4. Veien mot en avhandling
4.5 Det empiriske materialet
Sempre que os ricos se sentem atingidos ou insatisfeitos, começam a falar em Estado de Direito. Mas o que é que os deixa preocupados? Na verdade querem dizer que, não poderão perder, o velho direito ao Estado.
É inversa então a preocupação. O Estado como estrutura de poder, a poucos deve pertencer. Por isto, sempre que há qualquer pressão da sociedade, alertam para o risco da instabilidade.
Dizem eles em sua minoria: “Cuidado com a democracia! Se nos tomarem o poder, nos misturam com a maioria, e aí perderemos todas as regalias”.
É o direito a controlar o Estado que preocupa a classe dominante. Não o estado de direito, que a rigor, se fosse implantado, todo o povo seria beneficiado.
Ou direito não é, terra, trabalho, comida, saúde, escola e moradia? Não seriam estes os verdadeiros sustentáculos da democracia? De que Estado de Direito fala pois a burguesia?
Se, sem terra o povo se mobiliza, é sinal que as cercas ainda impõe divisas. Se a luta é contra o desemprego, é sinal que falta trabalho, não emprego. Pois emprego precisa de patrão, e o Estado deve dar subsídios a este senhor da exploração.
Se nas filas gemem os doentes, é porque de remédios estão carentes. E assim é com a escola e a moradia. Se há luta todo santo dia, é porque o Direito ao Estado impôs a carestia.
Se os pobres entendem-se com a autoridade, logo afeta o ciúme e a vaidade. Dezenas de políticos se rebelam e sua fúria então revelam. Ameaçam com CPI’s e auditorias dizendo que está em risco a democracia. Eles então criam a instabilidade, ameaçando derrubar as boas autoridades.
Na atualidade o que menos interessa aos trabalhadores é desestabilizar para se ter um governante novo. A rigor, para que cometer tamanha insensatez, se na história é a primeira vez, que temos um presidente com cheiro de povo?
Talvez seja isto que ameace o falado “Estado de Direito”; é que, este presidente tem respeito por aqueles que direito algum não têm! E também, porque recebe o povo com alegria e um sorriso sempre novo.
Por outro lado, para calar esta elite intempestiva, que Estado de Direito pode se ter com a terra improdutiva? E que ameaça podem significar os Sem Terra, famintos e desarmados que andam em filas, procurando apenas estas fazendas para dividi-las? Que interesse poderiam ter, para desestabilizar um governante que se propõe em os ajudar?
É que os proprietários comparam o Estado a uma fazenda, dele precisam tirar renda. Na medida em que isto deixa de ser feito, apelam para o “Estado de Direito”.
Então querem aplicar a lei e a crueldade, impedindo que o povo revele as suas necessidades. Então, o direito tão falado, é garantir o comando da máquina do Estado. Aí sim, dizem que há governabilidade e respeito, porque ao povo é negado o seu estado de direito.
Na verdade, enquanto persistir, a opressão, a negação, a imposição e a prepotência, aos trabalhadores só lhes sobra um jeito, investir em seu único direito de persistir na desobediência.
Cartas de Amor Nº 60
À CONSCIÊNCIA
A história da humanidade é na verdade uma invenção coletiva. Cada geração com sua arte, faz sua parte, enquanto estiver viva.
Há períodos em que aparecem muitas invenções, assim também ocorre com as ocupações. Não é por nada. É que a história também segue sua estrada. Mas há momentos em que os passos dos caminhantes não deixam de ser lentos; são as circunstâncias que geram os acontecimentos.
Muitas vezes uma invenção demora. É porque o ser humano cresce mais devagar por dentro que por fora.
Se por fora se destacam o físico e a resistência, por dentro se estendem as idéias e a consciência.
Há quem desenvolva o físico na academia, mas da consciência não cuida nenhum dia. Então é comum ver homenzarrões, incapazes de tomarem decisões. É conseqüência da impostura onde toda a cultura seca. Por isso, em cada esquina, há uma farmácia, uma academia, mas não se vê uma boa livraria ou uma biblioteca.
O nosso caso é inverso, por vivermos na miséria submersos. Os anos de exclusão levaram consigo o físico e a razão. Como uma floresta incendiada, ficamos iguais aos troncos na beira das estradas.
