4 Teoretiske perspektiv og begrepsavklaringer
4.1 Sentrale begrep – kultur og mangfold
Ano de inauguração: 2012. Local: São Paulo-SP, Brasil. Arquitetu- ra: Brasil Arquitetura – Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz e Luciana
Dornellas, em parceria com Marcos Cartum da Secretaria Municipal de Cultura.
A Praça das Artes é um complexo cultural, localizado na cidade de São Paulo – Brasil, projetado pelos arquitetos Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz e Luciana Dornellas, do escritório Brasil Arquitetura, em parceria com o arquiteto Marcos Cartum, do Núcleo de Projetos de Equipamen- tos Culturais da Secretaria da Cultura. A obra surgiu devido à demanda de mais espaços para os grupos artísticos do Teatro Municipal e foi projetada para comportar as Escolas Municipais de Dança e Música, as Orquestras Sinfônica Municipal e Experimental de Repertório, os Corais Lírico e Paulistano, o Balé da Cidade e a Escola de Bailado, o Quarteto Municipal de Cordas de São Paulo, o Centro de Documentação Artística e a Sala de Concertos e Exposições. (NOSEK, 20131).
O projeto completo da Praça das Artes prevê a construção de seis edi- fícios novos e a reabilitação de um edifício existente. Quatro edifícios já foram concluídos e inaugurados em dezembro de 2012, a saber: Anexo/ Administrativo, Escola de Dança e Música, Centro de Documentação e a Reabilitação do antigo Conservatório. O edifício dos Corpos Artísticos também foi construído, porém encontra-se parcialmente concluído e ainda não está em funcionamento. Os edifícios da ampliação da Escola de Dança e Música/ Discoteca Oneyda Alvarenga e o novo Restau- rante foram contemplados em projeto, mas ainda não há previsão de construção.
Os edifícios que compõe a Praça das Artes apresentam dimensões, formas e programas distintos, porém interligam-se internamente por conexões elevadas. O futuro edifício de ampliação da escola de Dança e Música também se interligará ao restante do complexo por meio de
passarela, sendo que apenas o bloco do novo restaurante funcionará de forma independente dos demais.
No edifício Anexo/ Administrativo estão os núcleos de circulação vertical e o hall geral do complexo que atende aos edifícios da Escola de Dança e Música, Centro de Documentação e Conservatório Dramático e Mu- sical. O edifício do antigo Conservatório Dramático e Musical comporta espaços de acesso eventual do público, como um salão de exposições no térreo e uma sala de concertos no 1º pavimento. Já o Centro de Documentação apresenta uso restritivo da Praça das Artes, destinado ao armazenamento de documentos. O edifício da Escola de Dança e Música, por sua vez, comporta salas de aula, área de administração entre outros ambientes. Por fim, o edifício dos Corpos Artísticos é com- posto, em sua grande parte, por salas de ensaio e apoio, entre outras atividades.
A obra está inserida na Quadra 27 no centro de São Paulo, em terreno irregular de miolo de quadra de aproximadamente 8.400m², voltado para três vias: Rua Conselheiro Crispiniano, a calçada da Avenida São João e a Rua Formosa junto ao Vale do Anhangabaú. Este terreno foi resultado de uma somatória de lotes, algumas desapropriações, a reabilitação do Conservatório Dramático e Musical e restauro da fachada do antigo Cine Cairo. O estudo de ocupação da quadra, elaborado pela Secreta- ria Municipal de Cultura, já previa a reabilitação do Conservatório como “âncora” do projeto e as novas edificações deveriam dispor-se em torno do edifício histórico (CALIL, 20132). Além da premissa de preservação
do Conservatório, havia também a vontade de se criar uma combinação de edifícios e praças.
Após idas e vindas de desapropriações e configurações do terreno, o projeto foi sendo modificado conforme as novas demandas e abertura de espaço, em que foram acrescentados volumes ao conjunto. A versão arquitetônica final não era previsível originalmente pelos autores, mas algumas premissas iniciais foram mantidas como o térreo livre, as faces para o perímetro e o contraste entre o pesado concreto e a praça3.
