4 Teoretiske perspektiv og begrepsavklaringer
4.3 Bourdieu – rom og felt i samfunnet
Ano de inauguração: 2000. Local: Berlim, Alemanha. Arquitetura:
Helmut Jahn.
O Sony Center é um complexo multifuncional, que comporta edifícios de usos mistos, de programa extenso, como escritórios, apartamentos, lo- jas, cafés, restaurantes, hotéis, cinema e espaços de convivência, como uma praça coberta onde ocorrem eventos, como por exemplo, festivais de cinema e música. O complexo também abriga parte do antigo Hotel Esplanade que foi deslocado por cerca de 75 metros para se integrar ao conjunto do Sony Center. O autor do projeto é o arquiteto Helmut Janh, nascido na Alemanha, porém com formação e grande atuação nos Estados Unidos.
A obra está localizada na área da Potsdamer Platz em Berlim, Alemanha. O local tem importância histórica e foi um centro cosmopolita da cidade e símbolo de vitalidade urbana antes da Segunda Guerra Mundial e de destruição e “vazio” no pós-guerra. No ano de 1961, o muro de Berlim foi construído, separando o lado leste e oeste, cruzando também o local onde está hoje o Sony Center.
A partir de 1989, após a queda do muro de Berlim, iniciou-se um proces- so de discussão acerca da reconstrução da cidade que em 1991 volta a ser a capital do estado alemão. Segundo Tavares (2006)1, a área da
Potsdamer Platz era um dos principais lugares de interesse da dinâmica urbana da cidade reunificada, que marcaria a re-ligação do lado leste e oeste, tanto no plano físico, quanto no plano simbólico. O autor (2006) menciona que também estava em jogo a reinserção da Alemanha no cenário capitalista global e a inclusão de Berlim como uma das impor- tantes capitais europeias. Desta forma, a cidade como um todo, mas em especial a área da Potsdamer Platz, deveria equacionar a memória e a história, com o novo, o futuro e o progresso.
A área da Potsdamer Platz foi submetida a uma série de concursos e propostas que colocaram em debate ideias distintas sobre a prática e teoria sobre a cidade. Contudo, junto à discussão acerca da reconstru-
1 TAVARES, Paulo. Arquitetura e esquizofrenia ou “não encontro Potsdamer Platz”. Arquitextos, São Paulo, ano 06,
n. 071.07, Vitruvius, abr. 2006. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.071/365>. Acesso em 21/10/2014.
Figura 4.3.01: Sony Center – Inserção urbana.
Fonte: Google Earth.
Figura 4.3.02: Sony Center – Imagem externa.
Fonte: Foto da autora, 2006.
Figura 4.3.03: Sony Center – Imagem interior da quadra.
Fonte: http://www.archdaily. com/173305/flashback-sony- center-berlin-murphy-jahn. Foto: Rainer Viertlbock.
Figura 4.3.04: Potsdamer Platz antes da Segunda Guerra Mundial.
Fonte: Powell, 2000, p.39.
Figura 4.3.05: Potsdamer Platz depois da Segunda Guerra Mundial.
Fonte: http://www.stadtentwicklung.berlin. de/denkmal/denkmale_in_berlin/en/berliner_ mauer/mauer-spuren/mitte/spree9.shtml
ção da área, havia um embate entre uma visão progressista de cidade contrapondo-se a uma visão culturalista, que se mostrava uma “per- manência da oposição entre a reconstrução da história e a projeção do futuro deslocada para a superfície da imagem” (TAVARES, 2006, p.03). Estavam envolvidos os anseios do estado alemão de um lado e os an- seios das corporações multinacionais – Sony Corporation, Daimler Benz e Brown Bovery – de outro lado, que enxergavam os vazios de Berlim como possibilidades de rendimento.
Após concurso realizado, em 1991, o projeto vencedor foi o de Heinz Hilmer e Christopher Satter. O plano redesenhava as quadras por meio de proposta conservadora. Tavares (2006) menciona que este plano recebeu inúmeras críticas, entre elas estava a do arquiteto Rem Koo- lhaas, que fez parte do corpo de jurados, porém criticou o processo de julgamento e decisão final. Segundo Tavares, Koolhaas apontou a “fraqueza” na exploração da morfologia do século XIX baseada no urba- nismo “tradicionalista”, incompatível com a complexidade e densidade programática que deveria se desenvolver no local.
