Veinavn i Kautokeino kommune som eksempel 1
4 Å bruke samisk i det onomastiske landskapet i Kauto keino
Dentre os nove projetos que a escola apresenta dentro do Projeto de Desenvolvimento Pedagógico Institucional (PDPI), o Projeto de Reestruturação Curricular ocupa lugar de destaque.
39 No início de 2006, a SEE/MG, por meio da Resolução 783, de 06 de janeiro de 2006, institui e regulamenta uma nova organização curricular para as escolas-referência. Estas, a partir de 2006, deverão organizar o 1º ano a partir de um currículo básico comum a todas as áreas, tanto nos cursos diurnos, quanto nos noturnos regulares. E, partir de 2007, deverão organizar o 2º e 3º anos do ensino médio por “ ênfases curriculares em áreas do conhecimento” – Ciências Humanas, Ciências Biológicas e Ciências Exatas.
Em maio deste mesmo ano concede aos professores coordenadores de área, que têm jornada dupla, a redução de 05 horas/aula semanais de sua jornada de regência e, aos professores com jornada simples, o acréscimo de 05 horas/aula de jornada remunerada para dedicarem às atividades exigidas pela função.
A discussão e construção do Currículo Básico Comum (CBC) foram realizadas por sete grupos interdisciplinares, ao longo do segundo semestre de 2004, com o objetivo de definir um currículo mínimo para o ensino médio de acordo com as diretrizes curriculares nacionais. O trabalho foi orientado por material impresso, elaborado pela SEE/MG em parceria com professores universitários das diversas áreas.
A participação dos professores nesses grupos denominados GDP (Grupo de Desenvolvimento Pessoal) deu-se por adesão, uma vez que não foram remunerados para jornada extra à qual se dedicaram, em muitos casos, ou mesmo por discordarem dos princípios defendidos pela SEE/MG ao apresentar a proposta.
Tendo em vista as condições de trabalho, a participação inicial foi bastante significativa, cerca de 70% dos professores, embora alguns tenham perdido o entusiasmo ou mesmo desistido durante o processo, diante de conflitos gerados pelas disposições engendradas pelo habitus.
A disposição para participação e a dedicação que gestores e professores mostram ao abraçar as ações da política educacional do Estado podem se explicar pelo fato de possuírem estruturas internas, cognitivas e afetivas – habitus – prontas para acolher ações que podem significar estratégias de conservação. Ou seja, a disposição e a dedicação são formas de salvaguardar a tradição, o valor da escola-referência dentro do mercado escolar, evitando-se a sua desclassificação. Faz-se necessário investir recursos e sacrifícios para sustentar uma escola como o locus de excelentes alunos, professores e ensino.
Todo mundo entusiasmado, sem saber que hora vai deslanchar e como vai funcionar, com todo mundo. Todo mundo trabalhou muito por isso ainda não acabamos. O PDPI, sim, mas o GDP não, que vai ser a conclusão do PDPI, então todo mundo trabalhou demais, então assim, a gente tá doido pra ver os frutos desse trabalho né. Nós plantamos a semente, vamos ver a florescência dela agora o que será, espero que seja positiva.
No depoimento que se segue, o professor Cazuza, durante sua entrevista, deixa escapar seu entusiasmo/gosto em participar de uma das ações de resgate da escola-referência proposta pelo Estado : “- opa, escola, colégio referência, então vamos lá"! . contudo tão logo nota que as equipes acompanhantes da escola-referência não defendem que para ser escola referência, tem que ser escola diferenciada mesmo até para entrar aqui. Que não podia ser quem a Secretaria olha no catálogo, lá na relação de alunos, e esses vão para o Estadual. Isso não é escola referência, o aluno, tinha que ser um aluno que quisesse estudar no Estadual, porque o Estadual tem a oferecer a ele, uma escola que fosse coerente mesmo, perde o gosto, desanima e passa a acreditar que o negócio foi mais palavras do que ação.
Não é demais sublinhar que esse professor ministra aulas de Matemática nessa escola – disciplina das mais seletivas no Estadual Central e em muitas outros estabelecimentos – desde 1980, trabalhou em uma escola particular e em escolas municipais. É engenheiro civil, com um cargo na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, e advogado. Casado com uma advogada, tem um filho advogado e uma filha jornalista, mora em residência própria em um bairro situado em região privilegiada e tem uma renda pessoal de mais de 10 salários mínimos. Portanto, pertence a uma classe social diferente da dos alunos aos quais propõe que se não passarem na seleção do Estadual Central, devem ir para escola do estado.
