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Leonardo Boff apresenta uma teoria mais ampla à teoria das relações, a chama de Nova Era Ecológica. Neste filme, produzido por Adriana Miranda, no ano de 2004, (BOFF, 2004) ele resume sua teoria que tem como base os registros ecológicos de Felix Guattari. (2001)

No entanto, Boff amplia a visão de Guattari apresentando o aspecto integral da Ecologia, além dos aspectos ambientais, sociais e mentais. Nesta parte do capitulo será relatado aqui, de maneira adaptada, os conceitos que Leonardo Boff apresenta integralmente no filme.

Ecologia Ambiental entende que as relações e inter-relações é parte integrante de todos os seres vivos que numa mesma oikos, vivem juntos ―na casa comum‖, como nosso planeta. Conforme Boff, um deve ajudar o outro, fazendo com que todos possam existir e se preservar mutuamente na ecologia: ―... Ambiental, que se ocupa com o meio ambiente e as relações que as várias sociedades históricas entretêm com ele, ora benevolentes, ora agressivas, ora integrando o ser humano na natureza, ora distanciando-o...‖. (cf. 2004, p. 147)

Colaborando para essa compreensão, Berna conceitua de forma mais clara: ―Precisamos uns dos outros. Só existimos porque outros existem. Não haveria galáxias sem Universo, nem Sol sem Via-Láctea. Muito menos nosso planeta existiria sem o Sol. Não haveria animais sem planta, nem plantas sem água, ou solo sem as rochas. Muito menos existiriam seres humanos sem outros seres da natureza, incluído aí, o ser vivo, chamado Gaia, o outro nome de nosso planeta.‖ (cf. BERNA, 1994, p.13)

Dois conceitos precisam ser esclarecidos para que isto faça sentido: O conceito de meio ambiente e o conceito de Terra.

Meio ambiente é: ―ambiente inteiro, porque o ser humano é pertencente a ele‖. O ser humano bebe água, respira o ar, está exposto à luz solar, e é isso que possibilita a sua vida. (cf. BOFF, 2002, p. 8-20) Da mesma forma o código genético comprovado que todos os seres vivos têm o mesmo, isto contribui para uma compreensão maior das relações, inter-relações e integralidade40 no planeta.

40A integralidade em Edgar Morin, vê o mundo como um todo indissociável e propõe uma abordagem multidisciplinar e multirreferenciada para a construção do conhecimento. Contrapõe-se à causalidade por abordar

O código genético é chamado de alfabeto biológico de base. Todos são constituídos a partir dos mesmos trinta aminoácidos e das quatro bases fosfatadas. Apenas a combinação das sílabas deste alfabeto faz a diferença das espécies, e assim da biodiversidade.

Dentro desta perspectiva os seres humanos e todas as outras formas de vida formam o meio-ambiente, ou melhor, a grande comunidade de vida. Está é uma compreensão mais globalizante do que é meio-ambiente. (cf. BOFF, 2005)

Mais ainda: que o ser humano é Gaia, o ser humano é terra, que no seu processo de evolução começou a sentir, pensar, amar, venerar e, hoje, gritar. Nós somos terra. Homem vem de húmus. Terra fértil. Adão, nosso ancestral bíblico vem de adamar. Adão significa o filho e a filha da terra boa. Terra boa é adamar. Deus criou adamar e Adão, que é o filho da terra. Nós perdemos essa memória elúrica de que nós somos terra e nos imaginamos fora. (BOFF, 2002, p. 8-20)

A Relação do código genético, o alfabeto biológco de base, a questão Gaia e a memória telúrica da lingüística do homem se relacionam e diz uma verdade como diz: Boff: ―A Terra está na palma da nossa mão, escondo atrás do meu polegar e, daqui de cima, não há diferença entre humanidade e Terra; é uma coisa só. É verdadeμ é uma coisa só‖. (BOFF, 2002, p. 8-20)

Terra não é apenas o que está registrado nos manuais: um planeta com partes elevadas, que são os continentes, e partes líquidas, que são os rios, mares e oceanos; esta é uma idéia pobre perto do que foi descoberto pelos cientistas, a partir das experiências espaciais.

