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As mudanças de paradigmas, ou de modos de nos posicionarmos no mundo, são resultantes de processos que se articulam, inicialmente, a partir dos “modos de fazer” (práticas) e suas conseqüências nas relações sócio-políticas, sócio- econômicas e sócio-ambientais. Assim sendo, passam a gerar modelizações que se refletem diretamente em novos modos de ver, de fazer e de sentir do ser humano, de forma geral, que exercita sua alteridade por meio de diversas práticas. Os componentes que geram estas modelizações por tanto, farão sentido por um tempo determinado, após o qual se somam sem ser destruídos, como coloca Augé163

, às novas práticas que virão a fazer sentido novamente num mundo “diferente” cujas razões e desrazões serão buscadas por teóricos do amanhã.

Modos de fazer, de ver e de sentir, são assim, modos comportamentais, se mostram renovadores na sociedade quando a passagem de um sistema organizacional para outro demonstra que esses modos, de uma forma ou de outra, já

162 Conceito que está sendo desenvolvido através de reflexões feitas durante o processo de estudo e

prática da Arte Pública Atual pelo Grupo de Pesquisa: Arte e Vida nos limites da representação pertencente ao Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina, Campus Florianópolis coordenado pelo professor Dr. Luiz Kinceler e do qual a autora desta dissertação é participante.

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não se mostram eficientes para as necessidades que foram surgindo num tempo determinado. E este “demonstra” está diretamente ligado à experiência, às coisas que se definem num recorte de tempos e espaços, suturados pelo ver, sentir, ouvir e falar; que é o lugar do olhar/experiência.

Essa passagem, que permite as modificações, pode ser realizada bruscamente quando motivos de ordem maior detonam a mudança, como por exemplo, as duas guerras mundiais do século passado que possibilitaram questionamentos resultantes em novos fazeres e novos saberes em diferentes ordens, inclusive no campo artístico como foi o caso do movimento Dadá e das vanguardas em geral.

Por outro lado, pode haver passagens menos traumáticas, mas igualmente eficientes que vão se especificando, adquirindo visibilidade, de forma mais ou menos rápida ou concomitante e se inserindo constantemente no sistema facilitando do mesmo modo, sua transformação; este caso nos parece ser o dos movimentos artísticos contemporâneos na Arte Atual. Segundo Augé164 a supermodernidade é como o lado “cara” de uma moeda da qual a pós- modernidade só se apresenta como o lado “coroa” – o positivo de um negativo.

Consideramos que o homem, através da capacidade de reflexão, pode questionar mudanças, reposicionando-se frente à polivalência de estímulos, de normas e valores com os que se depara procurando novas identificações no exercício de sua alteridade. Nosso momento atual, de supermodernidade, está penetrado pelo domínio do Capitalismo de consumo que favorece o lucro, a ganância, a oferta e a demanda de bens econômicos; fato que ultrapassa os limites de respeito e solidariedade humana. Projetos como The Land, que se desenvolve numa comunidade com problemas de sobrevivência; ou Park Fiction que desconstrói o objetivo de lucro imobiliário; ou inSite que “transparece” os problemas de uma fronteira complicada em termos sociais, políticos e econômicos, emergem como alicerce de novas formas do “possível” e transparecem a capacidade humana de reflexão e ação.

A superposição de mundos, uns vindos dos contendores do poder sócio- econômico-político, outros que insurgem dos mundos aos que aqueles se dirigem, tornam a alteridade incomunicável no espaço de convivência. Nele várias “tribos”

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estão imersas na “viscosidade” que tende a indistinção, de que Maffesoli165

fala; tribos que se manifestam por meio de identificações sucessivas, numa espécie de mimetismo, onde o importante é “participar” com os outros. Daí, sob nomes diversos, o ressurgimento do fenômeno comunitário que funciona essencialmente sobre a identificação emocional que pode ir de encontro ao que se costuma chamar de verdadeira realidade ou de princípio de realidade, segundo o autor citado. Estes projetos/processos da Arte Pública Atual se constituem como “tribos”, como lugar de processo vital, como lugares-comuns que partilhamos com outros, num tempo sincrônico, para o exercício de uma solidariedade orgânica.

