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Para a atual sociedade, que está cada vez mais tecnológica, a escola necessita de novas práticas, que contemplem as tecnologias. Rivas (2010) coloca que essa escola de hoje requer inovações, começando com os próprios professores, pela sua atitude, pelo desenho dos processos educativos, pelas estratégias e conhecimentos. “En definitiva, el nuevo perfil docente es el de un profesional autónomo que investiga reflexionando sobre su práctica, perfeccionando progresivamente su aptitud pedagógica”7(RIVAS, 2010, p. 52).

O professor, nesse contexto de mudança, precisa se atualizar, se especializar no reconhecimento da realidade escolar e suas problemáticas e a Internet com todas as suas facilidades ficou cada vez mais necessária como meio para a formação inicial e/ou continuada do professor de artes visuais. Fonseca da Silva (2004) defende, em sua tese de doutorado, a inserção nas tecnologias como ferramenta de preparação dos professores:

6 Tradução: Cultura digital, portanto, supõe uma oportunidade para construir a partir do conhecimento

um mundo melhor. Um suposto desafio para a esperança da livre expressão é o início de uma colaboração verdadeira (TORRES, 2010, tradução nossa).

7 Tradução: Em última análise, o novo perfil do docente é de um profissional autônomo que investiga

refletindo sobre sua prática, aperfeicoando progressivamente sua atitude pedagógica (RIVAS, 2010, tradução nossa).

No desafio da educação continuada está a percepção de que a educação de professor@s precisa necessariamente passar por uma apropriação crítica da Internet como ferramenta do ensino, como produção humana e que, como qualquer outra das maravilhas descobertas pelos homens e mulheres deste tempo, necessita de uma apropriação crítica, para que possa ser utilizada nas escolas como fonte de pesquisa, lida e percebida a partir de seus diversos contextos (FONSECA DA SILVA, 2004, p. 151).

Estamos à frente de novas realidades, precisamos nos transformar para um processo de aprendizagem significativo na interação com o computador. Biazus (2009) coloca que, no século XXI, a disseminação da tecnologia digital na educação já é realidade, mas ao olhar as ações pedagógicas dentro das escolas, os projetos de educação continuada de professores e a formação em arte e tecnologia são pautados por posturas disciplinares e conteúdistas, que mostram que ainda temos uma caminhada para entender a real integração entre as mídias e de como podem fazer parte de nossa postura pedagógica criativa.

Martins (2009) enfatiza que para alguns professores o contato com computadores pode ter acontecido recentemente. Para outros, não muito mais do que vinte anos. Para todos, contudo, esses encontros são sempre renovados, pois é uma área do conhecimento que está sempre em vertiginosa transformação. É talvez nesta área que escutamos pela primeira vez a palavra obsolescência.

Mesmo considerando que se referem aos últimos vinte anos, as mudanças são muitas. Criaram-se rapidamente muitos espaços dentro da Internet. Palmero (2010) enfatiza que o aumento dos sites educativos da Web é algo inegável nos últimos anos, existindo grande quantidade de páginas personalizadas para professores, projetos educativos, redes profissionais, espaços de instituições educativas, tornando a elaboração de materiais e recursos educativos mais focados na Web do que em suportes tradicionais, devido, entre outras razões, a sua maior difusão e menor custo.

Se analisarmos mais especificamente materiais e recursos educativos para a aplicação da Lei 10.639/2003, notaremos uma maior facilidade de encontrá-los na Internet do que em materiais impressos. Por exemplo, se quisermos trabalhar as comunidades quilombolas em sala de aula, é muito mais fácil encontrar sites como o aqui estudado, www.quilombosdoribeira.org.br, do que materiais impressos.

Leung (2007) investiga sobre a produção, a representação e o consumo por parte das minorias étnicas na World Wide Web e conclui que os produtores e

consumidores da Internet pertencentes a essas minorias sabem utilizá-la para reconfigurar a etnia segundo sua própria imagem.

Leung (2007) coloca também que as possibilidades de participação e de produção em Internet dessas pessoas de origens étnicas minoritárias são potencialmente tantas como do consumo, diferente do que ocorria nos meios de comunicação mais antigos, onde as possibilidades eram restritas à leitura, à visão e à audição. “Las críticas históricas de las imágenes de lo negro em los medios de comunicación han señalado que una de las principales formas de racismo há sido la ausencia de visibilidad de lo negro”8 (LEUNG, 2007, p. 48).

