silêncio, esse intervalo, não é temporal, e o descobrimento desse intervalo, o pleno experimentar desse intervalo, liberta-vos do condicionamento. (KRISHNAMURTI,1974:187) (O grifo é meu).
Krishnamurti nasceu na Índia em 11 de maio de 1895, na cidade de Madanapalle, próximo de Madras, (Madrasta). Sendo o oitavo filho de uma família brâmane, recebeu esse nome em honra de Sri Krishna, de quem sua mãe era devota. Sua mãe, Sanjeevamma, morrera em 1905, mas aprendeu com ela as bases para sua busca espiritual. Seu pai, Juddu Narianiah, aposentado e velho teosofista, ofereceu seus serviços à Sociedade Teosófica tornando-se o secretário assistente e foi então com os quatro filhos que ainda lhe restavam, viver em Adyar, sede da Sociedade, fundada por
Madame Blavatsky. Charles Leadbeater, um dos chefes da comunidade, por volta de 1904
9, notou ser Krishnamurti, com apenas nove anos de idade, uma criança muito especial e,
posteriormente, Annie Besant, com o consentimento do pai do menino, tomou-o sob sua tutela, ele e seu irmão Nityananda.
Em janeiro de 1911, foi fundada em Adyar a Ordem Internacional da Estrela do
Oriente tendo Krishnamurti, com dezesseis anos, na qualidade de chefe. A organização
tinha como objetivo preparar os seus membros e o mundo para o advento do “Instrutor do Mundo”. Tanto Annie Besant quanto Leadbeater, ou os teosofistas, acreditavam que todos os grandes instrutores religiosos foram guiados por um Grande Ser, que se manifestava a cada dois mil anos numa encarnação humana e Krishnamurti seria o veículo escolhido pelo Lord Maitreya. Neste mesmo período, Annie Besant levou Krishnamurti e seu irmão para Londres, com o objetivo de aprimorar a educação de ambos. Ele ficou na Inglaterra até o final da guerra (sobre a qual ele disse: “um crime não deixa de ser um crime porque é cometido por muitas pessoas”) e em 1920 foi para Paris, onde aprendeu o sânscrito e o francês de forma fluente. Krishnamurti acompanhava Annie Besant, sua mãe adotiva, quando ela realizava palestras em várias cidades do mundo. Neste período, ele passou a ter várias experiências relacionadas com suas práticas meditativas.
Em 1921, voltou para Índia, país onde todos buscavam a espiritualidade, mas ele não se deixou seduzir pelas aparências de sua terra. Ele dizia: “A Índia pode ter os livros mais sagrados do mundo, as maiores filosofias, maravilhosos templos antigos, mas nada disso me pôde dar o que eu procurava”. (KRISHNAMURTI, apud ACHARD,1974:24- a:13). Ele sabia intuitivamente que não era nos livros, nos templos ou na filosofia que ele encontraria a resposta para seus questionamentos, mas foi na Índia que ele iniciou sua carreira de orador público, atividade esta que a princípio foi bastante difícil dada a sua natural timidez. Em 1922, viajou para a Austrália onde realizou várias conferências e depois retornou para a Califórnia, onde encontrou o paraíso natural de Ojai, a quinze milhas de Los Angeles. Neste local, ele e seu irmão realizaram juntos muitas sessões de meditação.
