Ao relatar a experiência artístico-pedagógica de Ricardo Peixoto faz-se necessário abordar sua trajetória profissional de fotógrafo, artista e educador e a atuação do mesmo na Produtora cultural Ensaio Brasil Produções ltda.
Ricardo Peixoto46 nasceu em 1967, na cidade de João Pessoa, no bairro de Jaguaribe.
Fotógrafo, diz trabalhar com a imagem e que se apaixonou pelo texto, cinema, teatro, pela arte de uma forma geral, utiliza-se destas ferramentas de expressão para atuar como artista e educador. O arte/educador é graduado em jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba, com especialização no campo de pesquisa e documentação fotográfica, atualmente desenvolve projetos na área de pesquisa sobre as manifestações populares. Ele diz que quando entrou na universidade já tinha um fascínio muito grande pelo ato de fotografar, pelo universo da fotografia. Descobriu a força da fotografia através do cinema que é outra área de interesse para ele. Em 1991, depois de se formar na universidade, fundou em parceria com dois outros fotógrafos a Agência Ensaio Brasil, uma agência de fotografia que na verdade, ele diz, nunca foi uma agência de fotografia, pois geralmente as agências trabalham principalmente na área da publicidade.
A Agência Ensaio se caracterizou juridicamente como uma produtora cultural, uma empresa, mas desenvolve suas ações na mesma perspectiva das ONGs que atuam no Terceiro Setor, a partir de projetos de arte e educação, levando e criando propostas artísticas e culturais na e para comunidades. A Agência Ensaio era um trabalho coletivo, atualmente Ricardo Peixoto é único coordenador da produtora cultural, chamada agora de Ensaio Brasil Produções ltda. Apesar da produtora não ter mais o caráter de coordenação coletiva, ele diz que na maioria dos trabalhos que desenvolve hoje sempre existe as parcerias seja na produção ou execução dos projetos.
Relata que a fotografia sempre foi o fio condutor, quando eles montavam algum projeto, a intenção era ser cronista, contar histórias através da imagem. Ele diz que trabalhar com a imagem estimula as pessoas a estarem atentas às coisas, aos pequenos detalhes e “a ver que a simplicidade pode ser a grande elegância”47. Para ele o trabalho com a imagem ajuda as
46A trajetória profissional de Ricardo Peixoto foi construída a partir da entrevista que aborda o perfil do artista
no site www.videolog.tv/video.php?id=225966, e na entrevista realizada na pesquisa de campo.
pessoas a se verem, abrir a alma, a se conhecer e descobrir que ela faz parte também, como todas as pessoas, da história, e que tem também os mesmos direitos.
A sua atuação não se restringe a uma comunidade em específico, que passa nas comunidades e joga uma semente, faz um contato. Em algumas comunidades, volta e continua atuando por um período determinado, em outras nunca mais deixou de atuar, assim como nunca mais voltou em algumas delas. Diz que quando esteve em qualquer uma dessas comunidades a intensidade foi grande, procurou não só ensinar, mas estar, conviver e aprender também com eles. Aprender e ensinar a fotografar, também recitar, aprender a rir. Ele fala da importância da imagem como uma prova, um documento vivo da história do ser humano, da passagem do ser humano que liga o passado, o presente e o futuro. Afirma que qualquer pessoa pode tirar uma grande foto, não precisa ser um profissional para fazer isso, e a câmera, diz ele, seja ela qual for, vai ser sempre uma extensão do olhar e que o corpo precisa ser trabalhado para liberar esse olhar. Ricardo diz que o processo de criação funciona mais ou menos assim, “feche os olhos e imagine cores, preto e branco, sabores e vá andando sem abrir os olhos, assim quando você menos esperar tem um mundo ao seu redor.”48
Com essa forma de pensar, entender e criar o seu próprio processo como artista e educador, Ricardo funda com mais dois fotógrafos, em 1991, a Agência Ensaio
“A Agência Ensaio existiu nestes 10, 15 anos, com foco na fotografia, todas as atividades estavam ligadas a fotografia. Quando a Agência Ensaio acaba, eu fico, continuo o trabalho com outro formato, porque minha vida também muda, em relação aos relacionamentos, aos formatos dos trabalhos, eu começo a interagir com profissionais de outras áreas de trabalho que se aproximam, existe uma experiência de residência artística na casa, e essa experiência foi muito forte porque tinha músico, tinha poeta, tinha pessoas do teatro, técnico em iluminação, tinha repentista, tocador de pandeiro, enfim, era uma troca muito legal, e esse processo foi me fortalecendo dentro da fotografia, comecei a ver a fotografia com música, com literatura, com dança, com cinema, e aí eu comecei a colocar nos meus trabalhos essa comunicação, às vezes só, e às vezes coletivamente.”49
Ricardo fala deste processo como formação que ele adquiriu na prática, diz que hoje o seu trabalho mudou, foram aprendizagens que ele agora inclui nos projetos de arte e educação da Ensaio Brasil Produções. Fala desse novo formato de trabalho dizendo que
48Entrevista de Ricardo Peixoto no site www.videolog.tv/video.php?id=225966.