Ali se espera algo novo acontecer. Por isso não se pode deixar nenhum tronco apodrecer. Não importa se este é alto ou se só restou um toco! Cada um dentro de si carrega um oco, é onde se situa o espaço do sentido; e, com ensinamentos, valores e canções, deve ser preenchido.
Cada acampamento é uma escola de renascimento. Tudo o que se perdeu durante a vida, cada pessoa deve ser ressarcida. Precisamos curar com paciência, também as feridas da consciência. Não dar tempo ao tempo na batalha contra a ignorância. Cada qual com as armas do saber deve empreender esta luta que tem grande importância. Talvez maior do que a luta contra a propriedade. Pois, esta pode ser extinta em um momento; enquanto que, o conhecimento, durará por toda a eternidade.
Quem a consciência forma, não faz apenas a reforma, faz a revolução, porque esta transforma o coração.
Mas é preciso que se dê prioridade na elevação das capacidades. Organizar turmas de estudo com regularidade nos horários, e por isso os estudos devem ser diários.
Em cada espaço ter os próprios monitores, eles cumprem o papel de mestres e professores. Não importa se não estão bem qualificados; é cozendo que se vai aprendendo os pontos do bordado. Na formação o adulto é como uma criança, depende de surpresas todos dias para manter as esperanças. Por isso não basta fazer um curso de vez em quando, seria o mesmo que ter um exército sem comando.
No acampamento é o momento do conhecimento cuidar. É o lugar de semear e cultivar; enquanto a história anda devagar.
Cartas de Amor Nº 61
À ORGANICIDADE
Quando a função do povo é construir, não se pode nenhuma tarefa obstruir. É a velha sabedoria que se aplica no momento, não basta ter a massa é preciso por fermento.
Este princípio é antigo para dizer que em tudo há uma idéia; onde a força do fazer a transforma em matéria.
Ao fazermos uma ocupação elevamos no espaço algo novo. É uma matéria viva construída pelo povo. Mas eis a razão que esta verdade comporta, neste meio pode existir também matéria morta.
Façamos uma recapitulação: uma idéia é sempre uma abstração nascida da reflexão. Pondo em prática esta imaginação é, a idéia tornando-se matéria em forma de organização.
Então de matéria política somos produtores, porque somos das idéias organizadores. Mas cabe uma pergunta nesta afinidade mansa. De que é composta esta matéria? De homens, mulheres, jovens e crianças.
A resposta é curta e certa. Esta matéria acompanha e nos alerta. Se ela for esperta e participativa, dizemos que é matéria viva. Se ela está parada, desorganizada e torta, dizemos que é matéria morta.
Outra pergunta para sermos coerentes: de que matéria nós somos dirigentes? Se a maioria da massa morta é nossa companheira, somos dirigentes de um movimento de caveiras.
Qual a função desta? Pergunte para não ficar surpreso. Servir de volume ou de peso. Peso morto sem nenhuma serventia. É por isso que as organizações perdem a rebeldia.
A massa ativa precisa ter o seu lugar. Deve participar, estar nos setores, nos núcleos, comissões e nas instâncias. É daí que surge a militância.
Se nada disso funciona desse jeito, é sinal que falta com a massa honestidade e respeito. As coisas vão em frente, mas a passos de lesmas, como se as pessoas fossem incapazes de refletirem sobe si mesmas.
Então o jeito é dar ordem para garantir a unidade. Mas isto só desperta o individualismo e a vaidade. A massa morta, é a pura verdade, somente serve para se desenvolver a caridade.
Falar em revolução onde não bate o coração é uma improbidade. Quem poderia assumir esta responsabilidade se não compreende o que se está querendo. Assim, quanto mais o tempo passa, mais gente da massa vai morrendo.
Uma organização séria é feita de idéias e matéria. Essas, tornam-se consistentes e ajudam os prudentes condutores, quando se somam com a ética, a moral e os valores.
A força de uma organização lhes dá identidade. Quem participa dela deve ser parte integrante responsável e atuante; assim se desenvolve a qualidade.
A história com memória se torna exigente. Os passos precisam ser firmes e consistentes. Caso contrário, ficaremos a beira do caminho, sozinhos!
Não percamos tempo em abrir o espaço da participação. Nossa democracia exige que cada qual faça com sua própria mão, o gesto que estimula a resistência. “Vem, lutemos...” é o grito que conclama a rebeldia, convidando-nos a ascender um dia, a fogueira que nos dará a independência.
Cartas de Amor Nº 62