Na Holanda, o barão Pallandt Van Erde colocou à disposição de Krishnamurti o seu belo castelo, em Ommen. Este presente não foi aceito como dádiva pessoal e um sindicato foi formado para administrá-lo em benefício do seu trabalho. A partir de 1924, em todo verão foram realizadas palestras, com uma platéia que variava entre duas à três mil 9 - Para alguns autores este encontro teria acontecido em 1909. Conclui pelas pesquisas realizadas que o
pessoas. Ao mesmo tempo, em Ojai, Califórnia, as reuniões continuaram com enormes auditórios. Em 1925, quando Krishnamurti estava na Índia, o seu irmão, com quem tinha um forte relacionamento, veio a falecer em Ojai, e este fato trouxe grandes mudanças em sua vida. Foi após a morte de seu irmão que ele veio a ter uma das experiência mais profundas em sua vida, e descobriu o que significava a liberdade interior. Passou a criticar todas as organizações espirituais e dizia que “ a descoberta da verdade só pode ser pessoal e direta”. A partir de 1926, os seguidores de Krishnamurti começaram a notar sua mudança, usando de um tom de revolta e palavras que abalaram a estrutura de muitas pessoas. Por ele, muitos estavam dispostos a morrer e não esperavam ouvir que deveriam pensar por si próprios e não obedecer a nenhuma autoridade externa. Ele não queria ser visto como um guru ou o fundador de uma nova seita ou religião e afirmava “que a verdade é um país sem caminhos e que a ele não se chega por nenhuma trilha, por nenhuma religião, por seita alguma”. (KRISHNAMURTI, 1974:24-a:22)
Em 03 de agosto de 1929, em Ommen, na presença de Annie Besant, sua mãe adotiva, ele dissolveu a Ordem das Estrelas, que existia há dezoito anos e que, nesse momento, contava com quase 60.000 membros, um enorme recurso financeiro e várias propriedades. Krishnamurti, com 34 anos de idade, havia alcançado o discernimento e a força na decisão que iria modificar totalmente a sua vida. Restituiu todos os bens que havia recebido como presente, declarando que não queria seguidores e que cada um cuidasse de sua própria vida e, além do mais, ele se dizia incompreendido:
Se existirem apenas cinco pessoas que queiram escutar, que queiram viver, que tenham suas faces voltadas para a eternidade, isso será o bastante. O que adianta milhares de pessoas que não compreendem, que estão totalmente embalsamadas em seus próprios preconceitos, que não querem uma coisa nova mas antes de mais nada gostariam de traduzi-la para adaptá-la às suas individualidades estéreis? (Ibid, 1974:61).
A partir de 1930, ele reiniciou suas palestras, principalmente em Ojai (Califórnia), Ommen (Holanda) e Varanasi (antiga Benares-Índia) e, a partir de 1934, ele foi ouvido em várias partes do mundo (Nova Zelândia, Inglaterra, França, Suíça, Itália, Holanda, etc.), somente interrompendo o seu trabalho quando as autoridades lhe proibiram, na época das guerras. A adoração do público, que tanto o incomodava, foi substituída pelo respeito. Muitos livros foram editados (mais de sessenta) e traduzidos para vários idiomas, onde ele aborda os mais variados temas com maestria. Destacamos um trecho onde ele fala sobre o
silêncio interior, considerando-o como o único capaz de dissolver todos os conflitos: O vazio total da mente, quando alumiada até em seus recônditos recessos, tem uma intensidade que não é o frenesi de estar ocupada e que não está sujeita a diminuir, com a resistência que acompanha toda ocupação. Nada havendo a que resistir ou que vencer, essa intensidade é silêncio sem esforço. A mente ocupada não conhece esse silêncio. (KRISHNAMURTI,1981:292).
As idéias de Krishnamurti quanto à educação eram inovadoras, considerando-a falha e como tal precisava ser modificada. Alertava para o risco dos condicionamentos que sofremos com as propagandas (para ele ser um propagandista é ser um mentiroso), com o governo, as religiões organizadas e seus dogmas e os códigos morais da sociedade. Dizia que deveríamos ensinar às crianças que é uma estupidez nos conformar, e que não precisamos aceitar tudo aquilo que a sociedade nos impõe. Dizia ainda que primeiro precisamos derrubar nossos próprios condicionamentos para poder ajudar as crianças pois só podemos transmitir aquilo que somos. Colocava o amor e a vocação como elementos principais no magistério. Dizia que era preciso também educar o educador:
Educar o educador – isto é, faze-lo compreender a si mesmo – é empresa das mais difíceis, porque nós, em geral, já estamos cristalizados num sistema de pensamento ou forma de ação, já nos entregamos inteiramente a alguma ideologia, religião, ou padrão de conduta. Por essa razão é que ensinamos ao jovem o que pensar e não como pensar. (KRISHNAMURTI, s.d.124)
Esta falha, observada por Krishnamurti há tantos anos, continua presente na pós- modernidade e, apesar de uma grande variedade de métodos terem surgido na área da educação, percebe-se que há uma grande distância entre a teoria e a prática. Crianças e jovens, na sua grande maioria, recebem tudo pronto, daí a grande dificuldade, por exemplo, na interpretação de textos, pois não aprenderam “como pensar”. E o adulto por estar “cristalizado” não consegue identificar a sua falha.