Nesta supermodernidade temos, do mesmo modo, uma relação conflitiva com a natureza, de abuso e destruição, de desgaste com conseqüências imediatas e mediatas, mas que precisam ser levadas em consideração desde “ontem”, por se constituírem numa ameaça à vida humana em particular, e a vida natural como um todo. Os projetos/processos desenvolvidos pelo coletivo Ala Plástica de Argentina, voltado a problemas sócio-ambientais, a exemplo do Projeto AA, situado na bacia do Rio de La Plata, perto de Buenos Aires, que mobilizou novas formas de ação coletiva e criatividade junto com a população local na região ribeirinha, de modo a desafiar os interesses políticos e econômicos por trás do desenvolvimento de larga escala da região166

.

Do mesmo modo, a proposta da artista Navajot Altaf que produziu desenhos de bombas de água e templos infantis que foram implantados na Índia, em colaboração com um grupo de artistas locais e do povo nativo Adivasi, resultou em importantes trocas inter-culturais que, de acordo com Altaf, levou os jovens a pensarem sobre diferentes formas de saber e modos de trabalhar, capacitando-os a alimentar-se e encontrar sustento nessas diferenças e similaridade167

.

Estes projetos/processos devem ser considerados como novas formas emergentes de praticar a alteridade com responsabilidade dentro de uma prática ecológica consciente.

165 MAFFESOLI (2005, p. 190). 166 KESTER (200_?).

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Fig. 55 Região do Rio de La Plata onde atua o coletivo Ala Plástica

Fig. 56 Canalização de água na Índia; proposta do trabalho feita por Altaf

Não podemos desconsiderar o argumento de Augé168

de que, perante a modificação de novas formas de família, a identidade da pessoa que antes era definida por seu pertencimento a uma família, sua inscrição numa comunidade ou sua profissão, nesta nossa supermodernidade se vê, sem dúvidas, atingida por uma opacidade que não permite defini-la dentro desses domínios. Mas talvez, dentro do que Ton Nairn169, falando da transformação das mentalidades como resultado da globalização, sugere que a consideremos como uma mudança de clima, nos permitindo pensar numa consciência globalizante que tem a ver com estar no mesmo barco, não importando as ondas que ele enfrente. Mas o que parece contar mais é um peculiar e incômodo reconhecimento de uma “sorte em comum” irreversível. Os projetos desenvolvidos através do Grupo de pesquisa Arte e Vida nos limites da representação (do Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina) tais como, Vinho-Saber, Orocongo-Saber, e a Baleeira, são projetos que de fato navegam. Procuram através do “estar-junto-com” desenvolver identificações “possíveis de ser” e consciência de que esse estar juntos, numa sorte

168 AUGÉ (2007).

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em comum, é um meio de desenvolver subjetividades que facilitam o jogo da alteridade e o reconhecimento de si.

Seja por uma ou outra causa, ou todas, estes projetos/processos se desenvolvem tendo como mola propulsora a conscientização das faltas e abusos do sistema. A frase de Thomas Hirschhorn pronunciada durante a 27º Bienal de São Paulo faz aqui suficiente sentido: O que eu quero é que o engajamento e o vazio – postos juntos- criem um novo sentido.

Mas não só a reflexão e o desejo de fazer coisas, de mudar coisas, de reinventar coisas são válidos. Há na passagem de um modo de comportamento sócio-cultural para outro, um processo de mudança que se inicia bem antes, a nível do socius, de substrato social, geralmente sem que percebamos as possíveis ligações com comportamentos posteriores. Por exemplo, não devemos esquecer, de acordo com Laddaga170, que a grande mudança nos conceitos empresariais no período chamado de pós-fordismo, nos anos 70, trouxe uma flexibilidade empresarial na qual, a solidez burocrática foi substituída por redes mais flexíveis e fluídas conectadas por todo o mundo.

Estas empresas trabalham em rede, com um amplo número de participantes e a organização do trabalho se desenvolve em equipes e por projetos, o que ocasiona maior mutabilidade e indeterminação. Estas características lhes permitem estar mais bem preparadas, para navegar nas ondas de uma realidade, que se supõe infinitamente variável e fundamentalmente incerta, seguindo o pensamento do autor citado. Substituem também, o sistema de cargos e funções por uma série de vínculos contratuais mais ou menos duradouros. O trabalho dos empregados apresenta-se com menor quantidade de atividades repetitivas e maior participação nos projetos de curto prazo, de conteúdos que mudam e se modificam no fazer e que estão além do “controle” dos indivíduos ou grupos.

Outra característica importante a destacar é que, devido a este modo de se constituir uma empresa se exigem novas competências aos empregados como: comunicabilidade, mobilidade, plasticidade, reatividade. Estas competências facilitam a adaptabilidade às circunstâncias que estão em contínua mudança as quais eram secundárias no modelo disciplinário de trabalho e disciplina de salário do regime empresarial do taylorismo/fordismo. Devemos considerar que estas

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competências são qualidades das pessoas enquanto pessoas, que revelam a capacidade de comprometer-se, de comunicar-se. São, por conseguinte, qualidades relacionais que revelam que o “Saber-ser”, não é igual ao “Saber” e ao “Saber-fazer”. A empresa promete no lugar de segurança e estabilidade de carreira, a oportunidade do desenvolvimento pessoal deste modo, cada trabalhador estaria ocupado tanto na produção de objetos ou prestação de serviços como, em uníssono, na modificação (na educação, no desenvolvimento) de si.

Se o modernismo foi correlativo ao taylorismo/fordismo. Que lógica corresponderia à nova situação? Pergunta-se Laddaga. Nos respondemos, como já colocamos, que se trata de uma “lógica relacional do encontro e da sociabilização da experiência”. Um exercício aprendizado que infere desenvolver, intensificar e reformular constantemente a colaboração direta na experiência processual, ao mesmo tempo em que se promove a participação e a colaboração social do entorno, do contexto próximo. Estamos assim, num eco direto da mudança iniciada no âmbito empresarial sócio-econômico.

A eficácia, de acordo com Laddaga, no desenvolvimento dos projetos/processos artísticos, da mesma maneira que nos projetos das empresas pós-fordistas, não depende de um domínio de técnicas, mas sim da ação eficaz de seus participantes. Este “participante”, por meio de suas atitudes e de sua presença constante no projeto/processo, desenvolve junto com outros estratégias em dispositivos que permitem jogar com as incertezas, as causalidades, os afetos e desafetos, onde a autoria individual se permuta pelo contentamento do fazer juntos171

e da produção de novas subjetividades decorrentes das ações empreendidas no exercício do olhar/experiência, perante a presença constante dos muitos outros.

Várias analogias se manifestam neste modo de fazer em arte pública com o modo de fazer das empresas atualmente, por exemplo, IBM, Linux, Google entre as maiores e que decorrem diretamente do sistema pós-fordista. Isto vem a confirmar o fato de que modos de fazer atuais “modelam” modos de fazer futuros, derivando desta asserção nossa responsabilidade sobre qual tipo de subjetividades desenvolvemos para gerações futuras.

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Estes projetos/processos têm seus antepassados, de acordo com Laddaga, em algum momento da genealogia de práticas que comungam com as vanguardas a propensão a desenfatizar o momento de produção de objetos estáveis e definidos, (que era o propósito principal da prática estética modernista) para ser substituído ao passar do tempo por práticas que se preocupam com a “substância da comunidade”. As práticas, neste sentido, se manifestaram por duas estratégias diferentes em diferentes épocas.