49Entrevista concedida por Ricardo Peixoto à pesquisadora Judivânia Maria Nunes Rodrigues, em João
“E aí acaba a Agência Ensaio e surge a Ensaio Brasil Produções ltda, com esse amadurecimento, com profissionais que estavam fazendo estas ações, deste movimento político, cultural da cidade, do Estado, e aí eu entendi que ela se expandiu, a fotografia em sua expansão, porque ela consegue dialogar, produzir, ensinar em conjunto com outras áreas e isso é fantástico. As pessoas perguntam você é fotógrafo? Eu sou artista, eu trabalho com fotografia, agora dentro da minha fotografia eu trabalho com literatura, nós produzimos cinema, dentro da fotografia nós fazemos trabalhos cênicos, intervenções cênicas, usando a fotografia, usando a poesia, então eu acho que é muito bonito você não se fechar, mas se abrir, e eu aprendi muito com isso.”50
Para que seja possível compreender as ações de arte e educação que a Ensaio Brasil desenvolve irei destacar aqui algumas delas que podem servir de parâmetro para o escopo do trabalho. As experiências têm como público pessoas de diferentes faixas etárias. Os projetos apresentam diferentes propostas e formatos51, queacontecem por determinado tempo, em
diferentes comunidades da cidade de João Pessoa e também em outras cidades do Estado, e são registrados a partir da fotografia, por meio de cartões-postais, catálogos e registros audiovisual.
O Projeto Lambe Lambe tem sido realizado há 17 anos e foi o primeiro projeto promovido pela Ensaio Brasil Produções, no mês de agosto, para comemorar o dia da fotografia, 19 de agosto. A ideia inicial foi fazer um evento de fotografia na cidade com a proposta de expor trabalhos de fotógrafos e artistas, um salão de fotografia. Ricardo diz que o evento teve um resultado muito positivo e assim na terceira edição, eles resolveram abrir o evento para artistas, fotógrafos profissionais e amadores.
“No terceiro, nós abrimos para os amadores, as pessoas que nunca tiveram oportunidade de expor, porque eu pensei que o universo da fotografia é maravilhoso e qualquer um pode fotografar. Abrimos um salão de fotografia e foi uma febre porque, historicamente, não se tinha nada assim por aqui. Nós construímos um evento que chamava a sociedade para expor. E o evento foi crescendo porque quem ia expor, ia com a família toda, tinha pessoas sendo fotografadas ao lado da foto para registrar aquele momento, e isso foi muito forte. Daí nós começamos a criar exposições paralelas de outros artistas para que as pessoas pudessem ver outras estéticas, estilos e tendências. Então começou com o salão, depois salão e exposição, depois salão, exposição e oficinas, depois com mostra de cinema, cada ano ia se acrescentando coisas, assim o Projeto aconteceu e acontece há 17 anos. Alguns anos com financiamentos e apoios muito bons, outros anos só com fé mesmo [...].”52
50Entrevista concedida por Ricardo Peixoto à pesquisadora Judivânia Maria Nunes Rodrigues, em João
Pessoa/PB, em 27 de agosto de 2012.
