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6. Kunstens godhet

6.1 Det gode mangfoldet .1 Menneske og mangfold

Em 21 de setembro comemora-se o dia da árvore aqui em nosso país. Poderia ser o ano inteiro. Assim prestaríamos intensas homenagens a este grande viveiro feito pelas mãos da natureza. É pena que elas, as árvores, não tenham neste dia tanta certeza.

Não tenham por causa das ameaças. Abrem-se clareiras e mais clareiras a cada ano que passa. Por isso é que cortar madeira para os devastadores virou uma grande brincadeira.

O dilema da madeira pode estar neste resumo: nos últimos 50 anos, cresceu em 15 vezes a necessidade de consumo. E, para cada 10 árvores derrubadas, uma apenas é replantada. Por isso a triste história nos traz esta verdade: dos 60 milhões de quilômetros quadrados do planeta, de florestas, só temos a metade.

Com tantas técnicas e conhecimentos esta é a herança que nos resta: a cada quatro minutos some um hectare de floresta.

Os caminhões e as moto-serras são as armas usadas nessa guerra. Os povos calados, acompanham este fúnebre cortejo de destruição, vendo as árvores centenárias seguirem em procissão para serem desmanchadas, como se a vida não valesse nada.

É importante muitas árvores plantar. Mas, mais importante ainda é as que existe preservar. Para evitar flagelar o meio ambiente. Imagine se alguém fizesse esta maldade com a gente, e decretasse: matem todos os adultos, deixem só as crianças e os adolescentes.

Uma árvore matada leva consigo 30 espécies de vida, que de seu caule extraem a sua comida. O maior prejuízo falta ainda dizer; é que uma árvore plantada agora, levará até 20 anos para florescer, por isso das gerações interrompe-se o caminho e quem mais sofre são os pobres passarinhos.

Eles são os maiores plantadores de sementes, é por isso que encontramos as mesmas espécies por todo o continente. Em seu papo levam vida para este grande viveiro, como se cada um fosse responsável para cuidar de um belo canteiro. Por isso é que 10% de todas as espécies de vida do planeta estão em solo brasileiro.

Se as árvores adultas vão embora, os pássaros não agüentam a demora de esperar outra planta ali crescer, e então começam a migrar e a morrer.

Há quem pense que exportar madeira ajuda o Brasil a aumentar seus capitais. Não podemos concordar com estes comedores de madeira. 70% das plantas pesquisadas para curar o câncer estão localizadas nas selvas brasileiras. Nelas está a riqueza reservada, onde o país terá o remédio para curar a humanidade, quase sem gastar nada.

A vida do planeta depende das árvores para seguir em frente. Elas recolhem o gás carbônico que expelimos diariamente e nos dão o oxigênio de presente.

Além do mais refrescam o ambiente, inibem as erosões, curam doenças, cuidam da água e oferecem frutos e sementes em um grande avental. Se a terra aquecer dois graus centígrados, as águas do mar afogarão 75% da população mundial.

No dia da árvore comece esta grande mudança. Cuide das que ainda restam com carinho de criança. Há tempo para salvar o que ainda resta de nossas belas florestas. Onde foram feitas grandes derrubadas, não tem mais jeito: novas árvores terão que ser plantadas.

Entre pra valer nesta campanha! Para a solidariedade não existe terra estranha! A vida não pode ter proprietários! Defendê-la é um elegante ato revolucionário.

Cartas de Amor Nº 68

À OBEDIÊNCIA

Ia escrever sobre a primavera, mas faltou-me paciência, por isto veio à tona o tema da obediência.

A razão para esta mudança é a perda da confiança, devido a uma cópia de carta que chegou por aqui, onde o Palocci presta contas ao FMI. Mais baixo do que isto é impossível descer; nela o Antônio Filho se ajoelha para dizer: Pai, cumprimos o dever.

Para que percebam o regaço, vou destacar da carta um pedaço: “A agenda de reformas estruturais do governo avança com vigor no Congresso. A reforma da previdência foi votada no primeiro turno no dia 6 de agosto, tendo havido avanços nas discussões da reforma tributária. Também se verificou progresso na Lei de Falências, estando previsto para breve a votação do projeto de lei pela Câmara dos Deputados. A política fiscal está de acordo com o estabelecido e a proporção da dívida vencendo em 12 meses continua a cair, assim como o custo da dívida interna. A redução da vulnerabilidade da economia também permitiu o Banco Central diminuir a exposição cambial da dívida pública referenciada em moeda estrangeira”. Só faltou o neném falar, que para economizar abandonou a mamadeira.

O que disseram, deve ter sido de brinquedo: que “a esperança venceu o medo”. A não ser que esta esperança signifique a perda! E o medo que venceram foi da esquerda. Não foi escrito, talvez tenha ficado no rascunho, onde o ministro de próprio punho fala sobre a limpeza: passamos a vassoura no funcionalismo pobre, expulsamos deputados radicais e agora a investida é contra os movimentos sociais. Já rebaixamos o orçamento, os programas sociais não andam mais, e o Fome Zero segue de vela e vento.

