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5.1 The legal voice of the hungry and malnourished in Guatemala

5.1.4 Alternative arenas

Nasceu em Londres e teve uma longa carreira no jornalismo tendo se tornado, ao longo do tempo, um pesquisador no estudo comparativo das religiões e profundo conhecedor da filosofia e mística oriental. Dedicou-se à busca da Verdade como compromisso de vida e escreveu inúmeros livros onde se nota uma espiritualidade séria e silenciosa. Autor de várias obras, entre elas, A Índia Secreta, Um eremita no

Himalaia, A sabedoria do eu superior, O caminho secreto, onde

relata suas experiências de viagem à Índia em busca dos yogues, místicos e homens santos. Entre os vários yogues que teve oportunidade de encontrar, conheceu Ramana Maharshi (1879-1950), considerado um dos grandes seres iluminados

do século XX. Sobre os yogues, relata Brunton:

É interessante notar que as grutas das montanhas sempre foram as residências favoritas dos Yogues e eremitas. Os antigos as destinavam aos deuses. Zoroastro, profeta dos parses, se entregava á meditação numa caverna; também numa gruta Maomé recebia as suas revelações. Os Yogues indianos ainda têm outras boas razões para preferir as cavernas, pois suas pedras não só os protegem das inclemencias de monção, como também os abriga das bruscas mudanças de temperatura ao levantar e ao pôr do sol; o frescor da sombra, seu silêncio, são favoráveis à meditação, e o ar rarefeito atenua as necessidades fisiológicas, reduzindo ao mínimo os cuidados de higiene indispensáveis ao corpo.... Ramana ficou anos vivendo nessa caverna, entre os constantes êxtases. Ele não era um yogue, no sentido próprio da palavra, pois nunca estudara doutrina Yoga nem praticara os exercícios sob a vigilância de um mestre. Seguia individualmente a vereda sublime que leva ao conhecimento de si próprio, guiado por um apelo interior do seu Mestre Divino. (BRUNTON, s.d.:267). (O grifo é meu).

Percebe-se, neste texto, que para o autor yogue é aquele que estuda a filosofia e pratica uma série de “exercícios” ( as posturas) sob a orientação de um mestre. Em suas obras nota-se que Brunton via o Yoga mais como uma atividade física, que ele critica duramente dizendo ser, uma “Yoga comum” , daí também a sua colocação de que Ramana “não era um yogue, no sentido próprio da palavra”. Na verdade Ramana era o verdadeiro yogue e foi um dos poucos que atingiu o mais elevado samadhi, alcançou o verdadeiro Yoga, a união com o Divino. O próprio Brunton relata que Ramana vivia em “constantes êxtases”.

Brunton descreve a meditação como uma prática diferenciada do Yoga, visão esta que vem se firmando cada vez mais na atualidade. Ele destaca com veemência o valor da meditação, prática que ele demonstra realizar com regularidade. Era contra o ascetismo e considerava a meditação não como um fim em si mesmo mas um meio para alcançar um fim. Ele alerta quanto aos riscos e benefícios do pranayama (exercícios de respiração) e da meditação, das expectativas do ego com relação as práticas, como quando se coloca como objetivo o ganho de poderes.

Já no início de suas pesquisas, pela Índia, Brunton havia encontrado o “verdadeiro yogue”, e, ao que parece, alguns pré-conceitos com relação ao significado do termo Yoga o impediram de ver, na pessoa de Ramana, um “Yogue”. Ele se tornou um discípulo fiel do sábio de Arunachala. São suas palavras:

Ele foi o místico indiano que mais me inspirou, o sábio indiano a quem mais reverenciei, e seu poder era tal que tanto o Governador Geral quanto o maltrapilho trabalhador cule sentavam-se juntos a seus pés com o sentimento de estarem ante uma

presença divina. Certos fatores combinaram-se para nos manter separados durante os últimos dez anos de sua vida, mas o contato telepático interior e a estreita afinidade espiritual entre nós permanecem – e permanecem - vívidos e ininterruptos (BRUNTON, 1995:185).

Este contato telepático e a afinidade espiritual entre mestre e discípulo são relatados com freqüência na vida dos chamados grandes místicos e é um fato que pode ocorrer para aqueles que se dedicam à prática meditativa e ao silêncio interior ou daqueles que estão, de alguma maneira, preparados para tal contato, pois a consciência de um Mestre sente-se a vontade em todas as esferas. É conhecida a frase “quando o discípulo está pronto o mestre aparece”. Leadbeater esclarece: “A indescritível união do discípulo com o Mestre, que começa com a cerimônia da aceitação, é permanente, pois ainda que o discípulo esteja muito longe do Mestre no plano físico, seus veículos superiores vibram em harmonia com os de seu Instrutor” (LEADBEATER,1999:101).

É surpreendente a mudança de visão que Brunton mostra em seus livros posteriores a respeito do que seja Yoga e especialmente o valor que a meditação passa a ter em sua vida. É possível identificar isso em suas palavras:

Atingimos assim o limite daquilo que pode ser explicado com palavras deste aspecto da realidade última. A verdade sobre ela é silenciosa, não pode escrever-se. O leitor e o autor devem agora entrar num silêncio etéreo e estranho, se quiserem ainda progredir. O silêncio é a melhor adoração mística e perceptiva. O estudante deve compreender que o Real está onde não parece existir senão um silêncio estático; onde a sua percepção individual não registra mais nem forma nem entidade, o Eu Superior é. (BRUNTON, 1997:329). (O grifo é meu).