Outros concursos se instalaram e, em 1992, definiu-se o projeto urbano final do escritório de Renzo Piano em parceria com Christoph Kohlbe- cker para a área da Daimler-Benz e do escritório de Helmut Jahn para a quadra do Sony Center. O projeto do Sony Center, conjuntamente com o projeto urbano da área da Daimler-Benz, mirava para uma imagem de Berlim do futuro, composta de construções de alta tecnologia. Esta imagem de Berlim “high tech”, em especial na Potsdamer Platz, recebeu muitas críticas, principalmente por ser uma reconstrução que seguia interesses de grandes multinacionais, que investiam em complexos de entretenimento e consumo.
O complexo Sony Center está situado em quadra urbana de formato triangular, voltada para a Praça Potsdamer e outras quatro vias: Potsda- mer Straße, Ben-Gurion-Straße, Kemperplatz e Bellevue Straße. Em seu entorno ampliado, estão ao norte o parque Großer Tiergarten, o Museu do Holocausto, Portão de Brandemburgo e o Palácio do Reichtag. Ao leste, no antigo lado comunista, está o Checkpoint Charlie; e logo ao sul estão os quarteirões que foram construídos no projeto urbano da Daimler Benz.
Figura 4.3.06: Imagem do Masterplan de Hilmer e Satter. Fonte: http://www.stadtentwicklung.berlin. de/planen/staedtebau-projekte/leipzi- ger_platz/de/planungen/planungsgrundl/ konzept/index.shtml.
Figura 4.3.07: Croqui do Masterplan de Ren- zo Piano e Christoph Kohlbecker para a área da Daimler-Benz.
Fonte: http://www.fondazionerenzopiano.org/ project/94/potsdamer-platz/drawings/
Figura 4.3.08: Potsdamer Platz – Fotos da área da Daimler-Benz.
Fonte: Fotos da autora, 2012.
Figura 4.3.09: Sony Center – Inserção urbana com nome das ruas.
Fonte: Google Earth.
Figura 4.3.10: Sony Center – Situação urbana e entorno ampliado.
Como já mencionado, a obra está localizada em área de importância histórica e simbólica, antes da guerra por sua vitalidade urbana e depois da guerra por sua destruição. Sendo assim, cabe mostrar este processo de inserção urbana da obra dentro deste contexto, para que se possa visualizar a transformações da morfologia da cidade e relação da obra com seu entorno.
O Sony Center foi inserido em área predominantemente vazia com al- gumas construções remanescentes da destruição pós Segunda Guerra Mundial. Por meio de mapas disponibilizados pela prefeitura de Berlim, denominados Schwarzplan, que apresentam pelo contraste das cores preto e branco, os respectivos cheios (espaços construídos, como os edifícios) e vazios (espaços não construídos, como ruas, parques e qua- dras) é possível identificar as transformações da morfologia urbana em 1940, 1953, 1989, 2001 e 2014.
Em 1940, a cidade era composta por quadras de ocupação densa: to- tal ou perimetral, típicas das cidades tradicionais. Já em 1953 a cidade reflete um cenário de ruínas, onde restam alguns edifícios inteiros e muitos fragmentos de construções. Na área da Potsdamer Platz ainda pode-se ver indícios do antigo “nó” no cruzamento das principais vias. Entretanto, em 1989, com a presença do muro de Berlim, dividindo o lado leste e oeste da cidade, nota-se uma ampliação do “vazio” na área da Potsdamer Platz, com a ausência de construções e o desapareci- mento da configuração do “nó”. Em 2001, grande parte da cidade havia sido reconstruída, inclusive o Sony Center e o projeto urbano da área da Daimler-Benz. Em 2014, completa-se a execução de edifícios no entorno do Sony Center, reconfigurando um novo “nó” de confluência de fluxos de circulação.
Por meio de outros três mapas: Neue Gebaude, que mostram as “No- vas Construções”, nos períodos de 1940-1953; 1953-1989; 1989-2001; percebe-se com maior clareza a relação temporal de execução do Sony Center em relação a seu entorno. Nota-se que entre 1953-1989, a oes- te do Sony Center, alguns edifícios do entorno foram executados, tais como: a Filarmônica de Berlim e a Biblioteca Nacional de Berlim, obras do arquiteto Hans Scharoun. Ao norte nada mudou, onde está o parque Großer Tiergarten; e a leste, a presença do muro de Berlim, inviabilizava
Figura 4.3.11: Mapas Schwarzplan. Fonte: http://www.stadtentwicklung.berlin.de/planen/stadtmodelle/de/innenstadtplaene/sp/index_sp-vt3.shtml 1940 2001 1953 2014 1989
Figura 4.3.12: Mapas Neue Gebaude.