A educação foi uma das grandes preocupações de Krishnamurti e, ainda vivo, fundou várias escolas em diferentes partes do mundo onde crianças, jovens e adultos eram e, ainda são, acolhidos de uma forma amorosa.
Podemos considerar Krishnamurti uma pessoa com inteligência perspicaz e de uma profunda natureza filosófica, mas devemos reconhecer também, que em todos os seus livros e palestras, não chegou a oferecer de forma clara uma técnica ou prática que levasse alguém ao estado de iluminação. O que para ele era evidente, ficava incompreensível, muitas vezes, para aqueles que o ouviam. Quando ele diz, por exemplo, que a mente se
purifica quando está “vivendo com o fato” e aí não existiria o conflito de opostos; este “fato” pode ser identificado ao ato Puro, ao ato Divino da Estética de Bergson. E, se for assim, só pode praticar o ato divino aquele que é um Ser Divino, logo o homem realizado. E, para viver o “fato ou o ato puro” a pessoa precisa da vivência, da experiência e não de tantas palavras.
Quando ele coloca ainda que “Deus é o homem purificado”10 não esclarece que este
homem é purificado porque alcançou o estado de iluminação e não deixa claro a técnica ou método que todo ser humano pode utilizar para alcançar este estado. Suas colocações a respeito da prática meditativa pode causar uma certa confusão para aqueles que não têm experiência com a mesma. Logo, ensinar a técnica, levar o indivíduo à cosmo-experiência é a coisa mais importante a ser feita para se alcançar o estado de Yoga, a união. Deus é aquele homem que se integrou na vida cósmica e essa união depende da purificação através do Yoga. Diz o Bhagavad Gita /VI/12:
Assim sentado, domina a sua mente e, dirige o pensamento a um ponto de concentração, retendo, ao mesmo tempo, as impressões dos sentidos e não deixando entrar na mente pensamentos que vagueiam. Nessa posição, conservando calma e persistência, purifica a sua alma dirigindo a consciência ao Eu Real, ao Absoluto, que é a base de todos os seres (BHAGAVAD GITA,VI/12)
Krishnamurti veio a falecer com câncer, em 17 de fevereiro de 1986 em Ojai, Califórnia, com 90 anos de idade. Seus amigos mais próximos percebendo a riqueza dos seus ensinamentos, criaram Fundações que se espalharam pela Europa, Estados Unidos, América Latina e Índia. No Brasil existe a Instituição Cultural Krishnamurti desde 1935. Elas têm como objetivo difundir as obras de Krishnamurti e ajuda a financiar as suas escolas.
A Contracultura - um momento que é importante destacar
Se no século XIX pudemos destacar tantos exploradores do pensamento que se voltaram para a Índia, muitos deles homens já maduros que se mostravam insatisfeitos com a filosofia ocidental, vamos encontrar no século XX um movimento que marcou pela 10 -“Não há outro Deus senão o homem purificado” - declarou Krishnamurti em 1930 - O homem purificado se conhece perfeitamente e se livrou dos falsos valores do egoísmo, da agitação mental. ...” KRISHNAMURTI, apud LINSSEN, Robert, Krishnamurti e o Zen - Revista Planeta Especial,1974: nº 24- 107-114.