51Entendi alguns dos trabalhos realizados pela Ensaio Brasil como“ações públicas” de arte e educação, pois são
projetos que ultrapassam o âmbito de sala de aula, ou o formato de oficina e se expandem para o espaço público da cidade, com um alcance de público diversificado, quanto à faixa etária, nível social, econômico e cultural.
52Entrevista concedida por Ricardo Peixoto à pesquisadora Judivânia Maria Nunes Rodrigues, em João
A fala do artista e educador mostra os desdobramentos que aconteceram desde a primeira edição do Projeto Lambe Lambe e diz que esse fazer trouxe ensinamentos, formação para expandir o processo. Acrescenta que “[...] começamos neste processo a ocupar os espaços das comunidades, das praças, das feiras. Isso é o Lambe Lambe, a fotografia popular interagindo com a fotografia contemporânea, com os trabalhos fotográficos de galerias famosas.”53
A proposta do Projeto é atender os mais variados públicos, as comunidades em vulnerabilidade social, assim como a população em geral, construindo um diálogo através da fotografia que permite o acesso a oficinas de arte/educação e exposições fotográficas, ocupando diferentes espaços públicos da cidade como citou, acima, o artista e educador.
O Projeto Expedição é promovido pela Ensaio Brasil Produções em diferentes épocas do ano e em diferentes cidades. Já aconteceram seis edições e a proposta é levar o evento para cidades do interior, onde raramente as pessoas podem participar de eventos artísticos e culturais. É curioso também o nome de algumas das cidades escolhidas, Ricardo conta que a escolha acrescenta uma pitada de humor à proposta. As edições das expedições foram realizadas nas cidades de Roma, Congo, Palestina, Lucena, Beira da Linha e Palmares. O Projeto é divulgado na mídia e aberto ao público em geral, com 30 vagas. A Ensaio Brasil viabiliza transporte, hospedagem e alimentação para fotógrafos profissionais, amadores e curiosos sobre a fotografia, passarem um final de semana na cidade para fotografar. A produtora faz contato prévio com o prefeito do lugar escolhido e divulga o evento na cidade para quem tiver interesse em participar, e pede que as pessoas levem qualquer máquina fotográfica e também dispõe de algumas para uso coletivo.
Ricardo conta que a interação realizada entre profissionais, amadores e curiosos é muito produtiva em termos de sociabilidade e aprendizagem da técnica fotográfica. Ele conta que muitos amadores viraram fotógrafos profissionais a partir das expedições fotográficas. Outra importante ação do evento é interagir com a cidade, no intuito de promover eventos artísticos que incentivem as pessoas do local a participarem a partir das práticas artísticas e culturais ali realizadas, assim como também, apresentar artistas trazidos para o local pela Ensaio Brasil. Os eventos acontecem geralmente com apresentações de música, dança, performance, teatro, poesia, exposição e projeções das imagens fotográficas produzidas durante o evento. No evento é muito comum apresentações de dança e manifestações populares, características da região, como por exemplo, coco de roda, manifestação cultural
53Entrevista concedida por Ricardo Peixoto à pesquisadora Judivânia Maria Nunes Rodrigues, em João
praticada com muita frequência na Paraíba e em Pernambuco. Ele caracteriza o evento como uma grande oficina aberta de fotografia, que promove também o acesso a atividades artísticas por meio de diferentes linguagens, fazendo da população local, participantes ativos, valorizando a cultura do lugar.
O Projeto Dia Internacional das Prostitutas foi criado em João Pessoa pela Agência Ensaio Brasil em junho de 2000, e desde então, já aconteceram sete edições do Projeto no dia 02 de junho, tendo como slogan a frase, “somos o que somos, mulheres são iguais em qualquer profissão”. Segundo Ricardo, é um evento popular de resistência e ação cultural. Uma programação artística, cultural, esportiva, holística, educacional e ambiental que ocupa o espaço da rua da Areia, área de prostituição da cidade de João Pessoa, servindo como instrumento de contribuição, reflexão, atitude e transformação em nossa sociedade.
