2.1 Human rights
2.1.1 The right to food
Nasceu em Calcutá, Índia, em 15 de agosto de 1872. Seu pai estudou medicina na Inglaterra e, por este motivo, decidiu que seus filhos também teriam uma educação diferenciada. Nos primeiros anos, Aurobindo recebeu sua educação em um colégio de freiras irlandesas, na cidade de Darjeeling. Com sete anos, foi enviado à Inglaterra onde aprendeu o latim, francês e grego, além de ter realizado uma carreira acadêmica brilhante
em Cambridge. Nessa época, ele começou a escrever e, a partir daí, não mais parou. Sua criação literária varia bastante, tendo se dedicado também à poesia como expressão da sua
busca espiritual.
Com 20 anos, retornou à Índia, quando seu pai já havia falecido e sua mãe se encontrava muito doente. Em 1893, tornou- se professor no Colégio de Baroda e, só então entrou em contato com a sua própria cultura, passando a estudá-la com toda dedicação. Para isso se dedicou ao estudo do sânscrito e outras línguas indianas atuais. Nesse período, iniciou e intensificou a sua participação no Movimento Nacionalista Indiano, que lutava pela independência do seu país. Foi também neste período que ele começou a se dedicar à prática do Yoga-Meditação e à busca direta de uma experiência do divino. Esta técnica, levou-o a ter experiências que foram decisivas em sua vida. Seu envolvimento na política levou-o, em 1906, para Calcutá, onde se tornou o diretor do Bengal National College, mantendo ainda a liderança do partido e uma grande atividade jornalística.
Em 1908, no auge de sua atividade política, foi acusado de ter participado de um atentado e por isto condenado a um ano de prisão pelos ingleses. Aproveitou o período em que esteve na prisão para estudar e se dedicar à meditação e, após a sua absolvição, teve ainda um curto período de vida política e jornalística. Em 1910, foi para Pondicherry onde, de 1914 à 1920, editou a Revista Filosófica Arya, de onde retirou importantes artigos para seus livros lançados posteriormente.
Aos poucos, Sri Aurobindo foi atraindo vários discípulos ao seu redor e entre eles, estava aquela que lhe sucedeu, a francesa Mira Alfassa (nascida em Paris em 1878), que ficou conhecida como a “Mãe”. Conta-se que, desde a adolescência, Mira tinha visões de Sri Aurobindo e recebia suas orientações sem nunca tê-lo visto e, só mais tarde, viajando para a Índia (em 1914) é que o encontrou. De 1916 até 1920, ela morou no Japão e de lá seguiu direto para Pondicherry, Índia, onde viveu até o final dos seus dias. Estudou profundamente o ocultismo e com Sri Aurobindo iniciou-se no Yoga-Meditação. Com ela, o número de discípulos aumentou dando origem ao “Ashram Sri Aurobindo”. O aumento do número de pessoas à procura do ashram talvez tenha sido também porque Mira, em primeiro lugar, e Sri Aurobindo, de forma muito discreta, tenham demonstrado o poder de cura. Ela mesma relata que: “Há casos que vejo que é para intervir, e tenho
poderes completos para mudar o resultado, isto é, para curar a pessoa doente. Há outros que vejo não poder intervir. Por exemplo, é tempo para a pessoa deixar o corpo: ele terá que deixar o corpo”. ( A MÃE, 1994:114)
Não se discute aqui como isto é realizado ou qual o resultado alcançado. Essa postura nos mostra que um dos motivos (não era o único) da procura pelo Ashram e, pela pessoa da “Mãe” era a busca pela cura de doenças. Num outro trecho da mesma obra, Mira relata:
Porém, o número de milagres que Sri Aurobindo realizou na mente é incalculável; mas, naturalmente, você podia apenas vê-lo se tivesse uma visão muito pura, muito direta, muito sincera – só algumas pessoas puderam vê-los. Mas ele recusava-se - isso eu sei – recusava-se a realizar qualquer milagre vital ou material ... (Ibid,1994:115)
Neste texto, percebe-se que o foco de Sri Aurobindo era obter uma mudança interior do indivíduo, que o corpo e até mesmo a razão têm um papel secundário neste setor, pois, ela não pode fixar os limites para a experiência espiritual.
Aurobindo ensinava que sobrenatural é aquilo que “não conhecemos”, ou algo de que desconhecemos o acesso, que “ainda não os conquistamos”. Mira relata que ,quando Sri Aurobindo estava na posse do “poder supra-mental”, podia usá-lo como quisesse e isto é o que para o leigo se chama “milagre”.
