Ovdamearkan Guovdageainnu suohkana luoddanamat
4 Sámáidahttigoahtit Guovdageainnu namma- namma-duovdagiid
Falar do locus de pesquisa eleito exigiu transitar entre o sonho, o conto, a história e a realidade, pois, como já disse Oliveira (2002), em sua pesquisa de mestrado realizada nessa escola, e eu pude constatar no início de minha pesquisa, poucos são os arquivos históricos existentes, limitam-se a fotocópias de
Em relação a muitas outras escolas, isso aqui é o sonho de consumo de muito professor. Eu já ouvi assim colegas daqui falar assim: ”Nossa,
meu sonho de consumo sempre foi trabalhar no Colégio Estadual Central”. E digo assim: “o sonho de muitos outros é trabalhar aqui no
Estadual Central.” Por quê?
Porque é uma escola de tradição, de referência, que dá assim liberdade. È uma escola democrática, né. Então, por isso todo mundo quer trabalhar aqui. O sonho de consumo é trabalhar aqui no Estadual Central. È uma referência, né!?
textos dos jornais que destacaram o centenário do colégio, 1992. Nos arquivos públicos como: Arquivo Público Mineiro, Secretaria Estadual de Educação, centro de dados e dissertações da Faculdade de Educação da UFMG, pesquisa no COMUT, não encontrei material que me desse subsídios históricos mais aprofundados sobre esse colégio e poucas são as pesquisas existentes sobre essa escola.
2.1 Fundação 20
As versões sobre o ano de fundação da Escola Estadual Governador Milton Campos são conflitantes. Há aqueles que defendem o ano de 1744, quando foi instituída a instrução pública em Minas Gerais, com aulas de latim avulsas em Ouro Preto. Outros defendem o ano de 1839, quando as aulas de latim foram reunidas no Colégio Público da cidade que recebeu sete diferentes nomes. A escola adotou a data de 05 de fevereiro de 1854, quando foi criado o Liceu Mineiro, sob o regulamento nº 27 do presidente da Província, Francisco Diogo Pereira de Vasconcelos, em Ouro Preto, como o marco fundador.
Em 1º de dezembro de 1890, o governador de Minas Gerais, Crispim Jacques Bias Fortes, assinou o Decreto nº 260, criando um estabelecimento de instrução secundária dividido em internato e externato em Barbacena idêntico ao de Ouro Preto, e com o mesmo decreto suprimiu o Liceu Mineiro e criou o Ginásio Mineiro.
No ano de 1932, o Ginásio foi dissociado do Internato de Barbacena, que passou a constituir um estabelecimento independente.
Pelo Decreto Estadual nº 16244/74, passou a chamar-se, Escola Estadual Governador Milton Campos – 1º e 2º graus.
Em 17 de outubro de 1978, sua denominação foi mais uma vez alterada, desta feita pelo Decreto nº 19472/78, para Escola Estadual Governador Milton Campos, retirando apenas a tipologia indicadora dos graus de ensino oferecidos, porém só deixou de oferecer o ensino de 1º grau a partir do ano 2000.
Esta escola recebeu vários nomes, porém até hoje é conhecida pelos belo- horizontinos por Colégio Estadual Central, Estadual Central ou Colégio Estadual. Esta denominação marcante tem sua origem no fato da escola estar localizada
em área mais central de Belo Horizonte e ter sido a sede de outros tantos ginásios anexos: Colégio Estadual Santo Antônio, Colégio Estadual da Serra, Colégio Estadual da Gameleira, Colégio Estadual da Sagrada Família e Colégio Estadual da Lagoinha.
2.2 Localização e estrutura
Em 1898, quando o Externato do Ginásio Mineiro foi transferido de Ouro Preto para Belo Horizonte, instalou-se provisoriamente em um prédio na Praça Afonso Arinos. Posteriormente, foi para a rua da Bahia, para o bairro da Serra, para a Avenida Augusto de Lima.
Apenas em 1956 a escola instalou-se definitivamente no moderno conjunto construído especialmente para seu funcionamento numa área de 28000 m2 em região nobre de Belo Horizonte.
Construção moderna, projetada por Oscar Niemeyer, a pedido do então governador do Estado Juscelino Kubitschek, que plasma artisticamente em seu projeto arquitetônico a forma de objetos da época usados na escola como: régua (salas de aula, laboratórios e unidades administrativas), giz (caixa d’água), mata- borrão (auditório), borracha (cantina) 21.
Construído em espaço bastante amplo na confluência de bairros nobres habitados por classes de maior capital econômico, onde [se] tem o metro quadrado mais caro de Belo Horizonte22, destaca-se fisicamente de outras escolas por apresentar 50 salas de aula bem arejadas e iluminadas por grandes janelas de vidro e um complexo esportivo composto por oito quadras, sendo, hoje, três cobertas numa parceria com o Minas Tênis Clube23, vestiários e uma piscina.
Nas últimas décadas foram construídas, na mesma localização, mais duas unidades da Escola Estadual Governador Milton Campos, ampliando bastante sua
21 Regimento da Escola Estadual Governador Milton Campos de 1º e 2º Graus ( com as modificações contidas na Emenda aprovada pela Secretaria da Educação, juntamente com este Regimento, em 13/12/1993) Documento xerocado dos arquivos da escola.
22 Observação do aluno René (Anexo I, Entrevistas Alunos).
23 O Minas Tênis, considerado como uma das maiores e mais importantes instituições sociodesportivas e culturais do país, foi fundado em 15 de novembro de 1935 e, atualmente, é formado por duas unidades urbanas – e duas unidades campestres. Dispõe de moderna infra-estrutura para atividades esportivas, culturais e de lazer. O Clube conta com cerca de 70 mil associados, sendo 22 mil cotistas. Atualmente, o Minas tem cerca de 1200 atletas em equipes competitivas de todas as categorias em sete esportes olímpicos - Vôlei, Natação, Basquete, Ginástica Olímpica, Tênis, Judô e Tiro, além de Futsal, destacando-se em todas elas em nível nacional. O Clube também mantém um departamento de Cursos de Aprendizagem em 23 modalidades, que contam com cerca de 9 mil alunos, a partir dos 3 anos de idade.
oferta de vagas. Atende, hoje, em duas unidades, pois uma delas está desativada desde 1988, cerca de quatro mil e quatrocentos alunos do ensino médio, totalizando 125 turmas, distribuídas nos três turnos e mantém um quadro de pessoal composto por 330 trabalhadores em educação, sendo 210 professores e 120 funcionários. Para se ter uma dimensão do quadro de pessoal exigido por uma escola com essa realidade, ressaltamos que o Estadual Central tem hoje em seu quadro de funcionários 12 porteiros.
Atualmente, o Estadual Central está entre as 119 escolas de Belo
Horizonte que oferecem o ensino médio e entre as treze24 que oferecem
exclusivamente esse nível de educação no município. Até o ano de 1998, funcionava como escola de educação fundamental (quatro últimas séries) e ensino médio. Em 2000, encerrou o atendimento às últimas turmas de educação fundamental, mantendo apenas o ensino médio completo. A observação dos
dados do Cadastro Escolar 2005-200625 permite-nos afirmar que, em Belo
Horizonte, é a escola de ensino médio que oferece o maior número de vagas e a diferença entre o número de vagas por ela ofertado e as outras é bastante significativa, como se pode observar no quadro abaixo.
TABELA 2.1
Vagas oferecidas para o 1º ano do ensino médio em escolas estaduais de Belo Horizonte 2005 – 2006
NÚMERO DE VAGAS E TURNOS