Com o tempo, essa invisibilidade do negro por parte dos antigos meios de comunicação vem mudando com a Internet. Leung (2007) coloca que a Internet está avançando com força no setor étnico independente. Ela nos mostra que os usuários étnicos têm evitado colocar referência a suas etnias, estando, assim, presentes na Internet sem estarem declaradas.

(...) a medida que la Red aumenta las oportunidades para la representación de la etnicidad, a aquellos que asumen la producción de la Red se les amplía exponencialmente su poder representacional. No sólo pueden adoptar diversas posturas ante la representación (como personas individuales y/o en nombre de grupos, comunidades o instituciones), sino que también lãs posturas desde las que hablan se transforman o cambian fácilmente9 (LEUNG, 2007, p. 230).

A estrutura flexível da Internet, com sua acessibilidade, permite uma movimentação entre produção e consumo, entre privado e público e entre o individual, o institucional e a comunidade, sendo desse modo umafacilitadora para a formação continuada dos professores. Pela Internet, a formação pode acontecer em qualquer lugar e em qualquer momento. “(...) as novas tecnologias da comunicação

8 Tradução: As críticas históricas das imagens do negro nas mídias tem assinalado que uma das

principais formas de racismo tem sido a ausência de visibilidade do negro (LEUNG, 2007, tradução nossa).

9 Tradução: (...) à medida que a rede aumenta as oportunidades para a representação da etnicidade,

para aqueles que assumem a produção em rede abre-se novas oportunidades de representação exponencialmente. Não só podem adotar diversas posturas, frente a representação (como indivíduos e / ou em nome de grupos, comunidades ou instituições), mas também as posturas a partir do lugar onde falam, são transformados ou alterados facilmente (LEUNG, 2007, tradução nossa).

permitem colocar diferentes parceiros de interlocução em contato, através de ações recíprocas e vínculos virtuais variados (...)” (MAIA, 2002, p. 47).

A Internet oferece a vantagem de ser adaptada à comunicação sincrônica e assincrônica (aquela na qual as pessoas não precisam envolver-se todas ao mesmo tempo).

O computador é o instrumento de medida e, ao mesmo tempo, o controlador do uso do tempo. Essa multiplicação do tempo é, na verdade, potencial, porque, de fato, cada ator – pessoa, empresa, instituição, lugar – utiliza diferentemente tais possibilidades e realiza diferentemente a velocidade do mundo (SANTOS, 2008, p. 34).

Essa e outras vantagens fazem com que as tecnologias da informática sejam cada vez mais procuradas. Assim, elas estão conquistando cada vez mais espaço e usuários. Elie (2002) coloca que o censo dos domínios da rede confirma que a Internet continua dobrando em tamanho. Em janeiro de 1995, o número de servidores era de 9,5 milhões e, em julho do mesmo ano, passou para 12,9 milhões. Em 2002, teria entre 40 e 60 milhões de usuários.

Com tantos usuários e servidores, notamos que

ela

é uma ferramenta de fácil acesso dentro e fora das escolas e atinge muitos educadores em pontos diferenciados. Para Mercado (2002), o processo de formação continuada dos professores permite condições para construir conhecimento sobre as novas tecnologias, fazendo o professor entender por que e como interagir com elas em sua prática pedagógica e tornando-o capaz de superar entraves administrativos e pedagógicos, para possibilitar a transição de um sistema fragmentado de ensino para uma abordagem integradora, voltada para a resolução de problemas específicos do interesse de cada aluno.

Mercado (2002) ainda coloca que essa formação continuada deve criar condições para que o professor saiba recontextualizar o aprendizado e as experiências vividas durante sua formação para a sua realidade em sala de aula, compatibilizando-a com a necessidade de seus alunos e com os objetos pedagógicos de que dispõe.

Com uma formação de qualidade, o professor pode rever de modo crítico seu papel de parceiro, interlocutor, orientador dos alunos na busca de suas aprendizagens. Essa formação proporciona um trabalho diferenciado com os novos

recursos da tecnologia, fazendo com que alunos e professores estudem, pesquisem, debatam, discutam, desenvolvam habilidades e atitudes para construir pela informação o conhecimento. Assim, escolhemos o site

www.comunidadesdoribeira.org.br, a fim de investigar as possibilidades de formação via Internet que proporcionem aos professores um trabalho diferenciado com o uso das novas tecnologias, a partir do estudo, debate e pesquisa sobre as comunidades quilombolas.

3.3 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DESENVOLVIDAS PELO PROFESSOR DE