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Ele nasceu em 23 de novembro de 1926,16 na cidade de Puttaparthi, uma pequena

aldeia ao sul da Índia. Seu nome, Sathyanarayana (Sathya é verdade e Narayana, Deus no homem) e sua mãe se chamava Easwaramma, que significa “Mãe de Deus manifesto”. Quando criança, a sua bondade chamava a atenção de todos e não tinha receio de chamar a atenção de um adulto quando assim considerava necessário. Criou um grupo de teatro onde usava da dança, da música, cantos religiosos e chegou a promover algumas peças infantis, que, com certo humor, mostrava as fraquezas do adulto. Com mais ou menos 14 anos, disse à sua família que havia chegado a hora de cumprir a sua missão. Perguntado por seu pai, quem ele era, respondeu: “Sai Baba”. Sua resposta surpreendeu, pois, este santo, de nome Shirdi Sai Baba, faleceu em 1918 e não era pessoa conhecida em Puttaparthi. Satchidananda esclarece:

Shirdi Sai Baba foi um grande iogue, santo e realizador de milagres, reverenciado tanto por hinduístas quanto por muçulmanos. Sathya Sai Baba (1925), de Puttaparthi, A.P., diz ser sua reencarnação (MAHESWARANANDA, apud SATCHIDANANDA, 2005:53).

A vida de Sai Baba começou a mudar, pois as pessoas vinham cada vez mais em busca de cura, sendo que cegos voltaram a enxergar, alimento era distribuído para todos os presentes, transformava água em gasolina, etc. Ele passou a ser comparado à pessoa de Jesus no que diz respeito a realização de milagres, sendo estes confirmados por muitas testemunhas oculares ainda vivas. Diz-se que “ele sabe fazer de tudo”; ele é o “Todo Poderoso” e nos altares de muitos lares indianos é comum encontrar-se uma imagem de Jesus ao lado da de Sai Baba.

Milhões de pessoas já passaram pelo ashram de Sai Baba e todos os anos inúmeros ocidentais vão até lá, inclusive muitos brasileiros. Todos se surpreendem com as suas materializações de cinzas ou de objetos, até de grande valor, que surgem quando ele realiza alguns gestos circulares com as mãos. Estes milagres eram mais freqüentes alguns anos atrás, até os seus 35 anos de idade e, conforme suas declarações, eram realizados 16- Alguns dados da biografia de Sai Baba foram retirados da Revista Planeta, número 169/outubro de 1986. Outras informações são de suas obras e autores diferenciados.

com a finalidade de mostrar os seus poderes e divertir as pessoas. Muitos interpretam como meros “truques de ilusionismo” apenas para atrair discípulos e que um iluminado não usaria os seus dons desta forma. Mas, muitos outros afirmam que são milagres com uma boa finalidade, para ajudar as pessoas. Sai Baba esclarece que não faz milagres para impressionar e que eles fazem parte do seu estado normal de consciência. Agora, ele está em uma nova fase e o seu objetivo é mostrar o caminho da Verdade e com esta finalidade já escreveu mais de trinta livros, traduzidos para vários idiomas.

Para Sai Baba, a educação das crianças e adolescentes é de suma importância e com esta finalidade já fundou inúmeras escolas, colégios e universidades. Organizou um exército de voluntários que são distribuídos para vários setores: atender a saúde física, espiritual e social, dando especial atenção ao homem do campo. Em mais de 60 países, seus seguidores já fundaram centros que divulgam os seus ensinamentos e, fora da Índia, ele já teria alcançado mais de dez milhões de discípulos. Figuras de destaque na sociedade indiana o procuram para aconselhamento como, Rajiv Gandhi ou Ravi Shankar, além de cientistas e médicos. Já não existe mais dúvida quanto ao seu carisma, sabedoria e influência que tem exercido no mundo oriental e também ocidental.

Sathya Sai Baba acredita que é Deus e, mais ainda, que todos nós o somos, e que permanecerá encarnado até os 96 anos, isto é, até 2012. São afirmações que chegam a incomodar nossa mente ocidental, mas também Krishnamurti quando uma vez lhe perguntaram: “Quem é Deus?”. Ele respondeu: “Deus é o homem purificado”. Ele ensina: “51-... Jesus Cristo se proclamou primeiro um mensageiro de Deus; depois se anunciou o Filho de Deus; e ainda mais tarde, declarou não haver distinção entre ele e o Pai e que ambos são Um só”. (SAI BABA,1993:73)

A declaração de Jesus, dentro da filosofia Vedanta, é puramente monista; a busca do Um, do Absoluto, da Realidade Última, é considerada a busca mais antiga da Índia. Essa busca é possível através do treino da mente, e esta técnica Sai Baba enfatiza em vários momentos do seu livro Sadhana, O Caminho Interior:

30- Tenho-lhes recomendado usar o tempo em meditação (dhyana) ou em repetir um mantra ou na recitação do santo nome de Deus (namasmarana), pois a Paz e a Alegria não são encontradas na natureza exterior, são tesouros que jazem nos reinos internos do homem. Uma vez que estes sejam encontrados, nunca mais o homem será triste e agitado. (Ibid:28).

exige intensa disciplina. Este sadhana (disciplina espiritual), diz ele, levará à realização. Em sua afirmação acima, que a prática diminui a agitação, um efeito terapêutico da meditação, é fato comprovado pela pesquisa ocidental feita pelos estudiosos, tais como, Benson, Goleman, Kabat Zinn, Davidson, Wallace, e outros.