Então a obediência venceu a esperança! Só faltou o ministro filho concluir: Pai, sempre arrumo a minha cama e apago as luzes antes de dormir. Isto é para economizar os gastos internos. Veja, só uso a mesma cor de terno, também economizo quando vou às reuniões. Por tudo isto foi que lhe enviei, em diversas vezes, nos primeiros seis meses, quase 90 bilhões.

O Estado segue os seus receituários. Há críticas internas de alguns radicais otários, mas o povo segue acreditando, que tem alguém de confiança no comando.

Pensavam que ia ser diferente? Estão surpresos com nossa eficiência? Vocês nos ensinaram a importância da obediência, e isto repassamos ao povo: se quiser ter avanços, deve ficar cada vez mais manso e esperar o momento para votar de novo.

Só faltou dizer que consertou os vazamentos das torneiras; o ar condicionado e o ventilador. Para economizar ainda mais, está amolando o barbeador. Sabonete só passa uma vez, papel higiênico usa dos dois lados, e, é assim que se conserta o Estado.

Meu Presidente, você foi eleito como companheiro, e não para ser do neoliberalismo o lixeiro, devendo fazer o resto das reformas que o traidor passado não conseguiu fazer. Não foi para isto que o colocamos no poder!

Se o Palocci não tem coragem de mandar o FMI lamber sabão, o povo não é culpado, isto ocorre com todos os que traem as causas do passado. Mas ele não é o dono do programa, que por sinal, até agora não se aplicou sequer um grama, para não falar em vírgulas e pontos. A paciência já cansou de dar descontos!

Não é por nada não, nem para resgatar o refrão de “Ser Feliz”, ocorre que, esta submissão tamanha, no fundo só envergonha quem tanto acredita no país.

Cartas de Amor Nº 69

à PRIMAVERA

Primavera, na origem de sua definição quer dizer: “primeiro verão”. Mas sempre que é anunciada a sua chegada sobre a terra, torna-se feminina e, com o olhar preso nas colinas, esperamos a Prima Vera. Prima de toda a natureza pela força e beleza que esta estação gera.

Usamos também tal referência para elogiar pessoas jovens e queridas, dizendo que estão “na primavera da vida”. Este é o momento do florescimento.

É a estação onde a vida se levanta, as árvores brotam, os pássaros afinam a garganta e fazem o acasalamento. Os animais se movem com destreza, enfim, é a vez da natureza dizer ao ser humano que estamos indo para o final do ano.

É a hora de acordar as sementes e deitá-las na terra para que liberem a energia guardada. Tirar as mudas dos canteiros de onde estão arquivadas. Levá-las para o campo reiniciando as florestas. Em resumo a primavera, é uma grande festa.

Há primavera então em todos os sentidos, inclusive na política. É pena que a nossa esteja ficando crítica. A primeira estação de quatro anos está quase ultrapassada e de florescimento quase não vimos nada.

Será que é porque o inverno de FHC foi tão cruel e tenebroso? Choveu, nevou, morreu, matou, fez enfim tudo o que a gente não queria. Usou do poder e a repressão para bater fazendo adoecer as raízes de nossa utopia.

Mas os campos estão aí para serem semeados à vontade, basta que a decisão seja mais forte que o direito à propriedade. O grande mal da injusta concentração da terra, é que, o latifúndio impede de surgir a primavera.

Estamos também na primavera das prisões pela perseguição do judiciário, esperávamos no início do governo que seria justamente o contrário. Quem iria para a cadeia seriam os matadores, mas o alvo continua sendo os trabalhadores.

Dizem que é porque os poderes são independentes, mas a razão da repressão é porque a reforma agrária está parada na beira das estradas e não tem ido à frente.

Se o governo tivesse distribuído a terra, estaríamos nela fazendo a primavera. Como é lento o seu comportamento, mesmo a natureza mudando de estação, vivemos esta dura condição, no inverno frio dos acampamentos.

Mas nem tudo está perdido, cada qual tem por dentro um coração florido, estamos como as flores teimosas e resistentes que surgem dos galhos até sem folhas, porque sabem fazer as suas escolhas.

Dos galhos da exclusão brotamos nós aqui, e resistimos ao frio do latifúndio e do FMI que leva embora o dinheiro do orçamento, deixando o governo enfermo, rastejando lento, como se o corpo sangrasse por um grande ferimento.

A flor é sempre a esperança, por meio dela é que a vida segue em frente, sua tarefa é produzir sementes, respeitando a natureza e seus costumes. Nós também somos iguais às flores, nascemos para gerar o novo, misturando: sonhos, esperança e povo. É preciso cuidar para não parar na fase do perfume. Sejamos como José Martí que em sua poesia nos anima a cultivar com alegria: “Cultivo uma rosa branca, em julho como em janeiro, para o amigo sincero, que me dá a sua mão franca. E para o cruel que me arranca, o coração com que vivo, nem “cacto” ou “urtiga” cultivo: cultivo uma rosa branca”. Sem temer a força bruta, façamos a nossa primavera ser de lutas.

Cartas de Amor Nº 70