Fonte: http://www.stadtentwicklung.berlin.de/planen/stadtmodelle/de/innenstadtplaene/sp/index_sp-vt3.shtml
qualquer nova construção. Entre 1989-2001, o Sony Center foi executa- do, assim como o projeto urbano da Daimer-Benz ao sul. Entretanto, a leste, praticamente não havia construções no entorno imediato do Sony Center. As pontuais construções que existiam foram envolvidas por ou- tras apenas depois de 2001.
Com essa breve análise dos mapas Schwarzplan e Neue Gebaude po- de-se dizer que a obra do Sony foi implantada sem grandes “amarras” com as construções existentes do seu entorno, já que estas praticamen- te não existiam. Entretanto, apesar da nova configuração das quadras e ruas, a preexistência do antigo “nó” de confluência de vias foi man- tida. Além disso, nota-se uma relação de conexão de acessos e eixos de circulação entre o Sony Center e os edifícios do projeto urbano da Daimler-Benz.
Percebe-se a presença de eixos principais e secundários de circulação que conectam acessos e permitem a continuação de percursos “entre” e “através” das edificações. Os eixos principais convergem para uma área central, onde está a Praça Potsdamer, que consiste em duas praças secas, onde estão as saídas do metrô. Esta nova “centralidade” equivale ao antigo “nó” de confluência das antigas vias da área da Potsdamer Platz.
A partir da área central, os eixos principais direcionam no sentido inverso para três pontos focais, que correspondem a três “espaços públicos” de destaque, tais como: a praça coberta do Sony Center; a Leipziger Platz, configurada pela quadra octogonal; e a Marlene Dietrich Platz, lo- calizada na frente do Teatro Musical e Casino na área da Daimler-Benz. Logo, evidencia-se uma coesão entre os projetos de reconstrução na continuidade de fluxos de pedestres, na convergência de eixos para o “nó” central, como também na articulação de três praças, que formam uma triangulação.
O Sony Center também estabelece uma conexão com os edifícios do entorno por meio de concordância de gabaritos de altura. Há uma com- posição de edifícios mais altos que envolvem a Praça Potsdamer e fun- cionam como “marcos” de chegada à área da Potsdamer Platz. No nível do pedestre, estes edifícios mais elevados podem ser vistos mesmo de
longe, pois se destacam na paisagem. Os edifícios de gabaritos inter- mediários do complexo Sony Center e dos quarteirões vizinhos também apresentam alturas equivalentes.
Apesar das semelhanças apontadas, há uma grande diferença no uso de materiais, texturas e aberturas nas fachadas, que caracterizam cada projeto. O Sony Center se distingue dos demais edifícios, pois não utili- za uma regularidade e rigidez na disposição de aberturas retangulares, como é feito no entorno e devido ao uso abundante do vidro e da trans- parência, que também não ocorre com tanta frequência nos prédios que o circundam.
Aproximando-se da obra, os acessos à quadra do Sony Center parecem coincidir visualmente com as entradas e caminhos de pedestres entre edifícios do entorno imediato, apontando não só uma continuidade da permeabilidade física, como também da permeabilidade visual, já que os percursos direcionam a visão para as entradas e “rotas” disponíveis. Para a análise dos acessos e percursos através do complexo do Sony Center, torna-se importante primeiro entender como se dá o desenho dos volumes que compõem a quadra.
A composição arquitetônica do complexo remete a duas figuras geomé- tricas principais: o triângulo e a elipse. Para o desenho dos edifícios se realiza uma sobreposição destas duas formas geométricas, sendo que os edifícios perimetrais da quadra correspondem às arestas do triângulo e os prédios do centro da quadra remetem ao formato elíptico. A partir destas formas puras, são realizados ajustes, como subtrações, adições e arredondamentos, de maneira a “dinamizar” as formas e suavizar vér- tices, configurar vazios, caminhos e aberturas que permitem o acesso e fluxos através da quadra urbana. A composição dos edifícios em planta revela uma estratégia de maior concentração e envolvimento do es- paço central da quadra, que é conformado por uma segunda camada de volumes arquitetônicos que tornam este espaço mais “fechado” e “protegido”.
