6. Kunstens godhet
6.2 Scenekunstens iboende godhet
A prisão com razão, não é um bom lugar. Não é verdade que só o corpo está ali para penar; as idéias e os sentimentos também passam pelos mesmos sofrimentos.
Sem o corpo não se fazem ocupações, sem as vozes não se fazem rebeliões; sem as pernas não se acerta o passo; sem as mãos não se abrem os caminhos; sem os braços os filhos não recebem o afeto e o carinho. Porque, por mais que sejamos companheiras e companheiros, das mãos de nossos pais e mães ninguém se torna herdeiro.
Por isso as dívidas a cobrar da classe dominante não serão apenas materiais, políticas ou repressivas, as maiores talvez sejam as afetivas. Fere muito mais do que uma lança, as mães sendo algemadas sem poderem enxugar as lágrimas das crianças.
Tudo por quê? Pela simples razão de garantir o direito à propriedade. Movem-se esforços cometendo-se todos os desatinos, para prender inocentes e torná-los “assassinos”. Perigosos são eles e elas, por quererem encher de comida todas as panelas. Colocar em cada boca infantil uma mamadeira; uma enxada em cada mão para gerar trabalho; dar a cada corpo um agasalho e encher os quintais de frutas e roseiras.
Um homem só manda prender e condenar, como se um ser humano fosse um entulho sendo deslocado. Ele se dá o direito de dizer o que está certo ou errado. Goza de enorme força mesmo sendo minoria; ainda nos faz crer, que no seu entender, vivemos em uma democracia.
E lá se vão ficar trancados militantes e dirigentes, como se estivessem doentes, enquanto os juízes ficam indiferentes. Prisão é privação, é igualar-se com aqueles que nada têm. Por mais que se procure, esconjure, nada vem. Em tudo se fica dependente das mãos alheias, por isso é que “cadeia”, na palavra original, antes de ter paredes, era uma corrente de ferro ou de metal.
Mas, quem está preso e imobilizado não deve considerar-se inutilizado. Cada momento é propício, para aprender, estudar, imaginar, escrever e corrigir os vícios. Escreva, nem que sejam poucas linhas é a forma de dar vida, aos passos que não caminhas! Mande cartas para os acampamentos, elas ajudam a aliviar o sofrimento. Cuide do corpo com longos exercícios, para que esteja em forma quando acabar o sacrifício.
Mantenha o ânimo e a cabeça erguida. A paciência é o remédio que cura todas as feridas. O tempo passa; levará consigo as dores, e em seu lugar ficarão as vitórias misturadas com as pétalas das flores.
A frieza das celas não congela nossas mentes, muito pelo contrário, apenas serve para provar que os revolucionários, em qualquer tempo ou lugar, não se deixam intimidar e continuam sempre coerentes.
As lutas tecem o momento. As estradas estão cercadas pelos acampamentos. Sem demora as marchas tomarão as rodovias. Elas alimentarão as utopias de quem a vida toda só esperou, mas no dia em que acordou, cada sonho se transformou em ideologia.
A convicção de estarmos certos é que nos faz ficar despertos. Os inimigos rondam como os crocodilos, para comer a esperança que na maioria dos seres ainda é criança; mas saberemos como repeli-los.
Ninguém tem mais força que a verdade! A história é feita pela desobediência! A terra nunca
Cartas de Amor Nº 73
À SOBERANIA
“Se o mundo tivesse apenas um presidente seria diferente?” Perguntou o menino à professora de geografia. “Claro que seria!!” Respondeu ela com duas exclamações, e passou a destacar quais as razões:
Se o mundo tivesse um presidente só, funcionaria muito melhor! Teria em suas mãos o mapa de toda a terra e marcaria onde precisaria, de vez em quando, fazer guerra. Somente para lá dirigiria seu arsenal, e, com isso, evitaria outra guerra mundial.
É claro que ele não poderia governar sozinho, em cada local colocaria um presidentezinho. Precisaria, para ajudá-lo implementar as decisões. Para auxiliá-los enviaria permanentemente comissões, que avaliariam o desempenho. Seria assim, como na prova da matéria de desenho; a figura já viria pronta, mas da pintura cada qual teria que dar conta.
A comissão ajudaria a escolher as cores para facilitar. Ensinaria a passar o lápis bem de leve para a ponta não gastar, principalmente aqueles que tivessem belas cores. Assim receberiam boas notas e elogios destes senhores.
Aprenderiam regras de como governar, decorando uma simples equação, para manter controlada a inflação. Se ela estivesse crescendo, calmamente e sem apuros, seria só subir os juros. Desta forma o povo deixaria de comprar. Se com isso surgisse o desemprego; sem se intimidar, baixariam os juros devagar e tudo voltaria ao mesmo patamar.
Haveria pequenas coisas que pareceriam afrontas, teriam que enviar mensalmente uma soma em dinheiro para o presidente equilibrar as suas contas, que, por ser grande, teria direito a isso! Mas se um dia alguém se apertasse e dele precisasse, ajudaria, e não faltaria ao compromisso.
Tudo funcionaria de acordo com um só pensamento. Como se fosse uma família onde pais e filhos entrassem sempre em entendimento. Não é assim quando alguém pede para o pai comprar uma camisa? E ele responde: não precisa! Continue usando esta, mesmo estando rasgada! É preciso ter paciência, pagar primeiro as dívidas, depois resolver nossas pendências!
Se o mundo tivesse um presidente só, diminuiriam todas as despesas, porque os serviços passariam a ser prestados por empresas. Elas ofereceriam a escola, o transporte, a água encanada, a luz elétrica e o hospital. Tudo funcionaria melhor e normal! Até mesmo para a aposentadoria teria uma empresa. Não seria uma moleza governar deste jeito? Em cada prefeitura, não teria mais nada de estrutura, somente o gabinete do prefeito.
Trabalho, emprego, reforma agrária e outras coisas mais, seriam resolvidos com programas assistenciais. Não seria melhor? Ao invés de trabalhar o mês inteiro, ir direto ao Banco levando em cada mão, um cartão, para retirar o seu dinheiro?
Ah, se o mundo tivesse somente um presidente! Todos se comportariam do mesmo jeito. Comeriam os mesmos produtos, vestiriam as mesmas roupas, ouviriam as mesmas músicas, como se um só coração batesse em cada peito.
As polêmicas locais, gerais ou transitórias, seriam todas resolvidas através de Medidas Provisórias.
A cultura, a moral, a arte e os valores seriam muito diferentes, se o mundo tivesse apenas um presidente. Assim seria! Pra que então pensar em soberania?
Cartas de Amor Nº 74