4. Veien mot en avhandling
4.1 Epistemologiske hindringer
- O que é a liberdade? – pergunta para a mãe a criança iraquiana. - Quando crescer você irá saber.
- É que, na escola ouvi muito falar, que a liberdade está prestes a chegar. Agora... a liberdade vem de dentro ou vem de fora?
- Há liberdades em todos os sentidos – responde a mãe analisando a questão – foi no século dezoito que o capital fez esta invenção. De lá pra cá se tornou intransigente e começou a circular tranqüilamente.
- Ah! É o tal do liberalismo que deu liberdade ao imperialismo! – exclama o menino um tanto preocupado, sem entender porque estavam sendo atacados.
A mãe cabisbaixa buscava proteção. Tinha medo que uma bomba derrubasse a frágil construção que com dificuldades há anos ali erguia. Era livre pra fazer o que “queria” só não tinha condições para fazer suas realizações.
O menino por sua vez continuava a insistir em seu dilema, imaginando que se a liberdade “vem de fora” é porque dentro ela está tendo problemas.
- Mas porque só agora, após duzentos anos – pergunta o menino estarrecido – a liberdade tem que vir dos Estados Unidos?
- Você é pequeno demais para entender – reponde a mãe preocupada. Queria poupar o filho em tenra idade, de saber que existem liberdades massacradas por outras liberdades.
Mas o menino insiste em saber, quer entender esta repentina reação. Porque levou duzentos anos pra chegar a libertação? Não havia nascido ainda a solidariedade para vir até nós e libertar a liberdade?
- Meu filho, há duas forças que sustentam o capital, como se este tivesse duas moradas; quando se sente fraco na iniciativa privada, sai se arrastando e já cansado, vai passar uns dias na casa do Estado. Ali se recupera, fica bravo, valente como fera e volta para sua casa privada, que está muito mal cuidada. A questão é que ele não vai sem levar os colchões, os travesseiros e os móveis da sala e da cozinha. Leva o que antes não tinha.
- A liberdade então é o capital poder mudar de casa quando se sente mal?
- É isto mesmo! – exclama a mãe um tanto contrariada – Quando ele se aperta em seu país, vai para outro canto meter o seu nariz.
- Então a guerra, ora feita deste jeito, é porque o capital está insatisfeito ou muito sentido lá nos Estados Unidos?
- A guerra meu filho é uma das formas usadas quando o capital não consegue levar para sua casa privada, as riquezas que ainda não foram estatizadas.
- Isto me deixa confundido! – exclama o menino tão sabido – então a liberdade vem liberar nosso petróleo para os Estados Unidos?
- Bem concluído. – responde a mãe – a guerra é para controlar o petróleo que ainda não foi privatizado ou vendido. Por isso matam a nossa liberdade sem piedade.
O menino levanta-se e vai até a janela. De repente vê uma bomba vermelha, feito brasa, vindo em direção à sua casa. Soluça, olha para a mãe e diz:
- É verdade. Estou vendo que está chegando para nós a liberdade.
Carta de Amor Nº 52
À AUTODETERMINAÇÃO
Sadam, Sadam! Onde estão tuas armas químicas e tua razão? Perdidas entremeio aos escombros de ferragens retorcidas, que em breve serão doadas para as Nações Unidas.
Ganhará o direito de reconstruir os prédios, as estradas e as vidraças quebradas. Será ela capaz de apagar as marcas da violência, desenhadas a bala nas consciências?
E os mutilados que tiveram as pernas e os braços amputados, terão reconstrução? E a água com urânio toda contaminada, e as mulheres que foram estupradas, o que a ONU irá fazer? Se conter? Se render? Se vender?
Ao assumir a reconstrução receberá indicações de empresas definidas entre as grandes potências já ali estabelecidas. Mas há uma coisa que ainda mais afronta, as vítimas é que terão de pagar a conta.
Quando veio o bloqueio, a ONU entrou no meio e estabeleceu a troca de petróleo por comida. Pois o império exigiu que precisava boicotar, para não deixar proliferar, armas químicas de destruição em massa. Agora, qual é a saída? Trocar petróleo por desgraça?
Deveria ser ao contrário. Não é assim quando a justiça condena um criminoso, cumpre a pena afastado e desgostoso ou prestando trabalho voluntário?
Se a vítima de acusações provar sua inocência, tem direito a reaver em sua essência a restituição de sua moral. Isso é legal.
Por esta lógica, a ONU, ao invés de herdar a destruição que os criminosos fizeram sem contenção, deverá fazer um inventário e calcular o grande prejuízo. Aí dar a sentença, sem interferência, através de seu juízo. Não gastaram bilhões de dólares para destruir? Gastem os mesmos bilhões para reconstruir! Aí veremos, o que dirão os 72% do povo norte americano que apoiou esta loucura, quando os recursos saírem de suas burras! Apoiarão ainda aquele demente ou se revoltarão e derrubarão seu próprio presidente?