A primeira [estratégia]– dominante [...] no momento mais inquieto nas artes, o dos anos 80 e começo dos 90 – era a que apostava na apresentação, em público, de uma privacidade - prática do abjeto ou do informe, que se propunha estabelecer no espaço público aquilo que nenhuma mídia integraria-; recorria à figura da representação negativa, à elaboração de imagens ou textos que mostraram, apresentaram, fizeram sentir aquilo que se postulava como excesso em relação ao domínio da representação.

Esta classe de estratégia difere da – mais lúcida e quixotesca – dos projetos [...] nos quais um número de artistas e não-artistas se dedica a realizar iniciativas que provocam a mobilização de uma série de recursos disponíveis para o desenvolvimento de conversações criativas através das quais se constituem discursos e imagens, ao mesmo tempo em que se estabelecem micro-esferas públicas experimentais172.

As práticas contemporâneas de Arte Atual em Arte Pública sejam projetos/processos, ações ou intervenções, se afastam do idealismo artístico. Jogam com a paixão pela realidade, e interagem com o mundo como algo já criado no qual há que atuar, intervir, observar. Isto vai ao encontro do pensamento de Nicolas Bourriaud: num mundo que tudo está dado só temos que manipulá-lo, o problema não é produzir novas formas, mas inventar dispositivos-habitat que facilitem as relações humanas e seu contexto social. Faz coro também ao pensamento de Paul Ardenne, quem tem definido essa paixão pela realidade como arte contextual – estratégias, práticas e experiências artísticas que pretendem aproximar a arte à realidade – fora do museu, do mercantilismo, do idealismo, da criação individual - se colocando a respeito dela em situação de ação, interação e participação.173

172LADDAGA (op. cit, p. 285, tradução nossa).

173 Ver sobre o tema HERNÁNDEZ-NAVARRO: El arte contemporáneo entre la experiencia, lo antivisual y lo siniestro. Revista de Occidente. No. 297. España. fev. 2006.

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Esses interesses coincidem com desenvolvimentos na arte pública, que reprogramou a arte site-specific para ser sinônimo com community-based art174.

referenciada por projetos que visam a interação com as comunidades e a promoção de um melhor nível de conscientização social e política175.

Os trabalhos de Arte Pública, neste sentido, ocupam hotéis, ruas urbanas, projetos de moradia, prisões, escolas, hospitais, igrejas, zoológicos, supermercados, fronteiras, etc. Como, também se infiltram nos espaços da mídia: rádio, jornal, TV, Internet. Como por exemplo, o projeto/processo que implantou uma Rádio Comunitária na favela de Monte Cristo, Florianópolis, por iniciativa do artista Marcelo Wassen e que se desenvolveu num tempo mais o menos prolongado, com a participação colaborativa de jovens da região transmitindo notícias, entrevistas, eventos de interesse comum. Ao mesmo tempo em que outras atividades se desenvolviam em forma paralela como, por exemplo, a confecção de cartazes para eventos que resultaram do interagir em comum, com técnicas de design gráfico transmitidas aos jovens. Atividades estas recorrentes e intermediadas no próprio processo.

Conseqüentemente, esta prática de Arte Pública Atual é informada transversalmente por uma multidisciplinaridade de áreas (antropologia, sociologia, crítica literária, psicologia, história, etc.) sintonizada com discursos populares (moda, música, propaganda, cinema, TV). Arte como um site de exploração das insuficiências e potencialidades da vida comum num mundo histórico determinado, de acordo com Laddaga fazendo eco ao pensamento de Kwon.

Vemos atualmente artistas, escritores, músicos, trabalhando com projetos/processos que implantam diferentes formas de colaboração que se constituem como fundamento e imperativo principal destas práticas. Formas de colaboração que adquirem “visualidade” através de uma associação por tempos prolongados, meses, até anos; envolvem um número relativamente grande de pessoas de diferentes lugares, ou de um mesmo lugar; diferentes idades, profissões, classes sociais.