diferença de idade, pois, na Contracultura (60/70) são os jovens que iniciam esta viagem. Quando as religiões judaico-cristãs passaram a ser o foco das classes dominantes, os jovens da classe média perderam contato com elas e esse desinteresse veio a refletir tanto na esfera religiosa quanto na cultural (Contra-Cultura). Alguns jovens passam a se envolver com novas ideologias sociais, materialistas e revolucionárias (participação nos sindicatos, nos movimentos trabalhistas); outros acham que a política é o contrário da mística e preferem entrar para os movimentos hippies e muitos deles recorreram então ao consumo de drogas, para alcançar os estados alterados de consciência de uma forma mais rápida. Todos eles buscavam uma resposta interior mas a droga serviu apenas para ampliar o que tinham dentro de si mesmos. Como resultado, alguns, não encontrando uma resposta compatível com as suas buscas, adotaram uma atitude negativa com relação à vida, perderam a confiança em si mesmos e outros se voltaram para a Índia. As comunidades hippies americanas, onde o movimento da Contracultura floresceu, aumentaram muito e tornou-se um fenômeno mundial (Amsterdã, Londres, Paris). Nos arredores de São Francisco, próximo de Big Sur, haviam comunidades onde os jovens desenvolveram a agricultura (legumes e frutas) e a produção de produtos artesanais (bijuterias, cintos, bolsas, chinelos de couro) e roupas (túnicas principalmente) e incensos vindos da Índia. Na música, vamos encontrar o então famoso Ravi Shankar que encantava a todos com seus instrumentos exóticos. Na literatura, os preferidos eram os autores indianos ou ocidentais envolvidos com a cultura oriental, tais como: Jiddu Krishnamurti (que acabamos de citar), Rabindranath Tagore, Khalil Gibran, Hermann Hesse, Aldous Huxley, Paul Brunton, Bhagwan Rajneesh e tudo que se relacionasse ao Yoga. A moda indiana era tão forte que muitos já se sentiam um yogue ao usar uma túnica comprida, e as lojas ofereciam esses trajes como os mais “indicados para a prática da meditação”. As comunidades buscavam uma vida paralela, com valores diferenciados, fugindo ou negando as instituições, recusando a violência urbana, decepcionados com a família e a vida em sociedade. Mas a grande dificuldade de comunicação que havia dentro da família ou da sociedade urbana vem a se refletir, é claro, entre os “irmãos” da comunidade ou “grande família” e as mesmas dificuldades de adaptação acabam acontecendo. Passado o entusiasmo inicial, as comunidades foram pouco a pouco se desfazendo e aqueles que se envolveram com o uso de drogas mais pesadas tiveram ainda mais problemas ao retornar para o ambiente social.
seus “gurus”, da graça e da sabedoria, que pensavam encontrar caminhando pelo Ganges, seja em Varanasi (Benares) ou Rishkesh. Alguns buscavam a facilidade da obtenção da droga, o “soma” dos deuses do hinduísmo. Outros acreditavam que a Índia, o país dos ashrams e da meditação, dos yogues e sadhus, traria a paz eterna, o mergulho interior que tanto ansiavam mas acabaram se defrontando com seus próprios demônios interiores. Deste período tão especial podemos destacar um retorno à natureza, o esoterismo, o misticismo, novas seitas, a medicina alternativa com as suas terapias naturais e a alimentação vegetariana ou macrobiótica virou “moda”.
Ainda deste período, um movimento que deixou vivo na mente dos ocidentais os jovens com suas roupas coloridas no estilo indiano (os rapazes usando longas túnicas laranja ou amarela, cabeça raspada ou rabo de cavalo e as mulheres usando o sari) circulando em grupo pelas cidades, distribuindo folhetos, marcando o ritmo nos tambores, tocando sinos, sorrindo e entoando com muita alegria o mantra “Hare Krishna, Hare, Hare!”. Surge no ocidente o Movimento Hare Krishna e o canto do mantra “Hare Krishna”, para eles, tem o poder de elevar a alma e celebrar o nascimento de Krishna, um homem-deus que teria surgido há cinco mil anos na Índia.