“Era uma ação artística e cultural, depois ampliou-se para uma ação esportiva, onde criamos a corrida da calcinha, que é uma maratona e o segmento do esporte apoia, organizando, com competidores participando de vários estados da cidade. A premiação é um bode, três galinhas e uma corda de caranguejo e é um evento muito legal. Nós começamos a trabalhar com a área da saúde, pois é um evento de utilidade pública que discute a questão da AIDS, das doenças sexualmente transmissíveis, das prevenções, dos cuidados, da consciência, e isso é discutido o tempo todo dentro do evento. Criou-se ainda as tendas holísticas com trabalhos terapêuticos na rua, com terapeutas fazendo massagens, fazendo atendimento com cartas, tarôs, reiki e plantas medicinais, coisas que a população muitas vezes desconhece, não tem acesso. Na área do meio ambiente nós distribuímos mudas, fazemos articulações com a Secretaria do Meio Ambiente. Aí, é uma festa muito bonita que vai a família inteira, vão as crianças, vão os mais velhos.”54
A data é marcada por um acontecimento histórico55 na cidade de Lyon, na França, em
1975, onde 150 prostitutas invadiram a igreja de Saint-Nizier, protestando contra a violência que estavam sofrendo por parte da polícia, não somente as prostitutas, mas também seus filhos e companheiros, que eram acusados de serem cafetões e viverem da renda das mães e esposas. As prostitutas reivindicavam que seu trabalho fosse considerado útil à França como todos os outros. A igreja e a população de Lyon abrigaram as prostitutas e o protesto ganha força, repercutindo rapidamente em outros lugares como Marselha, Montpellier, Grenoble e Paris. Depois de uma semana do protesto, a polícia expulsa as prostitutas da igreja usando de muita violência. Depois do episódio, com o reconhecimento da ONU e dos movimentos
54Entrevista concedida por Ricardo Peixoto à pesquisadora Judivânia Maria Nunes Rodrigues, em João
Pessoa/PB, em 29 de agosto de 2012.
organizados pelas prostitutas e apoiadores, o dia 02 de junho ficou instituído como o Dia Internacional das Prostitutas.
Ricardo conta que o Projeto nasceu ainda na época que ele estava na universidade e começou a frequentar alguns cabarés56 localizados na rua da Areia, zona de prostituição na
cidade de João Pessoa. Lá ele conheceu Hilda, uma senhora dona de um dos cabarés, com quem gostava muito de conversar. Ele diz que ficou fascinado por este universo, seus personagens e cenários, e pediu permissão a Hilda para fotografar, mas ela não permitiu. O desejo de fotografar aquele universo ficou adormecido, mas o percurso para que esse desejo se tornasse realidade continuou. Durante mais de um ano Ricardo continuou a frequentar o cabaré, neste processo, segundo ele, nasceu uma relação de respeito e carinho com Hilda e mais uma vez ele pediu permissão para fotografar o local e as prostitutas. Ela aceitou a proposta e conversou com as prostitutas que também concederam autorização.
Foto 12 – Foto: Ricardo Peixoto - Projeto Dia Internacional das Prostitutas
Ricardo fotografou as prostitutas durante um ano nos seus mais diversos afazeres cotidianos. Neste período, outros parceiros de trabalho também apoiaram a proposta e o trabalho se expande com a participação de artistas que trabalham a temática a partir da
pintura, da poesia e da música. Quando a produção artística sobre o tema ganha consistência, a Ensaio Brasil promove uma exposição dentro do cabaré.
