3. Autonomi som konstitusjon og illusjon
3.1 Autonomi som konstitusjon
Transformou-se em passarinho pra poder cantar o sertão. Tinha sua terra, seu ninho, deles vinha inspiração. Fez da seca seu escudo, da poesia fez seu estudo, doutor em belas canções.
Não tinha asas de pássaro, mas delas não precisava, pois com a imaginação o sertão sobrevoava, buscava em cada galho, ou numa flor que caía, tecer com versos um atalho, pra poder criar poesia.
Somente um passarinho poderia relatar, o que há em nosso sertão, em toda noite de luar. Viu morrer Nanã de fome, viu nordestino migrar, mas ele ficou ali, usando o próprio sentir, para a sua vida animar.
Patativa do Assaré, poderia ser do Brasil, e também da humanidade. Por uma simples verdade, de que quem nasceu e se doou, a vida inteira cantou com tamanha liberdade, não poderia ser mesquinho e acabar dentro de um ninho e ser de alguém propriedade.
Com a sua ideologia viva, era assim o Patativa, gostava de ter um lado, defendia o sofredor, por ser um trabalhador, sabia o que era um arado.
E as poesias de sua mão grossa, com sabedoria imensa, quando os olhos lhe falhavam ditava suas sentenças, por fim lhe faltou a voz, mas resistia entre nós com sua forte presença.
Aquele que faz poesia é igual a um passarinho, mesmo ficando calado, isolado em seu cantinho, carrega a simbologia de ser a própria poesia se emendando em pedacinhos.
Patativa do Assaré, mistura de ave e gente. Quando queria trabalhar, naquele lugar tão quente, se tornava brasileiro e passava o dia inteiro produzindo sua comida, mas, de um momento para outro, virava um pássaro solto fazendo poesias da vida.
Quis partir, deixar a terra e as árvores do sertão, assim é a natureza que nos leva pela mão; nos faz tropeçar nos anos e um dia interrompe os planos como um final de canção.
Este passarinho alegre, vai continuar entre a gente, quando não for pelas letras, será pela voz consciente, que nos dirá em cada verso, que este pequeno universo será seu eternamente.
Patativa da poesia, do canto do sabiá, que colocou os poetas, cada qual em seu lugar. Aqueles que na cidade, com a sua honestidade podem a vida rimar; e os demais no sertão, disse ele com razão: “Cante lá que eu canto cá”.
Dizer adeus não precisa, pra quem estará presente. Assim se resume a vida, de quem vive plenamente. Ainda mais quem faz poesia, terá sempre a garantia, seja de noite ou de dia é um perfume que se sente.
Patativa passarinho, que tudo dito ou cantado, seja herança de beleza, a nós, teus filhos, doado. Carregaremos contentes pois sempre será presente o que fizeste no passado.
Termino com um verso seu, escrito no pé da serra, onde a poesia se chama “Caboca de Minha Terra” é ali onde você diz com seu jeito natural: “Quem me dera sê poeta/Da mais rica inspiração/ Pra na linguage correta/ Fazê do choro canção/ Fazê riso do gemido./ Ah! Se o esprito sabido/ De Catulo e Juvená/ Falasse por minha boca,/ Promode eu cantá a caboca/ Da minha terra natá”.
Cartas de Amor Nº 37
À JUVENTUDE
Malditos os que fazem da juventude instrumento de guerra, que lhes negam o conhecimento dizendo não ter vagas nas universidades. Malditos os que vendem o destino e fazem da pátria um puteiro, onde o dólar com sua inteligência come a virgindade e a consciência; estes pararão um dia, em nossa mágica utopia de jovens guerreiras e guerreiros.
Aos que traficam ilusões, fazendo da juventude massa esquartejada com o objetivo único de frustrar carreiras ainda por nascer. Aos que se agarram ao mercado mundial para alimentar o capital matando todas as soberanias; aos que fabricam fantasias e usam as drogas como escudo, aos que pensam que assim podem tudo, haverão de parar em nossa rebeldia.
Estes que usam da violência para matar os sonhos, e levam das nações suas riquezas, que comem todas as certezas, investem os esforços em novas tecnologias, enquanto o povo come apenas uma vez por dia, pagando com a vida a crueldade; eles que acreditam na luxúria, pararão um dia em nossa fúria, que corre em busca da solidariedade.