2 CALIL, Carlos Augusto. A Praça das Artes, passado e futuro. In: NOSEK, Victor (org.). Praça das Artes. Rio de
Janeiro: Beco do Azougue, 2013. p.7-9
Figura 4.1.08: Praça das Artes – Estudo da implantação.
Fonte: Revista Monolito, nº 18, p.63.
Figura 4.1.07: Praça das Artes – 1º estudo de ocupação da quadra.
Fonte: NOSEK, 2013. p. 09.
Figura 4.1.05: Praça das Artes – Situação urbana da obra com nome das ruas.
Fonte: Desenho da autora a partir do Google Earth.
Figura 4.1.06: Praça das Artes – Inserção urbana da obra e entorno.
Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/626025/praca-das-ar- tes-brasil-arquitetura. Foto: Nelson Kon.
Apesar das limitações do terreno, que incluíam desníveis, paredes de divisa cegas, perímetro irregular e reduzido, a proposta arquitetônica parece tirar proveito desta condição para um melhor aproveitamento do espaço disponível, com o intuito de liberar o solo público. O parti- do arquitetônico adotado consistiu na abertura da quadra urbana, por meio da disposição de edificações elevadas, ocupando um mínimo de massa edificada no térreo junto às divisas, ramificações e reentrâncias do terreno, gerando espaços abertos ao longo dos eixos centrais e uma grande extensão de áreas cobertas. A maior ocupação de massa se dá nas laterais do terreno voltadas à Av. São João e Rua Formosa/ Vale do Anhangabaú. Já no sentido longitudinal privilegiou-se a maior propor- ção de espaços abertos descobertos entre edificações, que funcionam como “respiros” da quadra.
A Praça das Artes está situada no centro histórico da cidade, em região de grande importância urbanística, arquitetônica e histórica, que guarda memórias de épocas de auge e abandono, resultado de um processo de esvaziamento da região, ocorrido a partir da década de 60, e que não foi totalmente revertido até hoje (CALIL, 2013). Atualmente, boa parte da infraestrutura do centro é utilizada durante o dia, gerando uma gran- de movimentação de pessoas, e há um esvaziamento noturno. Apesar disso, Calil (2013, p.7) ressalta que a área é composta por um “rico e dinâmico conjunto de espaços públicos e edifícios notáveis”, de poten- cial adormecido, que poderiam ser reaproveitados.
No entorno ampliado da Praça das Artes estão alguns desses edifícios “notáveis”, de importância arquitetônica e histórica como os edifícios: Central dos Correios, Teatro Municipal, Shopping Light, Edifício Marti- nelli, Mosteiro de São Bento, Edifício Altino Arantes (Banespão), entre outros. O entorno também apresenta importantes espaços públicos como o Largo Paissandu, Largo de São Bento, e o Parque do Anhanga- baú, entretanto, muitos desses espaços funcionam hoje apenas como locais de passagem, com remotas permanências espontâneas do públi- co, onde se instalaram mendigos e camelôs. Por outro lado, as praças e parques públicos do centro de São Paulo, conjuntamente com outras vias públicas, formam hoje uma rica malha de percursos de pedestre, composto por “calçadões” (Av. São João, R. Dom José de Barros, Rua Barão de Itapetininga, Rua Marconi), viadutos públicos (Viaduto Santa
Ifigênia e Viaduto do Chá), e várias galerias em edifícios privados (Centro Comercial Presidente, Galeria do Rock, Galeria Guatapará, Galeria R. Monteiro e Itá, entre outras), que apontam uma vocação de permeabili- dade espacial do local.
A primeira relação da Praça das Artes com o entorno se dá por meio da ampliação e continuação da rede de espaços públicos e caminhos de pedestre através do miolo da quadra. Seria importante ressaltar que o projeto não foi totalmente construído. Parte desta proposta ainda não foi executada, como é o caso do percurso do meio da quadra em direção à Rua Formosa/Vale do Anhangabaú. Esta conexão poderá futuramente contribuir na tentativa de requalificação do Vale, que é considerado um espaço de potencial imenso, porém pouco utilizado como espaço de lazer e convivência do público.