“[...] em 2000, quando terminou o trabalho fizemos uma exposição dentro do próprio cabaré, que gerou todo um buchicho na cidade, pelo local, pela temática, pela ousadia de estar fazendo uma história dessa, divulgando um evento de arte dentro de um cabaré. Na abertura presenciamos a participação do governador do Estado, do reitor da universidade, do prefeito, também o pipoqueiro, todas as classes sociais misturadas, minha mãe inclusive, que comentou ter sido a oportunidade para ela conhecer um cabaré pela primeira vez, tapete vermelho, radiola de ficha. As meninas, as prostitutas, passaram o dia no salão de beleza, pois elas eram as personagens ilustres da festa e foi uma festa muito bonita.”57
Com a realização do Projeto, é possível observar, a partir da fala do artista e educador, que esse fazer gerou processo de formação, e hoje a Ensaio Brasil Produções incorpora nos seus projetos, a perspectiva de colocar pessoas de diferentes classes sociais juntas no mesmo espaço para que essa interação possa contribuir para reflexão, na tentativa de diminuir os preconceitos. Ele complementa sobre o Projeto dizendo que
“Quebrou muito os rótulos, todos eram iguais, todos estavam se divertindo, tinha casais que pediram para passar a noite lá, tinha uma área só de contação de histórias deste universo, música, teatro, cinema, fotografia, tudo quebrando as fronteiras do pecado. O evento aconteceu, virou manchete, ficou depois, os comentários na cidade. Depois fizemos contato com a Associação das profissionais do sexo da Paraíba, que hoje é a Associação das Prostitutas e a partir daí criamos um laço de parceria e trabalho muito intenso, são doze anos de relacionamento e ações concretas, onde nós pegamos como fio condutor o dia internacional da prostituta, que era uma data política de consciência contra a repressão, a discriminação, e junto com o movimento artístico da cidade levantamos uma bandeira para que desenvolvêssemos nesta data um evento para festejar o ser humano, a vida, o respeito às diferenças, e ocupamos a Zona da cidade onde está localizada doze casas noturnas, na rua da Areia, de prostitutas populares, no lado da cidade aonde ninguém quer ir, grupos mais ignorados pela sociedade, e estamos realizando há sete anos o dia internacional da prostituta, no dia 2 de junho, que tem o slogan somos o que somos, mulheres são iguais em qualquer profissão, onde música, teatro, cinema, e também oficinas de arte/educação dentro dos cabarés. Porque não são só as prostitutas, é uma comunidade que vive dentro da área, as crianças, os adolescentes, os idosos, todos vivem nesta área e estão abandonados lá, não tem programa de governo, não tem nada.”58
Conta que além do evento que ocorre no dia 02 de junho, e já aconteceram sete edições, a Ensaio Brasil busca levar oficinas e realizar eventos artísticos no local em outras épocas do ano para fortalecer a ação. Faz questão de ressaltar que o evento não é uma
57Entrevista concedida por Ricardo Peixoto à pesquisadora Judivânia Maria Nunes Rodrigues, em João
Pessoa/PB, em 29 de agosto de 2012.
58Entrevista concedida por Ricardo Peixoto à pesquisadora Judivânia Maria Nunes Rodrigues, em João
apologia ao sexo, ou a prostituição, mas sim uma referencia às mulheres, seres humanos, que fizeram suas escolhas e que precisam ter seus direitos respeitados. Segue o princípio do respeito ao ser humano na sua diversidade social de pensamento, costume, raça, crença, religião e profissão e diz que a arte fortaleceu este diálogo com a sociedade.
Da idade da Pedraé outro Projeto que se destaca na atuação da Ensaio Brasil Produções, o qual é caracterizado como um documento da cultura popular brasileira, que registrou e desenvolveu ações artísticas e educativas a partir da história de Isabel Marques da Silva, na época com 79 anos de idade, conhecida como “Zabé da Loca”, tocadora de pífano, que morou sob uma pedra por mais de 35 anos, na região do Cariri Paraibano.
Foto 13 – Foto Ricardo Peixoto: Da idade da Pedra/Zabé da Loca.
Ricardo Peixoto relata que o Projeto surgiu, há dez anos, quando um amigo, Douglas Rima, artista do Cariri Paraibano, lhe contou sobre a existência de uma senhora tocadora de pífano que morava embaixo de uma pedra. Ele diz que o fato aguçou sua curiosidade e ele resolveu ir lá conhecer a senhora, fazer quem sabe uma matéria jornalística, produzir um ensaio fotográfico sem muitas pretensões, pois era um fato curioso. Disse que chegando lá o clima que se instaurou entre ele, Isabel e a comunidade foi de muito carinho, amor e respeito,
e o que, a princípio, seria apenas um ensaio se transformou em dez anos de relação que resultou em ações artísticas e educativas.
Foto 1 4 – Foto Ricardo Peixoto: Da idade da Pedra/Zabé da Loca
“[...] rolou dez anos de idas e voltas. Indo para lá fotografando, filmando, convivendo, sentindo, respirando as