Aos que desconstroem a história feita, impedem que façamos as colheitas e buscam os produtos importados; aos que já vêem o trabalhado eliminado e acreditam na especulação, sentirão a justiça, pois, chegar no dia em que o jovem acreditar, que o caminho é a revolução.
A todos os que pensam que as fronteiras não existem, e fazem dos países um só tapete para o capital, estes que se dizem do “bem” para combater o “mal”, que perseguem a natureza e a matéria prima; saberão o que é o enfrentamento, quando a juventude unificar o pensamento e resgatar em si a auto-estima.
E os parasitas que vivem de orgias, que penetram as consciências com insanas ideologias e fazem da juventude bravos consumidores. Aos que da terra julgam-se senhores, que dividem o mundo em raças e religiões; eles que acreditam nos canhões e se agarram às torneiras do petróleo, sentirão o peso de nosso repertório, nas formas de lutas que unificam todas as nações.
Aos que degradam a democracia, fazendo da juventude apenas eleitores, e se apegam ao princípio da “Ordem de Direito”. Aos que pensam fabricar o futuro deste jeito, enquanto se divertem nos escombros da paciência, saberão pela desobediência, o que é da história ser sujeito.
Aos que apostam na exploração e na eternidade do capitalismo que transformam a utopia e o socialismo, em imensas frustrações; que iludem grandes multidões, com as farras dos shoppings e das novelas, terão de apertar a própria goela quando despertar a fúria das nações.
E assim veremos florir os girassóis, ouviremos canções de liberdade, viveremos em uma sociedade, onde florescerão todas as virtudes. Sentiremos o pulsar de cada coração e a igualdade não terá fronteiras; no dia em que a nossa bandeira, estiver na mão da juventude.
Cartas de Amor Nº 38
ÁS ELEIÇÕES
Ninguém é obrigado a se render, nem mesmo os princípios renegar, ocorre que, se alguém visa o poder, há dois caminhos a escolher, servir ao Rei ou a ele combater, para fazer-se um dia lá chegar.
Aqueles que combatem são mal vistos. Por isto devem ter muitos cuidados. Aqueles que se aliam são bem vistos, não se cuidam, contam-se preservados. Terão porém a frustração, de serem nesta relação, talvez um dia abandonados.
A natureza é muito mais sabida do que certos políticos que de moral já andam nus, de nada vale dourar um tico-tico, se o ninho foi feito para anuns. Cada macaco que cuide de seu galho, não nascem mudanças sem trabalho, nem papagaios em ninhos de urubus.
Dá pena vê-los angustiados, por não poderem fazer duas coisas desiguais. Servir ao povo ou ao governo? Ser o senhor ou o capataz? Fechar a mão ou abrir a palma? Vender o corpo ou só alma? Depois de tudo o que ainda mais?
Assim se vive caro amigo, grande dilema na conjugação, do verbo perseverar apenas no passado, sem no presente ter sua relação. Como será ele no futuro se o poder estiver consigo, de acreditar que será coerente, sendo embalado pela indecente, mão criminosa do eterno inimigo?
Como entender que após anos de briga o cão e o gato tenham amizade? Ou o cão perdeu o seu caráter, ou o gato mudou de personalidade.
Como os passarinhos que buscam os alpistes, estão os eleitores na porta do alçapão, frustrados de alcançar grandes mudanças, no dia que chegar a eleição. Se ficam fora não há, ora, outra trilha; se adentro vão caem na armadilha, de servir ao senhor da escravidão.
Finge quem trai não ser tão ingrato, para aliviar o peso da consciência, de que é apenas candidato, mas que sua ética está em sua vivência. Muda as palavras encolhe o conteúdo, ajeita o nó da gravata e sobre tudo, perfuma a pele e muda a aparência.
Militância já não é necessária. A mídia com seu charme e com suas cores, “levará” através de suas mensagens, esperanças para os trabalhadores. Têm consciência que, parte disto, será uma grande enganação, mas plantarão uma péssima semente, dando a entender que daqui pra frente, luta de classes é na televisão.
Bem, já chega por ora as linhas ditas, temos muitas tarefas a fazer, esperando que as idéias malditas, não façam um dia alguém se arrepender. Que não tenha de explicar aos netos, as razões e as ilusões desta grande perda, e perguntar-se com lágrimas nos olhos, de que valeu ter enganado a esquerda?
Quanto a nós, sigamos o velho estilo, de na base seguir a construção, pois assim estaremos mais tranqüilos, quando raiar o dia da revolução.
Cartas de Amor Nº 39