Descontente com o comportamento de seus compatriotas, ele relata: “Os videntes e sábios da Índia têm dado ênfase à disciplina e têm prescrito meios para a conquista da meta. Mas, indianos há que desconhecem tal disciplina e o valor que ela tem”. (Ibid:67).

Esta é uma realidade principalmente da Índia pós-moderna, como veremos no segundo capítulo, pois, os jovens, na sua grande maioria, estão deixando de lado as suas tradições e tudo o que a ela diz respeito. A religião ou a filosofia é vista como “coisa para os velhos”. A ascensão do país dentro do mundo da tecnologia está mudando a cabeça dos jovens e as ofertas que surgem a cada dia, das grandes empresas estrangeiras é um convite também para que abandonem o seu país. Algumas estruturas se mantêm, como a família, mas Yoga ou meditação é coisa de sadhus e o lugar deles é na floresta. Mesmo os sadhus, que antes eram vistos como “homens santos”, hoje já são vistos, por alguns indianos, como “viciados em droga” ou “pessoas que não querem trabalhar e levar uma vida normal”.

De uma forma bonita Sai Baba ensina: “Esteja dentro do mundo, mas não permita que o mundo esteja dentro de você. Este é um sinal de discernimento (viveka)” (Ibid:50). A palavra viveka nos faz lembrar o grande sábio Shankara, que, quando perguntado por um discípulo: “Quem é escravo?”. Ele respondeu: “Aquele que está apegado ao mundo.”

Esta luta pelo desapego faz parte da sadhana de todos aqueles que querem trabalhar a sua espiritualidade. Satya Sai Baba, até o presente momento (2009) continua levando adeptos do mundo todo para seu ashram na Índia, mas suas aparições no momento são raras o que faz com que muitos voltem de lá decepcionados.

Sai Baba é um dos poucos que presenciou nas décadas de 60 e 70, vários compatriotas atravessando o oceano. Aqueles que ficaram na Índia também não apoiavam de todo esta investida dos swamis além de suas fronteiras e ainda se mostravam preocupados com a terrível previsão de que “os ocidentais vão comercializar o Yoga”.

Além da presença de vários gurus indianos no Ocidente, temos alguns movimentos que chegaram a atingir o continente americano gerando polêmicas. Como exemplo, podemos citar Parsi Meher Baba, que fracassou ao tentar restabelecer o “Reino de

Zaratustra”, mas que rendeu divisas consideráveis para o governo indiano. As contribuições vindas dos jovens americanos foram grandes, mas muitos gurus tiveram um destaque muito curto, um sucesso relâmpago. Além dos nomes já citados ficaram conhecidos ainda Tilak, Annie Besant e os teosofistas, Mata, Anandamoyee, Mohanananda, Satimata, Chinmayananda, Abhedananda, Swami Chandra, Murugan Adimai, Swami Devananda Saraswati Maharaj, Yogiraj Hansji Maharaj (fundador da Divine Light Mission) e seu herdeiro espiritual Satguru Santji Maharaj. Entre eles teremos aqueles que foram um veículo positivo para a divulgação do Yoga no Ocidente e outros que deixaram uma imagem negativa, usando do manto de yogue para ludibriar pessoas e fazer fortuna. Muitos deles, também, viajaram para os Estados Unidos embalados pelos sonhos de conquistar uma legião de fiéis discípulos, mas, muitos deles se deixaram conquistar pelas tentações da vida ocidental, mais livre e confortável, do que aquelas a que estavam acostumados em seu país.

O comércio do Yoga se alastrou tanto no ocidente como no oriente e muitos mestres indianos, seja do século XX ou XXI, angariaram enormes fortunas e, nos dias de hoje, todos os anos, muitos dólares são deixados em escolas indianas por ocidentais que buscam muito mais do que simples posturas. Mas, alguns nada encontram além delas pois o Hatha-Yoga, o Yoga do físico, se tornou uma febre no mundo ocidental e passou a fazer parte do culto ao corpo.

O Hatha-Yoga

O Hatha-Yoga atrai a atenção do público ocidental talvez pelo enorme valor que o mesmo dá ao seu “aspecto físico” ou, na busca de uma melhor “qualidade de vida”, fatores estes que a mídia tanto valoriza e que são típicos da pós-modernidade, como será visto no capítulo segundo. Entre os maiores divulgadores do Yoga voltado para o aspecto físico, podemos destacar os nomes de Indra Devi, Pattabi Jois, Iyengar e Desikachar, sendo que todos eles se dizem discípulos de Tirumalai Krishnamacharya. Mas, a história começa um pouco antes.

Uma fase importante de expansão do Hatha-Yoga ocorreu depois de 1945, após a Segunda Guerra Mundial, compreendendo Europa, Estados Unidos e inclusive a Rússia soviética. Muitas conferências, transmissões de radio e televisão, boletins, artigos na imprensa e as escolas interessadas no método se multiplicaram.

Na Europa, podemos destacar a França e Bélgica como os países onde o Yoga surgiu como ginástica, higiene corporal, higiene mental, magia, espiritualidade, sendo tudo isso combinado em doses variadas conforme as escolas e seus adeptos.

O nome de um religioso cristão se destaca na divulgação do Hatha-Yoga no Ocidente: Jean-Marie Déchanet, que foi iniciado no Hatha-Yoga por Phillipe de Méric, discípulo do indiano Sri Mahesh Gatradyal, que é apontado como um dos pioneiros na divulgação do Hatha-Yoga no ocidente pois teria chegado na França em 1947.