Em 1926, Aurobindo transferiu o comando do ashram (a orientação espiritual e a organização) para Mira e passou a viver num retiro silencioso, vindo a falecer em 1950. Durante quase cinqüenta anos, Mira dirigiu esta comunidade que se tornou conhecida internacionalmente. A primeira escola do ashram foi aberta em 1943, com apenas vinte alunos e, em 1952, foi criado o Centro Internacional de Educação de Sri Aurobindo, com 530 alunos. Para Mira, a educação de um ser humano deveria começar antes mesmo do seu nascimento e prolongar-se por toda a vida. Em 1968, foi fundada a cidade internacional Auroville, sendo que mais ou menos 500 pessoas, entre indianos e estrangeiros viviam no local. Mira faleceu em 1973, com 95 anos. Ambos deixaram muitas obras, traduzidas para vários idiomas e o trabalho voltado para a educação inspirou vários movimentos em diversos países. Ele alertava para a importância da educação física, vital, mental, psíquica e espiritual. O foco dado por Aurobindo à educação infantil, no que diz respeito ao desenvolvimento da atenção e da concentração, deve ter inspirado muitos educadores ocidentais. Aliás, ele insistia que essas práticas deveriam continuar para sempre porque:
Sobretudo se se continuou a cultivar o poder de concentração e atenção é possível deixar entrar na consciência exterior ativa apenas os pensamentos que são necessários, que se tornam então muito mais dinâmicos e eficazes. E se, na intensidade da concentração, tornar-se necessário não pensar de modo algum, pode-se acalmar toda a vibração mental e obter um silêncio quase total, É neste silêncio que pouco a pouco podemos nos abrir a regiões superiores do mental a aprender a registrar as inspirações que vêm de lá (AUROBINDO,1974:37) (O grifo é meu)
Esta prática de cultivar o poder de concentração e atenção, que Aurobindo relata, traz em seu âmago a definição de Yoga: “a interrupção do fluxo de pensamentos”, na busca do silêncio interior. Ele enfatiza que o mental precisa de repouso e que o repouso maior está no silêncio. No capítulo terceiro estaremos analisando a função fisiológica que exerce o silêncio em nossa mente e o valor do repouso da mente racional.
Sri Aurobindo criou a chamada Yoga Integral, um método de educação que visa levar o ser humano à experiência do divino. Um dos destacados discípulos de Sri Aurobindo foi Haridas Chauduri, professor de filosofia e chefe do Departamento da Ásia do Sul da Academia Americana de Estudos Asiáticos, São Francisco, onde fundou também um centro de estudos onde nomes importantes da psicologia (Richard Price, Michael Murphy fundadores do Instituto Esalen/Califórnia) passaram a se encontrar. Chauduri ,em seu livro Yoga Integral faz uma análise sucinta do método proposto por Aurobindo, seus princípios e sua relação com os outros tipos de Yoga além de abordar o misticismo. Sobre a meditação ele comenta:
A fase final da meditação é a experiência existencial, que significa uma espécie de percepção direta da base suprema da existência. No Budismo essa percepção se denominou bodhi ou prajna. O Zen chama-a satori. Na filosofia hindu chama-se samadhi ou janana. Envolve um sentido de fixação no eterno e um sentimento de unidade com o universal. É uma experiência imediata da unidade de toda a existência. ... Todas as grandes religiões do mundo, apontam a consciência cósmica unitiva como a consumação final do esforço espiritual do homem (CHAUDURI, 1972:106).
Samadhi, satori ou prajna são nomes já muito conhecidos no nosso dia a dia, mas alcançar estes estados, experienciá-los, faz parte de “um caminho árduo e doloroso” especialmente no começo, como ensina Sri Aurobindo:
Especialmente no começo, a única grande necessidade é conseguir que a mente fique quieta, rejeitar no momento da meditação todos os pensamentos e movimentos que sejam estranhos à sadhana. Na mente quieta, haverá uma progressiva preparação para a experiência. Mas você não deve ficar impaciente se tudo não for realizado de vez;
trazer uma inteira quietude para dentro da mente leva tempo; você tem que continuar até que a consciência esteja pronta (AUROBINDO,1977:38). (O grifo é meu).
Trabalhar o corpo é bem mais fácil do que trabalhar a mente, pois esta é muito mais sutil, daí a grande dificuldade dos praticantes do Hatha Yoga. É preciso muita paciência e dedicação ou a técnica é abandonada logo no seu início. Além do mais, a formação do hábito diário na vida adulta não é tão fácil. O primeiro passo é a busca da quietude e depois, muito lentamente, o mergulho no silêncio vai acontecendo. Ele esclarece ainda: “Não é possível construir um fundamento no Yoga se a mente é inquieta. A primeira coisa necessária é quietude na mente. E, também, dissolver a consciência pessoal não é o primeiro objetivo do Yoga; o primeiro objetivo é abri-lá a uma consciência espiritual mais alta, e também para isto uma mente quieta é a primeira necessidade. (Ibid:13).
A experiência mística para Aurobindo faz parte de “uma consciência maior que está além da mente”. Ele dizia que o pensamento metafísico europeu, mesmo entre aqueles que tentaram provar ou explicar a existência de Deus, falhou, pois, não foram além do intelecto. Dizia ele: “a especulação intelectual e lógica acerca da existência ou não de uma tal consciência não pode nos levar muito longe”.
Sri Aurobindo é considerado por Ken Wilber como “ o maior filósofo-sábio da Índia moderna” pois a sua mensagem está muito à frente do seu tempo e por isso seus ensinamentos continuam tão atuais.
Ainda no século XX, podemos destacar outros nomes importantes que ajudaram na divulgação do Yoga-Meditação ou da filosofia indiana no Ocidente. Entre eles: