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Leatgo Bissojohka ja Porsáŋgu Borsi-álgosaš namat?

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borsi-álgosaš namat?

4 Leatgo Bissojohka ja Porsáŋgu Borsi-álgosaš namat?

A opção metodológica por realizar a investigação a partir do depoimento dos diferentes atores do processo educativo escolar de uma escola pública de ensino médio justificou-se por considerar fundamental que a posição no espaço e campo sociais levam os sujeitos, mesmo que submetidos à organização e ao sistema valorativo de um mesmo espaço físico, a analisar, interpretar e organizar a realidade com base em seu habitus Portanto, não há como desconsiderar os conflitos decorrentes da variedade de entendimentos e expectativas, produtos de seu habitus.

Considerando que “um objeto social é sempre apreendido como algo associado a um grupo” (Moscovici, 1978, p. 261), a abordagem teórico- metodológica pretendeu privilegiar a representação construída pelos vários segmentos de atores do processo educativo escolar o que possibilitou identificar as aproximações e distanciamentos entre as representações dos diversos grupos.

Para o estudo das representações sociais a concepção de grupo não se limita a um conjunto de indivíduos unidos pela

interdependência ou por objetivos comuns, mas refere-se a conjunto de indivíduos que mantém determinada relação com o objeto de representação, seja porque ele é parte de sua existência, seja porque não tem como ignorá-lo. Daí a necessidade de “certos” grupos construírem sua própria “representação”, quando colocados diante de “certos” objetos, “ancorando-os” em sistemas de normas e valores próprios de sua cultura, de sua tradição, e sobre os quais os grupos se apoiam para garantir sua identidade enquanto grupo e a coesão entre seus membros.(p. 253)40

Parafraseando Penna, (1992, p. 81), as representações produzem e são produzidas pelas relações/mediações sociais, expressando por excelência o espaço dos sujeitos, na sua relação com a alteridade, lutando para interpretar, entender e construir o mundo. (apud Therrien, 1998, grifos meus).

A investigação centralizou-se nos sujeitos que trabalham ou estudam no Colégio Estadual Central e, consequentemente, em gestores, alunos e professores que atuam no ensino médio, uma vez que a escola oferece exclusivamente este nível da educação básica. Dado que nesse nível de educação se concentra grande parte da retórica sobre a “qualidade perdida”, tendo em vista a possibilidade de acesso ao ensino superior e, ainda, é um nível de ensino cuja identidade está em construção, tornando oportuno e emergente mapear e apreender realidades, práticas, experiências e representações dos atores do processo educativo escolar que nele atuam, a investigação centrada nesses atores investiu-se de singular importância.

Foram sujeitos da pesquisa:

a) 08 gestores da educação pública: diretor, 02 vice-diretoras, 01 supervisora pedagógica, 01 orientadora educacional, 01 coordenador de turno, 02 secretárias;

b) 10 professores que trabalham na Unidade I (a pesquisa priorizou a Unidade I, contudo alguns professores trabalham nas duas), sendo: 05 homens e 05 mulheres, 04 que atuam na área de humanas e 06 que atuam na área de exatas e trabalham em turnos diferentes, uma professora trabalha nos três turnos e um professor em dois turnos;

c) foram selecionados 17 alunos do ensino médio: 06 alunos do turno da manhã, sendo quatro do sexo masculino e dois do sexo feminino; 03 alunos do turno da tarde, um do sexo masculino e dois do sexo feminino;

08 alunos do noturno, sendo cinco sexo masculino e três do sexo feminino. Foram selecionados alunos da 1ª série (03), 2ª série (09) e 3ª (05)) série, com bom, médio e mau desempenho.

A concentração de um número maior de alunos da 2ª série justifica-se por ser a única série existente nos três turnos e o momento em que se supõe haver um maior equilíbrio dos alunos tendo em vista que não se encontram em momentos de tensão com o início nem tampouco com a finalização do ensino médio.

1.1 A seleção dos gestores

Na tradição educacional é freqüente tomar por gestores da escola, ou seja, responsáveis pela sua administração e funcionamento, tão somente o diretor, autoridade máxima, secundado pelo vice ou vices que, na ausência do primeiro, assumem a autoridade, bastante restrita em relação à decisões, diante da escola.

Em Minas Gerais, pode-se considerar que o conceito de gestor amplia-se diante da necessidade de nova organização, funcionamento e demanda das escolas e, sobretudo, diante do movimento dos atores do processo educativo escolar em busca de um controle maior dessas.

A instituição da eleição direta para direção e vice direção e dos colegiados escolares têm papel substantivo nesse processo.

Desde meados da década de 1980, os professores e as comunidades das redes públicas de ensino estadual e municipal vêm conquistando o direito de escolher os diretores e vice-diretores e em alguns casos o coordenador de turno ou coordenador pedagógico – por meio do voto – e mesmo com vários problemas, internos e externos à escola, vêm exercendo e garantindo esse direito.

A criação do colegiado, composto por diretor e vice-diretor, representantes dos especialistas (supervisor e orientador), representantes dos professores, dos funcionários (secretaria, biblioteca e serviços gerais) dos pais e dos alunos, vem, de certa forma, imprimindo um caráter democrático na gestão da escola e a tão sonhada gestão democrática, mesmo com certas restrições e dificuldades, em relação ao seu exercício, vem se tornado realidade em muitas unidades de ensino.

Pode-se, ainda, observar que as relações, embora não se dêem sem atritos, são marcadas pela distribuição da autoridade e um certo grau de autonomia dentro de cada função. Como observa Paro (2000), nas estruturas burocráticas toda autoridade implica responsabilidade, sendo essa tanto maior

quanto maior for a autoridade delegada e as relações aí construídas podem se caracterizar por vários tipos de relações conflituosas.

No Colégio Estadual, assim como na escola pesquisada por Paro, e em outras várias das quais tenho conhecimento,

(...) os indivíduos em posições hierárquicas mais elevadas tendem a ver seu cargo ou função como um fardo muito pesado e pouco compensador, enquanto que os que ocupam os níveis inferiores consideram que têm pouca autonomia para tomar decisões. Os primeiros ressaltam o excesso de responsabilidade; os segundos a escassez de autoridade. (Paro, 2000, p. 78)

O depoimento de uma das gestoras, registrado abaixo, ilustra com propriedade o observado.

No Colégio Estadual Central, a definição das funções do diretor, vices, coordenadores de turno, supervisão, orientação educacional e secretarias são claras, o que atribuo mais à questões técnicas, que podem levar à objetividade e prática devido ao tamanho da escola, do que à decisões políticas que pretendem uma democratização da gestão. Não se pode deixar de observar que as relações, culturas e práticas desenvolvidas no exercício das funções podem levar a uma democratização mais política e menos técnica da gestão.

Desta forma, a seleção dos gestores orientou-se pela função exercida pelos mesmos: diretor, vice-diretor, coordenador de turno, supervisora, orientadora, secretária responsável pelos professores e secretária responsável pela escrita

Agora, eu diria que, como vice-diretora, eu deveria estar realmente num âmbito maior de ... de decisão da escola, mas a minha decisão, o âmbito de decisão maior que eu sinto, que eu posso dizer que eu tenho espaço maior é na questão pedagógica. Porque pela administração atual da escola, as questões administrativas elas ficam muito no âmbito do diretor. E, apesar do diretor colocar a questão numa posição muito democrática, o que eu vejo é que ele centraliza muito as questões administrativas. E eu estou dizendo isso porque aconteceu um fato muito importante, de relevância para a gente fazer essa leitura. Porque, quando foi colocada agora uma questão que a Secretaria de Planejamento é... coloca a partir da avaliação de desempenho é que seja feita uma comissão para fazer a avaliação de desempenho dos professores e a supervisão não participa dessa comissão. Nós que temos um trabalho mais direto com os professores.

dos alunos. Foram contempladas todas as funções e, no caso do coordenador, ainda foi considerada a variável trabalhar no Unidade I, posto que a seleção dos outros atores, como já mencionado, centrou-se nessa Unidade.

Foram sujeitos da pesquisa 08 gestores: 01 diretor, 02 vice-diretoras, 01 supervisora pedagógica, 01 orientadora educacional, 01 coordenador de turno, 02 secretárias. Como, na prática, o vice-diretor assume a dimensão pedagógica ou a dimensão burocrática da administração/gestão escolar, a investigação buscou contemplar as duas dimensões desta função.

1.2. Perfil dos gestores

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