174 KWON (1997) -nota de rodapé- Conforme explicitado em projetos tais “Culture in Action” em Chicago (1992-93) e “ Points of Entry” em Pittburgh (1996), a arte ´site-specific´ pública na década de 90, marca uma convergência entre práticas enraizadas em ativismos políticos esquerdistas, tradições estéticas baseadas na comunidade, arte conceitual nascida da abordagem crítica institucional e políticas de identidade. Por causa dessa convergência muitas das questões que concernem as práticas contemporâneas de ´site specific´ se aplicam a arte pública também e vice-versa (KWON,

loc. cit).

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“Inventam”, enfatiza Laddaga176, mecanismos para articular, desde processos

de modificação da condição de coisas locais até a produção de ficções, fabulações, imagens, como do mesmo modo, o desenvolvimento de dispositivos de publicação ou exibição abertos a leitores potenciais. Estes dispositivos passam a atuar como arquivos/registro tornando-se acessíveis à comunidade que os origina e constituindo-se em material de interrogação constante.

Mecanismos que geram representatividade e empoderamento.

São projetos/processos construtivistas capazes de desenvolver comunidades experimentais que se reorganizam de maneira imprevisível e que partem de um voluntariado que fará com que,

[...] nos encontraremos, cada vez com maior freqüência com indivíduos que, em nome da vontade de explorar as relações entre a produção de textos ou de imagens e a vida das comunidades, se obstinam em participar da geração de pequenas e amplas ecologias culturais nas quais é cada vez mais reduzida a instância da observação silenciosa e a distinção estrita entre produtores e receptores177.

Outros exemplos são: A Quietude da Terra (Internacional); Venus (Ar), JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube) (Br); Musée Precaire Albinet (Fr); Projeto AA (Ar); Projeto Espécies Emergentes (AR). No Ceart/UDESC/SC (BR) o Grupo de Pesquisa Arte e Vida nos limites da representação vêm desenvolvendo esta modalidade de Arte Pública. São alguns desses projetos: Vinho-Saber; A Baleeira; Criação de uma Rádio Comunitária; Projeto Navegar; Projeto Vídeo-Garagem; Catadores na Costeira do Pirajubaé; Orocongo-Saber, entre outros. Projetos/processos como práticas artísticas atuais desenvolvidas em comunidades extinguindo os limites do público-privado com um caráter ecosófico, contextual e crítico.

O que não sabemos, segundo Laddaga178 é de quantas maneiras é possível associar de forma duradoura as pessoas. Na modernidade figuras como o sindicato, o partido político, inclusive a burocracia em sentido estrito, contribuíram como inovações criativas de associação. A universidade, como lugar de distribuição de posições e funções, é outra. No universo das artes o museu é uma forma

176 LADDAGA (2006, p. 9).

177 Idem, Ibidem (p. 42, tradução nossa). 178 Idem, Ibidem (p. 2, tradução nossa).

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inteiramente original de associar pessoas, objetos, espaços e tempos. Devemos estar cientes de que, estas formas de associações que conhecemos tendem a ser hoje transbordadas por multidões de problemas e maiores multidões de desejos.

Maffesoli179 dirá que existe sempre um alicerce comunitário que se pode

querer superar, corrigir, reformar, conforme as perspectivas ou as tendências teóricas, mas se reconhece como uma realidade absolutamente incontrolável. Laddaga180 falará, a este respeito, de uma estética que “emerge” das novas ecologias culturais que se formam no meio sócio-cultural, propondo modos pós- disciplinários de operar, através de projetos/processos como os aqui apresentados, que favorecem a exploração, por parte de coletividades numerosas, de nebulosas sociais nunca condensadas, de seus meios, moradas e mundos comuns.

As coisas devem acontecer de maneira simples. Intervir na sociedade. Viver em voz alta. Perseguir a perfeição da beleza, da emissão de sentido... pode ser um erro catastrófico. [...] Colocar coisas novas na cabeça é fácil, retirar as velhas é difícil. Esquecer as dúvidas, o profissionalismo, o consumo, as regras. Esquecer o correto e o incorreto181.

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