A Praça das Artes também se relaciona com o entorno por meio do agru- pamento da massa edificada e pelas concordâncias de alinhamentos e alturas com os edifícios vizinhos. Como visto, as novas edificações inserem-se nas laterais do terreno, colando-se nas divisas e abrindo os eixos centrais para o vazio. Esta proposta de inserção urbana mostra uma estratégia de “camuflagem” do objeto arquitetônico, que procu- ra se misturar à paisagem existente, na qual a sua massa edificada é agrupada à massa do entorno imediato. A ausência de recuos laterais e frontais das edificações novas permitiu também uma continuação dos planos de fachada e alinhamento perimetral do quarteirão.
Observam-se também diversas concordâncias de gabaritos de altura com os edifícios ao redor. Parte da edificação da Escola de Dança e Música segue o mesmo nível de topo do Conservatório Dramático e Musical, e o edifício Anexo/ Administrativo, de cor avermelhada, alinha- se a um edifício próximo. A edificação dos Corpos Artísticos, diferente- mente, apresenta altura que corresponde a aproximadamente metade do edifício ao lado (CBI-Esplanada), porém assemelha-se ao gabarito das torres existentes do lado oposto do terreno.
A maior distinção de altura da obra com o entorno imediato se dá na edificação que se desenvolve a partir da Rua Conselheiro Crispiniano. Neste trecho do terreno, optou-se por um edifício muito mais baixo,
Figura 4.1.13: Praça das Artes – Conexão com entorno por meio de alinhamentos e gabaritos.
de apenas dois pavimentos, que se justifica pela relação da escala do pedestre com o estreitamento do terreno. Uma ocupação de largura e altura maior poderia significar uma sensação de maior pressão, poden- do ocasionar um estrangulamento da passagem do pedestre.
A Praça das Artes parece buscar apenas algumas concordâncias de altura com o entorno, para manter uma coesão volumétrica e equilíbrio entre os próprios volumes do complexo. Percebe-se uma preocupação com a escala do pedestre e um respeito às construções pré-existentes do local (fachada do antigo Cine Cairo e edifício do Conservatório Dra- mático e Musical) que determinam o topo das novas construções que as envolvem.
Apesar das relações de concordância com seu entorno, a Praça das Artes também apresenta um grande contraste visual, principalmente no tratamento das fachadas. Todas as paredes externas dos edifícios do complexo são de concreto aparente bruto, inclusive no teto dos percur- sos cobertos do térreo. As aberturas das fachadas, por sua vez, são de dimensões e formatos variados e irregulares, que lembram a proposta de Lina Bo Bardi para as janelas do também edifício de concreto do Sesc Pompeia. Embora haja um nítido contraste e impacto visual diante do entorno, a distinção parece se mostrar de forma positiva, aparente- mente não abalando a relação no sentido do diálogo com o entorno. Apenas ressalta-se a identidade da obra, que se integra ao contexto consolidado por meio de uma relação de contiguidade e contraponto, tal como ocorreu com as conhecidas obras de Lina Bo Bardi como o Sesc Pompeia e Masp em São Paulo.
A Praça das Artes está localizada em área de acessibilidade facilitada tanto pelo transporte público (ônibus e metrô), como também pelo au- tomóvel. A obra apresenta um acesso de veículos e dois acessos de pedestre disponíveis pelas calçadas da Avenida São João e Rua Con- selheiro Crispiniano, sendo que a entrada pela Rua Formosa/Vale do Anhangabaú encontra-se fechada com tapume.
Na aproximação do pedestre, os acessos à quadra são claramente identificados mesmo de longe, devido às generosas aberturas geradas pela disposição arquitetônica junto às calçadas, que se destacam visu-
almente das outras edificações do entorno. Na projeção dos acessos foram instalados portões que ficam abertos durante todo o dia, exceto à noite. Entretanto, eventualmente, estes são fechados totalmente ou parcialmente pela administração mesmo durante o dia, restringindo a entrada à quadra. A realização de alguns eventos e exposições também condiciona o fechamento dos portões, aparentemente, para um maior controle das atividades no espaço interior da quadra.