O complexo Sony Center pode ser acessado pelo pedestre por todas as laterais da quadra, através de entradas geradas pelo afastamento dos edifícios. Pode-se dizer que esta quadra se aproxima ao que Portzam-
Figura 4.3.17: Sony Center – Relação com Entorno: visual dos acessos.
Fonte: Desenho da autora a partir de planta disponibilizada em http://www.stadtentwicklung.berlin.de/
Figura 4.3.19: Sony Center – Vistas dos acessos externos da quadra.
Fonte: Fotos da autora, 2012.
Figura 4.3.20: Sony Cen- ter – Vistas dos acessos externos da quadra.
Fonte: Foto da autora, 2006.
Figura 4.3.21: Sony Center – Acesso para o metrô/trem.
Fonte: Foto da autora, 2012.
Figura 4.3.18: Sony Center – Composição arquitetôni- ca, geometria e ajustes da forma.
Fonte: Desenho da autora a partir de planta disponibilizada em http://www.stadtentwicklung.berlin.de/ ESPAÇO ABERTO GEOMETRIA EDIFÍCIOS PERIMETRAIS SUBTRAÇÃO/ ADIÇÃO GEOMETRIA GEOMETRIA EDIFÍCIOS CENTRAIS EDIFÍCIOS ENTRADAS/ PERCURSOS DO ENTORNO CONEXÃO VISUAL ESPAÇO ABERTO E M ACESSO CARROS ACESSO METRÔ/TREM EDIFÍCIOS
pac (1997) denominou como “quadra aberta” devido à ocupação peri- metral, miolo permeável, assim como devido à relação de afastamento que os edifícios guardam entre si. A quadra do Sony Center também dispõe de duas entradas de veículos em laterais opostas e uma cone- xão ao metrô que tem saída direta na quadra, contribuindo para o fácil acesso do público ao local.
Ao analisar os percursos pela quadra urbana em conjunto com a confi- guração das entradas definidas pelos limites dos edifícios do Sony Cen- ter percebem-se estratégias de acessibilidade, fechamento de espaços, e direcionamento de fluxos compreendidos por meio do desenho das passagens e percursos.
Os acessos perimetrais à quadra do Sony Center são geralmente oblí- quos em relação à calçada. O eixo da circulação em ângulo acentua o efeito de perspectiva sobre a fachada frontal e também faz com que haja uma continuação do percurso do pedestre desde a calçada, con- duzindo-o de forma natural ao interior do complexo. Os limites destes acessos são definidos por planos paralelos que intensificam o caráter direcional do fluxo de pedestre.
Em contrapartida, na segunda camada de edifícios, que formam um oval, os acessos são feitos por passagens que começam maiores e es- treitam no final, criando uma sensação de “pressão” e “mistério”, como também apontam para um maior “fechamento” do espaço central. Estas entradas à quadra são realizadas por meio de pórticos, que são gran- des aberturas de pés-direitos triplos ou quádruplos, abaixo de lajes dos edifícios que se interligam em pavimentos superiores.
Logo, pode-se dizer que os acessos de maior “abertura” e regularidade formal correspondem a entradas à quadra mais acessíveis e que con- duzem ao fluxo direcional do pedestre. Entende-se também que, por meio destes acessos, há uma maior integração e continuação do espa- ço urbano para dentro da quadra. Já os acessos que apresentam um estreitamento da passagem são menos acessíveis e funcionam como entradas secundárias, que contribuem para o maior senso de “fecha- mento” e “proteção” da praça central, que se volta para si mesma.
Figura 4.3.22: Sony Center – Alguns acessos, percursos e visuais do pedestre
Fonte: Desenho da autora a partir de planta disponi- bilizada em http://www.stadtentwicklung.berlin.de/
Figura 4.3.24: Sony Center – Vista A.
Fonte: Foto da autora, 2012.
Figura 4.3.25: Sony Center – Vista B.
Fonte: Foto da autora, 2012.
Figura 4.3.26: Sony Center – Vista C.
Fonte: Foto da autora, 2012.
Figura 4.3.27: Sony Center – Vista D.
Fonte: Foto da autora, 2012.
Figura 4.3.28: Sony Center – Vista E.
Fonte: Foto da autora, 2012.
Figura 4.3.29: Sony Center – Vista F.
Fonte: Foto da autora, 2012.
Figura 4.3.23: Sony Center – Desenho dos acessos.