A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada (1896-1977) é conhecido como o fundador e chefe espiritual da Ordem Hare Krishna, a “Sociedade Internacional para a
Consciência de Krishna”, (ISKCON), julho de 1966, tida como um ramo da antiga
tradição conhecida por Vaishnavismo. Nasceu em Calcutá, Índia e, em 1922, conheceu o seu mestre espiritual Sri Bhaktisiddhanta Saraswati Thakura. Foi ele que lhe pediu a divulgação dos seus ensinamentos no mundo ocidental. Em 1965, Sri Prabhupada viajou para os Estados Unidos e, em Nova York, criou vários ashrams (comunidades), escolas, templos, institutos. Ele trouxe para o Ocidente mensagens que estão na base da maioria dos cultos religiosos hindus. Traduziu e comentou importantes obras que compõem as antigas escrituras conhecidas como védicas, tais como: o Bhagavad-Gita, os Upanishads e outras. Em 1972, introduziu o sistema védico de educação primária e secundária, na primeira escola Gurukula dos Estados Unidos. Até agora existem mais de trinta escolas no mundo.
Prabhupada é autor de 60 livros, traduzidos em vários idiomas; possui uma editora que publica livros no campo da literatura, religião e da filosofia indiana. No Ocidente, entre as décadas de 60 e 70, fez muito sucesso atraindo jovens das comunidades hippies. Seus adeptos ficaram famosos pela divulgação do mantra “Hare Krishna” e do Bhakti-
Yoga, que prega o caminho de devoção à Krishna, o Deus encarnado, venerado na tradição Vaishnava. Alguns estudiosos duvidam da existência da figura de Krishna, assim como alguns duvidam da existência de Jesus. Tudo indica que ele foi um mestre espiritual muito reverenciado que com o tempo passou a ser deificado, como ocorreu com outros mestres. Os ensinamentos de Krishna estão registrados no Bhagavad-Gita e em outras partes do Mahabharata, além do Rig-Veda (8.74) e no Chandogya-Upanishad (30.6).
Ao ler os pequenos manuais distribuídos pelos discípulos de Prabhupada, em troca de uma pequena doação, e conversando com alguns deles nas ruas de São Paulo, descobrimos que não há o hábito de se praticar meditação em suas reuniões, apenas são entoados cantos. Encontramos entre os ensinamentos de Prabhupada, sobre Meditação e
Superconsciência:
Na verdade a pratica de Yoga é alcançada quando você está em samadhi, pensando sempre na forma Visnu do Senhor dentro de seu coração, sem perturbar-se. Portanto os yogis vão a um local isolado, e, controlando todos os sentidos e a mente, absorvendo-se em pensar na forma de Visnu, eles atingem o samadhi. Isto chama-se perfeição da yoga. Na realidade, este sistema de yoga é muitíssimo difícil. Talvez seja possível para algum homem solitário, mas para a massa popular em geral ele não é recomendado nas escrituras: ... 'Nesta era de Kali, deve-se cantar o santo nome do Senhor para se alcançar a salvação. Não há outra maneira. Não há outra maneira. Não há outra maneira' (PRABHUPADA,1990:04). (O grifo é meu)
Nota-se pelo texto que o autor considera a pratica do Yoga-meditação “um sistema de yoga muitíssimo difícil” e que a mesma só possa ser praticada em locais isolados. Na Índia de hoje, ou ainda em outros países praticantes do hinduísmo, é comum o pensamento de que a prática de meditação deve ser feita nas florestas ou em grutas, nas montanhas e nem sequer o templo é, para muitos, considerado o local adequado.11Quanto a ser uma
prática difícil, estamos de acordo mas, o seu aprendizado não é impossível. Discordamos do autor ao ensinar seus discípulos, que a pratica não é recomendada para a massa popular em geral e apenas acessível para os solitários. Com relação ao Hatha-Yoga ele observa :
Fazer uma mera exibição de ginástica não é a perfeição do yoga. Yoga significa controle dos sentidos. (PRABHUPADA,1990:01). (O grifo é meu).
Prabhupada ensina que “cantar o nome de Deus” leva a salvação, ou ainda “se você quer conhecer Deus, tem de adotar este sistema de bhakti-yoga”. O mantra “Hare Krishna”
11-Fui censurada por um guia turístico, hinduísta, por estar meditando no Mother Temple, em Bali. Para