Quando os acessos estão abertos, estes são convidativos e estabele- cem uma natural continuação do percurso público. O acesso pela Av. São João apresenta alguns degraus e rampa PNE de acomodação do desnível da calçada, e assemelha-se a um “portal” de entrada, bem definido por construções de todos os lados, que direciona o pedestre a um corredor de circulação. Já o acesso pela calçada da Rua Conse- lheiro Crispiano é descoberto e está quase em nível, logo direcionando o pedestre a um percurso de descida, que intensifica a sensação de “convite” à entrada e ao movimento em direção ao centro do terreno. Nota-se também que não se faz nenhuma clara distinção material na transição dos acessos, apontando uma intenção de extensão do es- paço urbano para dentro da quadra, reforçada no uso de elementos e superfícies materiais, como por exemplo, um único tipo de piso público e superfícies contínuas de concreto desde as fachadas externas até as paredes internas da quadra.
Seria importante mencionar que todos os acessos citados permitem a penetração à quadra urbana em espaço externo acessível ao público, porém não permitem a entrada direta aos edifícios. Pelas fachadas vol- tadas às calçadas públicas também não é possível adentrar as edifi- cações da Praça das Artes, exceto por entrada pela fachada do antigo Cine Cairo, que se encontra indisponível, mas dará acesso futuro ao edifício dos Corpos Artísticos. Desta forma, há uma nítida estratégia de projeto que força o acesso e movimento pelo miolo da quadra antes mesmo da entrada aos espaços internos do complexo. Para isso, a obra também apresenta acessos e percursos abrigados pelas próprias edificações que se desenvolvem em pavimentos elevados, iniciando-se desde os limites da calçada até o espaço central da quadra. Entende-se que esta estratégia de projeto condiciona uma experiência espacial pelo movimento e uma entrada por meio de espaço aberto de “transição”
considerado mais “protegido” e “controlado” pela própria configuração arquitetônica.
Os percursos de pedestre pelo miolo da quadra da Praça das Artes se iniciam em cotas de níveis distintas, totalizando cerca de nove metros do ponto mais alto (acesso pela Rua Conselheiro Crispiniano) ao ponto mais baixo (acesso futuro pela Rua Formosa/Vale do Anhangabaú). A implantação dos edifícios é realizada em níveis escalonados, sendo que se estabelece um nível principal intermediário entre os desníveis, locali- zado ao longo do eixo transversal do terreno. Este nível de implantação é plano e dá acesso ao hall geral da Praça das Artes. Os percursos pela quadra apresentam características distintas que estão diretamente relacionadas aos limites arquitetônicos que os conformam.
O espaço aberto da Praça das Artes apresenta configuração irregular, definida principalmente pelos muros perimetrais, tanto das edificações novas, quanto das edificações existentes. Em alguns trechos, este espa- ço também é delimitado por outros elementos como muretas, platafor- mas e escadarias, que conjuntamente com os muros, definem planos, reentrâncias e saliências edificadas, que tornam o percurso através dele dinâmico. O formato total do espaço aberto em planta equivale a um “T” de lados assimétricos, dividido em um espaço em “L” em nível mais elevado, e um espaço em nível mais rebaixado junto ao Vale do Anhan- gabaú, que será futuramente executado e interligado ao “L” por meio de larga escadaria.
Na análise mais detalhada dos muros e limites do espaço aberto da Praça das Artes, percebe-se que estes atuam fortemente no controle e direcionamento dos fluxos e visuais do pedestre, como também é possí- vel identificar algumas proposições de usos e permanências, apontadas pela configuração de “zonas” definidas pelos limites arquitetônicos. O percurso que se desenvolve a partir da Rua Conselheiro Crispiniano até o centro da quadra caracteriza-se pelo seu caráter direcional, já que está localizado em um plano inclinado, em trecho estreito e com- prido do terreno. De um dos lados, um muro de divisa define um plano contínuo ao percurso, porém há um estreitamento inicial da circulação devido à presença de uma mureta que envolve o vazio do subsolo.