Fonte: Desenho da autora a partir de planta disponi- bilizada em http://www.stadtentwicklung.berlin.de/ ESPAÇO ABERTO DESENHO CONVERGENTE DESENHO DIRECIONAL EDIFÍCIOS ACESSOS
Ao adentrar a quadra, há uma grande variedade de possibilidades de percursos, entretanto, notam-se dois fluxos prioritários: um em diagonal e outro curvo, sendo que ambos podem ser acessados pela calçada junto a Potsdamer Straße, principal via de pedestre desde a Praça Pot- sdamer. Percebe-se também que foram utilizados alguns mecanismos de legibilidade que influem na configuração de percursos, delimitação de áreas mais reservadas, e na identificação e orientação do pedestre nos fluxos prioritários e secundários.
No trajeto curvo, há pouca diferenciação de materiais e texturas nos pi- sos e fachadas dos edifícios que conformam o caminho. Apesar disso, além dos limites dos edifícios, aproveitou-se o formato curvado para a disposição de degraus laterais junto aos prédios e a locação de bali- zadores metálicos e árvores que imprimem um ritmo, reforçando o mo- vimento e a condução do pedestre. Tanto os degraus, como os baliza- dores funcionam como limites do percurso, porém não interferem na permeabilidade visual do pedestre, pois estão abaixo da linha de visão. Por outro lado, são obstáculos físicos que limitam a “liberdade” total dos fluxos, uma vez que os pedestres precisam atentar ao caminho para não se chocarem ou caírem nestes obstáculos.
No trajeto diagonal, o fluxo também é reforçado pela linha de árvores e bancos ao longo do caminho e pela iluminação de piso, que no período noturno conduz o pedestre para o centro da quadra. A partir destes dois fluxos prioritários desdobram-se os fluxos secundários, que direcionam o pedestre para outras entradas/saídas da quadra.
Devido às possibilidades de entradas/saídas desde a praça central, o pedestre pode ficar um pouco desorientado em virtude da diversidade de opções e também devido à influência do formato oval do espaço. A praça é configurada por edifícios de envoltória de vidro, com trechos em revestimento metálico cromado e detalhes em vermelho. Como a maioria das edificações criam pórticos de entrada à praça central e utilizam o mesmo material de vidro com frisos metálicos avermelhados nas fachadas, perde-se a referência das entradas apenas pela associa- ção dos materiais dos edifícios. Desta forma, outros elementos influem na orientação e desorientação dos pedestres neste espaço, como por exemplo, os volumes salientes, como é o caso do cinema, e outros
elementos que fornecem informações visuais como o piso e as cons- truções no centro da praça.
O piso é composto por uma intercalação de faixas de mosaico cinza com faixas metálicas perfuradas de drenagem. Além da mistura destes dois materiais, ainda há linhas de iluminação de piso que formam uma malha na diagonal em relação aos demais materiais. O excesso de in- formação do piso pode contribuir ou não para a orientação do pedestre. No período noturno, a iluminação de piso conduz o pedestre pelo trajeto diagonal em direção à praça central, entretanto, ao mesmo tempo, o desorienta nas demais entradas secundárias.
Os limites dos edifícios quando associados aos elementos de legibilida- de também configuram “zonas” bem definidas, que são na sua grande maioria áreas mais reservadas, posicionadas em locais específicos. Ao norte do complexo, há uma área aberta e descoberta de formato trian- gular, composta por uma malha de estreitos caminhos e jardins, que funciona como um ambiente de “respiro” da quadra e rota de circulação, como também é um espaço visual para os escritórios que o rodeiam. Em visita ao local, esta área pareceu ser pouco utilizada como rota de circulação pelo público em geral, que é conduzido principalmente pelo percurso curvo.
Outra “zona” observada está localizada entre os balizadores metálicos e o volume da loja Legoland. Este é um espaço estreito, pouco visível e de difícil acesso por dentro da quadra, devido aos bloqueios de passa- gem junto à entrada da loja. Apesar disso, neste local havia uma grande concentração de bicicletas estacionadas. Não ficou claro se este uso já era previsto em projeto ou se esta apropriação se deu em função de uma demanda de espaço para armazenamento de bicicletas, que foi favorecida pela configuração espacial de área protegida, de pouca visibilidade e acessibilidade do público.
A praça central oval também pode ser considerada uma grande “zona”, uma vez que é um espaço bem definido pelos edifícios ao redor. Os