Se torna desnecessário qualquer comentário sobre o texto e percebe-se o caminho que o autor seguiu durante toda sua vida: a busca do Silêncio. Brunton, obteve em sua viagens, estudos e reflexões as nuanças que o Yoga possuía em cada país que visitou, fosse ele do oriente ou do ocidente.

Também na Índia o Yoga apresentou-se ( e apresenta-se até hoje) com facetas diferenciadas, como notou Mircea Eliade: “(O Yoga) acabou por integrar e absorver toda espécie de técnicas espirituais e místicas, das mais elementares as mais complexas”. Se, na própria Índia, vamos encontrar tantas variações e mal entendidos, não nos surpreende que o Ocidente tenha sido afetado por estes pensamentos. O termo yogue passou a ser associado, a faquires, mágicos, feiticeiros, ilusionistas ou contorcionistas. Hoje, pode-se contar nos dedos o número de verdadeiros yogues ou verdadeiros mestres na Índia, mas no Ocidente encontramos em cada bairro, gurus ou pseudos- mestres diplomados e que

assinam orgulhosamente o seu nome com o símbolo do “Om”, denominando-se a si mesmos de “yogues”. Mestre Bohdan costumava ensinar que yogue é aquele que realizou o Yoga, a união com o Divino. Desta forma, aqueles que não alcançaram este estado, apenas podem ser considerados como meros aspirantes a yogues. Segue um relato de Ramakrishna:

747- Certo brahmachari, (aspirante religioso), chamado Ramachandra, visitou um dia Shri Ramakrishna, no templo de Dakshineswar. Havia deixado crescer o cabelo e o levava entrançado, à maneira dos ascetas. Possuía ainda o costume de sentar-se e exclamar de tempo em tempo: 'Shivoham! Shivoham!'. (Sou o Senhor Shiva!), sem pronunciar nenhuma outra palavra. Shri Ramakrishna observou-o em silêncio por certo tempo e depois lhe disse: 'De que serve a mera repetição da palavra shivoham? Somente quando, pela perfeita meditação do Senhor dentro do templo do coração, se perde toda idéia do ego e se realiza o Senhor Shiva, tem alguém o direito de repetir essa sagrada palavra. Que bem pode fazer a mera repetição da fórmula sem a realização? Enquanto não se atinge o estado de realização, é melhor considerar ao Senhor como Amo e a si mesmo como Seu humilde servidor' (RAMAKRISHNA, apud VIYOYANANDA, s.d.:160).

Este fato serve para alertar os inúmeros ocidentais que vão à Índia e retornam ao seu país de origem, os homens com barba crescida e cabelos longos e as mulheres com sari (roupa típica das indianas) ou saias e túnicas típicas do país (que são por sinal muito bonitas, mas as próprias indianas estão deixando de usar.), bindu (sinal) na testa, etc. Estas atitudes são típicas do “modismo” que iremos analisar no capítulo segundo. Na realidade, a maior mudança a ser aspirada deveria ser a interna, pois a externa é superficial. Brunton descreve sua experiência :

Testemunhamos hoje o fato de que por toda a Europa e a América surgiram escolas de hatha yoga. Isto é para ser bem recebido por várias razões. A maioria dos instrutores são ocidentais que estudaram, geralmente por períodos curtos, com um guru indiano que veio para o Ocidente e, em raros casos, com um guru na própria Índia. Vale a pena repetir neste contexto que o médico diretor do hospital de Rishikesh (que, situado no sopé do Himalaia, é o maior centro para treinamento de yogis na Índia) me informou que passaram por suas mãos mais de trezentos casos de yogis – ou melhor, candidatos a yogis – que haviam prejudicado a saúde ou se tornado insanos pela prática de determinados exercício de respiração ligado usualmente ao hatha yoga, mas também ao raja yoga elementar. Refiro-me ao exercício conhecido como “prender a respiração ( BRUNTON,1995:70). (O grifo é meu).

Este livro, The Notebooks of Paul Brunton, traduzido para o português com o título

Idéias em Perspectiva, foi editado em inglês em 1984, mas a história não mudou. Todos

professores considerados famosos, em Rishikesh (ao norte) ou em Mysore (ao sul). Ao regressar ao seu país de origem, consideram -se já verdadeiros yogues e começam a dar aulas, muitos deles desconhecendo os riscos que algumas técnicas podem oferecer, como no exemplo citado por Brunton, relacionadas ao pranayama. Outros ainda acabam causando sérias lesões ao extrapolar os limites do corpo na ânsia de alcançar alguma postura desafiadora. Mais grave ainda, aqueles que se propõe a ensinar a meditação sendo eles próprios inexperientes, típico do conhecido ditado “um cego guiando outro cego”.

Paul Brunton deixou uma extensa obra onde podemos ver o filósofo e o místico caminhando lado a lado. Suas experiências no mundo oriental, ao lado de yogues, místicos e homens santos vieram a contribuir enormemente para sua busca interior. Seu hábito de escrever sobre a busca da auto-realização espiritual e sua visão profunda neste campo tem sido extremamente benéfica até os dias de hoje para seus leitores.

Outro nome que ficou bastante conhecido no Ocidente divulgando o Yoga- Meditação, além de outras práticas, foi Swami Muktananda.