Após a passagem da mureta, o espaço se abre e logo se identifica uma reentrância configurada pelos limites da mureta e do muro de divisa. En- tende-se que neste local se propõe uma “zona” de permanência, visto que há uma clara delimitação de um espaço mais recuado em relação ao percurso, e onde se inserem canteiros com vegetações, que são combinados com bancos de madeiras, permitindo uma permanência espontânea do público. Contudo, na ausência dos bancos, esta “zona” torna-se pouco usada e vazia, como pode ser observado em visita ao local, apontando uma dependência da presença dos mobiliários urba- nos para o uso efetivo do espaço.
Do lado oposto do percurso, três plataformas levemente elevadas são dispostas de forma sequencial ao longo do trajeto, definindo zonas de uso. Os limites das plataformas são definidos por alguns degraus de acomodação do desnível e corrimãos metálicos. Estes limites também funcionam como obstáculos do percurso, principalmente no trajeto junto à edificação lateral, e ao mesmo tempo, balizam a circulação principal pelo meio da quadra. Nas plataformas, foram previstas atividades de apoio ao programa como instalações para uma futura lanchonete, um café e um espaço livre para banca de jornal. Apesar da clara proposição de espaços de uso e atendimento do público, estes locais não apre- sentam funcionamento efetivo e se mostram ociosos na situação atual. Ainda discorrendo sobre os limites do espaço aberto e percurso desde a Rua Conselheiro Crispiniano até o centro do terreno, nota-se também que o edifício que se desenvolve elevado junto a uma das laterais do terreno também influi na condução e direção do percurso, sendo que no período noturno esta condução fica ainda mais evidente devido à presença de iluminações lineares rebatidas na laje, ao longo do percur- so. À medida que a leitura desta edificação elevada é associada aos limites das plataformas e da mureta do lado oposto, se estabelece uma grande convergência espacial e visual ao centro da quadra, para onde o pedestre é direcionado de forma natural. Estrategicamente, na área central, outra edificação encontra-se elevada do chão, permitindo uma continuação do percurso, entretanto, esta também é uma barreira visual que inviabiliza a visão ampliada do entorno, que é emoldurado pelos limites dos muros laterais e da face inferior da edificação.
Figura 4.1.28: Praça das Artes – Corte perspectivado: percurso pela quadra da cal- çada da R. Conselheiro Crispiniano a R. Formosa/Vale do Anhangabaú.
Marcação dos planos verticais e edificação em corte. Fonte: Desenho da autora.
Figura 4.1.29: Praça das Artes – Plataformas de uso ao longo do percurso.
Fonte: Fotos da autora, 2016.
Figura 4.1.30: Praça das Artes – Percurso da calçada da R. Conselheiro Crispiniano ao centro da quadra durante o dia.
Fonte: Foto da autora, 2015.
Figura 4.1.31: Praça das Artes – Percurso da calçada da R. Conselheiro Crispiniano ao centro da quadra durante a noite.
Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/626025/praca-das-ar- tes-brasil-arquitetura. Foto: Nelson Kon.
Ao chegar ao centro da quadra, os limites arquitetônicos alteram-se de forma significativa, começando pelos planos de piso e teto, que pro- porcionam ao pedestre a percepção de um espaço mais fechado e controlado pela configuração arquitetônica. O espaço central está loca- lizado em plano reto e é coberto por edifício elevado, que atravessa o terreno na transversal de ponta a ponta, gerando uma extensa cobertura em um sentido, e um pórtico de passagem em outro sentido. Este é o único local no terreno onde o pedestre pode visualizar os três acessos e entornos correspondentes, embora estas sejam visões limitadas, con- figuradas como molduras.
No espaço central também se dá o encontro dos fluxos de pedestre e pode-se fazer a inflexão do percurso em direção à Avenida São João, e futuramente à continuação do trajeto em direção à Rua Formosa/ Vale do Anhangabaú. Desta forma, este é um espaço nodal, de acomodação e parada.
O percurso do centro à Av. São João, por sua vez, caracteriza-se tam- bém pelo forte caráter direcional, ainda mais marcante devido ao encer- ramento de planos de mesma superfície material de concreto aparente das paredes laterais e teto. Durante o dia este espaço é um corredor relativamente escuro que aparenta ser ainda mais fechado do que ele