Ele acha uma “sacanagem” oferecer ao filho do pobre (“onde tem gente inteligente e que quer estudar”) “uma escola vagabunda, sem conhecimento, onde o filho do pobre passa, sem ter conhecimento nenhum”, mas esses não devem ser os alunos do Estadual porque “eles não têm conteúdo” e vão sair do Estadual “como outro qualquer”. O que nos leva a concluir que para esses qualquer escola serve, mesmo sendo sacanagem com as classes de menor capital econômico e cultural.
A aparente confusão, presente no discurso do professor, autoriza a pensar na cumplicidade da histerese do habitus que leva a aplicar ao novo estado do mercado escolar – a escola é para todos – determinadas categorias de percepção e de apreciação – a seleção dos alunos e também a seleção de professores para o Estadual Central, sugerida em seu questionário como ação para se investir na melhoria da qualidade da escola - que correspondem a um estado anterior do mercado escolar quando o Estadual Central não era uma escola para qualquer um.
A reestruturação curricular está sendo implementada nas turmas de 1ª série e um currículo adaptado está sendo desenvolvido para as turmas de 2ª e 3ª séries. Essa reestruturação refere-se apenas ao currículo a ser desenvolvido com
Esse da discussão do currículo, eu quero fazer até fazer um parênteses, para falar umas coisas: começou muito entusiasmado, mas não sei se ele é secretário, ou secretário adjunto, o Filocre - eu conheci como professor - ele veio aqui no colégio, há uns dois anos dizendo que o colégio seria uma escola referência. Eu peguei aquilo com muito entusiasmo: "opa, escola, colégio referência, então vamos lá"! Participei das primeiras reuniões, dei palpite, comentei, depois dali comecei a notar que o negócio foi mais palavras do que a ação como: por reunião são seis equipes de escola referência, primeira coisa que eu falei, para ser escola referência, tem que ser escola diferenciada mesmo até para entrar aqui. Que não podia ser quem a secretaria olha no catálogo, lá na relação de alunos, e esses vão para o Estadual. Isso não é escola referência, o aluno, tinha que ser um aluno que quisesse estudar no Estadual, porque o Estadual tem a oferecer a ele, uma escola que fosse coerente mesmo. Aí eles alegaram que a Constituição disse que a escola é para todos. Mas só que eles não sabiam que eu também entendo de direito. Mas só que não diz, que não possa ter seleção. Diz que o Estado dá escola a todos Faça a seleção, os que não conseguirem estudar no Estadual, vão para as escolas do estado. O Estado dá escola para todos, é o modo de interpretar. Ele olhou para mim, ficou em silêncio um tempo e não disse nada e eu pergunto: - Onde está o escrito
que não pode ter seleção? Nenhum lugar disse não pode ter seleção. Disse
que tem que ter escolas para todos, mas escola vagabunda, sem conhecimento, onde o filho do pobre passa, sem ter conhecimento nenhum e não pode competir com o filho do rico lá fora. Isso é sacanagem com a classe baixa, que tem gente inteligente, tem gente que quer estudar, mas não tem conteúdo, que vai sair daqui como um outro qualquer. Aí eu acho que há um trabalho muito mal feito, muito ruim e doloroso em cima da classe menos favorecida.
os alunos dos turnos diurnos, uma vez que, segundo os gestores e professores, não é um currículo adequado ao o turno da noite onde é outra realidade.
Como resultado imediato da reestruturação curricular, gestores e professores apontam o planejamento coletivo do conteúdo a ser desenvolvido no bimestre e a realização de prova única para todas as turmas de uma mesma série dos turnos da manhã e tarde.
A observação realizada na escola, embora sem ter essa questão como foco, leva a concordar, em parte, com um dos professores que leciona Física.
Para a realização do planejamento coletivo, como os professores não têm tempo pedagógico remunerado para reuniões, a escola se organiza de forma que os alunos permaneçam em sala desenvolvendo alguma atividade e os representantes de disciplina muitas vezes ‘”doam” seu tempo de folga para essas reuniões. A prova única é uma forma de controle do desenvolvimento do Currículo Básico Comum, segundo os gestores.