Os astronautas descobriram que vista de fora, a terra e a humanidade não têm diferença, formam uma grande unidade.

A Terra não somente tem vida sobre ela, mas na sua totalidade é um superorganismo vivo, ela se comporta como um ser que vive, e deram a ela o nome de Gaia.

Boff fala: ―Gaia: um dos nomes da Terra na mitologia grega. O cientista James Lovelock chamou a Terra de Gaia por que ela mostra reações e forma de equilíbrio, própria dos seres vivos. Ela seria um superorganismo vivo.‖ (cf. BOFF, 2002, p. 8-20)

Boff relata a relação religião e ciência, como motivadores da vida humana e responsável por ela, cita o diálogo entre Krishnamurti e Einstein, que despertou quando:

- Krishnamurti perguntou a ele: ―Einstein, em que medida a tua teoria da relatividade ajuda a diminuir o sofrimento humano? Einstein ficou parado‖.

Ninguém tinha colocado essa questão para ele, mas ele despertou para a responsabilidade da ciência, que ela tem que ser boa para os seres humanos. (cf. BOFF, 2005, p. 178)

A integralidade para Boff é algo fundamental diz ele: ―Nós estamos indo ao encontro da noosfera, isto é, de uma humanidade que une e articula mentes e corações. Noos, em grego, é mente única. Ele cita que Einstein dizia: Começa a sinapse de todos os neurônios de toda a humanidade, criando uma onda que, de repente, unifica a humanidade. Já em 1933 ele pensou isso, colocando a pergunta: Qual é o futuro do fenômeno humano?‖ (cf. BOFF, 2005, p. 178)

A terra tem um equilíbrio tão sutil que só um ser vivo tem. Há milhões de anos, ela tem 21% de oxigênio, se este índice descesse a 17 ou 15 nós desmaiaríamos. Se subisse a 27 ou 28, não poderíamos riscar um palito de fósforo que incendiaríamos o oxigênio. A salinização dos oceanos é sempre igual, tem 3,4% de sal. Essa quantidade é suficiente para manter o equilíbrio climático e o nível de oxigênio das águas. E o que é mais interessante, estes índices são iguais em todo o universo. (cf. BOFF, 2004, p. 147-150)

A Terra é um superorganismo vivo que se auto regulava. O grande problema é que a Terra está em desequilíbrio é precisa de ajuda. Ela não consegue mais se regular sozinha. Ela entrou num processo de caos! Por isso existem tempestades, inundações, secas: A terra está desregulada! Temos que ajudá-la a encontrar o seu equilíbrio. Dentro da perspectiva ambiental da ecologia, duas coisas precisam ser feitas urgentemente.

A primeira delas é adaptação do sistema Terra, à nova condição do planeta. Faz-se necessário uma mudança do modo de vida e de produção! Precisa-se de um modo de vida menos poluente, que gaste menos água, que contamine menos os solos, que envenene menos os ares.

Um sistema geofisiológico sempre começa com a ação de um organismo individual. Se esta ação for localmente benéfica para o meio ambiente, ela então poderá se difundir até que acabe resultando num altruísmo global. Gaia sempre opera assim para atingir seu altruísmo. Não há previsão ou planejamento envolvido. O inverso também é verdadeiro, e qualquer espécie que afete o meio ambiente desfavoravelmente está sentenciada. (LOVELOCK, 2006, p 57)

Por isso a grande palavra chave da ecologia ambiental é qualidade de vida, no entanto esta qualidade de vida não pode ser somente para os seres humanos e ao custo da morte das outras formas de vida, isso acabará gerando a morte do próprio ser humano!

Qualidade de vida para todo o superorganismo, para o ser humano, para os animais, para as plantas, qualidade em toda forma de vida! Ecologia ambiental é vida para Gaia!