A mídia apresenta os resultados, mostrando um povo violento e revoltado, que saqueia seu próprio patrimônio. Ora, até as abelhas fazem este papel. Quando alguém por perto da colméia faz fumaça, prevendo a destruição e a desgraça, chupam todo o mel. O predador não as sentindo ferroar, não vê o perigo, pensa delas ter se tornado amigo.
As abelhas por si só reconstroem a sua colméia após o mel roubado, mas o povo iraquiano precisa ser indenizado! Pois ali não apenas tomaram o produto, destruíram o ambiente e se colocaram à frente como senhores absolutos.
Quem destruiu tem que pagar a conta! Trocar obras por petróleo é outra afronta.
O petróleo é para investir nos prejuízos sociais há anos acumulados, onde o povo foi duramente maltratado. Agora, todo o petróleo que se venda, deverá servir para distribuir renda.
É o povo usufruindo da riqueza. Não se deve imaginar que a sua parte seja: um ar condicionado, um sofá ou uma mesa, retirados do meio dos escombros. O povo não pode carregar a indigência eternamente sobre os ombros.
Ianques, ingleses e espanhóis tirem agora, as patas, os tanques, os mísseis e a desgraça, que são as verdadeiras armas de destruição em massa, e caiam fora!
Façam silêncio, as crianças precisam descansar, voltar a viver. Elas têm o mesmo direito que as suas, de estudar, brincar, crescer, ser ternas, com os dois braços e as duas pernas. Não estraguem
esta possibilidade, o petróleo não salvará a humanidade. Só o povo salva o povo, pela solidariedade.
Cartas de Amor Nº 53
À FELICIDADE
Há muito tempo em um certo lugar, havia um Rei já sem forças para andar, mas tinha conquistado o mundo inteiro. A doença afetou a sua saúde. Procurou em vão resgatar a juventude, gastando enormes quantidades em dinheiro.
Buscou por todos os lugares alguém que pudesse receitar, o remédio exato para o seu mal curar.
Certo dia ao entardecer, o Rei já prestes a morrer, recebeu uma visita, com as mãos frágeis e lisas, sem demora disse a ele tudo o que bem quis; e pediu que procurassem em todas partes do país, alguém que fosse bem feliz, e dele lhes trouxessem a camisa.
Mas alertou o visitante, que se não encontrassem o referido objeto, tarde ou cedo, cairia sobre eles a desgraça e o medo.
Partiram os servos a procura deste alguém; voltaram após meses de procura sem encontrar ninguém. Em cada casa, ouviram reclamações de todo o jeito e não acharam ninguém totalmente satisfeito.
Um certo dia, à tardinha, ouviram uma voz vinda de uma casa pobrezinha, onde o habitante as preces estava a fazer. Relembrou o que durante o dia fizera, agradeceu por ter plantado a terra, questionou quem queria muito poder, e perguntou-se o que mais deveria querer?
Entraram os enviados a procura do material pedido e viram o pobre homem ali despido. O torturaram até desfalecer. Nenhuma camisa encontraram, e voltaram sem cumprir com o dever. E foi assim que o Rei e todo o seu povo começaram a temer. Até morrer.
Hoje temos um Rei estarrecido, vive aqui, não muito longe, nos Estados Unidos. Usando da violência levou muitos países a decadência e o povo apoiou essa demência.
Que diriam se essa grande besteira fosse feita dentro de suas próprias fronteiras? Teriam a mesma confiança se em suas portas fosse feita esta matança?
Quando o povo é submisso deve-se desculpar as suas posições. Mas, quando este é produtor de suas próprias convicções e deixa os governantes livremente atuarem, deve-se responsabilizá-lo pelos desmandos, matanças e usurpações que estes criarem.
Agora que a calmaria voltou, o povo norte-americano se deu conta e se assustou. Porque a guerra mudou de lugar e procedência, passou a ser travada em suas consciências.
E o medo, astuto e soberano, domina o linguajar cotidiano: Não abra a janela! Ordena a mãe em tom voraz, podemos ser atacados por um gás. Leve a máscara para a escola e não se separe da sacola. Ou, não chupe mais sorvete, meu pequeno, eles podem estar contaminados com veneno.
De que valeu tanta maldade, para tirar dos outros a dignidade e ter perdido a felicidade? Voltamos ao tempo em que o Rei está doente, demente e prepotente. Suas ordens são dadas apenas em uma direção, provocar, atacar e arrasar cada nação que se diga feliz. Ele quer destruir a riqueza cultural, a ética e a moral que há em cada país.
Por isso ao terminar esta carta a pensar fico, o que é de fato ser um país rico? Não pode ser aquele que apenas tem fortuna material, mas que torna o seu povo doente mental, desleal e rancoroso. De que vale controlar toda a riqueza se o povo perde a gentileza e fica sempre mais medroso?
Cartas de Amor Nº 54