As sociedades se relacionam de maneiras diferentes com a natureza. Os nossos indígenas, por exemplo, como os Tupis-Guaranis, ao arrancar uma árvore pedem desculpa por isso, justificando a necessidade de fazer uma canoa ou qualquer outro objeto que necessite da madeira.

A sociedade, dita civilizada, não age desta maneira. Arrancam-se centenas ou milhares de árvores, sem qualquer respeito ou sentido de comunidade com a natureza, e muitas vezes por pura ganância.

Ecologia Social

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O ser humano não vive apenas dentro do meio ambiente, vive em sociedade. A Ecologia social estuda as formas de relação das sociedades com a natureza. Como as sociedades organizam os seus modos de produção, como organizam a distribuição dos recursos produzidos, como tratam os dejetos, como dividem os recursos escassos.

Boff confirma dizendo que a ecologia:

Social, que se ocupa principalmente com as relações sociais como pertencentes às relações ecológicas, pois o ser humano pessoal e social é parte do todo natural e a relação para com a natureza passa pela relação social de exploração, de colaboração ou de respeito e veneração, de tal forma que a justiça social (a reta relação entre as pessoas, funções e instituições) implica certa realização da justiça ecológica (uma reta relação para com a natureza, acesso equânime a seus recursos, garantia de qualidade de vida). (BOFF, 2004, p. 147)

A civilização, hoje globalizada, vive numa dupla ilusão: A primeira é pensar que os recursos da terra são ilimitados. A segunda é que se pode desenvolver infinitamente em direção ao futuro. Isso não é possível, pois a terra é finita e não suporta todo o desenvolvimento que se pensa ser possível. Um exemplo claro disso é que se os países ricos (como Japão, Estados Unidos e muitos países europeus) quisessem democratizar e universalizar o bem estar deles seria necessário três planetas Terra para atender às populações! É urgente a necessidade de se desenvolver um modo sustentável de viver!

Como equilibrar o uso dos recursos escassos, renováveis ou não, e conseguir manter as pessoas e a comunidade de vida em relativa satisfação e felicidade, é um desafio da Ecologia Social, por conta da grande desigualdade da nossa sociedade. Analise: as três pessoas mais ricas do mundo possuem mais riquezas do que 42 nações, onde vivem 600 milhões de pessoas! Outro dado chocante é que 257 pessoas têm a riqueza correspondente a 2,8 milhões de pessoas, quase metade da população mundial! O que constitui uma profunda injustiça.

Temos dois tipos de injustiça: a ecológica. Poluição das águas e dos ares, queimada das florestas, produção exagerada de lixo doméstico, isto é, toda forma de agressão à natureza! E há uma injustiça social, que permite que mais de 800 milhões de pessoas passem fome e mais de 1 bilhão de pessoas tomando água poluída, sendo que 70% das doenças atuais provem de águas maltratadas!

Ecologia Social se propõe a estudar um tipo de sociedade sustentavel, que pense de forma integral do ser humano, da natureza, do social-economico e espiritual sem exploração, pois a atual não é boa para a grande maioria das pessoas e muito menos para a natureza! Assim, a necessidade de uma qualidade de vida na sociedade em geral.

O grande desafio é reinventar a sociedade, na qual todos possam caber e fazer inclusa a natureza. Uma sociedade que seja sustentável, onde o modo de vida permita qualidade e longevidade, para todo o sistema vivente! Sociedade que saiba usar os recursos renováveis e permita que a Terra se recupere e use os recursos não renováveis (como petróleo e carvão) de maneira racional.

Sociedade sustentável é aquela que diminui a pobreza e cria relativa equidade para o bem estar de todas as pessoas! Para que essa sociedade possa ser construída é necessária uma mudança de mente e de coração. Essa é a mais nobre proposta da Ecologia Social! (cf. BOFF, 2004, p. 147-150)